Parasha da Semana – Korach

Parasha da Semana – Korach

Korach – Por: Rav Reuven Tradburks

A história da rebelião de Korach é paralela à história dos espiões da semana passada. Ambos são uma rejeição do Divino, embora na áspera e tumultuada dinâmica humana. No pecado dos espiões, embora D’us nos tenha prometido a terra repetidamente, muitas vezes, o encontro com a realidade deixou o povo com medo. O sentimento de inadequação, de fraqueza, de falta de confiança, de inferioridade face às nações da terra levou o povo a contestar. Como se dissesse: somos inadequados até mesmo com as promessas de D’us. Korach, por outro lado, não sofre de uma sensação de inadequação, mas de uma autoimagem inflacionada. A melhor pessoa para liderar esse povo sou eu. A sua autoperceção inchada levou-o a desafiar a liderança de Moshe, apesar de D’us ter escolhido Moshe repetidamente. Como se dissesse: Eu sei melhor do que o Divino quem é a melhor pessoa para liderar este povo, e essa pessoa sou eu. Autoperceções opostas; a mesma conclusão. As histórias de Bamidbar giram em torno da realidade da natureza humana; o desafio da fidelidade ao Divino em meio à miríade de fraquezas humanas. E existem mesmo uma miríade de fraquezas.

1ª Aliá (Bamidbar 16: 1-13) Korach iniciou uma rebelião contra Moshe e Aharon com Datan, Aviram, On e com 250 outros. Eles afirmavam: Somos todos santos, porque então estás acima de nós? Moshe ficou perturbado. Rebateu: D’us, Ele próprio, afirmará quem é a Sua escolha. Tragam uma oferta de incenso e Ele escolherá. Falou com Korach: Porque não é suficiente para ti servir como Levi, que também queres ser Cohen? Moshe chamou Datan e Aviram. Eles se recusaram, dizendo: A tua liderança falhou, pois  falhaste em nos trazer para a terra de Israel.

A rebelião é multifacetada. Existe Korach. Ele procura ser o líder, seja no lugar de Moshe ou do Cohen Gadol, para usurpar Aharon. Pois todos nós somos santos. O que é verdade. Datan e Aviram desafiam a liderança de Moshe; Moshe falhou em conduzi-los à terra prometida. O que também é verdade. Mas, como em qualquer rebelião, as críticas, embora verdadeiras, são apenas meias verdades. Todos nós somos santos; mas, por favor, D’us fala com Moshe face a face! E é verdade, Moshe não vai conduzi-los à terra prometida; mas eles vão chegar lá. Oh, e que tal tê-los tirado do Egito, levando-os ao Monte Sinai? O sucesso de um líder dura até o anoitecer; pela manhã, tudo está esquecido. Não há memória quando se trata de insatisfação; o sucesso do passado é notícia velha. E esquecemo-nos de que não foi culpa de Moshe, mas dos espiões?

2ª Aliá (16: 14-19) Moshe ficou zangado. Ele disse a D’us: Não aceites as suas ofertas. Nunca tirei nada de ninguém. Voltou-se para Korach: amanhã, Aharon e todos vocês oferecerão incenso sobre as brasas, cada um trazendo o incenso diante de D’us. Eles assim o fizeram, reunindo-se na entrada do Tabernáculo. D’us apareceu a todo o grupo.

Liderança, na Torá, não é servir a si mesmo, mas servir ao povo e a D’us. Moshe sente-se insultado. Ele não teve nenhum ganho pessoal. Aqueles que procuram a liderança impingem as suas intenções ignóbeis aos outros. As críticas dizem mais sobre os revoltosos do que sobre o líder. Os interesses de Korach são exatamente o que ele critica em Moshe: poder e ganhos pessoais. É irónico criticar Moshe quando, na verdade, Moshe é o mais humilde de todos e sem nenhum motivo pessoal. Ele é o líder paradigmático; aquele que serve altruisticamente o seu povo e o seu De’s.

3ª Aliá (16: 20-17: 8) D’us avisou Moshe e Aharon: mantenham-se afastados, pois estou pronto para destruí-los. Moshe e Aharon objetaram: Uma pessoa peca e zangas-Te com todos eles? D’us instruiu o povo: Mantenham-se afastados. Datan e Aviram estavam descaradamente em suas casas com as suas esposas e filhos. Moshe: O teste seguinte estabelecerá se fui enviado por D’us. Se todos vocês sofrerem um destino único, engolidos pela terra, então está claro que desagradaram a D’us. A terra abriu-se, engolindo-os, a eles e a tudo o que era deles. Um incêndio consumiu os 250 portadores de incenso. Elazar, filho de Aharon, pegou nas panelas de incenso porque elas se tinham tornado sagradas pelo uso, e usou-as para fazer um revestimento de cobre para o altar. Então todos saberão que apenas os Cohanim devem trazer incenso. O povo queixou-se a Moshe e Aharon de que estavam a matar a nação. Uma nuvem cobriu o Tabernáculo.

Pela punição, vemos o pecado. Desejavam liderança, altos cargos, domínio sobre os outros: o seu destino foi cair abaixo da terra. Os portadores do incenso pretendiam altos cargos religiosos: o fogo do desejo religioso os consumiu. O incenso assume um papel central nesta história. Moshe disse a todos para trazerem incenso. Na próxima aliá, durante a praga, Aharon trouxe incenso para deter a praga. Por que não alguma outra oferta, como um sacrifício? O incenso simboliza o efémero, o espiritual, o intangível. A palavra hebraica para cheiro é reyach, semelhante a ruach, espírito. A palavra para respirar é noshem, relacionada a neshama, alma. O incenso é fumo, cheiro, flutuando intangível, como a alma. O homem foi criado a partir da adama, a terra, com a sua neshama soprada em suas narinas. Moshe está a dar uma lição poderosa de liderança religiosa: a liderança religiosa, desejada pelos rebeldes, deve ser como o incenso. Dev ser pura, elevada, sagrada, conduzida pela pureza de motivos, não pelos desejos terrenos de poder e influência.

4ª Aliá (17: 9-15) D’us queria destruir o povo. Aharon evitou esta calamidade trazendo incenso imediatamente, colocando-se entre os mortos e os vivos.

A intenção, por parte de De’s, de destruir o povo é um tema recorrente. Mas isso nunca acontece. Este é um tema crucial: O que o povo merece é uma coisa. O que realmente recebe é outra. A justiça estrita de D’us é temperada pela misericórdia, pelos esforços de Moshe e Aharon. O Homem pode merecer a destruição; mas o poder da misericórdia de D’us mitiga a aspereza do que merecemos. Já vimos este tema algumas vezes; a destruição é evitada. A Torá é a história do amor de D’us pelo povo judeu, suspendendo o que merecemos, por amor.

5ª Aliya (17: 16-24) Moshe disse: inscrevam o nome de cada tribo num cajado, com o nome de Aharon no cajado de Levi. O cajado que brotar é o escolhido. Foram todos colocados no Tabernáculo. O de Aharon germinou.

O cajado na Torá é um símbolo de poder; O cajado de Moshe foi o veículo das pragas, derrotando Faraó por meio do Poder Divino. O cajado germinado de Aharon é um símbolo de seu direito Divino ao poder da liderança religiosa. O seu poder não vem de sua própria iniciativa; vem por decreto divino.

6ª Aliá (17: 25-18: 20) D’us disse: Coloquem o cajado de Aharon como uma comemoração disto. O povo reclamou com Moshe que aqueles que se aproximam do Tabernáculo morrem. Os Cohanim e Leviim são encarregados de proteger a santidade do Tabernáculo. Enquanto os Cohanim servirão no altar, os Leviim servi-los-ão a eles e preservarão a santidade de todo o Tabernáculo. Os Cohanim devem proteger e desfrutar das oferendas sagradas. Eles recebem porções de ofertas para consumir, embora em estrita santidade. A agricultura também possui produtos sagrados, presentes que são dados aos Cohanim, comidos em estrita santidade. Animais primogénitos são presentes sagrados para os Cohanim, oferecidos como oferendas com santidade, consumidos pelos Cohanim, enquanto que os primogénitos humanos são redimidos. Os Cohanim não devem receber uma porção de terra em Israel; D’us é a porção deles.

O povo reclama que a proximidade com D’us é difícil, ameaça a vida. Moshe reassegura ao povo que os Cohanim e os Leviim protegerão a santidade, garantindo que tudo seja feito de acordo com as exigências de santidade do Tabernáculo.

7ª Aliá (18: 21-32) Os Leviim também recebem Maaser em vez de uma porção da terra. Com os Cohanim e os Leviim como os responsáveis ​​pela santidade, serão evitadas calamidades. Os Leviim devem dar uma parte de seu Maaser aos Cohanim. O Maaser dos Leviim difere das porções do Cohen, pois eles não têm a santidade que exige que sejam comidos num lugar específico e com pureza. O Maaser é propriedade do Levi, uma regalia devido graças ao serviço público.

As porções dadas àqueles que fazem o serviço público, os Cohanim e os Leviim, são perfeitamente compreensíveis. Mas a Torá mostra não apenas o que eles recebem, mas o que eles não recebem. As pessoas em posições de poder religioso podem facilmente usar essa posição para extrair riqueza de um público predisposto a isso. Os Cohanim e Leviim são informados de que devem receber porções de ofertas, ou seja, isso e nada mais. Nem terra, nem ouro e prata, nem palácios. Unica e exclusivamente as ofertas que foram mencionadas.

 

Parasha da Semana – Shlach lecha

Parasha da Semana – Shlach lecha

Por: Rav Reuven Tradburks

1ª  aliá (Bamidbar  13:1-20)  Moshe recebe a instrução de enviar líderes, um por tribo, para percorrer a terra.  Os nomes dos líderes estão listados.   Devem   viajar  do Negev para a zona montanhosa.  Para ver a terra, as pessoas, as  cidades e a fertilidade: avaliá-las e trazer produtos.

Enquanto a marcha para a terra de Israel começou na parasha da semana passada, nestes versos, a entrada na terra está iminente.  E, na verdade, já começou.  Pois estes são os primeiros judeus a entrar na terra desde o tempo de Yaakov, centenas de anos antes.   O  envio dos espiões, ao mesmo tempo que começa  inocuamente,  tornar-se-á numa das histórias mais importantes da  Torá; a história do fracasso nacional.

2ª  aliá (13:21-14:7)  E então, lá foram: entrando do sul, viajando para norte, para  Hevron, onde  viviam os descendentes dos gigantes.  Recolheram uvas,  romãs  e figos, regressando ao fim de 40 dias, reportando  a Moshe,  Aharon  e ao povo, mostrando-lhes os frutos.  Dizem que  é uma terra de leite e mel.  O povo é forte, as cidades são fortemente fortificadas, e vimos  gigantes. Habitam lá muitas nações, incluindo Amalek.   Calev  interrompeu:  Vamos conquistar esta terra, vamos conseguir!  Os outros responderam:   Não, não vamos conseguir.  Caluniaram a terra, dizendo que somos como gafanhotos aos olhos do povo da terra.  O povo confrontou Moshe e  Aharon: Melhor seria que tivéssemos morrido no Egito ou aqui no deserto, em vez de morrermos tentando conquistar a terra.  Moshe e  Aharon  ficam  desanimados, rasgam as suas roupas.  Yehoshua disse: a terra é  muito boa.

O plano descarrila. E rápido.  Pediste-nos para explorar  a terra: a terra  é  exuberante.  O povo: gigantes.  As cidades: fortificadas.  A fertilidade: frutas enormes.  O povo está compreensivelmente com medo; tudo é maior que nós. Incluindo o plano para marchar e conquistar esta terra; é grande demais para nós. Enquanto  Calev  e Yehoshua tentam ser positivos,  Moshe e  Aharon  agem como enlutados. De’s estendeu a mão: prometeu a terra a Avraham, tirou-nos do Egito,  encontrou-Se connosco  no Sinai,  estendeu-nos a mão ao convidar-nos para o  Mishkan, plantou-Se  no meio do nosso campo.  E, perante a Sua mão estendida, nós vamos afastar-nos?  Moshe e  Aharon  estão devastados. Ele está a fazer tudo isto por nós, e nós vamos recusar?

