Um milagre de Chanuka para os Bnei Menashe

Por Michael Freund

Depois de um voo noturno longo e cansativo, o grupo de novos imigrantes saiu do avião da El Al e desceu as escadas lentamente, com os sentidos aguçados pelo frio da manhã e pela consciência de que seu sonho tão acalentado estava a tornar-se realidade.

Ao chegarem a terra, ao pisar na terra de seus ancestrais após séculos de exílio, muitos se ajoelharam e beijaram apaixonadamente o chão, agradecendo em voz alta ao Criador por tê-los trazido para casa, para Sião. Certamente, mesmo o mais duro dos corações não poderia deixar de se emocionar por essa poderosa imagem, como uma cena forjada com tons bíblicos que ganhou vida.  

Na manhã desta terça-feira passada, um grupo de 250 Bnei Menashe do nordeste da Índia pousou no Aeroporto Ben Gurion em um voo especial, fretado e organizado pela Shavei Israel, a organização que fundei e presido, em conjunto com o Ministério da Aliá e Absorção. Depois de passar pela conversão formal pelo Rabinato Chefe de Israel, os imigrantes se mudarão para Nof HaGalil, anteriormente conhecido como Nazaré Ilit.

Os Bnei Menashe são descendentes da tribo de Manassés, uma das Dez Tribos Perdidas exiladas da Terra de Israel há mais de 2.700 anos pelo Império Assírio.

Apesar de terem estado separados do resto do povo judeu durante tanto tempo, os Bnei Menashe continuaram a preservar os costumes de seus antepassados, observando o Shabat, guardando a kashrut e aderindo às leis de pureza familiar. Nunca se esqueceram de quem eram ou de onde vieram, nem de onde um dia desejavam voltar.

Depois de terem sido descobertos na década de 1980 pelo falecido Rabino Eliyahu Avichail, os Bnei Menashe abraçaram o Judaísmo Ortodoxo contemporâneo.

Até agora, mais de 4.000 Bnei Menashe fizeram aliá graças em grande parte à Shavei Israel. Outros 6.500 Bnei Menashe permanecem na Índia aguardando a oportunidade de imigrar para o estado judeu.

O grupo de 250 pessoas que fez aliá no início desta semana foi o primeiro a chegar em dois anos e meio, e o seu regresso está repleto de comoventes histórias pessoais.

Na verdade, esse número de 250 esconde mais do que revela, porque por trás desses dígitos estão seres humanos vivos, que respiram, sendo cada um deles um mundo em si mesmo, com as suas esperanças, paixões e sonhos.

Entre eles está Miriam Singson, uma viúva do estado indiano de Manipur, junto com seu filho Tzadok e sua filha Rina. Miriam tem outros dois filhos que fizeram aliá há vários anos e esta semana ela pôde ver seus seis netos israelenses pela primeira vez.

Outra reunião comovente aconteceu com a aliá de Yaffa Haokip e seus dois filhos pequenos, Alon e Hanan. Os pais de Yaffa, Neemias e Nirit, se mudaram para Israel há 13 anos e ela não os via desde então, nem eles tinham tido a oportunidade de conhecer seus próprios netos.

E temos também Azaria Kolny, que viveu em Israel nas últimas duas décadas e me disse antes desta aliá: «É muito difícil acreditar que terei a oportunidade de abraçar meu querido filho e sua família depois de um longo intervalo de 20 anos. Estou muito feliz e em choque… Não consigo nem expressar quais são os meus sentimentos.»

A retoma da imigração Bnei Menashe não teria sido possível sem a determinação da Ministra da Absorção e Aliá, Pnina Tamano-Shata. Praticamente desde o dia em que assumiu seu posto, ela assumiu a responsabilidade de fazer todo o possível para obter as aprovações necessárias para o retorno dos Bnei Menashe.

Os Bnei Menashe podem não falar iídiche ou ladino, comer gefilte fish ou apreciar cholent, mas isso de forma alguma os torna menos parte do destino judaico. Eles são uma bênção para Israel e o povo judeu, e devemos fazer tudo ao nosso alcance para reuni-los à nossa nação.

Vem mesmo a propósito que a aliá Bnei Menashe tenha ocorrido na semana passada durante Chanukah, quando celebramos a descoberta, por parte dos Hasmoneus, do frasco milagroso de azeite puro que de alguma forma conseguiu permanecer imaculado. Nesse sentido, a redescoberta da tribo perdida de Bnei Menashe, que manteve sua fidelidade ao De’s de Israel apesar de 27 séculos no exílio, é uma versão moderna do milagre de Chanuka, da fé e sobrevivência judaicas contra todas as probabilidades.  

2020 foi um ano de turbulência, incerteza e dificuldades. Por isso, ao chegarmos ao fim do ano, é bom poder celebrar um momento verdadeiramente comovente e especial na história sionista e judaica.

No entanto, mesmo enquanto saboreamos o momento, nos recusamos a esquecer aqueles que ficaram para trás e que ainda estão esperando para fazer aliá. Com a ajuda de De’s, faremos tudo ao nosso alcance para garantir que todos os 6.500 Bnei Menashe restantes possam chamar Israel de seu lar. Que isso aconteça em breve.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *