Parashá da Semana – Ree

Parashá da Semana – Ree

Parashat Re’eh

 

A parashat Re’eh dá início a uma parte cheia de Mitzvot. Nas próximas 3 parshiots há 170 Mitzvot; 1/4 de todas as mitzvoth da Torá.  No fluxo do discurso de Moshe, ele passa de «como chegámos onde estamos» para «como vamos viver na terra».  Chega de falar do primeiro; agora estamos a falar do segundo, da criação da sociedade judaica na terra. Nas primeiras 3 parshiots de Devarim, ele reviu a nossa história e as suas lições. Se duvidarem sobre se conseguem conquistar a terra, lembrem-se do pecado dos espiões; não repitam o ceticismo deles. Se duvidarem da vossa capacidade, lembrem-se das vossas vitórias sobre Sichon e Og. Se vos preocupa que as nações possam ser demasiado poderosas para vocês, lembrem-se das maravilhas do Egito; Ele fará o que for necessário. Se duvidam do vosso valor, lembrem-se do Sinai; Ele escolheu falar convosco, o Seu povo. Mas se se acharem superiores, lembrem-se do vosso pecado do bezerro de ouro. Estas primeiras 3 parshiots abordam os pensamentos, as dúvidas e as preocupações na mente do povo; Moshe atenua essas incertezas recontando as lições da sua viagem até aqui.  Agora Moshe começa a falar sobre a sociedade que queremos construir na terra. Quais são os pilares desta nova sociedade? Quais são as suas características, os seus princípios, os seus valores? É isto que Moshe aborda agora, através da linguagem das Mitzvot. É uma sociedade centrada em De’s. A vossa lealdade a De’s será desafiada; tem que ser cuidadosamente protegida.  E tem que ser uma sociedade de generosidade.

1a aliá (Dvarim 11:26-12:10) Coloco perante vós bênçãos como consequência do cumprimento das mitzvoth, e maldições como consequência da falta de cumprimento. Estais entrando na terra e estabelecer-vos-eis lá. Estas são as leis: livrar a terra dos ídolos, quer estejam nas montanhas, nas colinas ou debaixo das árvores. E acabai com a adoração desses ídolos. Não sirvais o vosso De’s em muitos lugares; servi-O apenas no único lugar que Eu escolho. É para lá que levareis todas as vossas oferendas.  E é aí que vos regozijareis.

Aqui somos apresentados pela primeira vez à noção de um Templo; há um único lugar de serviço nacional a De’s. Ao termos apenas um lugar, reforçamos que há apenas um De’s. E somos apresentados à noção de simcha.  Ao servir a De’s neste lugar central, terás simcha. Simcha é a alegria interior, a satisfação, a euforia de estar perante De’s. A verdadeira alegria é a sensação de que as nossas vidas têm significado, que temos uma relação preciosa com De’s e Ele connosco; nada poderia ser mais significativo ou mais satisfatório.  Isso é simcha, alegria interior.

2ª aliá (12:11-28) O lugar que De’s escolher habitar será o lugar para onde trarás as tuas oferendas.  E regozijar-te-ás com a tua família, com os teus trabalhadores e o Levita. Podes consumir carne onde quer que habites, mas não como oferenda sagrada. As coisas sagradas devem ser feitas apenas neste lugar. Quando tiveres expandido as fronteiras e quiseres consumir carne, podes fazê-lo sem quaisquer restrições de tuma. No entanto, não consumas o sangue.  Não podes fazer oferendas e votos no teu local, mas apenas no lugar que Ele escolher.

A Torá está enfatizando a natureza exclusiva do Templo. E, ao mesmo tempo, está distinguindo entre o consumo de carne e o serviço divino. A carne, podes consumi-la onde quer que estejas: é algo mundano, rotineiro, não é um serviço divino. Mas a carne do serviço divino, essa é que só pode ser consumida no local central.

