Parasha da Semana – Emor

Parasha da Semana – Emor

Parashat Emor

Pelo rabino Reuven Tradburks

1ª aliá (Vayikra 21:1-15) Os Cohanim não estão autorizados a entrar em contacto com mortos, exceto se forem da sua família nuclear. Também não podem adotar práticas de luto não judaicas, como rapar a cabeça ou a barba ou fazer cortes no corpo. Porque os Cohanim têm que ser sagrados para De’s, já que são os Seus servidores da linha da frente. Não podem casar com uma divorciada. Deves santificá-los. O Cohen Gadol não deve tornar-se tameh de forma alguma, pois é ungido. Não pode casar com uma divorciada ou uma viúva.

O tema dominante do livro de Vayikra é a santidade. Santidade na Torá significa raridade. Quanto mais perto de De’s, mais raro, mais santo. Mas isso tem um preço: a santidade, essa proximidade com De’s, acarreta maiores restrições. Não é de admirar que os Cohanim, aqueles que são encarregados de apresentar as oferendas, a abordagem do Homem ao Divino, tenham regras únicas para a sua conduta pessoal. Mas porque a santidade, a proximidade com De’s, requer mais restrições?

No encontro entre De’s e o Homem, o Homem precisa de ser reticente. Cuidadoso. O fato de o Homem, finito, se aproximar de De’s, infinito, convida à arrogância, ao orgulho, à presunção. Não queremos isso. Queremos aproximar-nos suavemente, humildemente. Com cuidado. A mensagem da santidade é que nos aproximemos com cuidado. As muitas regras do Mikdash refletem esta abordagem cuidadosa.

Os Cohanim, que apresentam as oferendas, também têm as suas regras. Há restrições sobre com quem podem casar. Isto enquadra-se perfeitamente nas regras delineadas na parasha anterior sobre quem pode e quem não pode casar.

As primeiras 2 instruções que o Homem recebe no 6º dia da Criação são: ser frutífero e multiplicar-se. E comer vegetais e fruta. Relacionamentos e alimentação. As primeiras 2 instruções delineadas neste livro, que nos moldam a sermos santos são: kashrut e relações proibidas. A santidade existe nos limites da alimentação e das relações. Os Cohanim, que precisam de ser mais escrupulosamente santos, têm as suas próprias regras aqui no que diz respeito às suas relações.

2ª aliá (21:16-22:16) O Cohen que tiver um defeito não pode servir no Mikdash. Isto inclui ser cego, coxo, ter um membro partido, problemas oculares e outros. Pode consumir itens sagrados, mas não realizar o serviço. Um Cohen não pode servir enquanto tameh, porque isto profana o sagrado. Enquanto que um não-Cohen não pode consumir o sagrado (Teruma), aqueles que fazem parte da casa do Cohen podem. A sua filha, antes do casamento, ou depois, se não tiver filhos, faz parte da sua casa, e pode consumir o sagrado. O sagrado é profanado quando consumido por outros.

Um cohen com algum defeito não pode servir no Mikdash. E um cohen tamei não pode consumir coisas sagradas; nem oferendas nem Teruma. A Teruma pode ser consumida por qualquer membro da sua família. Mas só se estiverem num estado de pureza. Hoje, assume-se que todos os Cohanim estão num estado de impureza e, portanto, não podem consumir Teruma. No entanto, podem queimá-la. Se uma pessoa tiver uma oliveira e quiser dar teruma a um verdadeiro Sr. Cohen, então a Sra. Cohen pode usar esse azeite que lhes foi entregue como Teruma para acender as suas velas de shabbat. Com o nosso regresso a Eretz Yisrael, muitas velas de shabbat de Cohanim por todo o país estão sendo acesas com azeite de Teruma.

3ª aliá (22:17-33) Uma oferenda animal não pode ter defeito. Isto inclui ser cego, coxo, ter um membro partido, problemas oculares e outros. Isto aplica-se também à oferenda de um não-judeu. Um animal com defeito não é agradável. As oferendas devem ter pelo menos 8 dias de idade. Mãe e filhote não podem ser abatidos no mesmo dia. As oferendas não podem ser comidas após o 2º dia. Não profaneis o Meu nome, mas sim santificai-Me entre vós.

