Parasha da Semana – Shlach lecha

Parasha da Semana – Shlach lecha

Por: Rav Reuven Tradburks

1ª  aliá (Bamidbar  13:1-20)  Moshe recebe a instrução de enviar líderes, um por tribo, para percorrer a terra.  Os nomes dos líderes estão listados.   Devem   viajar  do Negev para a zona montanhosa.  Para ver a terra, as pessoas, as  cidades e a fertilidade: avaliá-las e trazer produtos.

Enquanto a marcha para a terra de Israel começou na parasha da semana passada, nestes versos, a entrada na terra está iminente.  E, na verdade, já começou.  Pois estes são os primeiros judeus a entrar na terra desde o tempo de Yaakov, centenas de anos antes.   O  envio dos espiões, ao mesmo tempo que começa  inocuamente,  tornar-se-á numa das histórias mais importantes da  Torá; a história do fracasso nacional.

2ª  aliá (13:21-14:7)  E então, lá foram: entrando do sul, viajando para norte, para  Hevron, onde  viviam os descendentes dos gigantes.  Recolheram uvas,  romãs  e figos, regressando ao fim de 40 dias, reportando  a Moshe,  Aharon  e ao povo, mostrando-lhes os frutos.  Dizem que  é uma terra de leite e mel.  O povo é forte, as cidades são fortemente fortificadas, e vimos  gigantes. Habitam lá muitas nações, incluindo Amalek.   Calev  interrompeu:  Vamos conquistar esta terra, vamos conseguir!  Os outros responderam:   Não, não vamos conseguir.  Caluniaram a terra, dizendo que somos como gafanhotos aos olhos do povo da terra.  O povo confrontou Moshe e  Aharon: Melhor seria que tivéssemos morrido no Egito ou aqui no deserto, em vez de morrermos tentando conquistar a terra.  Moshe e  Aharon  ficam  desanimados, rasgam as suas roupas.  Yehoshua disse: a terra é  muito boa.

O plano descarrila. E rápido.  Pediste-nos para explorar  a terra: a terra  é  exuberante.  O povo: gigantes.  As cidades: fortificadas.  A fertilidade: frutas enormes.  O povo está compreensivelmente com medo; tudo é maior que nós. Incluindo o plano para marchar e conquistar esta terra; é grande demais para nós. Enquanto  Calev  e Yehoshua tentam ser positivos,  Moshe e  Aharon  agem como enlutados. De’s estendeu a mão: prometeu a terra a Avraham, tirou-nos do Egito,  encontrou-Se connosco  no Sinai,  estendeu-nos a mão ao convidar-nos para o  Mishkan, plantou-Se  no meio do nosso campo.  E, perante a Sua mão estendida, nós vamos afastar-nos?  Moshe e  Aharon  estão devastados. Ele está a fazer tudo isto por nós, e nós vamos recusar?

3ª  Aliá (14:8-25)  Yehoshua disse: Se De’s quiser, Ele nos levará lá.  Mas não se revoltem contra Ele.  O povo quis apedrejá-lo.   De’s disse a Moshe: Quanto tempo este povo vai irritar-Me, depois de todos os milagres que fiz?  Vou eliminá-los e fazer de ti uma grande nação. Moshe retorquiu:  Não  podes  fazer isso.  Vai  parecer que não tens o poder de levar o povo para a terra.  Sê misericordioso.  De’s disse: Eu perdoo-os, como tu disseste.   Mas:  Estas  pessoas, testemunhas de todos   os milagres e que  agora se recusam; não vão entrar na terra, à exceção de  Calev.

Esta história dos espiões é um dos dois  fracassos nacionais da Torá, a par com o bezerro de ouro.  De  facto,  a reação de De’s aqui é quase idêntica à Sua resposta: deixa-Me eliminá-los e tornar-te a ti,  Moshe, a nova nação.  E a resposta de Moshe aqui também é idêntica: Fazeres isso vai induzir as pessoas a pensar que não És capaz de cumprir as promessas e de trazer o povo para a terra.   Moshe suplica, De’s concede.  Esta não é a história do fracasso: é a história do perdão.  Assim como a  história do bezerro de ouro é uma história de perdão. Quanto mais profundo o fracasso, mais amor há no perdão.

