Parasha da Semana – Vaishlach

Parasha da Semana – Vaishlach

Por Rav Reuven Tradburks

Os desafios de Yaakov parecem nunca ter fim.  Ele retorna para a terra de Israel.  Receia um confronto com Esav. Prepara-se, dividindo a sua comitiva.  Um homem luta com ele durante a noite, mudando o seu nome de Yaakov para Israel ao amanhecer. Yaakov envia presentes a Esav para o apaziguar.  Esav corre, abraça Yaakov, beija-o e chora.  Yaakov rejeita o pedido de Esav para assentarem juntos. Dinah é violentada por Shechem em Shechem.  Shimon e Levi matam os homens da cidade. Yaakov chega a Beit El, o lugar do seu sonho da escada, e constrói um altar.  Rachel morre ao dar à luz Binyamin.  Reuven deita-se com Bilha.  Yaakov reencontra-se com Yitzchak.  É delineada a linhagem de Esav.

A vida de Yaakov é dura. Esav queria matá-lo; ele fugiu para salvar sua vida.  O tempo que passou com Lavan foi de trabalho duro e decepção. Lutou com um anjo.  Ao voltar para casa, não se chega a reunir com a sua mãe, Rivka. Evita confronto com Esav.  Dina é violentada. A cidade de Shechem é massacrada.  A sua querida esposa Rachel morre de parto.  E na próxima semana Yosef é vendido.  Entendemos bem o comentário de Chazal no início da parashá da próxima semana, de que Yaakov apenas procurava um pouco de paz e sossego.

1ª Aliá (32: 4-13) Yaakov envia mensageiros a Esav. Digam a Esav que o seu servo Yaakov esteve com Lavan.  Temos muito gado.  Os mensageiros voltam com a informação de que Esav está a aproximar-se com 400 homens.  Yaakov tem receio;  divide a sua comitiva, assim pelo menos metade sobreviverá.  E  reza: Embora eu não mereça, Tu prometeste que a minha descendência seria numerosa.

Yaakov não sabe o que esperar de Esav.  A última vez que soubemos dele, Esav queria matar Yaakov.  Yaakov não sabe se ele ainda quer. Porque há uma lacuna crucial na nossa história.  Há muito tempo, quando Yaakov roubou a bênção de Esav, Esav jurou matá-lo.  Rivka avisou a Yaakov para este fugir.  Mas Rivka também lhe prometeu que lhe enviaria uma mensagem quando o caminho estivesse limpo, quando Esav já não fosse tentar matar Yaakov (27:45).  Onde está a sua mãe Rivka?  Aquela que o amava?  Yaakov nunca recebeu notícias dela, de já ser seguro voltar.  Ele obteve a garantia de D’us para voltar, que D’us estaria com ele.  Mas será que isso significa que Esav ainda quer matá-lo, mas que D’us estará com ele para o proteger?  Ou será que Esav desistiu da sua raiva?

2ª Aliá (32: 14-30) Yaakov prepara presentes do seu gado para Esav com a mensagem: D«o teu servo Yaakov».  Um homem luta contra Yaakov durante a noite, ferindo-o na coxa.  Ao amanhecer, o homem diz-lhe que o seu nome é agora Yisrael, pois ele lutou contra D’us e o homem e prevaleceu.

Yaakov não sabe se Esav tem uma intenção assassina.  Para o caso de a ter, Yaakov tenta apaziguá-lo com presentes.  Porque acha ele que presentes de gado com um cartão anexado a dizer «Do teu servo Yaakov», irão esfriar a intenção assassina de Esav?

Esav queria matar Yaakov porque Yaakov lhe tinha roubado a brachá.  O que era essa brachá?  (27: 28-29) «D’us dar-te-á da gordura da terra, muitos grãos e vinho. E vais governar: o teu irmão curvar-se-á perante ti.» Uma brachá em 3 partes: sucesso agrícola, poder político e domínio sobre o seu irmão.  Yaakov está a dizer a Esav para não se preocupar muito com a brachá.  Porque nunca se tornou realidade.  Não tenho sucesso agrícola nenhum, não tenho poder algum e não tenho domínio nenhum sobre ti.  Tudo o que tenho são animais. Não tenho terra.  Muito menos a gordura da terra.  E quanto ao poder?  Fui um trabalhador estrangeiro junto de Lavan.  E quem está a curvar-se perante quem?  «Do teu servo Yaakov».  3 riscos por cima: sem gordura da terra, sem poder, e o mestre és tu, não eu.  Então, não há necessidade de te preocupares com uma brachá que não deu em nada.