3a Aliá (12:29-13:19) Quando te instalares na terra, desconfia da atração das religiões da terra. Embora te sintas tentado a querer aprender como os outros povos servem os seus deuses e a imitar alguns elementos, não o faças. Nós temos a nossa maneira; não adiciones nem subtraias nada àquilo que é nosso. Se um profeta previr eventos futuros com precisão mas instruir as pessoas a seguir um deus falso, não o ouças. Tens que seguir a De’s. Se o teu irmão, filho, filha ou mesmo a tua esposa ou melhor amigo tentarem convencer-te a seguir um ídolo, não os ouças. Eles devem ser mortos por tentarem influenciar as pessoas à idolatria. Não deves protegê-los. Se uma cidade inteira adorar ídolos, deve ser destruída.

Esta aliá descreve o fascínio do culto idolátrico e, em particular, os iscos, os anzóis que atraem as pessoas. Em particular 4 anzóis: a beleza das práticas, o poder do profeta carismático, a atração pelas pessoas mais próximas de nós, e a força do grupo. As religiões do mundo não são estúpidas. Há muitas práticas nobres, muita grandeza, inspiração e beleza. Talvez te perguntes se os nossos serviços podem ser melhorados por cantores de gospel ou pela grandiosidade de um órgão de Igreja. Não vás à procura das coisas boas que os outros têm. Por 2 razões: As nossas práticas são nossas. Nós servimos a De’s como Ele mandou. E, em segundo lugar, ao olhar para as suas práticas, arriscas-te a seres atraído para mudar de lado e a ficar do lado deles.

E as pessoas influenciam as outras pessoas. O profeta, que ganhou autoridade através da previsão do futuro, tem uma grande influência. Não lhe dês ouvidos. O mesmo acontece com os mais próximos de nós: parentes, cônjuges, melhores amigos. Normalmente nós escutamos as pessoas em quem confiamos. Mas, se nos estiverem a atrair para ídolos, não o devemos fazer. E há também o poder do grupo – a pressão social, uma cidade inteira. É difícil virarmo-nos contra eles em julgamento.  Temos tendência a proteger os nossos líderes, a nossa família. Todos conhecemos isto: o desejo de proteger a pessoa que está no poder ou o membro da nossa família, permitindo-lhes continuar com os seus caminhos prejudiciais.

4a aliá (14:1-21) As leis da kashrut: animais com casco fendido e que ruminam podem ser comidos. Peixe com barbatanas e escamas. Aves predadoras não são kosher. E não se pode consumir um animal que morreu por si só, nem cozinhar um bezerro no leite da mãe.

As leis de Kashrut podem ser vistas como mais uma barreira ao contacto social com os povos da terra. Nós vemos o Divino em cada pessoa, e isso exige que respeitemos e honremos todas as pessoas devido essa imagem divina, mas a Torá está muito preocupada com o facto de que, se nos aproximarmos demasiado dos adoradores de ídolos, seremos atraídos pelo culto idolátrico. Estar muito perto é perigoso. A comida é o fórum para a intimidade social. Assim, as nossas regras limitam severamente este contacto social, para nos proteger de deslizarmos para o culto dos ídolos.

5a aliá (14:22-29) Maaser sheni: 10% dos produtos devem ser consumidos nas proximidades da área do Templo. Se forem demasiados para transportar, troca-os por dinheiro. O dinheiro deve ser usado para alimentos no lugar sagrado, partilhados com outros. E alegrar-te-ás perante De’s.

O Maaser Sheni é uma mitzvah incomum. Teruma é uma quantia dada aos Cohanim, como um imposto para apoiar os Cohanim. O Maaser é 10% dado aos Leviim para apoiá-los. Mas o Maaser sheni é 10% do resto da colheita, a ser consumido no lugar sagrado, nas proximidades da área do Templo. Em Shilo isso significava que fosse num lugar desde onde fosse possível ver a área do Templo; em Jerusalém significava dentro das muralhas da cidade. Há 2 implicações desta Mitzvah: 1) o agricultor é forçado a ir regularmente para passar pela experiência da santidade do mikdash, e 2) Jerusalém fica cheia de produtos. Se 10% de todos os produtos vão para Jerusalém, os preços caem devido à oferta, e os necessitados sabem que podem encontrar grande oferta de alimentos baratos em Jerusalém. Isto é uma dupla mitzvah: um empurrão para o agricultor, para se manter ligado à santidade, e uma rede de segurança para os necessitados. Jerusalém torna-se um cesto de pão, uma cidade de abundância, de excedente, e, portanto, de ajuda aos necessitados.

