BAR MITZVAH NO CHILE

BAR MITZVAH NO CHILE

O Rav Avraham Israel Latapiat, nosso emissário em Santiago, Chile, da comunidade Jazon Ish, teve mais a comemorar no mês passado do que apenas os feriados. O seu neto, Moses, celebrou o seu bar mitzvah e foi uma festa muito especial.

Depois de ler a porção da Torá, Moisés acrescentou:

— Eu nasci no dia 25 do mês judaico de Elul, o dia da Criação do mundo, sob a influência espiritual da Parasha Nitzavim. E, como se diz, hoje estou firme diante de D’us e do povo de Israel para aceitar a minha responsabilidade de servir a D’us com todo o meu coração, com toda a minha alma e com todas as minhas forças. E peço a D’us para me guiar e me fortalecer nos caminhos da Torá.

Parasha Da Semana – Nitzavim

Parasha Da Semana – Nitzavim

Parashat Nitzavim

Pelo rabino Reuven Tradburks

Com a Parshat Nitzavim começamos 4 parshiot muito curtas que são a conclusão da Torá. Embora a parashá tenha apenas 40 versículos, o seu impacto emocional é difícil de igualar. O Talmud diz que as maldições da Parshat Ki Tavo devem ser lidas antes de Rosh Hashaná. Nós não fazemos isso. Nitzavim é sempre lida no Shabat antes de Rosh Hashaná. Parece que a dureza das calamidades que cairiam sobre nós, conforme descritas em Ki Tavo, embora verdadeiras, são difíceis. Com que humor queremos enfrentar Rosh Hashaná? Com a dureza e seriedade da condenação que resultará da falta de lealdade à Torá? Ou com o otimismo e o incentivo da previsão de retorno da nossa parashá? O medo de Ki Tavo é temperado pela esperança e pelas garantias de Nitzavim.

1ª aliá (Devarim 29: 9-11) O Brit de Arvot Moav. O povo inteiro está reunido para entrar no pacto: homens, mulheres, crianças, carregadores de água e cortadores de lenha. Já tivemos outros pactos na Torá: Uma das alianças foi feita com Avraham; a outra no Sinai. O que é impressionante nesta aliança são 2 coisas: pessoas específicas e a palavra Hayom, que aparece 4 vezes em 6 versículos. Um acordo, ou uma aliança, feita com uma nação, pode permitir que nos ocultemos: «Isto não se aplica a mim pessoalmente, mas sim à nação. Cuidem vocês disso.» Moshe evita ocultar-se: vocês estão todos incluídos: homens, mulheres, gente comum. E isto não é uma informação antiga. É de hoje. Como se Moshe estivesse a dizer: «Eu não estou a fazer esta aliança no “meu” hoje – mas para vocês, leitores, esta aliança está a ser feita no “vosso” hoje.» Todos vocês estão dentro: gerações presentes e futuras. Sem ninguém se ocultar.

2ª aliá (29: 12-14). Para entrar na aliança; que D’us será o nosso D’us e nós seremos o Seu povo. Como foi dito aos Avot. Esta aliança é feita contigo aqui hoje e com aqueles que não estão aqui hoje. O Talmud entende esta aliança como aquela que une todos os judeus com a noção de que «todos os judeus são responsáveis uns pelos outros – kol Yisrael areivim zeh b’zeh». Parece que há aqui uma extensão  da aliança, não apenas às pessoas presentes, mas a todas as gerações futuras, que gera a ideia de responsabilidade mútua. Todos nós estamos vinculados por esta aliança que abrange gerações.

3ª aliá (29: 15-28) Se existir entre vós alguém que siga um ídolo, racionalizando que é livre para seguir o seu coração, a consequência do vínculo especial desta aliança é que a sua deslealdade, a sua adoração de ídolos, será recebida com a ira divina. A destruição desta Terra por causa de sua infidelidade será tão profunda que as pessoas olharão para ela e ficarão chocadas com a sua total desolação. Reconhecerão que a sua deslealdade resultou nesta desolação e na sua expulsão desta Terra. A descrição da terra de Israel como uma terra que mana leite e mel é difícil para nós, ocidentais: nós sabemos como é uma paisagem rica e verdejante, e a atual terra de Israel não é assim. A topografia rochosa de Israel, sem grama [relva] e sem árvores é chocante para os nossos olhos – estamos habituados a grama [relva] e árvores. Especialmente porque é a terra que mana leite e mel. Algo mau aconteceu com ela. O Ramban afirma que a terra não está permanentemente condenada a ser estéril e desolada; enquanto permaneceu em mãos não-judias, a topografia permaneceu árida. Uma vez devolvida às mãos dos judeus, o verde retorna. Privilegiados são os olhos que viram o retorno do verde.