ª Aliá (32: 31-33: 5) Yaakov acorda coxo, daí a proibição de comermos o nervo ciático.  Vê Esav.  Divide a família.  Esav corre até ele, abraça-o, beija-o e chora.

Yaakov deve ter dado um suspiro de alívio.  Quando soube que Esav estava a chegar com 400 homens, convenceu-se de que Esav ainda tentava matá-lo — caso contrário, para quê a tropa?  E, nunca recebi uma palavra da mãe a dizer-me que Esav não me queria matar.  E então Esav correu, abraçou-o, beijou-o e chorou.  Que alivio.

O que fez Esav mudar de ideias?  Vamos deixar os sapato de Yaakov.  E entrar nos  de Esav.  Rivka nunca enviou uma palavra sobre a mudança no coração de Esav porque não tinha havido essa mudança.  Ele tem toda a intenção de matar Yaakov.  Trouxe o exército.  Mas agora ele mudou de ideias. Porquê?  Talvez ele tenha sido convencido por Yaakov de que a bracha tinha sido um fracasso e, portanto, não havia nada com que se preocupar.  Mas a Torá parece silenciosa sobre essa mudança crucial.  Porque não nos diz porque Esav mudou de ideias, desistiu da sua intenção de matar Yaakov e o abraçou?

Isto leva o Midrash a questionar a sinceridade dos abraços e beijos de Esav. Na nossa Torá escrita há pontos sobre cada letra dos beijos de Esav. Esta é uma maneira de dizer – tome nota, há mais do que parece nesses beijos. Talvez esses beijos sejam passageiros; a intenção assassina ainda anda à espreita.

4ª Aliá (33: 6-20) Esav é instado a aceitar os presentes de Yaakov.  Esav propõe-lhe viverem em fraternidade.  Yaakov opõe-se, enviando Esav à frente, dando-lhe a entender que o alcançará mais tarde.  Em vez disso, vai para a terra de Israel.  Mora em Sucot e depois em Shechem.  Constrói um altar e invoca o nome de D’us.

A insistência de Yaakov  numa separação completa de Esav pode apoiar a opinião de que os beijos de Esav não eram sinceros. Yaakov consegiu ver para além da fachada e, por isso, queria uma separação completa.

E, embora Yaakov possa ter tentado convencer Esav de que a brachá de Yitzchak não existiu, ele próprio não acredita. Ele está convencido de que é o herdeiro do legado judaico. Ele vai a Shechem e constrói um altar.  Porque não vai ele imediatamente para Beit El?  Não fez ele uma promessa, quando teve o sonho da escada, de que voltaria para aquele lugar?  E porque não se reuniu imediatamente com a sua mãe e o seu pai?  Porque ir para Shechem e não para Beit El ou Chevron? 

Ele está a seguir os passos de Avraham — literalmente.  Avraham viajou de Charan;  a primeira paragem na terra de Israel foi Shechem, onde construiu um altar.  Yaakov acabou de viajar de Charan para a terra de Israel, parando primeiro em Charan e construindo um altar. Ele vê-se a si próprio claramente como herdeiro de Avraham, andando nas suas pegadas.

5ª Aliá (34: 1-35: 11) Dina é violentada por Shechem  em Shechem.  Os irmãos informam que só se aliarão a homens circuncidados.  Enquanto os homens estão a recuperar, Shimon e Levi matam-nos a todos.  Yaakov fica descontente.  Mas eles contrapõem;  «Podem eles fazer da nossa irmã uma prostituta?» D’us diz a Yaakov para ir a Beit El e fazer o altar prometido.  Ele faz.  D’us aparece-lhe e diz-lhe que o nome dele é Yisrael, não Yaakov.  E que nações e reis surgirão dele.

A história da violação de Dina é a primeira história da próxima geração.  E o comentário retórico dos irmãos será uma ideia para o resto do livro — não o que eles disseram, mas o que sugeriram.  «Podem eles fazer da nossa irmã uma prostituta?»,  ou seja, «E nós, os irmãos, ficamos de braços cruzados?»  Não. Nós defendemos os nossos irmãos.  Assim começa o resto do livro —irmãos a defenderem irmãos. Mas, apesar de defenderem Dina, não defendem Yosef.

