Parashá da Semana – Tzav

Parashá da Semana – Tzav

Parshat Tzav

Pelo rabino Reuven Tradburks

1ª aliá (Vayikra 6:1-11) São dadas instruções aos Cohanim: enquanto as oferendas devem ser feitas durante o dia, a queima das gorduras e membros pode continuar durante toda a noite. De manhã, o Cohen tomará algumas das cinzas do altar e as colocará ao lado. Este monte de cinzas é removido para fora do Mikdash. Um fogo para as oferendas deve estar constantemente aceso. Quando uma oferenda de farinha de Mincha é trazida, parte é queimada no altar; o restante é comido pelos Cohanim. Não pode ser chametz.

A parshat Vayikra mostra o trabalho do Cohen; em Tzav é o menu do Cohen. Mas antes disso, são apresentados o dia e noite do Templo. O dia judaico começa ao pôr-do-sol; noite e manhã: um dia. Mas não no Templo. O dia no Templo era o oposto; o dia seguido pela noite: um dia. As oferendas são trazidas durante o dia, mas podem ser queimadas durante a noite. Com o amanhecer, começa um novo dia.

As oferendas têm limites. A maior parte das oferendas deve ser queimada e o Cohen deve consumir as suas porções num dia – ou seja, no dia em que são trazidas e na noite que se segue. Algumas têm dois dias. E a oferenda que mais conhecemos (já que somos todos o filho sábio do seder), o Korban Pesach, pode ser comido apenas à noite, e talvez até à meia-noite. À medida que aprendemos as regras das oferendas, percebemos o quão incomum o Korban Pesach é, com respeito a todas as regras.

2ª aliá (6:12-7:10) É trazida uma oferenda especial de Mincha, de farinha, por um Cohen no primeiro dia do seu serviço, por um Cohen Gadol no primeiro dia do seu serviço e diariamente pelo Cohen Gadol. É cozida, depois assada e completamente queimada. Quando é trazido um Chatat, uma oferenda de pecado, ele é consumido pelos Cohanim no Templo. Os utensílios utilizados para cozinhá-lo devem ser kasherizados: um utensílio metálico pode ser colocado na água, mas um de barro deve ser quebrado. Um Asham, oferenda de pecado, também é consumido pelos Cohanim no Templo. Para uma Olah, o Cohen recebe o couro. O Cohen consome oferendas de Mincha assadas.

Quando e onde o Cohen ou o proprietário consomem a oferenda varia de acordo com a oferenda. As oferendas kodesh kodashim – «santo dos santos» são consumidas no próprio templo. Isso inclui a Olah, o Chatat e o Asham. Estas são oferendas trazidas para expressar o desejo de estar mais perto de De’s; o proprietário não consome nada delas, não tira nenhum prazer pessoal delas. Uma Olah é completamente queimada, exceto o couro, que é dado aos Cohanim.

Aqui temos a primeira menção da kasherização de utensílios. Os Cohanim tinham 3 tipos de utensílios: leite, carne e kodshim, utensílios usados para as oferendas. Uma vez expirado o prazo para comer a oferenda, o utensílio torna-se não kosher e deve ser kasherizado. Se for de barro, não pode ser kasherizado – é descartável – chad paami, usa-se apenas uma vez. Não admira que as áreas em que as oferendas eram trazidas sejam tesouros de cerâmica quebrada para os arqueólogos, porque aqueles utensílios de cerâmica eram usados uma vez e nunca mais.

3ª aliá (7:11-38) Quando é trazido um Shlamim, uma oferenda de paz, para agradecer, ele é constituído por 10 pães de mincha de cada um dos 4 tipos diferentes. Um de cada destes 4 tipos é dado ao Cohen. O proprietário consome a oferenda ao longo de 2 dias. Ele não pode estar Tameh, impuro. O sangue e as gorduras oferecidas nunca podem ser comidos. O Cohen recebe o peito e a coxa da oferenda de shlamim.