O Cohen precisa de ser imaculado; a oferenda também. Um não-judeu pode trazer uma oferenda ao nosso Mikdash, mas sob as nossas condições, não sob as dele. Deve cumprir o rigor dos nossos padrões de oferendas.

A conclusão desta parte diz que seguir estas regras Me santifica, enquanto oferendas inadequadas Me profanam. Mas neste comentário bastante inócuo está presente a mitzvá de Kiddush Hashem e também o Hillul Hashem. As ações feitas por mim (sim, euzinho!) podem fazer com que o nome de De’s seja profanado, Hillul Hashem, ou santificado, Kiddush Hashem. Embora haja muitos detalhes de Santidade nas oferendas, as nossas ações diárias dão-nos uma oportunidade ainda maior para a Santidade. A Santidade do Nome de De’s paira sobre todas as nossas ações. Que responsabilidade pesada. E que oportunidade maravilhosa.

4ª aliá (23:1-22) Estes são os dias sagrados: 6 dias de trabalho, ao 7º dia é Shabbat. Pesach é no dia 14 do 1º mês; durante 7 dias comereis matza. O primeiro dia é sagrado, tal como o 7º. Não devereis fazer neles nenhuma melacha. A oferta do omer de cevada recém-colhida é trazida no dia seguinte ao primeiro dia sagrado de Pesach. É ela que permite o consumo de cereais novos. Contai 7 semanas completas e no dia 50 trazei uma oferta de trigo novo como chametz assado. Esse dia (Shavuot) será um dia sagrado no qual não será feita nenhuma melacha. Ao fazerdes a vossa colheita, deixai os cantos do terreno e os produtos que tiverem sido deixados cair para os pobres e para os estrangeiros.

Somos apresentados à santidade do tempo. A santidade da proximidade a De’s foi expressa na santidade do espaço, o Mishkan. E através da alimentação e das relações, somos santos. E os Cohanim têm santidade. Mas o tempo também a tem. O Shabbat e os feriados são encontros com De’s; não só num determinado lugar, mas também num determinado momento. Rav Soloveitchik salientava que temos Kabbalat Shabbat, mas não temos Kabbalat Yom Tov. Porque o encontro muda de anfitrião. Em Yom Tov há uma mitzvah de aliá l’regel, peregrinação. Visitamo-Lo em Sua casa. No Shabbat, Ele visita-nos em nossa casa. No Shabbat damos-Lhe as boas-vindas a nossa casa, daí o Kabbalat Shabbat – mais precisamente, damos as boas-vindas à Shechina. Quando é a nossa vez de receber (ou seja, o Shabbat), damos as boas-vindas ao nosso convidado, a Shechina, em nossa casa, através de Kabbalat Shabbat.

O Shabbat é mais do que um maravilhoso dia livre, com tempo de qualidade com família e amigos. É um dia sagrado; um encontro com a Shechina, um dia em que convidamos a Shechina a juntar-Se connosco em nossa casa.

5ª aliá (23:23-32) O primeiro dia do 7º mês (Rosh Hashana) é uma lembrança da truah. Nenhum trabalho será feito. O 10º dia (Yom Kippur) é um dia sagrado para afligirmos as nossas alma, pois é um dia de expiação. Nenhum trabalho será feito. De uma noite até à outra.

Rosh Hashana e Yom Kippur não são festas de peregrinação. Veremos na Parshat Pinchas que as suas oferendas não são as mesmas que nas 3 regalim. Mas partilham a restrição de trabalho com todos os outros feriados. Quer o encontro seja alegre ou introspetivo, o tempo sagrado é marcado pela restrição de trabalho. O trabalho e a sua realização, embora valiosos, são equilibrados pela pausa nos mesmos. As nossas vidas não devem ser consumidas pelo nosso trabalho; no Shabbat e nos feriados recuperamos o sentido da própria vida, independentemente do trabalho. É o encontro com De’s nesses dias que dá sentido à vida.