A reação de Yaakov perante o massacre de Shechem também é instrutiva. Ele critica a violência, por esta impedir as boas relações com o povo da terra. Yaakov pode pensar que a promessa divina da terra está prestes a revelar-se, no seu tempo. A promessa feita a Avraham no Brit bein habetarim: Os teus filhos serão estrangeiros numa terra estranha, escravizados, oprimidos, e só depois de muito tempo voltarão para aqui. Yaakov foi uma espécie de escravo numa terra estrangeira e foi oprimido lá – talvez então a promessa da terra se desdobre no seu tempo. E para isso, más relações com o povo são uma coisa ruim.

6ª Aliá (35: 12-36: 19) D’us afirma a promessa da terra a Yaakov.  Yaakov constrói altares, viajando para o sul.  Rachel morre ao dar à luz Binyamin.  Reuven deita-se com Bilha.  Yaakov vai para Chevron, para Yitzchak.  Yitzchak morre aos 180 anos e é enterrado por Esav e Yaakov.

A introdução para a história dos filhos de Yaakov está a decorrer.  Mas tudo continuará sem Rachel, a querida esposa de Yaakov.  As mulheres desempenharam um papel dominante até aqui.  A morte de Rachel priva Yaakov da sábia voz feminina que Avraham tinha em Sarah e Yitzchak tinha em Rivka.  Teria Yosef aquela túnica especial, se Yaakov pudesse ter contado com o conselho de Rachel?

7ª Aliá (36: 20-43) São enumerados os descendentes de Esav: nações e reis.

Tal como ocorreu com Yishmael, é detalhada a família de Esav.  Este é o fim da história de quem está no povo judeu e quem fica de fora.  O resto da Torá é a história de Yaakov e a sua família, todos eles o povo judeu.

 

Parashá da Semana – Vaishlach

Parashá da Semana – Vaishlach

Parsha Vaishlach

Por: Rav Yoshua Ellis, de Varsóvia

É isso, esta é a semana em que o homem Israel vai morar na terra de Israel. Após vinte anos de saudades, construindo uma família e acumulando riquezas, Yakov vai para casa. Mas não é o que ele se lembra, ou o que ele esperava. O seu encontro com Esav, o irmão distante, embora não seja fatal, não oferece nenhuma resolução para o conflito. Depois de vinte anos de crescimento, mudança e até mesmo um novo nome, ele ainda precisa de mentir para escapar do controlo do seu irmão. O seu encontro com os habitantes locais mostra que eles não têm mais moralidade agora do que quando Sarah foi sequestrada.

Depois de vinte anos de luta e saudade, Yakov volta para casa e descobre que está a mesma bagunça que ele deixou. Fugir dos nossos problemas, embora às vezes possa ser necessário para a nossa sobrevivência, não resolve nada. Esta semana Yakov aprendeu que Israel não é a sua casa por ser o lugar onde pode viver sem dificuldades; Israel é a sua casa porque é o lugar todos os desafios são desafios seus.

Shabat Shalom!

Com amor,
Yehoshua

Parasha da Semana – Vaislach

Parasha da Semana – Vaislach

Parasha da semana – Vaishlach

Por Rav Reuven Tradburks


Os desafios de Yaakov parecem nunca ter fim.  Ele retorna para a terra de Israel.  Receia um confronto com Esav. Prepara-se, dividindo a sua comitiva.  Um homem luta com ele durante a noite, mudando o seu nome de Yaakov para Israel ao amanhecer. Yaakov envia presentes a Esav para o apaziguar.  Esav corre, abraça Yaakov, beija-o e chora.  Yaakov rejeita o pedido de Esav para assentarem juntos. Dinah é violentada por Shechem em Shechem.  Shimon e Levi matam os homens da cidade. Yaakov chega a Beit El, o lugar do seu sonho da escada, e constrói um altar.  Rachel morre ao dar à luz Binyamin.  Reuven deita-se com Bilha.  Yaakov reencontra-se com Yitzchak.  É delineada a linhagem de Esav.

A vida de Yaakov é dura. Esav queria matá-lo; ele fugiu para salvar sua vida.  O tempo que passou com Lavan foi de trabalho duro e decepção. Lutou com um anjo.  Ao voltar para casa, não se chega a reunir com a sua mãe, Rivka. Evita confronto com Esav.  Dina é violentada. A cidade de Shechem é massacrada.  A sua querida esposa Rachel morre no parto.  E na próxima semana Yosef é vendido.  Entendemos bem o comentário de Chazal no início da parashá da próxima semana, de que Yaakov apenas procurava um pouco de paz e sossego.