3ª  Aliá (14:8-25)  Yehoshua disse: Se De’s quiser, Ele nos levará lá.  Mas não se revoltem contra Ele.  O povo quis apedrejá-lo.   De’s disse a Moshe: Quanto tempo este povo vai irritar-Me, depois de todos os milagres que fiz?  Vou eliminá-los e fazer de ti uma grande nação. Moshe retorquiu:  Não  podes  fazer isso.  Vai  parecer que não tens o poder de levar o povo para a terra.  Sê misericordioso.  De’s disse: Eu perdoo-os, como tu disseste.   Mas:  Estas  pessoas, testemunhas de todos   os milagres e que  agora se recusam; não vão entrar na terra, à exceção de  Calev.

Esta história dos espiões é um dos dois  fracassos nacionais da Torá, a par com o bezerro de ouro.  De  facto,  a reação de De’s aqui é quase idêntica à Sua resposta: deixa-Me eliminá-los e tornar-te a ti,  Moshe, a nova nação.  E a resposta de Moshe aqui também é idêntica: Fazeres isso vai induzir as pessoas a pensar que não És capaz de cumprir as promessas e de trazer o povo para a terra.   Moshe suplica, De’s concede.  Esta não é a história do fracasso: é a história do perdão.  Assim como a  história do bezerro de ouro é uma história de perdão. Quanto mais profundo o fracasso, mais amor há no perdão.

Mais crucialmente, esta troca entre Moshe e De’s é um vislumbre além do véu.  É esse o significado poderoso da história.  Porque estamos agora a embarcar na história judaica, a marchar para a terra.  O início de milhares de anos de história judaica.  E em preparação para esta marcha, a Torá explicou detalhadamente que De’s está entre nós.  Então, vai correr tudo bem: Somos guiados pela Sua nuvem.  No entanto, a história judaica estará repleta de fabulosos sucessos e trágicos fracassos.  Será uma caminhada de picos e vales, avanços e recuos, construção e terrível destruição.  Como vamos entender os Seu caminhos?   Com De’s entre nós, as coisas não deveriam estar melhores do que estão? Oh, se pudéssemos espreitar por trás do véu e conhecer os Seu caminhos!

E esta história é isso.  Esta história  é o espreitar atrás do véu.  De’s quer destruir-nos.  Moshe suplica. Somos salvos.  Esta é a história  do que poderia ter sido, mas não foi.   40 anos no deserto parecem duros? Bem,  não quando comparados à destruição de todo o povo. Vemos 40 anos como maus.  Não, não, não.  40 anos é generosidade.   Perdão.  Misericórdia. Amor.

Devemos ter o cuidado de não concluir que podemos «adivinhar» o caminho divino.  Mas a história ensina-nos que nunca saberemos o que poderia ter sido.  Poderia ter sido destruição do nosso povo.  Foi apenas um atraso de 40 anos.

4ª  aliá (14:26-15:7)  De’s disse a Moshe e  Aharon para dizerem ao povo: Como disseram, assim será.  Não entrarão na terra.  Todos morrerão no deserto.  Seus filhos entrarão na terra.  O número de dias que percorreram a terra será  o número de anos no deserto: 40 anos.  As pessoas choraram.  Tentaram retificar o seu erro acordando cedo para empreender então a viagem, mas Moshe avisou-os de que De’s não estaria com eles.  Sofreram a derrota.  Moshe instruiu: Quando se instalarem na terra e trouxerem oferendas, tragam farinha, azeite e vinho com as oferendas.  Isto será agradável para De’s.

Ao mesmo tempo que o povo é informado de que todos morrerão no deserto, também lhes é dito que entrarão na terra.  Bem, não eles, mas os seus filhos.  Esse é  o elemento crucial desta história: o compromisso de De’s com o Seu povo é inalterado.  O Seu plano meramente se atrasou.  Esta é a história do amor de De’s para com o Seu povo.  Embora o calendário tenha sido alterado, o compromisso que assumiu para nos trazer à terra está em pleno vigor.

5ª  aliá  (15:8-16) As quantidades de farinha, azeite e vinho para serem oferecidos com um touro são mais elevadas do que as dos ovinos.  Toda a gente  traz estas libações semelhantes: é uma lei para todos.

Esta aliá muito curta é uma continuação da aliá anterior, em que são estabelecidas as quantidades de farinha, azeite e vinho para oferendas de ovelhas ou carneiros.  A aliá anterior não queria concluir com a tragédia da história dos espiões.   Em vez disso,  acabou com a frase um aroma agradável para De’s.  Na verdade, esta descrição das libações é encorajadora. Tu vais chegar    à terra.  E vais fazer oferendas lá. Tu vais trazer a farinha, o azeite e o vinho que acompanham as oferendas.  Esses são  dos melhores produtos da terra.  Logo após a sentença de 40 anos no deserto vem a promessa de que colherás trigo,  azeitonas  e uvas na tua terra. Podes estar a sofrer agora devido a este terrível pecado dos espiões.  Mas bons momentos esperam por ti.  E Eu, diz De’s, quero que Me abordes com o melhor da tua produção: a tua farinha mais fina, o melhor azeite e a alegria do vinho.

6ª  aliá  (15:17-26) Ao entrar na terra, começa a mitzvah de tomar  challa da massa de pão.   Se for cometido um erro e toda a gente pecar acidentalmente como resultado desse erro, é trazida uma  oferta de pecado de um touro. É concedida expiação, já que o povo pecou acidentalmente.

O encorajamento pós-espiões  continua.  Entrarás na terra. E terás pão, não maná.  No meio de  uma crise, é difícil imaginar a dissipação do fumo.  Mas dissipa-se.  Vai dissipar-se.  Pessoalmente, não conseguirás chegar à terra; mas o povo judeu vai conseguir.  Além disso, este pecado que ocorreu, este pecado nacional, foi duramente punido com 40 anos no deserto.  Mas os pecados nacionais  acontecerão  e  serão  perdoados; não pelo  exílio nacional, mas pela mera oferta de um touro.  Claro que isso exige a admissão do pecado.  Quando estiveres arrependido, diz De’s, Eu estarei lá para te conceder o perdão.