6ª aliá (23:33-44) O dia 15 do 7º mês começa a festa de 7 dias de Sukkot. O primeiro dia é sagrado, nenhum trabalho será feito. O 8º dia é sagrado, nenhum trabalho será feito. Estes são os dias sagrados, cada um com as suas oferendas, além das oferendas do Shabbat e as voluntárias. E além disso, no dia 15 do 7º mês, pega num Lulav e num Etrog e alegra-te perante De’s por 7 dias. Habita em Sukkot para que saibas que os judeus habitaram em Sukkot durante o Êxodo.

Depois de todas as festas terem sido delineadas e resumidas, a Torá volta para trás e diz para tomarmos o Lulav por 7 dias e regozijarmo-nos. Parece que o Lulav é a expressão de apreço no final do ciclo de festas que começou em Pesach. Que sorte que temos em desfrutar dos nossos dias especiais. Daí que abanemos o Lulav em Hallel, a oração de apreço pelo nosso ciclo de festas durante sukkot, a ultima das festas do ciclo.

7ª aliá (24:1-23) Tragam azeite para uma lâmpada permanente na Menorah, situada fora do Santo dos Santos. Assa 12 pães para serem colocados em 2 grupos de 6 no Shulchan a cada Shabbat. Os Cohanim devem comer este pão sagrado no Mikdash. Dois homens lutaram. O judeu amaldiçoou De’s. Foi detido até que a sua sentença fosse determinada por De’s. Será apedrejado. Estes crimes são puníveis com a morte: amaldiçoar De’s e assassinato. Outros têm sanções financeiras: danos materiais e agressão corporal.

Azeite, farinha e vinho são elementos em destaque no Mikdash. Azeite na Menorá. Pão no Shulchan. As oferendas das festas são acompanhadas de azeite, farinha e vinho. É curioso que cada um deles seja processado por seres humanos. Nenhum deles surge naturalmente. Azeitonas, trigo e uvas são os produtos naturais. Quando processados ​​tornam-se azeite, farinha e vinho. Servimos ao Criador com criatividade humana, especificamente com elementos processadas por mãos humanas.

O tema da pena de morte na Torá é um tema pesado. Mas certamente, o castigo pela morte do blasfemo é dizer-nos que o significado da nossa vida, o seu propósito, é santificar a De’s através do nosso comportamento. Amaldiçoá-Lo drena a nossa vida do seu propósito.

 

 

Parashá da Semana – Emor

Parashá da Semana – Emor

Parashat Emor

Pelo rabino Reuven Tradburks

1ª aliá (Vayikra 21:1-15) Os Cohanim não estão autorizados a entrar em contacto com mortos, exceto se forem da sua família nuclear. Também não podem adotar práticas de luto não judaicas, como rapar a cabeça ou a barba ou fazer cortes no corpo. Porque os Cohanim têm que ser sagrados para De’s, já que são os Seus servidores da linha da frente. Não podem casar com uma divorciada. Deves santificá-los. O Cohen Gadol não deve tornar-se tameh de forma alguma, pois é ungido. Não pode casar com uma divorciada ou uma viúva.

O tema dominante do livro de Vayikra é a kedusha, santidade. Enquanto que o nome em hebraico do livro, Vayikra, é apenas a primeira palavra do livro e diz pouco sobre o seu conteúdo, o nome em português, Levítico, refere-se ao seu conteúdo. É o livro de Levi, que em latim tem a conotação de «padres». É o livro dos Cohanim, a classe sacerdotal.

Mas eu teria dado a esse nome apenas o segundo lugar. O primeiro lugar seria para Sefer Kedusha, o Livro da Santidade. A santidade domina o livro. Santidade na Torá significa diferente. Diferente porque está mais perto do Divino. Quanto mais perto de De’s, mais raro, mais santo. Mas isso tem um preço: a santidade, essa proximidade com De’s, acarreta maiores restrições. Não é de admirar que os Cohanim, aqueles que são encarregados de apresentar as oferendas, a abordagem do Homem ao Divino, tenham regras únicas para a sua conduta pessoal. Mas porque a santidade, a proximidade com De’s, requer mais restrições?