Mais crucialmente, esta troca entre Moshe e De’s é um vislumbre além do véu.  É esse o significado poderoso da história.  Porque estamos agora a embarcar na história judaica, a marchar para a terra.  O início de milhares de anos de história judaica.  E em preparação para esta marcha, a Torá explicou detalhadamente que De’s está entre nós.  Então, vai correr tudo bem: Somos guiados pela Sua nuvem.  No entanto, a história judaica estará repleta de fabulosos sucessos e trágicos fracassos.  Será uma caminhada de picos e vales, avanços e recuos, construção e terrível destruição.  Como vamos entender os Seu caminhos?   Com De’s entre nós, as coisas não deveriam estar melhores do que estão? Oh, se pudéssemos espreitar por trás do véu e conhecer os Seu caminhos!

E esta história é isso.  Esta história  é o espreitar atrás do véu.  De’s quer destruir-nos.  Moshe suplica. Somos salvos.  Esta é a história  do que poderia ter sido, mas não foi.   40 anos no deserto parecem duros? Bem,  não quando comparados à destruição de todo o povo. Vemos 40 anos como maus.  Não, não, não.  40 anos é generosidade.   Perdão.  Misericórdia. Amor.

Devemos ter o cuidado de não concluir que podemos «adivinhar» o caminho divino.  Mas a história ensina-nos que nunca saberemos o que poderia ter sido.  Poderia ter sido destruição do nosso povo.  Foi apenas um atraso de 40 anos.

4ª  aliá (14:26-15:7)  De’s disse a Moshe e  Aharon para dizerem ao povo: Como disseram, assim será.  Não entrarão na terra.  Todos morrerão no deserto.  Seus filhos entrarão na terra.  O número de dias que percorreram a terra será  o número de anos no deserto: 40 anos.  As pessoas choraram.  Tentaram retificar o seu erro acordando cedo para empreender então a viagem, mas Moshe avisou-os de que De’s não estaria com eles.  Sofreram a derrota.  Moshe instruiu: Quando se instalarem na terra e trouxerem oferendas, tragam farinha, azeite e vinho com as oferendas.  Isto será agradável para De’s.

Ao mesmo tempo que o povo é informado de que todos morrerão no deserto, também lhes é dito que entrarão na terra.  Bem, não eles, mas os seus filhos.  Esse é  o elemento crucial desta história: o compromisso de De’s com o Seu povo é inalterado.  O Seu plano meramente se atrasou.  Esta é a história do amor de De’s para com o Seu povo.  Embora o calendário tenha sido alterado, o compromisso que assumiu para nos trazer à terra está em pleno vigor.

5ª  aliá  (15:8-16) As quantidades de farinha, azeite e vinho para serem oferecidos com um touro são mais elevadas do que as dos ovinos.  Toda a gente  traz estas libações semelhantes: é uma lei para todos.

Esta aliá muito curta é uma continuação da aliá anterior, em que são estabelecidas as quantidades de farinha, azeite e vinho para oferendas de ovelhas ou carneiros.  A aliá anterior não queria concluir com a tragédia da história dos espiões.   Em vez disso,  acabou com a frase um aroma agradável para De’s.  Na verdade, esta descrição das libações é encorajadora. Tu vais chegar    à terra.  E vais fazer oferendas lá. Tu vais trazer a farinha, o azeite e o vinho que acompanham as oferendas.  Esses são  dos melhores produtos da terra.  Logo após a sentença de 40 anos no deserto vem a promessa de que colherás trigo,  azeitonas  e uvas na tua terra. Podes estar a sofrer agora devido a este terrível pecado dos espiões.  Mas bons momentos esperam por ti.  E Eu, diz De’s, quero que Me abordes com o melhor da tua produção: a tua farinha mais fina, o melhor azeite e a alegria do vinho.

6ª  aliá  (15:17-26) Ao entrar na terra, começa a mitzvah de tomar  challa da massa de pão.   Se for cometido um erro e toda a gente pecar acidentalmente como resultado desse erro, é trazida uma  oferta de pecado de um touro. É concedida expiação, já que o povo pecou acidentalmente.