7ª  aliá  (15:27-41) A oferta de um  chatat  expia por um pecado acidental.  No entanto, a alma de quem blasfema contra De’s é cortada.  Foi encontrado um homem a cortar lenha no Shabbat.  Foi  detido, já que Moshe e  Aharon  não sabiam o que fazer com ele.  Foi-lhes dito que tinha que ser morto.  Coloca tzitzit nos cantos da tua roupa como um lembrete para cumprir todas as mitzvoth e seres santo para Mim.

O encorajamento pós-espiões continua.   Nem todos os pecados são iguais perante a lei.  Alguns pecados são perdoados através de uma oferta de pecado.  Outros são muito mais sérios.  A blasfémia é uma rejeição da raiz de  toda a existência judaica; de que estamos a caminhar pela vida com o nosso De’s.  Violação de Shabbat também; o Shabat é um sinal do nosso pacto, de que De’s e o povo judeu têm uma relação especial.  Embora o Shabbat seja mencionado  várias  vezes na Torá, esta pequena história reverbera  até ao nosso tempo.  Continuamos a descrever alguém que é leal à Torá e às Mitzvot como um  Shomer  Shabbat.  Como se dissesse: «Shomer  Shabbat?  Isso diz tudo.»

Parasha da Semana – Behaalotecha

Parasha da Semana – Behaalotecha

Parashat Behalotecha – Por: Rav Reuven Tradburks

Parshat Behalotcha é uma parashá fundamental na Torá, bem como uma das mais ricas. Nela se completa a preparação para marchar para a Terra; lá vamos nós, começa a marcha. É mudança, do sublime ao prático, do ideal ao real, da teoria à prática. Por outras palavras: quem tem o protagonismo são as pessoas, com todos os seus defeitos. Há reclamações, deceções, mesquinhez, disputas, frustrações. É a vida comunitária, ao vivo e a cores. E essa é a sua profundidade. Vejam bem, se tivéssemos de parar a Torá aqui, imaginaríamos a vida judaica como um conto de fadas: D’us promete a Terra, salva-nos da escravidão, dá-nos a Torá, quer habitar no meio de nós, cria um lugar de encontro entre o Homem e D’us, dá-nos dias para nos encontrarmos com Ele e instrui-nos detalhadamente sobre como caminhar na vida com Ele. Lindo. Então olharíamos para as nossas vidas – onde nos sentimos esgotados, distantes, com vidas caóticas – Onde está Ele, onde está a ordem, a coreografia, o Mikdash? Poderíamos sentir que a Torá é um conto de fadas, sobre uma vida com D’us de uma maneira que não conhecemos na realidade. Mas temos Behalotcha e o resto de Bamidbar. Como se D’us dissesse: Eu mostrei-vos o ideal. E conheço muito bem as vossas complexidades. Eu sei que alguns de vós ficareis insatisfeitos, entediados, ciumentos, ressentidos. Céticos, amedrontados, fracos. O Homem é muito, muito complexo. Eu, diz D’us, sei isso perfeitamente: Eu fiz-vos assim. O vosso trabalho como povo é descobrir uma maneira de viver tentando atingir o ideal enquanto vivem toda a complexidade que o Homem tem: todas as diferenças, divisões, lutas, talentos, fraquezas e aspirações. Behalotecha garante-nos que o ideal é aspirar, enquanto o real é administrar.

1ª aliá (Bamidbar 8:1-14) Aharon é instruído a acender a Menorá. São dadas as instruções sobre como os Leviim devem ser purificados e inaugurados através de imersão e ofertas. Ao fazer isso, os Leviim devem ser separados para serem Meus.

Estes são os últimos versículos da preparação comunitária e nacional para ir para a Terra. Os Leviim devem servir os Cohanim.

2ª aliá (8:15-26) Os Leviim devem substituir os primogénitos, que são Meus após a praga dos primogénitos. Os Leviim devem ajudar os Cohanim a manter a santidade do Mikdash. Eles são inaugurados e purificados. Devem servir dos 25 aos 50 anos, mas não devem fazer as oferendas.

Assim como para os Cohanim e para os líderes, a cerimónia de posse transmite aos Leviim que o seu status especial não é um mero privilégio; é serviço ao povo e serviço a D’us. Os sentimentos de direito adquirido ou privilégio são o veneno da vida comunitária; o sentido de prestar serviço, é o antídoto.

3ª aliá (9:1-14) Moshe instrui o povo a fazer o Pessach no primeiro mês do segundo ano. O povo fá-lo, embora alguns não possam, devido à sua impureza, Tuma. Eles perguntam a Moshe por que deveriam ser impedidos de trazer o Pessach devido ao contato com os mortos. Moshe acata o que D’us lhe dirá. Recebe as instruções: todos os que não puderem fazer o Pessach em seu devido tempo, devido a Tuma ou por estarem distantes do Mikdash, podem fazê-lo no segundo mês.

Embora o livro de Bamidbar tenha começado em Rosh Chodesh do 2º mês do 2º ano, temos aqui uma descrição do primeiro Pessach observado após deixar o Egito, que é no dia 14 do 1º mês. Parece estar fora de ordem. E a descrição de todas as oferendas dos líderes em Naso ocorreu nos primeiros dias do 1º mês. Mas a desordem é deliberada, pois quer justapor o início da marcha com a incerteza de Moshe e Pessach. O tema do nosso livro é a marcha para a Terra de Israel. As ofertas dos líderes mostram sua autoperceção: somos servos de D’us, não somos egoístas. Igualmente, a oferenda do Pessach. Somos todos, todos nós, servos de D’us, não somos egoístas. E a pergunta feita a Moshe por aqueles que estão impuros é um prenúncio dramático. Mesmo que esteja tudo perfeitamente encaixado  – o acampamento está montado, o Mishkan no meio, os líderes são altruístas, o povo é dedicado –  prepara-te. Porque às vezes acontecem coisas inesperadas. Todo o planejamento do mundo não pode evitar o inesperado da vida. E esse é o tema poderoso do restante desta parashá, prefigurado pela incerteza de como lidar com os impuros em Pessach. Acontecerão coisas que simplesmente ninguém esperava.