No encontro entre De’s e o Homem, o Homem precisa de ser reticente. Cuidadoso. O fato de o Homem, finito, se aproximar de De’s, infinito, convida à arrogância, ao orgulho, à presunção. Aproximemo-nos suavemente, humildemente. Com cuidado. A mensagem da santidade é que nos aproximemos com cuidado. As muitas regras do Mikdash refletem esta abordagem cuidadosa. E as regras dividem-se no que esperávamos: o quê, onde, quando, quem e como. Descrevemos o Mishkan, o onde. As oferendas, o como. A Tuma, o quem, ou mais precisamente, quem não.

Os Cohanim, que apresentam as oferendas, também têm as suas regras. Há restrições sobre com quem podem casar. Isto enquadra-se perfeitamente nas regras delineadas na semana passada sobre quem pode e quem não pode casar. As primeiras 2 instruções que o Homem recebe no 6º dia da Criação são: ser frutífero e multiplicar-se. E comer vegetação e fruta. Relacionamentos e alimentação. As primeiras 2 instruções delineadas neste livro, que nos moldam a sermos santos são: kashrut e relações proibidas. A santidade existe nos limites da alimentação e das relações. Os Cohanim, que precisam de ser mais escrupulosamente santos, têm as suas próprias regras aqui no que diz respeito às suas relações.

2ª aliá (21:16-22:16) O Cohen que tiver um defeito não pode servir no Mikdash. Isto inclui ser cego, coxo, ter um membro partido, problemas oculares e outros. Pode consumir itens sagrados, mas não realizar o serviço. Um Cohen não pode servir enquanto tameh, porque isto profana o sagrado. Enquanto que um não-Cohen não pode consumir o sagrado (Teruma), aqueles que fazem parte da casa do Cohen podem. A sua filha, antes do casamento, ou depois, se não tiver filhos, faz parte da sua casa, e pode consumir o sagrado. O sagrado é profanado quando consumido por outros.

O Cohen não deve fazer o serviço enquanto tiver certos defeitos. Mas continua a ser Cohen. Ser Cohen é quem ele é. O serviço é o que ele faz. Ele continua a ser Cohen, mesmo que não possa fazer o serviço. Daí que um Cohen com algum defeito possa consumir as oferendas. E consumir Teruma. A Teruma também pode ser consumida por qualquer membro da sua família. Mas só se estiverem num estado de pureza. Hoje, assume-se que todos os Cohanim estão num estado de impureza e, portanto, não podem consumir Teruma. No entanto, podem queimá-la. Se uma pessoa tiver uma oliveira e quiser dar teruma a um verdadeiro Sr. Cohen, então a Sra. Cohen pode usar esse azeite que lhes foi entregue como Teruma para acender as suas velas de shabbat. Com o nosso regresso a Eretz Yisrael, muitas velas de shabbat de Cohanim por todo o país estão sendo acesas com azeite de Teruma.

3ª aliá (22:17-33) Uma oferta animal não pode ter defeito. Isto inclui ser cego, coxo, ter um membro partido, problemas oculares e outros. Isto aplica-se também à oferenda de um não-judeu. Um animal com defeito não é agradável. As oferendas devem ter pelo menos 8 dias de idade. Mãe e filhote não podem ser abatidos no mesmo dia. As oferendas não podem ser comidas após o 2º dia. Não profaneis o Meu nome, mas sim santificai-Me entre vós.

O Cohen precisa de ser imaculado; a oferenda também. Um não-judeu pode trazer uma oferenda ao nosso Mikdash, mas sob as nossas condições, não sob as dele. Deve cumprir o rigor dos nossos padrões de oferendas.

A conclusão desta parte diz que seguir estas regras Me santifica, enquanto oferendas inadequadas Me profanam. Mas neste comentário bastante inócuo está presente a mitzvá de Kiddush Hashem e também o Hillul Hashem. As ações feitas por mim (sim, euzinho!) podem fazer com que o nome de De’s seja profanado, Hillul Hashem, ou santificado, Kiddush Hashem. Embora haja muitos detalhes de Santidade nas oferendas, as nossas ações diárias dão-nos uma oportunidade ainda maior para a Santidade. A Santidade do Nome de De’s paira sobre todas as nossas ações. Que responsabilidade pesada. E que oportunidade maravilhosa.