1ª Aliá (32: 4-13) Yaakov envia mensageiros a Esav. Digam a Esav que o seu servo Yaakov esteve com Lavan.  Temos muito gado.  Os mensageiros voltam com a informação de que Esav está a aproximar-se com 400 homens.  Yaakov tem receio;  divide a sua comitiva, assim pelo menos metade sobreviverá.  E  reza: Embora eu não mereça, Tu prometeste que a minha descendência seria numerosa.

Yaakov não sabe o que esperar de Esav.  A última vez que soubemos dele, Esav queria matar Yaakov.  Yaakov não sabe se ele ainda quer. Porque há uma lacuna crucial na nossa história.  Há muito tempo, quando Yaakov roubou a bênção de Esav, Esav jurou matá-lo.  Rivka avisou a Yaakov para este fugir.  Mas Rivka também lhe prometeu que lhe enviaria uma mensagem quando o caminho estivesse limpo, quando Esav já não fosse tentar matar Yaakov (27:45).  Onde está a sua mãe Rivka?  Aquela que o amava?  Yaakov nunca recebeu notícias dela, de já ser seguro voltar.  Ele obteve a garantia de D’us para voltar, que D’us estaria com ele.  Mas será que isso significa que Esav ainda quer matá-lo, mas que D’us estará com ele para o proteger?  Ou será que Esav desistiu da sua raiva?

2ª Aliá (32: 14-30) Yaakov prepara presentes do seu gado para Esav com a mensagem: D«o teu servo Yaakov».  Um homem luta contra Yaakov durante a noite, ferindo-o na coxa.  Ao amanhecer, o homem diz-lhe que o seu nome é agora Yisrael, pois ele lutou contra D’us e o homem e prevaleceu.

Yaakov não sabe se Esav tem uma intenção assassina.  Para o caso de a ter, Yaakov tenta apaziguá-lo com presentes.  Porque acha ele que presentes de gado com um cartão anexado a dizer «Do teu servo Yaakov», irão esfriar a intenção assassina de Esav?

Esav queria matar Yaakov porque Yaakov lhe tinha roubado a brachá.  O que era essa brachá?  (27: 28-29) «D’us dar-te-á da gordura da terra, muitos grãos e vinho. E vais governar: o teu irmão curvar-se-á perante ti.» Uma brachá em 3 partes: sucesso agrícola, poder político e domínio sobre o seu irmão.  Yaakov está a dizer a Esav para não se preocupar muito com a brachá.  Porque nunca se tornou realidade.  Não tenho sucesso agrícola nenhum, não tenho poder algum e não tenho domínio nenhum sobre ti.  Tudo o que tenho são animais. Não tenho terra.  Muito menos a gordura da terra.  E quanto ao poder?  Fui um trabalhador estrangeiro junto de Lavan.  E quem está a curvar-se perante quem?  «Do teu servo Yaakov».  3 riscos por cima: sem gordura da terra, sem poder, e o mestre és tu, não eu.  Então, não há necessidade de te preocupares com uma brachá que não deu em nada.

3ª Aliá (32: 31-33: 5) Yaakov acorda coxo, daí a proibição de comermos o nervo ciático.  Vê Esav.  Divide a família.  Esav corre até ele, abraça-o, beija-o e chora.

Yaakov deve ter dado um suspiro de alívio.  Quando soube que Esav estava a chegar com 400 homens, convenceu-se de que Esav ainda tentava matá-lo — caso contrário, para quê a tropa?  E, nunca recebi uma palavra da mãe a dizer-me que Esav não me queria matar.  E então Esav correu, abraçou-o, beijou-o e chorou.  Que alivio.

O que fez Esav mudar de ideias?  Vamos deixar os sapato de Yaakov.  E entrar nos  de Esav.  Rivka nunca enviou uma palavra sobre a mudança no coração de Esav porque não tinha havido essa mudança.  Ele tem toda a intenção de matar Yaakov.  Trouxe o exército.  Mas agora ele mudou de ideias. Porquê?  Talvez ele tenha sido convencido por Yaakov de que a bracha tinha sido um fracasso e, portanto, não havia nada com que se preocupar.  Mas a Torá parece silenciosa sobre essa mudança crucial.  Porque não nos diz porque Esav mudou de ideias, desistiu da sua intenção de matar Yaakov e o abraçou?

Rav Elchanan Samet tem uma sugestão fascinante.  A Torá não fica em silêncio sobre a mudança de atitude.  Conta-no-la exatamente: Um homem lutou com Yaakov a noite toda.  Pela manhã, abençoou Yaakov, porque Yaakov prevaleceu.