O Shlamim é uma nova categoria de oferenda. É comido pelo proprietário. Não se restringe ao Templo; pode ser comido em qualquer lugar de Yerushalayim. E o proprietário tem 2 dias para o consumir. A cidade de Jerusalém tinha certamente muitos mikvaot, não só para os Cohanim que iam para o Templo, mas para os celebrantes trazendo os seus shlamim, que tinham que consumir as suas oferendas num estado de Tahara, pureza. E deve ter havido hotéis que tinham supervisão especial Kodshim da OU – utensílios especiais apenas para kodshim, para oferendas cozinhadas. Aqueles que traziam shlamim eram gratos, alegres, pessoas abençoadas por De’s – a cidade de Jerusalém era certamente cheia de sorrisos.

4ª aliá (8:1-13) Moshe recebe instruções para consagrar os Cohanim. Moshe reuniu o povo e os Cohanim, proclamando que o seguinte foi ordenado por De’s. Moshe veste Aharon com as vestes do Cohen Gadol. Com o azeite ungido ele ungiu o Mishkan, o altar, e Aharon. Vestiu os Cohanim com as vestes de Cohen, como ordenado por De’s.

As instruções para a consagração dos Cohanim foram dadas em Parshat Tetzaveh; a consagração ocorre aqui. As últimas 4 aliot desta parsha terminam com a mesma frase: Como De’s ordenou. Talvez isto seja para evitar acusações de favoritismo. Moshe não está a nomear o irmão como Cohen Gadol da maneira como os políticos distribuem empregos pela família e amigos. Moshe recebeu uma ordem para isso.

Esta frase também é uma indicação de algo que vai acontecer. Na próxima parsha, Nadav e Avihu farão algo que não foi ordenado, um claro desvio de toda a lealdade de Moshe e Aharon até aqui.

5ª aliá (8:14-21) Moshe traz as oferendas de consagração. Os Cohanim colocam as mãos no Chatat, a oferenda de pecado. Moshe oferece-o; o sangue é colocado no altar, as gorduras são queimadas, o animal é queimado fora do acampamento. É oferecido o carneiro como Olah; os Cohanim colocam as mãos na cabeça, Moshe faz todos os procedimentos para a oferenda.

Moshe age como Cohen durante toda a cerimónia de consagração. Ele faz o abate, o salpico do sangue e a oferenda das gorduras. Talvez isto seja para sensibilizar Aharon e os Cohanim para «o outro lado» do processo. Passar pela experiência do que é ter alguém a trazer a sua oferenda para si permitir-lhe-á realizar a oferenda com maior sensibilidade. Porque sabem como é estar do outro lado.

6ª aliá (8:22-29) É trazido o segundo carneiro, o carneiro da consagração. Moshe coloca o seu sangue na orelha direita de Aharon, no polegar direito e no dedo grande direito. E faz o mesmo com os Cohanim. Ele oferece o carneiro, salpicando o seu sangue, queimando as gorduras e oferecendo no altar uma de cada uma das matzot trazidas com o carneiro depois de Aharon e os Cohanim o moverem. Moshe moveu o peito, a sua parte na oferenda.

Com esta oferenda, é consagrada a posição de Cohanim oficial do povo judeu. Não há quaisquer outros judeus, tanto quanto sei, que possam traçar tanto a sua linhagem como os Cohanim e Leviim. Um Levi hoje descende de Levi, filho de Yaakov. E um Cohen descende de Aharon, irmão de Moshe. Esse estatuto de Cohen começa neste momento no deserto, um ano após o êxodo do Egito, e continua, ininterrupto, até aos dias de hoje.

7ª aliya (8:30-36): Moshe instrui Aharon a cozinhar a carne da oferenda e a consumi-la, bem como a consumir a matza. Os Cohanim não devem deixar o Mikdash por 7 dias. Este mesmo procedimento deve ser feito quando se obtém expiação. Aharon e os Cohanim fizeram tudo o que De’s ordenou.

A nossa parsha delineou alguns dos benefícios para o Cohen, devidos ao seu serviço sagrado. O apoio ao clero, ou aos trabalhadores espirituais, ou aos líderes rituais, é uma noção universal, que cruza culturas e religiões. Os nossos Cohanim não são diferentes, no que diz respeito ao recebimento de tais benefícios. No entanto, muito mais importante do que o que eles recebem é o que eles não recebem.