4ª aliá (9:15-10:10) A nuvem descia sobre o Mishkan durante o dia; à noite, aparecia em fogo. Quando se levantava, o povo viajava; quando parava, o povo acampava. Podia permanecer no local por um longo tempo ou apenas durante a noite; alguns dias, ou um mês. O povo acampava e viajava por sinal Divino. Moshe recebeu instruções para fazer 2 trombetas de prata. Quando ambas soavam, o povo deveria reunir-se; quando soava apenas 1, reuniam-se os líderes. Um teruah era o sinal para para partir; tekia para reunir. Em tempo de guerra, toca um teruah; em dias festivos e ocasiões alegres, toca um tekiah.

Esta aliá descreve poeticamente as viagens judaicas: guiadas pelo Divino, e chamadas por trombetas. É a parceria divino-humana. Ele chama, nós chamamos. Somos guiados por D’us mas somos nós que administramos as pessoas. E isso prenuncia tudo o que está por vir; o confuso negócio de gerenciar pessoas.

5ª aliá (10:11-34) No dia 20 do 2º mês a nuvem levantou-se; o povo viajou do deserto do Sinai para o deserto de Paran. O acampamento viajou exatamente como tinha sido instruído; cada tribo na sua posição designada. Moshe pediu ao seu sogro Chovev (Yitro) para viajar com eles, pois a sua visão seria valiosa. Ele não aceitou e voltou para a sua terra. Viajaram por 3 dias.

Começa a marcha para a terra de Israel. E Moshe está bem ciente dos seus desafios. Enquanto ele é único no funcionamento do Divino, o seu sogro Yitro mostrou o quão magistral ele é no funcionamento das pessoas. Ele quer desesperadamente a orientação de Yitro para administrar o inevitável, o inesperado. Embora Moshe conheça os desafios da vida que o aguardam, até ele fica surpreendido com a rapidez com que surgem os desafios das fraquezas humanas.

6ª aliá (10:35-11:29) Moshe orava durante a viagem: D’us, dispersa os Teus inimigos. E durante o descanso: Retorna às miríades. O povo reclamou, irritando D’us e Moshe, um incêndio deflagrou nos limites do acampamento. Chamaram Moshe, Moshe rezou e o fogo apagou-se. Um grupo entre o povo clamou por carne, lembrando-se do peixe e vegetais que comiam livremente no Egito: Estamos ressequidos, apenas com este Maná. D’us e Moshe ficaram zangados. Moshe reclamou: devo andar com eles ao colo como se faz com um bebé? Onde poderei encontrar carne para alimentar todos eles? Não posso suportá-los sozinho. D’us respondeu: reúne 70 anciãos. Eu dar-lhes-ei um pouco do teu espírito e eles ajudar-te-ão. E fornecerei carne. O espírito de D’us fluiu para os 70 anciãos; Eldad e Medad continuaram a profetizar.

Aqui começa o resto do livro de Bamidbar: a mudança do mundo ideal da orientação divina para o mundo real da complexidade humana. A primeira reclamação vem rápido; e nem nos dizem do que estão a reclamar. Porque a vida nunca será satisfatória para todos. A segunda reclamação, a reclamação por carne, é a insatisfação do Maná. É tédio. Desejo de prazer, de cor e variedade. Embora uma distorção óbvia da realidade: será que a vida no Egito era realmente melhor? Era assim tão agradável? D’us proverá a carne. Os anciãos prestarão assistência. Mas, e quanto ao fardo de levar o bebé com o qual Moshe sente que foi injustamente sobrecarregado? Como meu amigo Shmuel Goldin aponta: Moshe, isso chama-se liderança. Atender as pessoas como se fosse uma enfermeira? Esse é o destino do líder. Vais ter que aprender isso sozinho.

7ª aliá (11:30-12:16) Um vento trouxe codornizes, cobrindo a terra. O lugar chamava-se Kivrot Hataava. Miriam e Aharon falaram mal da esposa de Moshe; Moshe era o mais humilde de todas as pessoas. D’us falou com Moshe, Aharon e Miriam, chamando Aharon e Miriam. Falo convosco em sonhos, mas com Moshe não. Com ele Eu falo cara a cara. Miriam ficou leprosa. Moshe rezou pela sua cura.

As reclamações continuam; desta vez de uma fonte inesperada, Aharon e Miriam. Este desafio é breve, mas poderoso. Os desafios, conflitos e divergências que surgem na vida não devem ser vistos apenas como mesquinhez e fraqueza. Mesmo o maior dos grandes de nosso povo pode ter divergências com os nossos líderes. Essa é uma perspetiva crucial em todos os desafios que virão; os seres humanos nunca estarão livres de desacordo ou desafio. Não é apenas desejar carne. Até os mais santos questionam, legitimamente mas aqui incorretamente, o nosso líder mais sagrado.

Parasha da Semana – Naso

Parasha da Semana – Naso

Por: Rav Reuven Tradburks

1ª aliá (Bamidbar 4:21-37) É feito um censo da família de Gérson (filho de Levi). A família de Gershon é responsável pelos tecidos do Mishkan: as cortinas e as cobertas do Mishkan. Eles devem trabalham sob a supervisão de Aharon e seus filhos; no caso deles, de Itamar. É feito o censo da família de Merari. Sua responsabilidade é a estrutura do Mishkan: tábuas, tomadas, suportes de parede. Suas tarefas são designadas por nome, supervisionadas por Itamar. O censo, com idade entre 30 e 50 anos, da família de Kehat é de 2.750.
Estas duas primeiras aliot concluem a descrição dos trabalhos dos Leviim na gestão e transporte do Mishkan. E de seu censo. Os Leviim acampam ao redor do Mishkan. As outras 12 tribos acampam ao redor deles.
2ª aliá (4:38-49) O censo de Gérson, 2.630, e Merari, 3.200. O total daqueles que servirão e carregarão o Mishkan é 8.580.