Rav Samet sugere que quando o Midrash nos diz que este homem é Saro shel Esav, o equivalente angelical celestial de Esav, está a explicar o fluxo simples da história.  É esta história que explica  a mudança de opinião de Esav.

Esav, o homem, é guiado por Esav, o anjo, o seu equivalente celestial.  Existem 2 mundos paralelos: este mundo e o seu equivalente celestial.  Esav, o homem, não sabe porque mudou de ideias. A sua mente foi mudada pelo seu anjo da guarda.  Esav, o anjo, tentou lutar contra Yaakov a noite toda sem sucesso.  A luta com Yaakov acabou.  O sar celestial de Esav, o seu anjo, admite a derrota.  O sar abençoa Yaakov.  E, portanto, a luta de Esav, o homem, também acabou.  O anjo da guarda de Esav mudou de intenção assassina para bênção — assim também Esav, o homem, muda paralelamente de intenção assassina para reconciliação.  O Midrash parece ser o pshat.  (O meu amigo Rabi Shmuel Goldin apontou que isso é prefigurado no final da parashá da semana passada, pela estadia de Yaakov em «machanaim» , literalmente «acampamento duplo», onde ele encontra anjos. Existem mundos paralelos, o físico e o angelical.

4ª Aliá (33: 6-20) Esav é instado a aceitar os presentes de Yaakov.  Esav propõe-lhe viverem em fraternidade.  Yaakov opõe-se, enviando Esav à frente, dando-lhe a entender que o alcançará mais tarde.  Em vez disso, vai para a terra de Israel.  Mora em Sucot e depois em Shechem.  Constrói um altar e invoca o nome de D’us.

Embora Yaakov possa ter tentado convencer Esav de que a brachá de Yitzchak não existiu, ele próprio não acredita.  Ele vai a Shechem e constrói um altar.  Porque não vai ele imediatamente para Beit El?  Não fez ele uma promessa, quando teve o sonho da escada, de que voltaria para aquele lugar?  E porque não se reuniu imediatamente com a sua mãe e o seu pai?  Porque ir para Shechem e não para Beit El ou Chevron?  Ele está a seguir os passos de Avraham — literalmente.  Avraham viajou de Charan;  a primeira paragem na terra de Israel foi Shechem, onde construiu um altar.  Yaakov acabou de viajar de Charan para a terra de Israel, parando primeiro em Charan e construindo um altar.

5ª Aliá (34: 1-35: 11) Dina é violentada por Shechem  em Shechem.  Os irmãos informam que só se aliarão a homens circuncidados.  Enquanto os homens estão a recuperar, Shimon e Levi matam-nos a todos.  Yaakov fica descontente.  Mas eles contrapõem;  «Podem eles fazer da nossa irmã uma prostituta?» D’us diz a Yaakov para ir a Beit El e fazer o altar prometido.  Ele faz.  D’us aparece-lhe e diz-lhe que o nome dele é Yisrael, não Yaakov.  E que nações e reis surgirão dele.

A história da violação de Dina é a primeira história da próxima geração.  E o comentário retórico dos irmãos será uma ideia para o resto do livro — não o que eles disseram, mas o que sugeriram.  «Podem eles fazer da nossa irmã uma prostituta?»,  ou seja, «E nós, os irmãos, ficamos de braços cruzados?»  Não. Nós defendemos os nossos irmãos.  Assim começa o resto do livro —irmãos a defenderem irmãos.  Ou talvez não.

6ª Aliá (35: 12-36: 19) D’us afirma a promessa da terra a Yaakov.  Yaakov constrói altares, viajando para o sul.  Rachel morre ao dar à luz Binyamin.  Reuven deita-se com Bilha.  Yaakov vai para Chevron, para Yitzchak.  Yitzchak morre aos 180 anos e é enterrado por Esav e Yaakov.

A introdução para a história dos filhos de Yaakov está a decorrer.  Mas tudo continuará sem Rachel, a querida esposa de Yaakov.  As mulheres desempenharam um papel dominante até aqui.  A morte de Rachel priva Yaakov da sábia voz feminina que Avraham tinha em Sarah e Yitzchak tinha em Rivka.  Teria Yosef aquela túnica especial, se Yaakov pudesse ter contado com o conselho de Rachel?

7ª Aliá (36: 20-43) São enumerados os descendentes de Esav: nações e reis.

Tal como ocorreu com Yishmael, é detalhada a família de Esav.  Este é o fim da história de quem está no povo judeu e quem fica de fora.  O resto da Torá é a história de Yaakov e a sua família, todos eles o povo judeu.