O encorajamento pós-espiões  continua.  Entrarás na terra. E terás pão, não maná.  No meio de  uma crise, é difícil imaginar a dissipação do fumo.  Mas dissipa-se.  Vai dissipar-se.  Pessoalmente, não conseguirás chegar à terra; mas o povo judeu vai conseguir.  Além disso, este pecado que ocorreu, este pecado nacional, foi duramente punido com 40 anos no deserto.  Mas os pecados nacionais  acontecerão  e  serão  perdoados; não pelo  exílio nacional, mas pela mera oferta de um touro.  Claro que isso exige a admissão do pecado.  Quando estiveres arrependido, diz De’s, Eu estarei lá para te conceder o perdão.

7ª  aliá  (15:27-41) A oferta de um  chatat  expia por um pecado acidental.  No entanto, a alma de quem blasfema contra De’s é cortada.  Foi encontrado um homem a cortar lenha no Shabbat.  Foi  detido, já que Moshe e  Aharon  não sabiam o que fazer com ele.  Foi-lhes dito que tinha que ser morto.  Coloca tzitzit nos cantos da tua roupa como um lembrete para cumprir todas as mitzvoth e seres santo para Mim.

O encorajamento pós-espiões continua.   Nem todos os pecados são iguais perante a lei.  Alguns pecados são perdoados através de uma oferta de pecado.  Outros são muito mais sérios.  A blasfémia é uma rejeição da raiz de  toda a existência judaica; de que estamos a caminhar pela vida com o nosso De’s.  Violação de Shabbat também; o Shabat é um sinal do nosso pacto, de que De’s e o povo judeu têm uma relação especial.  Embora o Shabbat seja mencionado  várias  vezes na Torá, esta pequena história reverbera  até ao nosso tempo.  Continuamos a descrever alguém que é leal à Torá e às Mitzvot como um  Shomer  Shabbat.  Como se dissesse: «Shomer  Shabbat?  Isso diz tudo.»

Parashá da Semana – Shlach

Parashá da Semana – Shlach

Pelo rabino Reuven Tradburks

 

1ª  aliá (Bamidbar  13:1-20)  Moshe recebe a instrução de enviar líderes, um por tribo, para percorrer a terra.  Os nomes dos líderes estão listados.   Devem   viajar  do Negev para a zona montanhosa.  Para ver a terra, as pessoas, as  cidades e a fertilidade: avaliá-las e trazer produtos.

 

Enquanto a marcha para a terra de Israel começou na parasha da semana passada, nestes versos, a entrada na terra está iminente.  E, na verdade, já começou.  Pois estes são os primeiros judeus a entrar na terra desde o tempo de Yaakov, centenas de anos antes.   O  envio dos espiões, ao mesmo tempo que começa  inocuamente,  tornar-se-á numa das histórias mais importantes da  Torá; a história do fracasso nacional.

 

2ª  aliá (13:21-14:7)  E então, lá foram: entrando do sul, viajando para norte, para  Hevron, onde  viviam os descendentes dos gigantes.  Recolheram uvas,  romãs  e figos, regressando ao fim de 40 dias, reportando  a Moshe,  Aharon  e ao povo, mostrando-lhes os frutos.  Dizem que  é uma terra de leite e mel.  O povo é forte, as cidades são fortemente fortificadas, e vimos  gigantes. Habitam lá muitas nações, incluindo Amalek.   Calev  interrompeu:  Vamos conquistar esta terra, vamos conseguir!  Os outros responderam:   Não, não vamos conseguir.  Caluniaram a terra, dizendo que somos como gafanhotos aos olhos do povo da terra.  O povo confrontou Moshe e  Aharon: Melhor seria que tivéssemos morrido no Egito ou aqui no deserto, em vez de morrermos tentando conquistar a terra.  Moshe e  Aharon  ficam  desanimados, rasgam as suas roupas.  Yehoshua disse: a terra é  muito    boa.

 

O plano descarrila. E rápido.  Pediste-nos para explorar  a terra: a terra  é  exuberante.  O povo: gigantes.  As cidades: fortificadas.  A fertilidade: frutas enormes.  O povo está compreensivelmente com medo; tudo é maior que nós. Incluindo o plano para marchar e conquistar esta terra; é grande demais para nós. Enquanto  Calev  e Yehoshua tentam ser positivos,  Moshe e  Aharon  agem como enlutados. De’s estendeu a mão: prometeu a terra a Avraham, tirou-nos do Egito,  encontrou-Se connosco  no Sinai,  estendeu-nos a mão ao convidar-nos para o  Mishkan, plantou-Se  no meio do nosso campo.  E, perante a Sua mão estendida, nós vamos afastar-nos?  Moshe e  Aharon  estão devastados. Ele está a fazer tudo isto por nós, e nós vamos recusar?