Lá atrás, na história de Yosef, é-nos contado como os líderes religiosos eram tratados no Egito. Recebiam apoio público da comida. Tinham terras. Toda a terra do Egito foi tomada pelo Faraó em pagamento por alimentos durante a fome, exceto a terra dos líderes religiosos. As pessoas mais ricas do Egito eram os líderes religiosos. No nosso tempo, a riqueza do Vaticano é vasta.

Os nossos Cohanim, em contraste, não têm terra. Nem os Leviim. Recebem apoio, mas modesto. Este é mais um exemplo da moderação da Torá; apoio aos Cohanim, mas modestamente. O rei receberá instruções semelhantes: benefícios, mas com limites. A liderança é servir a De’s e ao povo, não servir-se a si mesmo. Quando lemos a Torá, temos que reparar não só no que é dito, mas também no que não é dito; que direitos são dados, mas, mais importante, que direitos não são dados. Os Cohanim recebem, mas modestamente.

Parashá da Semana – Tzav

Parashá da Semana – Tzav

Parshat Tzav

Pelo rabino Reuven Tradburks

1ª aliya (Vayikra 6:1-11) São dadas instruções aos Cohanim: enquanto as oferendas devem ser feitas durante o dia, a queima das gorduras e membros pode continuar durante toda a noite. De manhã, o Cohen tomará algumas das cinzas do altar e as colocará ao lado. Quando necessário, o monte de cinzas pode ser removido para fora do Mikdash. Um fogo para as oferendas deve estar constantemente aceso. Quando uma oferenda de farinha de Mincha é trazida, parte é queimada no altar; o restante é comido pelos Cohanim. Não pode ser chametz.
A parshat Vayikra mostra o trabalho do Cohen; em Tzav é o menu do Cohen. Mas antes disso, são apresentados o dia e noite do Templo. O dia judaico começa ao pôr-do-sol; noite e manhã: um dia. Mas não no Templo. O dia no Templo era o oposto; o dia seguido pela noite: um dia. As oferendas são trazidas durante o dia, mas podem ser queimadas durante a noite. Com o amanhecer, começa um novo dia.
A maior parte das oferendas deve ser queimada e o Cohen deve consumir as suas partes num dia – ou seja, no dia em que são trazidas e na noite que se segue. Alguns têm dois dias. E a oferenda que mais conhecemos (já que somos todos o filho sábio do seder), o Korban Pesach, pode ser comido apenas à noite, e talvez até à meia-noite. À medida que aprendemos as regras das oferendas, percebemos o quão incomum o Korban Pesach é, com respeito a todas as regras.
2ª aliya (6:12-7:10) É trazida uma oferenda especial de farinha de Mincha por um Cohen no primeiro dia de seu serviço, por um Cohen Gadol no primeiro dia do seu serviço e diariamente pelo Cohen Gadol. É cozida, depois assada e completamente queimada. Quando é trazido um Chatat, uma oferenda de pecado, ele é consumido pelos Cohanim no Templo. Os utensílios utilizados para cozinhá-lo devem ser kasherizados: um utensílio metálico pode ser colocado na água, mas um de barro deve ser quebrado. Um Asham, oferenda de pecado, também é consumido pelos Cohanim no Templo. Para uma Olah, o Cohen recebe o couro. O Cohen consome oferendas de Mincha assadas.
Quando e onde o Cohen ou o proprietário consomem a oferenda varia de acordo com a oferenda. As oferendas kodesh kodashim – «santo dos santos» são consumidas no próprio templo. Isso inclui a Olah, o Chatat e o Asham. Estas são oferendas trazidas para expressar o desejo de estar mais perto de De’s; o proprietário não consome nada delas, não tem nenhum prazer pessoal nelas. Uma Olah é completamente queimada, exceto o couro, que é dado aos Cohanim.
Aqui temos a primeira menção à kasherização de utensílios. Os Cohanim tinham 3 tipos de utensílios: leite, carne e kodshim, utensílios usados para as oferendas. Uma vez expirado o prazo para comer a oferenda, o utensílio torna-se não kosher e deve ser kasherizado. Se for de barro, não pode ser kasherizado – descartáveis – chad paami, usam-se apenas uma vez. Não admira que as áreas em que as oferendas eram trazidas sejam tesouros de cerâmica quebrada para os arqueólogos; porque aqueles utensílios de cerâmica eram usados uma vez e nunca mais.
3ª aliya (7:11-38) Quando é trazido um Shlamim, uma oferenda de paz, para agradecer, ele é constituído por 10 pães de mincha de cada um dos 4 tipos diferentes. Um de cada destes 4 tipos é dado ao Cohen. O proprietário consome a oferenda ao longo de 2 dias. Ele não pode estar Tameh, impuro. O sangue e as gorduras oferecidas nunca podem ser comidos. O Cohen recebe o peito e a coxa da oferenda de shlamim.