4ª aliá (30: 1-6) Quando fores expulso da terra para os 4 cantos do mundo, levarás a sério o teu destino no teu coração – e retornarás a D’us. Ele retornará a ti, retornando a ti para te reunir dos lugares distantes. Mesmo que estejas nos confins da terra, Ele vai reunir-te e tirar-te de lá, para te trazer de volta a esta terra. Este é o parágrafo mais bonito de toda a Torá. É tão bom que fica partido ao meio, para o saborearmos melhor. É chamado de Parshat HaTeshuva, a seção do Retorno. A palavra retorno aparece 7 vezes. Nós para ele. Ele para nós. Nós damos um passo, Ele dá um passo na nossa direção. Mas o nosso primeiro retorno é descrito como «levarmos o assunto a sério no nosso coração». O início da teshuvá é ouvir os murmúrios do coração. E Ele é o nosso cardiologista. Ele conhece os murmúrios do nosso coração, por mais fracos que sejam. E dá-nos a força, a vontade de construir algo a partir dos nossos desejos mais profundos. Ele dança connosco, mas espera que nós demos o primeiro passo. Então dá-nos mais e mais força. Basta darmos esse passo.

5ª aliá (30: 7-10) E Ele implantará em ti o amor por Ele. E voltarás para Ele. E Ele ficará emocionado contigo porque o teu retorno é com sinceridade, de coração cheio. Moisés escolhe palavras no Sefer Devarim que são palavras de afeto. Há muito amor e muito coração: amor a Hashem, todo o teu coração. Palavras e expressões como vida, bom, apegar-se a Hashem, hoje. Moshe não quer ser apenas professor de halachá. Ele também deseja ser o professor da nossa vida interior. Precisamos de orientação, não apenas sobre o que fazer, mas também sobre o quê e como sentir. Os nossos sentimentos: deixa-O entrar, com amor, com os sentimentos mais profundos do teu coração, todos os dias. A linguagem é notavelmente mais emotiva do que no resto da Torá. Moshe, mesmo antes da sua partida, tanto do seu papel de líder como deste mundo, deseja desesperadamente transmitir os seus sentimentos mais profundos e alcançar as nossas mais profundas emoções.

6ª aliá (30: 11-14) Pois esta Mitzvah não é sublime, como se precisasses de alguém para ascender os céus ou cruzar o oceano para a ir buscar. Pelo contrário, está muito próxima; nos teus lábios e no teu coração. Este pequeno parágrafo é o mais bonito da Torá (ok, é um empate). Pode ser entendido como se referindo a toda a Torá. Como se dissesse: «Eu sei que a Torá parece assustadora; mas não é, é o verdadeiro “tu”» Ou pode estar a referir-se à Teshuva. Como se dissesse: «A mudança parece assustadora; mas não é uma mudança, é o verdadeiro “tu”» Temos essa expressão, o pintele yid. No fundo, todos têm uma conexão com D’us e com o povo judeu. Isso é exatamente o que este versículo diz: não precisamos de nos ajustar, para nos adaptarmos a uma crença em D’us. Precisamos de ser sensíveis, para sondar o nosso verdadeiro “eu”, para cavar fundo e descobrirmo-nos a nós mesmos. Está muito perto: nos nossos lábios e no nosso coração.

7ª aliá (30: 15-20) A vida e o Bem, a morte e o Mal estão diante de ti. A vida é consequência da lealdade às mitzvot. A destruição aguarda a falta de lealdade. O céu e a terra são testemunhas: a vida e a morte, a bênção e a maldição, estão diante de ti. Escolhe a vida. Essas palavras são as últimas do longo discurso de Moshe. Ele continuará a falar sobre a transição da liderança. Mas essas últimas palavras são como uma esbatimento, uma diluição. Depois de tudo dito e feito, o que está em jogo nesta grande aventura das mitsvot é, nada mais, nada menos do que a vida ou a morte. E, com estas palavras, Moshe prepara-se para se despedir do povo. Nada mais há a dizer. Escolhe a vida.