 

3ª  Aliá (14:8-25)  Yehoshua disse: Se De’s quiser, Ele nos levará lá.  Mas não se revoltem contra Ele.  O povo quis apedrejá-lo.   De’s disse a Moshe: Quanto tempo este povo vai irritar-Me, depois de todos os milagres que fiz?  Vou eliminá-los e fazer de ti uma grande nação. Moshe retorquiu:  Não  podes  fazer isso.  Vai  parecer que não tens o poder de levar o povo para a terra.  Sê misericordioso.  De’s disse: Eu perdoo-os, como tu disseste.   Mas:  Estas  pessoas, testemunhas de todos   os milagres e que  agora se recusam; não vão entrar na terra, à exceção de  Calev.

 

Esta história dos espiões é um dos dois  fracassos nacionais da Torá, a par com o bezerro de ouro.  De  facto,  a reação de De’s aqui é quase idêntica à Sua resposta: deixa-Me eliminá-los e tornar-te a ti,  Moshe, a nova nação.  E a resposta de Moshe aqui também é idêntica: Fazeres isso vai induzir as pessoas a pensar que não És capaz de cumprir as promessas e de trazer o povo para a terra.   Moshe suplica, De’s concede.  Esta não é a história do fracasso: é a história do perdão.  Assim como a  história do bezerro de ouro é uma história de perdão. Quanto mais profundo o fracasso, mais amor há no perdão.

 

Mais crucialmente, esta troca entre Moshe e De’s é um vislumbre além do véu.  É esse o significado poderoso da história.  Porque estamos agora a embarcar na história judaica, a marchar para a terra.  O início de milhares de anos de história judaica.  E em preparação para esta marcha, a Torá explicou detalhadamente que De’s está entre nós.  Então, vai correr tudo bem: Somos guiados pela Sua nuvem.  No entanto, a história judaica estará repleta de fabulosos sucessos e trágicos fracassos.  Será uma caminhada de picos e vales, avanços e recuos, construção e terrível destruição.  Como vamos entender os Seu caminhos?   Com De’s entre nós, as coisas não deveriam estar melhores do que estão? Oh, se pudéssemos espreitar por trás do véu e conhecer os Seu caminhos!

 

E esta história é isso.  Esta história  é o espreitar atrás do véu.  De’s quer destruir-nos.  Moshe suplica. Somos salvos.  Esta é a história  do que poderia ter sido, mas não foi.   40 anos no deserto parecem duros? Bem,  não quando comparados à destruição de todo o povo. Vemos 40 anos como maus.  Não, não, não.  40 anos é generosidade.   Perdão.  Misericórdia. Amor.

 

Devemos ter o cuidado de não concluir que podemos «adivinhar» o caminho divino.  Mas a história ensina-nos que nunca saberemos o que poderia ter sido.  Poderia ter sido destruição do nosso povo.  Foi apenas um atraso de 40 anos.

 

4ª  aliá (14:26-15:7)  De’s disse a Moshe e  Aharon para dizerem ao povo: Como disseram, assim será.  Não entrarão na terra.  Todos morrerão no deserto.  Seus filhos entrarão na terra.  O número de dias que percorreram a terra será  o número de anos no deserto: 40 anos.  As pessoas choraram.  Tentaram retificar o seu erro acordando cedo para empreender então a viagem, mas Moshe avisou-os de que De’s não estaria com eles.  Sofreram a derrota.  Moshe instruiu: Quando se instalarem na terra e trouxerem oferendas, tragam farinha, azeite e vinho com as oferendas.  Isto será agradável para De’s.

 

Ao mesmo tempo que o povo é informado de que todos morrerão no deserto, também lhes é dito que entrarão na terra.  Bem, não eles, mas os seus filhos.  Esse é  o elemento crucial desta história: o compromisso de De’s com o Seu povo é inalterado.  O Seu plano meramente se atrasou.  Esta é a história do amor de De’s para com o Seu povo.  Embora o calendário tenha sido alterado, o compromisso que assumiu para nos trazer à terra está em pleno vigor.