O Shlamim é uma oferenda de celebração. É comido pelo proprietário. Não se restringe ao Templo; pode ser comido em qualquer lugar de Yerushalayim. E o proprietário tem 2 dias para consumi-lo. A cidade de Jerusalém tinha certamente muitos mikvaot, não só para os Cohanim que iam para o Templo, mas para os celebrantes, trazendo o seu shlamim, que tinham que consumir as suas oferendas num estado de Tahara, pureza. E deve ter havido hotéis que tinham supervisão especial Kodshim da OU – utensílios especiais apenas para kodshim, para oferendas cozinhadas. Aqueles que traziam shlamim eram gratos, alegres, pessoas abençoadas por De’s – a cidade de Jerusalém era certamente cheia de sorrisos.
4ª aliya (8:1-13) Moshe recebe instruções para consagrar os Cohanim. Moshe reuniu o povo e os Cohanim, proclamando que o seguinte foi comandado por De’s. Moshe veste Aharon com as vestes do Cohen Gadol. Com o azeite ungido ele ungiu o Mishkan, o altar, e Aharon. Vestiu os Cohanim com as vestes de Cohen, como ordenado por De’s.
As instruções para a consagração dos Cohanim foram dadas em Parshat Tetzaveh; a consagração ocorre aqui. As últimas 4 aliot desta parsha terminam com a mesma frase: Como De’s ordenou. Talvez isto seja para evitar acusações de favoritismo. Moshe não está a nomear o irmão como Cohen Gadol da maneira como os políticos distribuem empregos pela família e amigos. Moshe recebeu uma ordem para isso.
Esta frase também é uma indicação de algo que vai acontecer. Na próxima parsha, Nadav e Avihu farão algo que não foi ordenado, um desvio marcado de toda a lealdade de Moshe e Aharon até aqui.
5ª aliya (8:14-21) Moshe traz as oferendas de consagração. Os Cohanim colocam as mãos no Chatat, a oferenda de pecado. Moshe oferece-o; o sangue é colocado no altar, as gorduras são queimadas, o animal é queimado fora do acampamento. É oferecido o carneiro como Olah; os Cohanim colocam as mãos na cabeça, Moshe faz todos os procedimentos para a oferenda.
Moshe age como Cohen durante toda a cerimónia de consagração. Ele faz o abate, o salpico do sangue e a oferenda das gorduras. Talvez isto seja para sensibilizar Aharon e os Cohanim para «o outro lado» do processo. Passar pela experiência do que é ter alguém a trazer a sua oferenda para si permitir-lhe-á realizar a oferenda com maior sensibilidade. Porque sabem como é estar do outro lado.
6th aliya (8:22-29) É trazido o segundo carneiro, o carneiro de consagração. Moshe coloca o seu sangue na orelha direita de Aharon, no polegar direito e no dedo grande direito. E faz o mesmo com os Cohanim. Ele oferece o carneiro, salpicando o seu sangue, queimando as gorduras e oferecendo no altar uma de cada uma das matzot trazidas com o carneiro depois de Aharon e os Cohanim o moverem. Moshe moveu o peito, a sua parte na oferenda.
Com esta oferenda, é consagrada a posição de Cohanim oficial do povo judeu. Não há outros judeus, tanto quanto sei, que possam traçar a sua linhagem tanto como os Cohanim e Leviim. Um Levi hoje descende de Levi, filho de Yaakov. E um Cohen descende de Aharon, irmão de Moshe. Esse estatuto de Cohen começa neste momento no deserto, um ano após o êxodo do Egito, e continua, ininterrupto, até aos dias de hoje.
7ª aliya (8:30-36): Moshe instrui Aharon a cozinhar a carne da oferenda e a consumi-la, bem como a consumir a matza. Os Cohanim não devem deixar o Mikdash por 7 dias. Este mesmo procedimento deve ser feito quando se obtém expiação. Aharon e os Cohanim fizeram tudo o que De’s ordenou.
A nossa parsha delineou alguns dos benefícios para o Cohen, devido ao seu serviço sagrado. O apoio ao clero, ou aos trabalhadores espirituais, ou aos líderes rituais, é uma noção universal, que cruza culturas e religiões. Os nossos Cohanim não são diferentes, no que diz respeito ao recebimento de tais benefícios. No entanto, muito mais importante do que o que eles recebem é o que eles *não* recebem.
Lá atrás, na história de Yosef, é-nos contado como os Cohanim foram tratados no Egito. Recebiam apoio público da comida. Tinham terras. Toda a terra do Egito foi tomada pelo Faraó em pagamento por alimentos durante a fome, exceto a terra dos sacerdotes. As pessoas mais ricas do Egito eram os sacerdotes. No nosso tempo, a riqueza do Vaticano é vasta.
Os nossos Cohanim, em contraste, não têm terra; nem os Leviim. Recebem apoio, embora modesto. Este é mais um exemplo da moderação da Torá; apoio aos Cohanim, embora modestamente. O rei receberá instruções semelhantes; benefícios, mas com limites. A liderança é servir a De’s e ao povo, não servir-se a si mesmo.