4ª aliá (23:1-22) Estes são os dias sagrados: 6 dias de trabalho, ao 7º dia é Shabbat. Pesach é no dia 14 do 1º mês; durante 7 dias comereis matza. O primeiro dia é sagrado, tal como o 7º. Não devereis fazer neles nenhuma melacha. A oferta do omer de cevada recém-colhida é trazida no dia seguinte ao primeiro dia sagrado de Pesach. É ela que permite o consumo de cereais novos. Contai 7 semanas completas e no dia 50 trazei uma oferta de trigo novo como chametz assado. Esse dia (Shavuot) será um dia sagrado no qual não será feita nenhuma melacha. Ao fazerdes a vossa colheita, deixai os cantos do terreno e os produtos que tiverem sido deixados cair para os pobres e para os estrangeiros.

Somos apresentados à santidade do tempo. A santidade da proximidade a De’s foi expressa na santidade do espaço, o Mishkan. E através da alimentação e das relações, somos santos. E os Cohanim têm santidade. Agora, o tempo também a tem. O Shabbat e os feriados são encontros com De’s; não só num determinado lugar, mas também num determinado momento. Rav Soloveitchik salientava que temos Kabbalat Shabbat, mas não temos Kabbalat Yom Tov. Porque o encontro muda de anfitrião. Em Yom Tov há uma mitzvah de aliá l’regel, peregrinação. Visitamo-Lo em sua casa. No Shabbat, Ele visita-nos em nossa casa. No Shabbat damos-Lhe as boas-vindas a nossa casa, daí o Kabbalat Shabbat – mais precisamente, damos as boas-vindas à Shechina, Ela. Quando é a nossa vez de receber (ou seja, o Shabbat), damos as boas-vindas ao nosso convidado, a Shechina, a nossa casa, através do Kabbalat Shabbat.

5ª aliá (23:23-32) O primeiro dia do 7º mês (Rosh Hashana) é uma lembrança da truah. Nenhum trabalho será feito. O 10º dia (Yom Kippur) é um dia sagrado para afligirmos as nossas alma, pois é um dia de expiação. Nenhum trabalho será feito. De uma noite até à outra.

Estes dois não são dias de peregrinação. Veremos na Parshat Pinchas que as suas oferendas não são as mesmas que nas 3 regalim. Mas partilham a restrição de trabalho com todos os outros feriados. Quer o encontro seja alegre ou introspetivo, o tempo sagrado é marcado pela restrição de trabalho. O trabalho e a sua realização, embora valiosos, são equilibrados pela pausa nos mesmos. As nossas vidas não devem ser consumidas pelo nosso trabalho; no Shabbat e nos feriados recuperamos o sentido da própria vida, independentemente do trabalho. É o encontro com De’s nesses dias que dá sentido à vida.

6ª aliá (23:33-44) O dia 15 do 7º mês começa a festa de 7 dias de Sukkot. O primeiro dia é sagrado, nenhum trabalho será feito. O 8º dia é sagrado, nenhum trabalho será feito. Estes são os dias sagrados, cada um com as suas oferendas, além das oferendas do Shabbat e as voluntárias. E além disso, no dia 15 do 7º mês, pega num Lulav e num Etrog e alegra-te perante De’s por 7 dias. Habita em Sukkot para que saibas que os judeus habitaram em Sukkot durante o Êxodo.

Depois de todas as festas terem sido delineadas e resumidas, a Torá volta para trás e diz para tomarmos o Lulav por 7 dias e regozijarmo-nos. Parece que o Lulav é a expressão de apreço no final do ciclo de festas que começou em Pesach. Que sorte que temos em desfrutar dos nossos dias especiais. Daí que abanemos o Lulav em Hallel, a oração de apreço pelo nosso ciclo de festas.