Parashá da Semana – Nitzavim-Vaielech

A oração tem cara de mulher

Estamos quase em Rosh Hashaná e a oração é uma das três ações (teshuvá, tefilá, tzedacá – arrependimento, oração e ajuda aos outros -) que foram estabelecidas como as mitzvot que nos permitem ser inscritos no livro da vida.

No primeiro dia de Rosh Hashaná lemos sobre a esterilidade de Sarah, e, na Haftarah, sobre a esterilidade de Chana, a mãe do profeta Samuel.

Por que nos lembramos da esterilidade dessas mulheres em Rosh Hashanah?

Nas nossas fontes aparecem sete figuras das quais é mencionada a sua condição de estéril. São elas: Sara, Rivka, Rachel, Lea, Chana, a mulher sunamita que aparece mencionada no segundo livro dos Reis (capítulo 4: 1-7) e, por último, no profeta Isaías no capítulo 54 (1-2) é mencionada Sião «Roni akará». A cidade de Jerusalém deve alegrar-se por ter deixado de estar sozinha como uma mulher que não pode ter filhos. É uma mulher estéril que simboliza Jerusalém e também simboliza todo o povo de Israel quando os portões do céu se abrem para receber as suas orações.

Chana, a mãe do Profeta Samuel, com a sua tefilá (oração) a De’s na qual implora para ter um filho, ensina a todos nós como deve ser a nossa oração ao Altíssimo para alcançar o Seu perdão.

Em hebraico, «perdão» diz-se slichá, mas também existe o termo mechilá. Este termo tem dois significados: um é perdoar e o outro é cavar na pedra ou na montanha. Como se relaciona isso com a época do ano em que estamos? Temos que imaginar duas pessoas a cavar de cada lado de uma montanha, até se encontrarem. A mechilá é um convite para o homem encontrar a Rocha que é De’s. O que nos separa de De’s é apenas a medida do nosso desejo de encontrá-Lo, de nos aproximarmos Dele.

Diz a poetisa Lea Goldberg:

Não é o mar que nos separa
Não são as montanhas que nos afastam
Somos nós mesmos …
Chana, é ela mesma que decide rezar, é a oração desta mulher que permanece como modelo para as gerações, ela fá-lo em silêncio, mas é um silêncio que quebra os ouvidos!
Se acreditarmos no perdão, na mechila, devemos cavar na rocha das nossas almas para procurá-lo.
A esterilidade é uma qualidade do povo de Israel. É com este estado de carência e com a contrição de uma mulher que sente o útero fechado que devemos apresentar-nos perante o Altíssimo e elevar as nossas orações, num silêncio ensurdecedor, do fundo da nossa alma.

Edith Blaustein

Parashat Nitzavim

A Teshuvá, o arrependimento– retirado do livro Ideas de Debarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Analizaremos o capítulo 30, versículos 1 a 10.

Aparentemente, o texto é muito repetitivo.

No versículo 1-2 D’us diz-nos: Então porás no teu coração (recapacitarás) e retornarás ao Eterno teu D’us, mas o que é que devemos pôr nosso coração? Se prestarmos atenção, esta mesma frase  (veHashevota el levavecha) volta repetir-se outra vez na Torá, em Deuteronómio 6:39, que nos diz que devemos recordar o que aconteceu no Egito e no monte Sinai, onde aprendemos que D’us é único e não há nada fora deEle, e “porás isso no teu coração”. Quer dizer, o que é que devemos pôr no nosso coração? Que D’us é único e não há nada fora dEle. Abandonar a idolatria.

Como vão atingir esta ideia, quer dizer, saber que não há outro fora de D’us? Isto atinge-se ao verem o que lhes vai acontecer quando abandonarem D’us; ao se cumprirem todas as maldições acerca das quais a Torá já tinha advertido, entenderão que não aconteceram por acaso, e então vão reconhecer D’us e assumir que não há nada fora dEle e que serviram deuses pagãos em vão.