6a aliá (15:1-18) Shmita para empréstimos: o 7º ano cancela todos os empréstimos.  De’s vai abençoar-vos na terra para que não haja pobres. Quando alguém necessitado se aproximar de ti, abre a mão e dá-lhe o que ele necessita. Não recuses um empréstimo quando o ano de shemita se aproxima, por saberes que será cancelado. Em vez disso, dá, pois haverá sempre pessoas necessitadas.  Um escravo também será libertado no 7º ano. Faz-lhe donativos generosos após a sua libertação. Se ele quiser continuar teu escravo, pode fazê-lo. Não te ressintas por enviá-lo em liberdade, pois trabalhou para ti durante 6 anos; De’s vai abençoar-te por cumprires este mandamento.

Esta aliá e a anterior formam o segundo pilar da sociedade na terra: cuidar dos outros.  O primeiro pilar foi uma sociedade centrada em De’s; o monoteísmo, expresso por um templo central para onde são levadas todas as oferendas. Cuidar dos outros é o próximo pilar. O cancelamento de empréstimos a cada 7 anos é uma forma de insolvência, que permite um novo começo para quem caiu em tempos difíceis. A Torá diz que não haverá pobres. Mas depois, no final da aliá, diz que sempre haverá pobres. O que significa é que sempre haverá pessoas necessitadas. Mas quando De’s vos abençoa com abundância, não há razão para essas pessoas continuarem a ser necessitadas; o agricultor vai partilhar a sua abundância. Quando fores abençoado, partilha a bênção com aqueles que precisam. Haverá pessoas que precisam; o teu trabalho é garantir que não permaneçam assim.

7a aliá (15:19-16:17) Deve ser trazido como oferenda um animal primogénito. Se tiver algum defeito, é consumido pelo proprietário. Pesach: a oferenda de Pesach deve ser trazida para o lugar que Ele escolher. Tu e todos os teus regozijar-vos-eis no lugar que Ele escolher. Celebrarás durante 7 dias na época da colheita e estarás alegre. Nestes dias festivos, apresentamo-nos diante de De’s e celebramos com o que fomos abençoados.

As festas de 3 regalim, ou de peregrinação, são uma forma de engenharia social religiosa. O judeu precisa de passar tempo em Jerusalém regularmente. Esta experiência faz a diferença. Todos sabemos isso. Sair da nossa rotina e passar pela experiência de estar num lugar mais raro e sagrado vai deixar a sua marca.  Estamos sempre perante De’s, mas a viagem regular a Jerusalém cria uma ligação regular com a santidade. Nós vemos isso nosso tempo. Oh, como somos privilegiados em podermos ver o impacto da riqueza da nossa moderna Jerusalém nos judeus do   mundo. E se todos viessem três vezes por ano, e não apenas uma vez na vida, quanto maior seria esse impacto.

Parasha Ree

Seja você mesmo!

As ofertas que deveriam ser levadas ao Templo de Jerusalém nas festas de peregrinação ensinam-nos a importância de preservarmos a nossa autenticidade.

A Parasha desta semana fala-nos com grande alegria sobre as três festas de peregrinação do calendário judaico:

Três vezes no ano todos os homens aparecerão diante do Eterno, teu De’s, no lugar que ele escolher: na festa do pão ázimo (Pesach), na festa das semanas (Shavuot) e na festa das cabanas (Sucot). Mas não se apresentará diante do Eterno vazio (sem nada). Cada um com a oferta da sua mão, segundo a bênção que o Eterno, teu De’s, te tiver dado.

Devarim 16:16 e 17

A pressão social para que todos vivamos da mesma forma, para que consumamos os mesmos produtos, é uma força muito grande nas nossas vidas. As culturas procuram de todas as formas impor uniformidade na maneira como vemos o mundo, no nosso comportamento, até mesmo na nossa maneira de pensar. Se por um lado falam em individualismo, por outro, nos meios de comunicação, os filmes impõem-nos um estilo de vida único. Isso leva-nos a questionarmo-nos: quão difícil é sermos nós mesmos?