1º Dia Pesach (De Parshat Bo, Êxodo 12:21-51)
Como seria de esperar, a leitura da Torá é a descrição da noite do dia 15 de Nissan, a noite do Êxodo do Egito. O povo coloca o sangue de Pesach nos umbrais das suas portas, consumindo o Pesach com expectativa. Os egípcios primogénitos morrem à meia-noite. O Faraó ordena ao povo judeu que se vá embora. Na noite tão esperada, viajam para o deserto, depois de uma estadia de 430 anos no Egito.
É enfatizado o caráter abrupto do Êxodo – naquela mesma noite. As revoluções levam tempo. As revoltas têm trajetórias. Embora as 10 pragas tivessem levado a este momento, este foi repentino: a inversão dramática e total do destino, da escravatura à liberdade num piscar de olhos (a pressa é uma assinatura do envolvimento divino.) Daí a pressa da matza – é o feriado da mudança dramática e total do destino, no estalar de um dedo. A velocidade da preparação da matza.

7º Dia Pesach (De Parshat Beshalach, Êxodo 13:17-15:26)
Devido ao Shabbat, 7 aliot são lidas na história que ocorreu no dia após deixar o Egito, a divisão do Mar. A travessia do mar fechou o livro sobre a estadia no Egito. O êxodo está completo. A canção de Az Yashir é cantada por Moshe e por todo o povo no momento desta redenção completa.
A canção no Mar cria um paradigma religioso; a redenção, a salvação, exige uma resposta humana de apreço e canção. Em linguagem haláchica, a redenção é um mechayev: exige uma resposta religiosa. E essa resposta é música. Quando Ele nos levanta do chão, cantamos. Nós, os privilegiados, os abençoados que vivemos em Jerusalém, nós também somos uma geração que viu a redenção. A nossa redenção também exige uma resposta humana da nossa parte através da canção, pela boa fortuna da parte que nos coube.