 

5ª  aliá  (15:8-16) As quantidades de farinha, azeite e vinho para serem oferecidos com um touro são mais elevadas do que as dos ovinos.  Toda a gente  traz estas libações semelhantes: é uma lei para todos.

 

Esta aliá muito curta é uma continuação da aliá anterior, em que são estabelecidas as quantidades de farinha, azeite e vinho para oferendas de ovelhas ou carneiros.  A aliá anterior não queria concluir com a tragédia da história dos espiões.   Em vez disso,  acabou com a frase um aroma agradável para De’s.  Na verdade, esta descrição das libações é encorajadora. Tu vais chegar    à terra.  E vais fazer oferendas lá. Tu vais trazer a farinha, o azeite e o vinho que acompanham as oferendas.  Esses são  dos melhores produtos da terra.  Logo após a sentença de 40 anos no deserto vem a promessa de que colherás trigo,  azeitonas  e uvas na tua terra. Podes estar a sofrer agora devido a este terrível pecado dos espiões.  Mas bons momentos esperam por ti.  E Eu, diz De’s, quero que Me abordes com o melhor da tua produção: a tua farinha mais fina, o melhor azeite e a alegria do vinho.

 

6ª  aliá  (15:17-26) Ao entrar na terra, começa a mitzvah de tomar  challa da massa de pão.   Se for cometido um erro e toda a gente pecar acidentalmente como resultado desse erro, é trazida uma  oferta de pecado de um touro. É concedida expiação, já que o povo pecou acidentalmente.

 

O encorajamento pós-espiões  continua.  Entrarás    na terra.  E terás    pão, não maná.  No meio de  uma crise, é difícil imaginar a dissipação do fumo.  Mas dissipa-se.  Vai dissipar-se.  Pessoalmente, não conseguirás chegar à terra; mas o povo judeu vai conseguir.  Além disso, este pecado que ocorreu, este pecado nacional, foi duramente punido com 40 anos no deserto.  Mas os pecados nacionais  acontecerão  e  serão  perdoados; não pelo  exílio nacional, mas pela mera oferta de um touro.  Claro que isso exige a admissão do pecado.  Quando estiveres arrependido, diz De’s, Eu estarei lá para te conceder o perdão.

 

7ª  aliá  (15:27-41) A oferta de um  chatat  expia por um pecado acidental.  No entanto, a alma de quem blasfema contra De’s é cortada.  Foi encontrado um homem a cortar lenha no Shabbat.  Foi  detido, já que Moshe e  Aharon  não sabiam o que fazer com ele.  Foi-lhes dito que tinha que ser morto.  Coloca tzitzit nos cantos da tua roupa como um lembrete para cumprir todas as mitzvoth e seres santo para Mim.

 

O encorajamento pós-espiões continua.   Nem todos os pecados são iguais perante a lei.  Alguns pecados são perdoados através de uma oferta de pecado.  Outros são muito mais sérios.  A blasfémia é uma rejeição da raiz de  toda a existência judaica; de que estamos a caminhar pela vida com o nosso De’s.  Violação de Shabbat também; o Shabat é um sinal do nosso pacto, de que De’s e o povo judeu têm uma relação especial.  Embora o Shabbat seja mencionado  várias  vezes na Torá, esta pequena história reverbera  até ao nosso tempo.  Continuamos a descrever alguém que é leal à Torá e às Mitzvot como um  Shomer  Shabbat.  Como se dissesse: «Shomer  Shabbat?  Isso diz tudo.»

Parasha da Semana – Shlach

A incerteza angustiante

Analisemos os eventos que ocorreram após a estadia dos Bnei Israel no Monte Sinai, onde permaneceram onze meses. São fatos que revelam as fraturas que existiam na cidade, danificando sua unidade. Fatos que levarão a uma severa crise.