7ª aliá (24:1-23) Tragam azeite para uma lâmpada permanente na Menorah, situada fora do Santo dos Santos. Assa 12 pães para serem colocados em 2 grupos de 6 no Shulchan a cada Shabbat. Os Cohanim devem comer este pão sagrado no Mikdash. Dois homens lutaram. O judeu amaldiçoou De’s. Foi detido até que a sua sentença fosse determinada por De’s. Será apedrejado. Estes crimes são puníveis com a morte: amaldiçoar De’s e assassinato. Outros têm sanções financeiras: danos materiais e agressão corporal.

O tema da pena de morte na Torá é um tema pesado. Mas certamente, o castigo pela morte do blasfemo é dizer-nos que o significado da nossa vida, o seu propósito, é santificar a De’s através do nosso comportamento. Amaldiçoá-lo drena a nossa vida do seu propósito.

Parasha da Semana – Emor

O Caos e a Havdalá

A primeira parte da Parasha Emor é um compêndio que narra o papel dos sacerdotes e as suas obrigações. A segunda parte enumera todas as festas bíblicas: Pesach, Shavuot, Rosh Hashaná (embora estes dois últimos não sejam chamados por estes nomes) e Sucot. Além disso, explica como devemos celebrá-las.

É de notar que, no decurso da Parasha, é mencionado várias vezes que o povo de Israel não deve recorrer a espíritos e adivinhos. Os exegetas interpretam que a falta de autoridades (pais, anciãos) é o que leva as pessoas a recorrer a esses espíritos ou adivinhos. Ou seja, em tempos de caos, de falta de limites claros, o Homem procura respostas para as suas incertezas no lugar errado. Isto está intimamente relacionado com a própria essência da criação do mundo. Quando De’s criou o mundo, ele estava num estado de caos (tohu vabohu). O Altíssimo dá ao Homem a capacidade de diferenciar (havdalá) o caos e, a partir daí, ser uma força criativa no mundo.

Em todo o livro de Levítico, é aos Cohanim que De’s confere a distinção entre o puro e o impuro, o sagrado e o profano, os animais permitidos e os não permitidos, os relacionamentos permitidos e os proibidos. Sem limites e distinções claramente estabelecidos, corremos o risco de voltar ao caos ou, como a Parasha nos alerta, de virem a existir pessoas que procuram respostas em espíritos falsos ou adivinhos.

No Shabat, vivemos «um tempo fora do tempo». Quando este acaba, a cerimónia de Havdalah permite-nos estabelecer limites, por isso abençoamos esse momento agradecendo: «Bendito sejas Tu, nosso De’s, Rei do universo, que estabeleces uma distinção entre o sagrado e o profano, entre a luz e a escuridão, entre Israel e as nações, e entre o sétimo dia e os seis dias de trabalho.»

Para os mais pequenos

Logo após a destruição do Segundo Templo, durante os dias do Omer mencionados na parashá, (contamos 50 dias desde o segundo dia de Pesach até à festa de Shavuot), aconteceu uma coisa muito triste: uma terrível doença matou, um a seguir ao outro, os 24.000 alunos de Rabi Akiva. Infelizmente, apesar dos ensinamentos do seu grande professor, eles sentiam desprezo uns pelos outros e não se respeitavam. É por isso que os nossos sábios determinaram que aqueles dias seriam de luto: não há festas e é costume não cortar o cabelo nem fazer a barba. Estes dias terminam no 33º dia do Omer. Como em todos os momentos de arrependimento e correção dos nossos atos, a união, o respeito mútuo e o amor ao próximo são importantes. Estamos numa etapa de preparação para alcançar o cume espiritual, a festa de Shavuot, o dia da entrega da Torá, que ordena a quem a recebe ser bom para com De’s e, em especial, para com o próximo.