Parashat Vaishlach

Autora: Edith Blaustein

Elie Wiesel, no seu livro Mensageiros de De’s diz-nos: No seu sonho, Jacob viu uma escada cujo fim chegava ao céu. Ainda existe. Há quem a tenha visto, em algum lugar da Polónia, ao lado de uma estação de comboio abandonada, e um povo inteiro estava a subir em direção às nuvens ardentes. Esse era o caráter do medo que o nosso Jacob deve ter sentido.

Wiesel continua a descrever o nosso patriarca:

Um homem solitário, um sonho incandescente, um conflito. Dois irmãos, dois destinos. Amarrados e separados à noite. Um homem face à morte, um homem que imagina o seu futuro.

Um exame de si mesmo que implica um questionamento do seu passado. Memórias da primeira infância, das primeiras brigas com o seu irmão mais velho, triunfos seguidos de remorsos, os primeiros amores, a primeira e última deceção. Todos esses acontecimentos tinham-no conduzido ao confronto que acabava de ter com o seu tio Labão e o que teria amanhã com o seu irmão Esaú.

Jacob estava preocupado, o que era compreensível. Amanhã poderia morrer. O seu irmão, que ele não via há vinte anos, não compareceria sozinho ao encontro: Estaria acompanhado, pelo menos, por quatrocentos homens armados. O que aconteceria amanhã? Jacob estava com medo.

Na verdade, se ele tivesse o menor domínio sobre questões práticas, Jacob teria tentado descansar. Amanhã ele iria precisar de toda a sua energia, de todas as suas faculdades. Não conseguia, porque esta noite marcaria o início de uma nova aventura, a mais importante de todas.

Uma aventura estranha, misteriosa do princípio ao fim, de uma beleza avassaladora, intensa a ponto de nos fazer duvidar do que os nossos sentidos experimentam. Filósofos e poetas, rabinos e narradores, todos aspiraram lançar luz sobre o enigmático evento que ocorreu naquela noite, a poucos passos do rio Chabok. Um episódio contado na Bíblia com a sua sobriedade habitual e majestosa. Lembram-se?

Deixaram Jacob sozinho. E um homem lutou com ele até ao amanhecer. Quando viu que não o derrotara, deslocou-lhe a anca. E disse-lhe:

O dia está a chegar, deixa-me ir.

Jacob respondeu:

Não te deixarei ir, a menos que me abençoes.

E ele disse:

Qual é o teu nome?

Jacob respondeu:

Jacob.

O outro disse:

O teu nome não será mais Jacob, mas Israel, porque lutaste com De’s e o derrotaste.

Então Jacob pediu:

Peço-te que me digas o teu nome.

E ele respondeu:

Para quê o queres saber? E abençoou-o.

Jacob chamou aquele lugar Peniel:

Pois vi De’s face a face, e no entanto, continuo com vida.

Existem diferentes interpretações. Aqui as dimensões do episódio são modificadas: Testemunhamos um confronto entre Jacob e Jacob. O heroico sonhador e o inveterado fugitivo, o homem modesto e o fundador de uma nação, lutaram em Peniel numa batalha feroz e decisiva. E ganhou. Podia ser um anjo, o seu outro «eu» ou um homem, mas uma coisa é certa: O adversário foi derrotado. Agora Jacob estava preparado para enfrentar o seu irmão inimigo. Esse é, então, o significado principal deste episódio: A história de Israel ensina-nos que a verdadeira vitória do homem é aquela que ele consegue sobre si próprio.

Peniel: Encruzilhada, momento dramático para o espírito de Jacob. Já não estava satisfeito com a sua condição de filho de Isaac e neto de Abraão; desejava ter um nome que lhe pertencesse. Carregar com um significado completamente próprio e ligar-se a um evento que o imortalizasse.

Israel já não é decididamente o Jacob desorientado e sentimental que conhecemos até agora. Aprendeu a ser duro e determinado. A derrotar os seus adversários e inspirar respeito aos anjos. Sim, sem dúvida: Podia contemplar Peniel e lembrá-la com orgulho.

Parashat Vayishlach

Encontro com Esav

Questões

    • Por que Yaacob envia os mensageiros para Esav ?, Isso vai diretamente.

    • Por que ele diz a ele que estava com Labão e (de acordo com Rashi) que ele cuidou dos Mitsvot (preceitos), o que interessa isso a Esav ?.

    • Por que Yaacob divide seu acampamento?

Read more