A Torá apresenta-nos três descrições fascinantes das nossas ofertas:
1) não devemos aparecer de mãos vazias
2) devemos dar de acordo com a possibilidade das nossas mãos
3) a nossa oferta deve ser de acordo com a bênção que De’s nos deu.

O que nos dizem estes três requisitos sobre o nosso lugar na sociedade, o lugar da nossa personalidade e para a nossa autenticidade no mundo de De’s?

Superficialmente, estes três requisitos são paralelos, reiterando que é nosso dever dar com alegria e oferecer de acordo com nossos recursos. Como disse o nosso sábio Saadia Gaon (Babilónia, século X), cada pessoa deve oferecer «o que a sua mão pode pagar, de acordo com o que De’s lhe deu em graça.» Da mesma forma, o Talmud insiste em limitar as contribuições para a caridade: «Se alguém deseja gastar generosamente, não deve gastar mais do que um quinto da sua renda»

O significado literal da Torá tenta regular as nossas ofertas voluntárias, para que estas sejam efetuadas com total alegria e dentro das nossas capacidades financeiras. Este não é um detalhe menor, se imaginarmos como seriam diferentes as celebrações de bnei mitzvah, casamentos e outras festas, se fossem realizados de acordo com estes princípios de modéstia.

Mas, num sentido mais profundo, esses três requisitos podem ser vistos como três níveis, em que cada um acrescenta um novo significado que torna os outros dois mais extensos e complementares.

Durante as nossas festas, nas quais queremos mostrar a nossa alegria, não devemos vir de mãos vazias. Quando celebramos na presença de De’s, não devemos pensar apenas na nossa alegria pessoal. Celebrar no sentido mais completo e profundo é unir os nossos triunfos particulares para ajudar a reparar o mundo de De’s. Isto significa aproveitar uma festa para alimentar os famintos, ou juntar um encontro familiar a uma causa comunitária, transformando assim os momentos de celebração familiar em ocasiões para curar feridas e reparar erros da nossa sociedade. Desta forma mostramos a verdadeira gratidão, quando conectamos as nossas smachot à tzdaka, as nossas festas com a justiça.

A segunda qualificação bíblica é que a oferta que trazemos deve ser «segundo o nosso próprio dom, da nossa própria mão», ou seja, duas pessoas não trarão o mesmo. Cada um vai doar de acordo com seus talentos e preferências especiais, algo que demonstre quem é: um ser único e intransferível. Este dom deve ser, nas palavras do Talmud (Gittin 59) «de acordo com a sua própria inteligência, conhecimento e possibilidades»

A terceira qualidade é que a oferta deve ser «de acordo com a bênção de De’s». Aqui podemos ver a Torá a afirmar que a individualidade humana é um reflexo do amor divino e um presente do Eterno. A grandeza divina reflete-se, não numa uniformidade que nos paralisa e anestesia, mas sim, precisamente, numa diversidade espetacular do caráter humano, dos nossos interesses e talentos. Como afirma a Mishná, «Uma única pessoa (Adão) foi criada para proclamar a grandeza do Santo, Bendito seja Ele, porque quando as pessoas cunham moedas diferentes do mesmo selo, todas as moedas são iguais. Mas o Santo, Bendito seja Ele, carimbou cada ser humano com o selo do primeiro homem, mas não há dois descendentes iguais. É por isso que cada um deve dizer: “o mundo foi criado para mim”.»

Saber que De’s quer que sejamos quem somos – únicos, especiais e diferentes – pode dar-nos uma ferramenta muito necessária para combater o consumismo e os hábitos que a sociedade quer impor-nos. Não ousemos aparecer diante de De’s de mãos vazias, não ousemos viver de acordo com o que a sociedade quer impor-nos; o que trazemos deve refletir o nosso ser na sua autenticidade, a nossa vida deve refletir as nossas personalidades únicas e autênticas que são a expressão das bênçãos que De’s nos deu e também não nos esqueçamos, desta forma, de abençoar a vida dos outros.