Com a conclusão da atribuição de papéis e do censo dos Leviim, a descrição detalhada do acampamento judaico está completa. Na descrição dos cargos, dos nomes e dos números, começamos a ver a nação judaica como uma nação. São pessoas reais, com nomes reais e populações reais. E esta nação deve marchar com D’us no seu meio e acampar com Ele no seu meio. Destino: Terra de Israel. Mas nós, que sabemos como o resto do livro se desenrolará, reconhecemos essa ordem detalhada como um prenúncio. Oh, que a nossa vida nacional fosse tão limpa e arrumada. Você aqui, você ali. Você fazendo sua tarefa, você fazendo a sua. Todos nós reconhecendo D’us em nosso meio. Esta é uma bela descrição de como devemos viver e como devemos viajar para a terra de Israel. Mas o livro de Bamidbar é o encontro do ideal com o real. Instruções e descrições do que deveria ser são ótimas; como eles realmente são vividos neste mundo menos do que limpo e arrumado fica confuso.

3ª aliá (5:1-10) Ordene ao povo que mande para fora do acampamento os homens ou mulheres com Tzarat, ou que sejam Zavim ou Tamei. O povo assim o fez. O homem ou a mulher que furtar, jurar negar o furto e depois admitir, devolverá o que furtou mais um quinto ao proprietário. Se o proprietário morreu sem deixar herdeiros, o pagamento é pago ao Cohen. As porções do Cohen pertencem totalmente a ele.

Estas 2 aliot também são prenúncios. Agora que a marcha para a terra de Israel está prestes a se tornar realidade, não ignore as fraquezas das pessoas na sociedade. Mantenha o campo tahor – tanto nos detalhes das leis quanto no sentido metafórico. Saiba que as pessoas vão roubar. E não só roubar, mas mentir para encobrir. Roubar e mentir são falhas paradigmáticas de pessoas que tentam conviver em sociedade. No livro de Bamidbar, quando fazemos a mudança da teoria para a prática, das instruções para a marcha, unindo-nos como nação, as falhas humanas são inevitáveis. Roubar e mentir. A Torá nunca retrata o povo judeu como perfeito, imaculado. Somos um povo da vida real com todas as nossas deficiências. Um povo santo; mas um povo santo que é real, não contos de fadas.

4ª aliá (5:11-6:27) A Sotah: Se uma mulher casada passa algum tempo sozinha com um homem que não seja seu marido, e seu marido suspeita que ela teve relações com aquele homem, então ela é levada ao Cohen. Ela traz uma oferenda simples. O Cohen coloca água e poeira em um recipiente. Ela jura que é inocente. O Cohen escreve em um pergaminho que se ela for culpada, a água que ela beberá causará danos internos fatais. Estas palavras são colocadas na água. Sua oferta é trazida; a água é bebida por ela. Se ela for culpada, isso será fatal. Se for inocente, vai ficar provado. O Nazir: Quando uma pessoa jura ser Nazir, não pode beber vinho ou qualquer produto da uva, não pode cortar o cabelo e não pode entrar em contato com os mortos, incluindo parentes mais próximos. Se o Nazir entrar em contato com os mortos antes da conclusão de seu status de Nazir, então deve trazer uma oferenda de 2 aves, uma para um chatat e outra para uma olah. No final de seu status de Nazir, ele traz animais para um chatat, uma olah e um shlamim. Ele corta o cabelo e queima-o. Birkat Cohanim: Diga a Aharon que ele abençoará o povo judeu com a Birkat Cohanim: ao fazê-lo, eles colocam Meu nome no povo e Eu os abençoo.

As 2 mitsvot bastante dramáticas nesta aliá expressam o tema deste livro de Bamidbar: o complicado negócio de viver o ideal neste mundo complicado do imperfeito. O ideal tem sido o tema de Shemot e Vayikra: viver uma vida com D’us em nosso meio, uma vida santa, uma vida nobre e santificada caminhando com nosso D’us em nosso meio. Mas na vida acontecem coisas. Esse ideal tem que ser vivido por pessoas reais, que… atrapalham.

As 2 complexas mitsvot mencionadas aqui, Sotah e Nazir, são brechas na vida comunitária em particular. O Sefer Bamidbar, como o livro da marcha para a terra de Israel, é tanto a transição da vida ideal de acampar no Monte Sinai, para a agitação de pessoas reais vivendo vidas reais. É o amadurecimento do povo judeu em nossa expressão comunal e nacional. Sotah e Nazir são brechas na vida comunitária. A Sotah, a esposa suspeita de adultério, é um colapso na santidade da vida familiar. O Nazir é uma brecha na procura da supersantidade; como ele se dissesse que a Torá não é suficiente, não é sagrada o suficiente para ele. Santidade insuficiente é uma brecha, mas a supersantidade também o é.

Na mitsvá do Nazir, o que não foi dito é o que leva essa pessoa a renunciar ao vinho, ao contato com os mortos e ao corte de cabelo. Algo está acontecendo em sua vida para que eles precisem se restringir. Votos de restrição desse tipo podem ser um desejo de viver uma vida ainda mais santa do que o resto de nós. Esse pode ser um desejo nobre; ou pode ser distorcido. Quando o Nazir falhou consigo mesmo e quer retificar suas fraquezas jurando não beber vinho, isso parece positivo. Mas se o Nazir atribui a si mesmo uma posição mais santa do que a das outras pessoas, do tipo  «A Torá é boa para você, mas não é suficiente para mim», então isso é uma transgressão de arrogância, de condescendência.

5ª aliya (7:1-41) No dia em que Moshe completou, ungiu e santificou o Mishkan e tudo o que ele contém, os líderes das tribos trouxeram uma contribuição. Trouxeram 6 carros e 12 bois para o transporte do Mishkan: 2 carros e 4 bois foram entregues a Gérson, 4 carros e 8 bois a Merari. Kehat não recebeu nenhum porque carregavam os objetos do Mishkan em seus ombros. Os líderes de cada uma das 12 tribos trouxeram oferendas como inauguração do Mishkan. Todos os dias o líder da tribo é nomeado e sua oferenda é trazida. A oferta de cada líder é idêntica.