Logo no versículo 2 diz-nos que devemos voltar ao Eterno nosso D’us escutar a Sua voz. O primeiro ponto, o de voltar a D’us, refere-se a abandonar o paganismo ou o ateísmo e voltar a reconhecer que existe um D’us único, e logo ouvir o que é que D’us nos ordena fazer. Ainda não estamos na parte prática, nas ações; trata-se de determinação, de vontade, apesar de ainda não se ter feito nada. E assim deve ser: primeiro é a vontade, a fidelidade e determinação, e depois as ações.

Os versículos 3, 4 e 5 dizem-nos que D’us vai tornar a nós, vai apiedar-se de nós, vai amar-nos e vai reunir-nos de entre as terras dos demais povos, vai levar-nos à terra de Israel e vai abençoar-nos.

Como o povo volta a D’us, então D’us vai recompensá-los da mesma maneira. Ele torna a eles. Temos que reconhecer que o facto de D’us se voltar a nós, depois do povo de Israel ter violado o Seu pacto, não é um dado adquirido mas sim um ato de bondade e misericórdia por parte de D’us. Mas também devemos notar, através do versículo, que não se trata meramente de voltar a D’us, mas sim de o devermos fazer com todo o coração e com toda a alma.

O versículo 6 diz-nos que D’us vai circuncidar o nosso coração e o dos nossos filhos para que possamos amar D’us com todo o nosso ser. Este é um nível superior aos anteriores, é o de servir a D’us com amor, com todo o coração e com todo o ser, e essa é a verdadeira vida. Aqui não só nos fala de nós, mas também dos nossos filhos, quer dizer que é algo mais firme, não é um arrebato impulsivo de arrependimento, mas sim algo constante, que continuará, não só nas nossas vidas mas também na dos nossos filhos.

No versículo 7, D’us responde igualmente num nível superior. Agora não só nos abençoa mas também diz que todas as maldições se vão virar contra os nossos inimigos. Porque eles nos odeiam enquanto que nós estamos com D’us, amamos D’us e o que queremos é fazer a Sua vontade e apegar-nos a Ele, então todo aquele que seja nosso inimigo, na realidade está a ser inimigo de D’us, pois nós só queremos andar no Seu caminho, e se isso os incomodar ou nos odiarem, então D’us ocupar-se-á deles, porque, na realidade, não se estão a revoltar contra nós mas sim contra Ele.

No versículo 8, para além de voltarmos a D’us e ouvirmos a Sua voz, a Torá fala-nos pela primeira vez de que vamos cumprir todos os preceitos. Isto vem sublinhar que, apesar de na diáspora se poderem cumprir os preceitos, é só na terra de Israel que se podem cumprir todos os preceitos, porque muitos deles dependem da terra de Israel.

No versículo 9, depois de chegarmos a esse nível de cumprir todos os preceitos com amor, se, além disso, buscarmos a D’us com todo nosso ser, D’us responder-nos-á, tal como respondeu aos patriarcas, pois agora nós estamos  a agir como eles agiram, então D’us trata-nos tal como os tratou e cuidou deles.

O versículo 10 é um resumo do nível superior mencionado no versículo nove. E então, quando estivermos nesse nível, vamos entender toda a Torá de uma forma mais profunda e superior.

Desta maneira, chegamos ao nível mais alto:

  1. Perfeição intelectual (com o pensamento)
  2. Um sentimento profundo e sincero para com D’us (vontade e sentimento) e
  3. Perfeição nos nossos atos (ações)

Parasha Nitzavim

O Pacto com o Povo de Israel

Retirado do livro Más allá del versículo, do rabino Eliahu Birnbaum

Todos vós estais hoje presentes perante o Eterno, vosso De’s: os vossos chefes, os vossos anciãos e os vossos oficiais de justiça, com todos os homens de Israel, as vossas crianças, as vossas mulheres e os estrangeiros que estão no teu acampamento, desde o cortador de árvores até ao aguadeiro, para entrarem no Pacto com o Eterno teu De’s e no juramento com o qual o Eterno se compromete contigo hoje. Com isso te consagra hoje como povo Seu, sendo Ele o teu De’s, como te tinha jurado, a ti, aos teus pais e a Abraão, Isaac e Yaacov. Mas não somente convosco celebro este Pacto, e sim também com os que não estão presentes hoje aqui.  (Deuteronómio, 29, 9-15)

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