Edith Blaustein

Parashat Emor

Parashá Emor
Aquele que amaldiçoou – Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

A Torá fala-nos de diferentes tipos de maldições:
• Aquele que amaldiçoa os juízes ou De’s
• Aquele que amaldiçoa o príncipe (ou o governante)
• Aquele que amaldiçoa um sábio
• Aquele que amaldiçoa os seus pais
• Aquele que amaldiçoa o surdo

Deste último tipo de maldição, aprendemos que o motivo de não amaldiçoar não é só a honra da pessoa que ouve a maldição; trata-se de um ato mau por si só, que inclui o sentimento de ódio, vingança e maldade.
Voltando ao nosso caso: O que é que realmente aconteceu ali?
A primeira coisa que notamos é que este indivíduo que amaldiçoou não era considerado judeu, pois a Torá diz-nos que ele era filho de uma judia, não nos diz que ele era judeu. Vemos que a Torá evita deliberadamente designar este indivíduo como judeu. Também podemos concluir que se tratava de um adulto e não de uma criança. A prova é que ele é castigado, e sabemos que a Torá não castiga menores de idade.
É-nos dito que o seu pai era egípcio, quer dizer, converso. Saiu com o povo de Israel do Egito, estava presente no monte Sinai e lá, ao aceitar a Torá, converteu-se ao judaísmo.
A pergunta seria então: se se converteu, porque o continuamos a chamar egípcio? Continuamos a chamá-lo egípcio porque um egípcio que se converte, apesar de recaírem sobre ele todos os preceitos, obrigações e benefícios do judaísmo, ainda não pode fazer parte da congregação de Israel, até à terceira geração. Quer dizer que não se pode casar com uma judia mas sim apenas com uma conversa, e apenas os seus netos se poderão casar com uma judia.
Como é possível então que um egípcio converso case com uma judia e tenha filhos? Neste caso, eles já tinham casado antes de saber que isso era proibido, por isso é que tiveram filhos. No entanto, a partir de agora, o filho é considerado a segunda geração. Ele também quis casar com uma judia, mas não lho permitiram, porque agora a Torá já tinha sido entregue e essa proibição já estava em vigor. Então começou a discussão, foram a tribunal, que também deu o seu parecer negativo, e ele saiu amaldiçoando.
Porque é necessário esperar até à terceira geração para poder casar com uma judia? O motivo é que as más qualidades não desaparecem nos filhos. Este é um exemplo tangível desta situação, pois a maldição era algo muito normal entre os filhos dos egípcios.
O povo de Israel comportou-se apropriadamente ao impedir o filho da israelita de se casar. O povo agiu tal como De’s lhe tinha ordenado.
Apesar deste indivíduo ter agredido e batido, não foram todos atrás dele para o linchar, mas sim apanharam-no e levaram-no a tribunal. Quer dizer, não tomaram a lei pelas suas próprias mãos.
Vemos que o levam para fora do acampamento. Porquê? Porque através da sua maneira de falar, vemos que este filho do egípcio está fora do povo do ponto de vista espiritual, pelo que também estará fora de forma física. Amaldiçoar como este indivíduo o fez era algo muito desprezível para o povo.
A Torá não tem reparos em nos dizer a que tribo pertencia, pois apesar da tribo de Dan não ser uma das tribos mais destacadas pela sua grandeza e religiosidade, não permaneceram indiferentes. Agiram e não deixaram passar o incidente em branco.
A Torá esclarece-nos que o converso recebe a mesma pena dada a um judeu de nascimento. Isto é algo que já sabemos: todo aquele que se converte passa a ser como todos os judeus, mas neste caso os juízes tinham dúvidas sobre se ele era considerado judeu ou não.
Se aquele que amaldiçoasse a De’s o fizesse sem testemunhas, então a sua alma carregaria o castigo, quer dizer, De’s ocupar-se-ia do castigo. Mas se acontecesse perante testemunhas que pudessem confirmar o que foi dito, então eram os juízes que se encarregavam do castigo: pena capital. É por isso que o versículo nos diz: O homem que amaldiçoar o seu De’s carregará com a culpa e seguidamente diz-nos Quem amaldiçoar o nome do Eterno, morrer, morrerá. Um versículo refere-se a quando não há testemunhas, e o outro a quando há testemunhas.