Nossa parashá é a parashá mais longa da Torá devido a estas últimas 3 aliot. Na verdade, estas 3 aliot são apenas um capítulo, mas um capítulo de 89 versículos, mais longo do que muitas parshiot completas.

6ª aliá (7:42-71) A descrição das oferendas do líder continua, delineando os dias 6 a 10.

Cada dia um Nasi diferente, chefe da tribo, trazia uma oferenda, embora a oferenda fosse idêntica todos os dias. Esta repetição interessa os comentaristas. Talvez isto esteja relacionado à natureza da liderança em si. O Rav Jonathan Sacks, z”l, ocupou-se extensivamente com a noção de liderança. Um de seus temas dominantes era o tema do serviço versus poder. Um líder judeu serve seu povo. E serve ao seu D’us. Não a ele mesmo. Isso é relembrado pelas oferendas dos Nasi. Ao oferecer a D’us, o Nasi está expressando que ele é um servo de D’us e um servo de Seu povo. A marcha para a terra exigirá desses líderes. Eles precisam afirmar desde o início que não servem a si mesmos, mas a D’us e a seu povo.

7ª aliá (7:72-89) A descrição das oferendas do líder continua com os dias 11 e 12. A Torá enumera os totais de cada uma das oferendas trazidas pelos líderes. Estas serviram como inauguração do altar ungido. Quando Moshe entrou no Ohel Moed para falar com D’us, ele ouviu a Voz emanar do kaporet, a cobertura do Aron, entre os anjos, e Ele falou com ele.

A Parasha conclui com uma repetição de que D’us falou com Moshe de cima do Aron. Considerando que a ênfase anteriormente estava na magia do encontro entre D’us e o homem, aqui a ênfase está no conteúdo: Moshe age por instrução divina, não por seu próprio poder e orgulho pessoal.

Parashá da Semana – Bamidbar

Parashá da Semana – Bamidbar

Bamidbar

Por: Rav Reuven Tradburks

1ª aliá (Bamidbar 1:1-19) Em Rosh Chodesh Iyar do segundo ano desde que deixaram o Egito, Moshe e Aharon devem fazer um censo de todos os homens com idade superior a 20 anos. Os líderes de cada tribo devem ajudar. Esses líderes são nomeados. Moshe, Aharon e os líderes reúnem as pessoas que estabelecem a que tribo pertence cada pessoa.

Sefer Bamidbar é a marcha para a Terra de Israel. Verdadeiramente a marcha para a Terra Prometida. A promessa da terra foi feita a Avraham. E a Yitzchak. E a Yaakov. E a Moshe, na sarça ardente. Moshe foi informado na sarça ardente de que D’us redimiria o povo do Egito graças à promessa que Ele fez. Para lhes dar a terra de Israel. Esse tem sido o objetivo desde o tempo de Avraham.

Mas viver na terra tem um contexto. Devem colonizar a terra. Mas com uma conexão íntima Comigo. Eu, diz D’us, habitarei no Mikdash. Aproximar-te-ás de mim. E colonizarás esta Terra, a minha Terra, próxima a Mim. O Sefer Vayikra expôs este contexto de santidade e proximidade com D’us.

Agora é hora de acontecer. E a mudança do plano do idílico, do teórico, para o mundo real dos seres humanos é muito complicada. Nós sabemos o final da história – mas neste ponto estamos apenas a um ano do Egito e a prepararmo-nos para entrar na terra. Bamidbar é o alvorecer da marcha para a terra.

2ª aliá (1:20-54) É apresentado o censo, por tribo, de todos os homens com mais de 20 anos, a idade do serviço militar. Tribo de Reuven: 46.500. Shimon: 59.300. Gad: 46.500. Yehuda: 74.600. Yissachar: 54.400. Zevulun: 57.400. Efraim: 40.500. Menashe: 32.200. Binyamin: 35.400. Dan: 62.700. Aser: 41.500. Naftali: 53.400. O total deste censo feito por Moshe e Aharon e os 12 líderes das tribos foi de 603.550. No entanto, a tribo de Levi não está incluída. Eles devem proteger o Mishkan: acampar ao redor do Mishkan, transportá-lo, desmontá-lo e montá-lo. As tribos acampam em grupos diferentes, enquanto os Leviim acampam ao redor do Mishkan.

Esta é a parasha dos contadores [contabilistas]. Muitos números. Embora houvesse 12 filhos de Yaakov, Levi não faz parte deste censo. Então ficam 11 tribos. Não há tribo de Yosef: os seus 2 filhos, Efraim e Menashe, tomam o seu lugar ao lado dos seus tios como tribos completas. Portanto, são 12 tribos, mesmo sem Levi.

Este livro chama-se Bamidbar, «no deserto», mas em inglês [e em português] chama-se Números. Bastante adequado. Mas eu gosto da denominação do Talmud: Pekudim, que pode ser traduzido como Números ou, como no hebraico moderno, Pakid, uma pessoa com um trabalho designado. A contagem e os números são uma preparação para a marcha para Israel. Todos têm um papel a desempenhar. Mas os contadores [contabilistas] perceberão que as tribos variam significativamente em tamanho. Todos começaram ao mesmo tempo, como filhos de Yaakov. Esta é uma dica para o tema proeminente das diferenças. As tribos são diferentes: no nome, no tamanho, e, como veremos mais tarde, no acampamento. Apesar de marcharem para o mesmo destino, o povo judeu desfrutará sempre da variedade. Gerenciar a variedade é um dos temas deste livro.

