CIDADE DE NOF HAGALIL CONCEDE CIDADANIA HONORÁRIA A MICHAEL FREUND

CIDADE DE NOF HAGALIL CONCEDE CIDADANIA HONORÁRIA A MICHAEL FREUND

Esta semana, a cidade de Nof Hagalil, sob a liderança de Ronen Plaut, concedeu a cidadania honorária ao fundador e presidente da Shavei Israel, Michael Freund, numa cerimónia em homenagem aos 65 anos da fundação da cidade.

Numa cerimónia comovente, o prefeito Plaut teceu os maiores elogios a Freund, por tudo o que ele fez pelos Bnei Menashe e pelas contribuições à cidade de Nof Hagalil.

Visivelmente sensibilizado, Michael Freund demonstrou a sua emoção perante os presentes por ter sido homenageado.

Depois de um vídeo especial que a cidade montou para homenagear Michael, ele foi presenteado com uma placa especial, bem como com uma ‘chave da cidade’.

 

 

Hatikvah: a mezuzah musical de Israel

Hatikvah: a mezuzah musical de Israel

Por: Michael Freund

É uma canção conhecida em todo o mundo, um hino nacional que comove os corações judeus, de Manhattan a Melbourne, dando voz aos anseios de gerações para retornar ao nosso antigo património.

Seja no início de um jogo de basquete ou no juramento de soldados da IDF no Muro das Lamentações, “Hatikvah” comove, inspira e desafia-nos a apreciar a sorte da nossa geração.

Devo admitir que ainda sinto arrepios quando ouço as primeiras notas da Hatikvah a serem tocadas, como se os próprios acordes atingissem o fundo da alma.

E, no entanto, apesar da sua profunda familiaridade, há muito sobre “Hatikvah” que parece estar envolto em mistério, incluindo alguns dos factos mais básicos em torno da sua proveniência.

Claro, todos sabemos que foi escrito pelo poeta hebraico Naftali Herz Imber, um judeu que viveu no Império Austro-Húngaro no final do século 19, e que rapidamente ganhou popularidade em todo o movimento sionista.

Mas, além disso, não sabemos muito mais.

Por exemplo, os estudiosos discordam sobre se Imber o redigiu ou completou em Iasi, Roménia, em 1877, ou talvez em Zloczow, então na Polónia, em 1878, ou se e em que medida foi revisto quando ele fez aliá em 1882.

Sabemos que foi publicado pela primeira vez em Jerusalém em 1886 numa coleção de poemas de Imber intitulada Barkai, «estrela da manhã» em hebraico.

Como o Prof. Edwin Seroussi, vencedor do Prémio Israel no campo da musicologia, sugeriu num artigo académico de 2015, intitulado “Hatikvah: Conceções, Receções e Reflexões”, Imber parece ter sido inspirado pela fundação de Petah Tikva.

No entanto, como ele também observa, a fonte dos temas e frases usadas na música é objeto de muito debate.

Algumas teorias sugerem que foi inspirada em canções patrióticas alemãs ou polacas, enquanto outras a vinculam à visão bíblica dos ossos secos que ganham vida no capítulo 37 do Livro de Ezequiel.

A inspiração por trás da melodia “Hatikvah”, composta por Samuel Cohen, também não é clara.

A musicóloga Astrith Baltsan disse que a música está ligada a uma melodia de 600 anos cantada por sefarditas ao recitar a Oração do Orvalho.

Outros disseram que é baseado em canções folclóricas italianas, romenas ou ciganas, ou em “Die Moldau”, um poema sinfónico do compositor boémio Bedrich Smetana.

Também não está claro como “Hatikvah” se tornou tão amplamente aceite, ou o porquê de outros poemas e canções concorrentes não terem alcançado o mesmo sucesso.

No entanto, começando no Quinto Congresso Sionista em Basel em 1901, foi cantado em todos esses congressos até ser formalmente adotado em 1933 como o hino do movimento sionista.

À luz do forte sentido de consciência histórica do povo judeu, é intrigante considerar quão pouco sabemos com certeza sobre o hino nacional de Israel, que tem menos de 140 anos.

Mas isso não diminui em nada a sua inegável beleza e imagens. Pois, ao mesmo tempo em que lembra as dores do exílio, destaca os presságios do destino do nosso povo, encarnado na mais poderosa das emoções humanas, a esperança.

A neblina que envolve os detalhes das suas origens é, nesse sentido, altamente simbólica, sugerindo o borrão do exílio que o povo judeu suportou até a fundação do Estado em 1948.

Há, é claro, muitas pessoas que criticam o “Hatikvah”, e algumas pessoas na esquerda rejeitam sua referência à “alma judaica”, enquanto outros, na direita religiosa, lamentam a sua secularidade.