Vejamos a cronologia:
21 Nisan: o povo de Israel reclama da amargura da água.
6 de Sivan: recebe a Torá
17 de Tamuz: Moisés desce do Monte Sinai, depara-se com o bezerro de ouro e quebra furiosamente as tábuas da Lei.
Rosh Chodesh Elul: Moisés sobe novamente para receber as segundas tábuas.  Yom Kipur: Moisés desce com as novas tábuas
De 20 de Yiar a 9 de Av no ano seguinte: parte do povo ansiava pelas «iguarias» que comiam no Egito, como está escrito:

E a mistura de gente que estava no meio deles teve um forte desejo, e tornaram a chorar com os filhos de Israel, e disseram: Quem nos dará carne para comer?
Lembramo-nos dos peixes que comíamos no Egito de graça, dos pepinos, dos melões, dos alhos-porros, das cebolas e dos alhos. E agora nossa alma está secando; que nada além de maná vêm nossos olhos.

(Bamidbar 11: 4 a 6).

Um grupo de pressão, dentro do povo, contagiou as reclamações ao resto.

Moisés ordena que os espiões viajem pela Terra de Israel antes de entrar nela. Quando eles retornam, a Torá menciona que:

Então toda a congregação levantou-se e gritou, e o povo chorou naquela noite. E todos os filhos de Israel reclamaram contra Moisés e contra Arão; E toda a multidão lhes disse: Quem nos dera que tivéssemos morrido na terra do Egito; neste deserto, quem dera que tivéssemos morrido! Por que De’s nos traz a esta terra para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossos filhos sejam por presa? Não seria melhor voltarmos ao Egito? E disseram um ao outro: façamos um capitão, e voltemos ao Egito.

(Bamidbar 14: 1 a 5)

No deserto, encontramos o povo dividido em dois grupos: por um lado, as pessoas comuns, que se ressentem com as faltas materiais: a carne, o peixe, os legumes do Egito. Seres que permanecem ancorados nessa situação, que os impede de ver o futuro: vislumbrar a chegada à Terra Prometida. O ser humano tem um tipo de filtro que o impede de lembrar o mal do passado. Este grupo de homens ansiava pelas coisas boas que havia no Egito, esquecendo completamente as partes más.

Por outro lado, estavam os melhores da cidade, aqueles que tinham fé. Entre eles estavam os dez espiões que seriam enviados à Terra Prometida. Seres que se adaptaram à vida no deserto, onde todas as necessidades materiais foram atendidas. Tinham maná como alimento, abrigo e roupas, bem como a possibilidade de se elevarem espiritualmente depois de receberem a Torá. Não se sentem com o espírito e as forças necessárias para conquistar a terra, trabalhá-lha e voltar a viver num mundo material. As duas posições são extremas, implicam uma incompatibilidade com a realidade e a não aceitação da liderança de Moisés nem do caminho proposto pelo Altíssimo, pelo que se levantam mais vozes.

Moisés, por sua vez, entra num estado de desespero, a ponto de pedir a morte ao Altíssimo. Moisés lamenta ser o líder e zanga-se com De’s por ter de cuidar deste povo. «Por que me enviaste a mim? Mata-me!».

Sem dúvida, o desespero é contagioso. Até nós, leitores, sentimos essa falta de direção, a angústia do povo sobre o futuro, agora dividido e com uma das partes a desejar voltar à terra da escravidão.

Surge a pergunta: qual é o caminho certo?

Como sempre, aprendemos com o texto. Deve-se compreender que a história dos dez espiões nos mostra que nossas palavras têm um grande peso, são ações em si mesmas e podem ter sérias consequências.

Temos muito a aprender sobre nós mesmos e os outros, prestando atenção em como contamos nossas histórias e tentando ouvir as interpretações que inspiram e sustentam a narrativa. Se aprendermos a fazer isso, a apreciar a natureza subjetiva da nossa experiência humana, poderemos dar compaixão um ao outro em vez de nos julgarmos. Compreensão em vez de confronto e aceitação em vez de ódio.

No texto, De’s diz a Moisés para tomar duas medidas: por um lado, para nomear setenta anciãos, que ele reúne na Tenda da Reunião e que serão encarregados de comunicar a visão divina ao povo e de fortalecer a liderança de Moisés. Por outro lado, De’s estabelece que o povo não está preparado para entrar na Terra de Israel. Assim como a gestação de um ser humano dura nove meses, o povo precisará de uma espécie de gestação prolongada, digna de uma massa, 38 anos no deserto, para que uma nova geração possa superar a mentalidade escrava e enfrentar desafios futuros.