3ª aliá (2:1-34) As tribos devem acampar de uma maneira designada. Para cada uma das tribos é dado o nome do seu Nasi, o número da sua tribo e o seu lugar na formação. No lado leste, à frente, estão Yehuda, Yissachar e Zevulun. O seu número, no total, é 186.400. No lado sul estão Reuven, Shimon e Gad. O seu número total é 151.450. O Ohel Moed, cercado por Levi, acampa e viaja no meio. No lado oeste estão Efraim, Menashe e Binyamin. O seu número total é 108.100. No lado norte estão Dan, Asher e Naftali. O seu número total é 157.600. A contagem total dos homens em idade militar é 603.550 sem a tribo de Levi.

O povo viaja e acampa com o Mishkan no meio. Fisica e metaforicamente. Viajamos pela nossa história com D’us no meio de nós. A descrição detalhada de onde cada tribo acampava transmite a sensação clara de um acampamento militar. Regimentado. Especificado. Detalhado. Organizado. Mas um exército para que propósito? Para combater os inimigos previstos na terra de Israel? Ou para ser o exército de Hashem? Um exército de combate? Ou um povo com D’us no seu meio? Ou ambos?

4ª aliá (3:1-13) Os nomes dos filhos de Aharon eram Nadav, Avihu, Elazar e Itamar. Nadav e Itamar morreram sem filhos. Elazar e Itamar servem como Cohanim com Aharon. Os Leviim devem servir Aharon. Os Leviim são responsáveis ​​pelo Mishkan: apoiar os Cohanim e o povo, facilitar o funcionamento do Mishkan. Os Leviim tomarão o lugar do primogénito, que se tornou consagrado a mim quando foi salvo no Egito.

Existem 2 grupos mencionados aqui: Cohanim e Leviim. É dada a linhagem dos Cohanim. Só não ocupa muito espaço. Porque os Cohanim são Aharon e os seus filhos. Mas ele só tem 2. Então toda a linhagem dos Cohanim é de 3 pessoas. Os Leviim, por outro lado, são uma tribo inteira, descendentes de Levi, filho de Yaakov. A sua linhagem, bastante extensa, é dada na próxima aliá.

5ª aliá (3:14-39) Conta a tribo de Levi por famílias, a partir da idade de 1 mês: as famílias de Gérson, Kehat e Merari, filhos de Levi. São listados os filhos de Gershon, Kehat e Merari. A família de Gershon, da idade de um mês para cima, é de 7.500. Eles acampam a oeste do Mishkan. A sua tarefa era transportar e ser responsável pelas cortinas e coberturas. Kehat era de 8.600, acampando ao sul. Eles eram responsáveis ​​pelos utensílios: Aron, Menorá, Mesa, altares. Merari contava com 6.200, acampando ao norte. Era responsável pela estrutura do Mishkan: paredes, suportes e vigas. O total da tribo de Levi é 22.000. Na parte da frente, a leste do Mishkan, acampavam Moshe, Aharon e as suas famílias.

O acampamento ao redor do Mishkan tinha 2 camadas. Os Leviim estavam próximos, em 3 dos 4 lados do Mishkan. O 4º lado, principal, tinha Moshe e Aharon. Todas as 12 tribos estavam mais afastadas em todos os 4 lados.

Os 3 filhos de Levi eram grupos familiares; Gérson, Kehat e Merari. Eles tinham total responsabilidade pelo Mishkan. As suas tarefas estavam divididas em categorias. Gérson, têxteis. Kehat, móveis. Merari, edifício. Gershon cuidava das cortinas e das cobertas. Kehat dos objetos principais mais importantes do Mishkan. E Merari da estrutura da construção.

6ª aliá (3:40-51) Conta todos os primogénitos de idade igual ou superior a um mês. Os Leviim devem substituir os primogénitos. Havia 273 primogênitos a mais que Leviim; estes foram resgatados.

A aliá anterior, continuando aqui, assume que os primogénitos serão servidores públicos dedicados porque foram poupados na praga dos primogénitos. Este é um tema de reciprocidade: De’s diz: Eu salvei-te, tu serves-Me. A chuva de bênçãos sobre nós exige reciprocidade – ficamos em dívida para com D’us. A noção de que os primogénitos serão servidores públicos é muito apelativa: cada lar infunde-se no serviço público através do primogénito, dedicado ao trabalho sagrado. Mas, por mais atraente que seja, isto não é implementado. Os primogénitos são trocados pelos Leviim. Talvez porque seria um fardo injusto. As famílias pobres contam com o seu primogénito para trabalhar, para ser o primeiro a contribuir para o bem-estar da família. A substituição do primogénito pelos Leviim reconhece a desigualdade que inevitavelmente resultaria se fosse exigido que o primogénito de cada família tivesse que deixar a sua casa para se dedicar ao serviço público.

7ª aliá (4:1-20) Toma de Kehat, todos os homens de 30 a 50 anos para fazer o trabalho do santo dos santos. Mas, como Kehat devia carregar os utensílios do Mishkan, Aharon e os seus filhos cobriam cada recipiente, para evitar que Kehat os tocasse. O Aron era coberto por: o Parochet (cortina), depois o couro, depois o revestimento techelet. A Shulchan: techelet, depois os utensílios extras, depois o tecido vermelho, depois a pele de tachash. Menorá: techelet, depois tachash. Altar de incenso: techelet, depois tachash. Altar externo: tecido roxo, depois tachash. Desta forma, não cairá nenhuma calamidade sobre Kehat ao transportar os objetos sagrados.

Existem 3 contagens diferentes, por idade. Faz-se uma contagem por tribos para contar todos os homens acima dos 20 anos, para o serviço militar. Dos Leviim foram contadas todas as pessoas do sexo masculino, acima da idade de 1 mês, pois eles assumem o status de Levi praticamente desde o nascimento. E aqui, os Leviim que vão realmente fazer o serviço público são os que têm de 30 a 50 anos. Embora o seu serviço na nossa parashá seja transportar o Mishkan, o seu serviço no Templo será o de músicos. Mais tarde, a Torá vai dizer que os Leviim começam o serviço público aos 25 anos. O Talmud resolve isso: são necessários 5 anos de treino, dos 25 aos 30 anos. Então eles podem tocar instrumentos musicais no Templo ou cantar. Cinco anos de formação musical; a música do Templo deve ter sido bastante sofisticada.