Depois da pena ser executada, a pessoa era pendurada, mas por pouco tempo, pois, por outro lado, temos um versículo que diz para não deixar um condenado pendurado até à tarde: Maldição de De’s é o pendurado. Isto também se pode entender como que o facto de o deixar pendurado iria causar que as pessoas falassem mais e se perguntassem o porquê daquela pessoa estar pendurada, e então outra pessoa, para explicar, iria repetir a maldição dita pelo primeiro.
Outro motivo tem a ver com o facto de De’s ter criado o ser humano à Sua imagem e semelhança, por isso, o facto de permanecer pendurado é um desprezo ao seu status de ser criado à imagem e semelhança de De’s.
Porquê De’s, junto com este assunto das maldições, nos fala também da pena para o assassino?
A relação entre estes dois casos é que, assim como quem mata outro ser humano está a desprezar a imagem divina com que esse indivíduo foi criado, igualmente, aquele que amaldiçoa está a desprezar a imagem divina com que o ser humano foi criado. Como? Uma das coisas mais claras que nos diferenciam dos animais é a capacidade da fala que o género humano tem, e essa supremacia está a ser utilizada para o mal e contra De’s, ou seja, quem amaldiçoa é muito mal agradecido.
Em resumo, quem amaldiçoa a De’s faz três coisas más: 1) Utiliza uma das qualidades mais supremas do ser humano para coisas baixas; 2) É mal agradecido e 3) Renega de De’s. É por isso que esta pessoa é pendurada, pois a imagem divina com a qual foi criada foi em vão e não lhe ficou nada dela.
Daqui se vê que todo aquele que não respeita ou estima o seu próximo está de certa maneira a desprezar também a De’s, que o criou à Sua imagem e semelhança (salvo em casos especiais, onde a própria Torá nos sublinha que quem age de determinada maneira, é desprezado pelo próprio De’s.)
Porquê todo este acontecimento é relatado aqui? Todo o contexto desta parashá refere-se a assuntos de kedushá (santidade), e o contrário a isto é profanar o nome de De’s, quer dizer, tornar profano algo que é santo e elevado. Amaldiçoar a De’s é algo muito grave porque despreza o que há de mais sagrado. O que a Torá considera elevado, a pessoa torna baixo. Em hebraico, o termo “klalá” (maldição) vem de “kal” (leve) quer dizer, algo que é grave, para a pessoa que amaldiçoa é leve.
Como se chegou a isto? Chegou-se a isto, porque a mãe casou com um egípcio. A Torá adverte-nos para não fazermos todas as coisas más que os egípcios faziam, e todas essas coisas estão detalhadas nas parashot Acharei Mot e Kedoshim. Na parashá Emor, a Torá fala-nos de sermos santos, pois estamos frente a De’s.
É por isso que diz: Santificar-me-ei dentro dos filhos de Israel, e este indivíduo faz precisamente o contrário, e fá-lo dentro do povo dos filhos de Israel.
Este individuo foi: 1) Desavergonhado; 2) Violento; 3) Grosseiro; 4) Desprezou De’s; 5) Renegou de De’s.
Todas estas coisas eram típicas da sociedade egípcia. É por isso que a Torá nos dá tantos detalhes sobre este acontecimento.
Vemos um exemplo disto no faraó, que era a cabeça da civilização egípcia. O faraó foi mal agradecido, pois não reconheceu o que Yosef fez quando salvou todo o Egito da fome. Falava com falta de respeito e arrogância: quando Moisés lhe falou em nome de De’s, o faraó respondeu-lhe: “Quem é De’s para que eu lhe obedeça? Não penso enviar os filhos de Israel!” Também foi cruel e violento, tendo mandado matar todos os bebés recém-nascidos.

Parasha Emor

O sentido da vida e da morte

(Retirado do livro Más allá del versículo, do rabino Eliahu Birnbaum)

E disse o Eterno a Moisés: “Diz aos sacerdotes, os filhos de Aarão, que nenhum deles se impurifique com os mortos entre o seu povo, salvo pela família direta: sua mãe, seu pai, seu filho, sua filha, seu irmão e sua irmã… Por ela poder-se-á contaminar… Santos serão para o seu De’s e não profanarão o Seu Nome, pois são eles que oferecem os sacrifícios ao Eterno” (Levítico 21, 1-7)

Um homem vivo, seja ele o homem mais simples, o mais vulgar, o mais malvado ou até um delinquente, não transmite impureza ritual (tumá)

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