Essa geração perdeu a oportunidade de entrar na Terra Prometida? Às vezes, as soluções para os conflitos não são rápidas e exigem um processo de amadurecimento. Cada geração deve se perguntar a si própria se é a «geração do deserto» ou se está preparada para enfrentar os desafios que a história lhes reserva.

Edith Blaustein

Parashat Shelach Lecha

A missão dos espiões  – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

A primeira questão que temos que descartar é que Moisés tivesse alguma dúvida acerca de se tratar de uma boa terra. Portanto, o objetivo de Moisés ao enviar os espiões tinha que ser outro; o que ele pretendia era que o povo se entusiasmasse com a terra e se mostrasse desejoso de nela entrar.

Ele esperava que os espiões voltassem com a descrição da terra; é por isso que Moisés lhes diz que investiguem como é o povo que vive ali, se é forte ou fraco, se são muitos ou poucos. A intenção de Moisés não era uma questão de estratégia de guerra. Ele sabe que De’s está com eles e que De’s vai cumprir a Sua promessa de lhes entregar essa terra. O que ele quer demonstrar ao povo é que se trata de uma boa terra, que as pessoas que vivem lá são saudáveis e fortes; não se trata de uma terra que não fornece bom alimento ou bom clima aos seus habitantes. Além disso, ao dizer-nos que são muitos, isso demonstra-nos que há abundância e comida para todos.

O que Moisés pretendia também com o relatório dos espiões era que ficasse demonstrado que esta é uma terra que tem abundância de água e de frutos.

É por isso que é tão específico, e lhes diz que subam pelas montanhas. Como sabemos, a topografia da Terra de Israel tem uma cadeia montanhosa que atravessa o país de Sul a Norte, pela metade, desde Hebron até Haifa. A ideia de Moisés é que vejam a terra em geral. É por isso que lhes diz que vão pelas montanhas, porque desde o topo iriam poder observar em linhas gerais todo o país. Era uma missão que deveria ter durado poucos dias. No futuro, quando Josué envia dois espiões, estes regressam passados poucos dias, e, se não tivessem tido que se esconder do rei de Jericó, poderiam ter regressado ainda mais cedo.

No entanto, quando os espiões regressam ao cabo de quarenta dias, dão-nos um relatório detalhado de onde está instalado cada povo, falam-nos do Sul, do Oeste, (a zona costeira), do Este, (rio Jordão), e do Norte. Vemos que na realidade não andaram só pelas montanhas como Moisés lhes tinha recomendado, mas sim por todo lado, e foram muito específicos.

O que podemos ver claramente é que a intenção com que Moisés enviou os espiões era completamente diferente daquela que eles tinham em mente. Enquanto o objetivo de Moisés era incentivar o povo, os espiões tinham um objetivo de estratégia militar. Estavam preocupados pela guerra e por saber se tinham possibilidades de derrotar os cananeus.

Quando vêem que os povos da Terra Prometida são fortes e numerosos ficam desanimados, com medo, e contagiam o resto do povo dessa sensação.

Se prestarmos atenção veremos que no relatório dos espiões estão descritos os limites da Terra Prometida. Transmitem a ideia de que não vão ter por onde entrar; todas as fronteiras da Terra de Israel são impenetráveis; estão bem povoadas e bem defendidas. Em conclusão, não têm hipótese de poder entrar.

É devido ao facto de, na sua mente, terem um objetivo militar, que demoram tanto tempo. Deveriam ter voltado passados poucos dias, mas demoraram quarenta dias. É por isso que De’s se zanga com eles, e dá-lhes esse castigo dos quarenta anos. Além disso, esse lapso de tempo é o que vai permitir o surgimento de uma nova geração.

Isto poderia responder à contradição entre o que está escrito na nossa parashá e o que está escrito em Devarim. Aqui é-nos relatada a intenção com que Moisés enviou os espiões, para incentivar o povo. Em Devarim é-nos relatada a iniciativa do povo, que era uma questão de estratégia militar.

O que todo este acontecimento nos demonstra, é que aquela geração não estava pronta para entrar na Terra Prometida. Não é que De’s os tenha feito cair; tudo foi um nissaión, uma prova, para ver se estavam preparados. Tristemente, demonstraram que ainda não estavam preparados. Conservavam os seus medos e ainda não tinham suficiente confiança em De’s. É por isso que deverão esperar até que surja uma nova geração que esteja pronta para entrar na Terra de Israel.