Parasha Tzav – Shabat HaGadol

Gostaria de partilhar um texto do escritor brasileiro Moacyr Scliar. Espero que o possam utilizar no Seder de Pesach, junto ao texto tradicional. [Apresentaremos excertos selecionados por Edith Blaustein em 2008 do texto original de Moacyr Scliar, «Um Seder para os nossos dias»]

Ao iniciar o Seder

Esta mesa em torno a qual nos reunimos, esta mesa com as matzót e com as ervas amargas, esta mesa de Pessach com sua toalha imaculada, esta mesa não é uma mesa; é mágica embarcação com a qual navegamos pelas brumas do passado, em busca das memórias de nosso povo.

A esta mesa sentemo-nos, pois.

Somos muitos, nesta noite.

Esta mesa em torno a qual nos reunimos, esta mesa com as matzót e com as ervas amargas, esta mesa de Pessach com sua toalha imaculada, esta mesa não é uma mesa; é mágica embarcação com a qual navegamos pelas brumas do passado, em busca das memórias de nosso povo.

A esta mesa sentemo-nos, pois.

Somos muitos, nesta noite.

Somos os que estão e os que já se foram; somos os pais e os filhos, e somos também os nossos antepassados. Somos um povo inteiro, em torno a esta mesa. Aqui estamos, para celebrar, aqui estamos para dar testemunho.

Dar testemunho é a missão maior do judaísmo. Dar testemunho é distinguir entre a luz e as trevas, entre o justo e o injusto. É relembrar os tempos que passaram para que deles se extraia o presente a sua lição.

Antes de HaLachmaniá

Este é o pão da pobreza que comeram os nossos antepassados na terra do Egito. Quem tiver fome – e muitos são os que têm fome, neste mundo em que vivemos – que venha e coma. Quem estiver necessitado – e muitos são os que amargam necessidades, neste mundo em que vivemos – que venha e celebre conosco o Pessach.

É o legado ético de nosso povo, a mensagem contida neste simples alimento, neste pão ázimo que o sustentou no deserto, e que o vem sustentando ao longo das gerações. É preciso ser justo e solidário, é preciso amparar o fraco e ajudar o desvalido.

O deserto que hoje temos de atravessar não é uma extensão de areia estéril, calcinada pelo sol implacável. É o deserto da desconfiança, da hostilidade, da alienação de seres humanos. Para esta travessia temos de nos munir das reservas morais que o judaísmo acumulou, das poucas e simples verdades que constituem a sabedoria do povo. Ama teu próximo como a ti mesmo. Reparte com ele teu pão. Convida-o para tua mesa. Ajuda-o a atravessar o deserto de sua existência.

Antes de Ma Nishtaná

Tu me perguntas, meu filho, porque é diferente esta noite de todas as noites. Porque todas as noites comemos chamets e matzá, e esta noite somente matzá. Porque todas as noites comemos verduras diversas, e esta noite somente maror.

Porque molhamos os alimentos duas vezes. Porque comemos reclinados.

Eu te agradeço, meu filho. Agradeço-te por perguntares. Porque, se me perguntas, não posso esquecer; se indagas, não posso ficar calado. Por tua voz inocente, meu filho, fala a nossa consciência. Tua voz me conduz a verdade.

Por que esta noite e diferente de todas as noites, meu filho? Porque nesta noite lembramos.

Lembramos os que foram escravos no Egito, aqueles sobre cujo dorso estalava o látego do Faraó.

Lembramos a fome, a cansaço, a suor, a sangue, as lagrimas. Lembramos a desamparo dos oprimidos diante da arrogância dos poderosos.

Lembramos com alívio: é o passado.

Lembramos com tristeza: é o presente.

Ainda existem Faraós. Ainda existem escravos.

Antes da leitura dos Quatro Filhos:

Não sejas como o ingênuo, que ignora os dramas de seu mundo, Não sejas como o perverso, que os conhece, mas nada faz para mudar a situação.

Pergunta, meu filho, pergunta tudo o que queres saber – a dúvida é o caminho para o conhecimento.

Mas quando te tornares sábio, procura usar a tua sabedoria em benefício dos outros. Reparte-a, como hoje repartimos nossa matzá, Segue o conselho de nossos sábios, e lembra a saída do Egito, não só na noite de Pessach, mas todos os dias de tua vida.