Este texto é baseado nos ensinamentos do Rabino Bradley Shavit Artson.

Parashat Ree

Parashat Ree

A bênção no monte Guerizim e a maldição no monte Eval – Retirado do livro Ideas de Debarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Os nossos sábios comparam o pecado do bezerro de ouro com uma noiva que é infiel ao seu marido logo após sair da chupá (pálio nupcial).

O povo de Israel acabava de ouvir os Dez Mandamentos da boca de De’s e aceitou transformar-se no povo de De’s. Quarenta dias depois, perante o atraso de Moisés, o povo decide fazer um ídolo pagão e prostrar-se perante ele.

Se foi assim quando Moisés se ausentou apenas quarenta dias, o que acontecerá quando se ausentar para sempre?

Em Devarim 4: 22-23. Moisés adverte o povo sobre isso claramente: Eis que eu morrerei nesta terra sem poder atravessar o rio Jordão, enquanto vós atravessareis e herdareis toda essa boa terra. Cuidai de não esquecerdes o pacto que o Eterno vosso De’s estabeleceu convosco! E de não fazerdes para vós imagens esculpidas, tal como foi ordenado pelo Eterno, vosso De’s.

E volta a sublinhar isto mesmo no começo da nossa parashá: Vede, ponho perante vós a bênção e a maldição. A bênção será efetiva se cumprirdes os mandamentos do Eterno vosso De’s que eu hoje ponho perante vós; e a maldição virá se não cumprirdes os mandamentos do Eterno vosso De’s e vos afastardes do Seu caminho para irdes atrás de outros deuses que não conhecestes.

É por isso que Moisés volta a ler todo o pacto nas montanhas de Moav antes de morrer, mas o povo ainda não responde.

Depois Moisés ordena-lhes (Devarim, 27:4-8) que, ao atravessarem o Jordão, quando estiverem no monte Guerizim, deverão escrever todas as palavras da Torá em pedra e fazer ali um altar e oferendas ao Eterno.

Como já foi dito antes, no monte Guerizim deveriam colocar-se seis tribos, e no monte Eval as outras seis restantes. No Vale dos Levitas serão lidas as bênçãos, olhando na direção do monte Guerizim (que tem uma vegetação frondosa), e as maldições, olhando na direção do monte Eval (que é árido e rochoso). Ao ouvir todas e cada uma das bênçãos para quem respeita os mandamentos e o pacto com De’s, e cada uma das maldições para quem transgredir, todo o povo deverá deverá responder: Ámen. Desta forma, o povo estará a dar o seu consentimento e a renovar o pacto com De’s.

Se prestarmos atenção, está a ser recriada a mesma situação do monte Sinai, onde Moisés desceu com as duas tábuas de pedra onde estavam escritos os mandamentos de De’s e De’s faz o pacto com o povo. O povo aceita e, a continuação, é construído um altar para fazer oferendas a De’s.

Mas, diferentemente do que ocorreu no monte Sinai, desta vez, nos montes Guerizim e Eval, apesar de os mandamentos de De’s serem gravados sobre pedra, de haver um pacto, de o povo dar o seu consentimento e de depois ser construído um altar para fazer oferendas a De’s, tudo tal como aconteceu no Sinai, aqui haverá uma pequena grande ausência: Moisés.

O objetivo é que o povo reafirme o pacto com De’s, mas que Moisés não seja indispensável, para que não se corra o risco de que, estando ele ausente, o povo cometa idolatria.

Ao contrário do que aconteceu no monte Sinai, onde todo o povo fez o pacto com De’s e quando Moisés se ausentou o povo violou o pacto, agora, nos montes Guerizim e Eval, o povo estabelecerá o pacto com De’s só depois de Moisés já não estar com eles.

Este é o desafio que o povo de Israel tem perante si. A renovação do pacto deverá ser efetuada apenas depois de já terem entrado na terra de Israel, e deverá ser feita sem Moisés. Desta forma não se correrá o risco de voltarmos a cometer idolatria na ausência do nosso mestre Moisés.