A comunidade de Suriname

Suriname está localizado na costa nordeste da América do Sul, fazendo fronteira com ambas as Guianas e com o Brasil. Holandês é a língua oficial do país. Com pouco menos de 163.821 km², Suriname é o menor estado soberano da América do Sul. Possui uma população estimada em cerca de 490.000 de habitantes, dos quais, a maioria, vivem na costa norte do país, onde a capital Paramaribo está localizada. Cerca de 80% de Suriname é coberta com florestas densas.

Ao contrário das outras comunidades judaicas do Caribe cujos primeiros habitantes judeus chegaram com Colombo e as expedições da Espanha, a comunidade judaica de Suriname chegou um pouco mais tarde, em 1629, provenientes da Holanda e do Brasil. Jacob Steinberg descreve a história da comunidade: “a maioria dos judeus eram de ascendência portuguesa e se instalaram na antiga capital de Suriname, Torarica (“Torá rica” em português). A sinagoga foi construída após 1652, o ano em que os britânicos estabeleceram uma colônia em Suriname (eles também estabeleceram plantações de açúcar e tabaco).”

O primeiro explorador europeu a pisar na costa de Suriname, no entanto, foi o lendário conquistador espanhol Alonso de Ojeda, em 1499. A Espanha não começou a explorar Suriname até 1593, mas não se estabeleceram por lá.Suriname-Map

Um segundo grupo de judeus chegaram e se estabeleceram na savana em uma área conhecida como “Jodensavanne” (“savana judaica” ou “Jerusalém no Rio”). Um terceiro grupo chegou em 1664 e, juntamente com os judeus de Torarica, se mudaram, juntando-se aos judeus de Jodensavanne. Nesta época, Suriname era totalmente controlada pelo governo colonial britânico.

Steinberg continua seu relatório da seguinte forma: “o território do Suriname foi negociado em 1667 entre os britânicos e os holandeses, que forneceram, em troca, a ilha de ‘Nova Amsterdã’ (que mais tarde seria a famosa metrópole, ‘Nova Iorque’). Os holandeses que buscavam expandir suas plantações, desenvolveram Jodensavanne rapidamente, tornando-se o pilar de toda a colônia de Suriname. Uma segunda sinagoga foi construída em 1685, chamada de “Beracha Ve Shalom” (bênção e paz). Por volta de 1694, haviam 570 judeus morando no Suriname, donos de cerca de 40 plantações de açúcar.

No início dos anos 1700, os judeus possuíam 115 das 400 plantações no país. O cemitério de Jodensavanne, com suas lápides de mármore importadas da Europa, foi considerado um dos mais bonitos da América do Sul.

Em 1712, no entanto, o francês Almirante Cassard e seus piratas invadiram Suriname. Exigiram, então, enormes quantias de impostos. Os prósperos judeus tiveram que pagar a maior parte dela em açúcar, dinheiro duro, usinas de açúcar inteiras, e muitos escravos. O país nunca se recuperou completamente deste evento, e, finalmente, os judeus deixaram Jodensavanne para habitar a recém-construída capital, Paramiribo, embora voltassem para comemorar as festas judaicas na sinagoga de Jodensavanne até 1832, quando um incêndio a destruiu (junto com o resto da cidade). Em alguns anos, a densa selva cobriu os restos que havia sobrado de Jodensavanne.

Por volta de 1719, Suriname possuia duas comunidades judaicas em Paramiribo: uma ashkenazita e outra sefardita – cada uma com sua própria sinagoga. A sinagoga sefardita foi chamada de ‘Tzedek ve Shalom’ (Justiça e Paz).

 
Tempos modernos

Nos últimos 35 anos, a maioria dos judeus que viviam no Suriname se foram do país, tendo fugido depois que o país recebeu a independência em 1975 e depois, novamente, durante a guerra civil que eclodiu no final de 1980. 35% da população geral de Suriname, abandonou o país nessa época.

Hoje, existem apenas 130 judeus no Suriname em uma única congregação com um salão da comunidade e uma mikvê. O mobiliário e a arte de uma das sinagogas originais da capital foi transportada, em sua totalidade, para Israel. Hoje é exibido no Museu de Israel em Jerusalém, juntamente com uma recriação de toda a sinagoga, incluindo um piso de areia utilizado para simbolizar a peregrinação dos israelitas no deserto por 40 anos.

A comunidade no Suriname hoje é muito pobre e não tem um rabino ou os fundos necessários para restaurar os muitos rolos da Torá que possuem, ou mesmo o mikvê, que está em extrema necessidade de reparos. Na década de 1990, o governo limpou a selva de Jodensavanne revelando cerca de 450 sepulturas e ruínas da sinagoga original.

 

Participantes da viagem
Participantes da viagem

Viagem “Birthright” de Suriname

A organização Kulanu apelou aos seus membros em 2010 para arrecadar fundos para ajudar a enviar 16 jovens judeus do Suriname para uma viagem do “Birthright” (uma viagem de duas semanas em locais religiosos e históricos de Israel). O “Birthright” concordou em conduzir o grupo e realizar uma excursão em holandês.

Aqui está um vídeo emocionante da visita dos jovens de Suriname a Israel. A narração é em hebraico, e as entrevistas com os judeus surinameses é em inglês.

 

Mais sobre Suriname

O Rabino Haim Dov Beliak, um rabino do sul da Califórnia, passou três meses no Suriname, no inverno de 2009-2010. Ele já havia servido como rabino da comunidade judaica progressiva em Varsóvia, Polônia. Suriname não teve um rabino residente nos últimos 40 anos.

No tempo em que o rabino Beliak esteve no país, esteve bastante ocupado – ele “re-casou” ​​um casal que estava celebrando seu 50º aniversário de casamento, em uma cerimônia judaica; coordenou as celebrações de Hanukah para 80 membros da comunidade e ministrou aulas de educação para os adultos.

Há outros artigos em inglês sobre Suriname no site da Kulanu.

Shai Fierst, que escreveu um extenso artigo em 2008 na revista da Bnei Brith, sobre a história dos judeus no Suriname, visitou-os enquanto estacionava no Suriname, durante uma temporada com o “Peace Corps”. Inclui informações sobre proprietários judeus de plantações e donos de escravos, assim como semelhanças em certas palavras – como kasseri (parecido com kosher) que refere-se as regras de condutas alimenticias.

Amy Belfor escreveu sobre a comunidade judaica do Suriname para a Associated Press. Ela centrou-se na recente transformação de uma das sinagogas antigas do Suriname em um cibercafé e uma loja de informática.

A comunidade judaica de Suriname também possui seu próprio site.