Mas acho que não devemos prestar atenção a esses críticos.

Com efeito, “Hatikvah” serve como um lembrete breve e emotivo, uma espécie de “mezuzá musical”, que visa colocar as coisas na sua devida perspetiva histórica e espiritual.

Isso leva-nos a apreciar, mesmo que apenas por alguns momentos, o mérito que nos foi concedido pela Divina Providência, de recitar um hino nacional no Estado Judaico soberano.

E serve para sublinhar a nossa determinação de ser um povo livre na nossa própria terra, “a terra de Sião e Jerusalém”.

Como qualquer hino nacional, “Hatikvah” incorpora a herança de um povo. Mas, ao contrário de outros, expressa um sonho de 1.900 anos que se tornou realidade e que se continua a desenrolar.

Uma visita aos Bnei Menashe em Nof Hagalil

Uma visita aos Bnei Menashe em Nof Hagalil

Desde que os Bnei Menashe começaram a estabelecer-se em Nof Hagalil, uma cidade nas colinas da Galiléia central, 1225 deles fizeram dela sua casa.

Com Ronen Plot, presidente da câmara de Nof Hagalil desde 2016, acérrimo defensor dos Bnei Menashe, e Moti Yogev, um ex-coronel das IDF e político israelita que serviu como membro do Knesset para o Lar Judaico entre 2013 e 2020, e agora trabalha incansavelmente em nome dos Bnei Menashe, a cidade não poderia ser mais acolhedora para eles. Na verdade, mais de 700 se estabeleceram lá em 2021 e há esperança de mais.

No início deste mês, vários funcionários da Shavei Israel, liderados pelo seu presidente, Michael Freund, visitaram alguns dos imigrantes Bnei Menashe mais recentes, por ocasião de Rosh Chodesh Adar (o início do mês hebraico de Adar).

Michael dirigiu-se aos  olim em inglês, já que eles ainda estão a aprender hebraico e, como Michael brincou, ele não fala Kuki. Não havia necessidade, no entanto, porque Tzvi Khaute, Coordenador dos Bnei Menashe  na Shavei Israel e ele próprio Bnei Menashe, traduziu para Kuki, para quem precisasse.

Na verdade, Michael concentrou-se no facto de que todos eles estão a aprender um novo idioma e deu-lhes confiança em que o hebraico deles, sem dúvida, melhorará.

“Quando eu era novo imigrante, as pessoas muitas vezes se ofereciam para falar comigo em inglês por causa do meu sotaque”, lembrou Michael para a multidão de 150 pessoas que chegaram há pouco mais de um ano. “Eu ficava envergonhado. Mas não há razão para ficar. Continuem a usar o vosso hebraico. As coisas vão melhorar. Eu prometo.”

Fotos de Laura Ben David

Uma atitude de aceitação: a verdadeira reforma de conversão que precisamos – opinião

Uma atitude de aceitação: a verdadeira reforma de conversão que precisamos – opinião

Por: Michael Freund, fundador e diretor da Shavei Israel

A conversão tem estado muito nas notícias ultimamente, e por todas as razões erradas.

Os planos do governo para aprovar uma legislação para reformar o sistema de conversão em Israel provocaram um clamor feroz, com apoiantes e oponentes a invocar uma retórica que parece estranhamente fora do lugar, dada a natureza espiritual do assunto em questão.

O debate centrou-se em torno de quem deve ter o poder fazer conversões, que padrões de conversão devem ser aplicados e quem precisa de ter a autoridade final para conferir o selo de aprovação do estado.

Por mais importantes que sejam essas perguntas, há um ponto-chave que tem sido esquecido no meio de todas as discussões: a nossa atitude em relação àqueles que escolhem converter-se precisa de melhorar.

Afinal, o processo é crucial, mas as pessoas também são. Todos os esforços devem ser feitos para garantir que os padrões adequados de conversão haláchica sejam cumpridos. Mas temos que recordar que esses padrões também incluem amar o convertido e acolhê-lo no nosso meio com carinho e afeição.

Muitos de nós ainda olhamos para os convertidos com suspeita, questionando injustamente a sua sinceridade ou motivos. Mas em vez disso, nós, como judeus, devíamos fazer um esforço maior para abraçar os judeus por escolha e enchê-los de bondade e afeição.

Nas últimas duas décadas, como presidente da Shavei Israel, trabalhei com inúmeras pessoas de vários países ao redor do mundo que fizeram sacrifícios enormes e muito corajosos para vincular o seu destino ao destino do povo judeu. Num mundo em que o anti-semitismo e o ódio aos judeus estão em ascensão, a decisão de se juntar ao povo de Israel é muito valente e até heróica.

De facto, como judeus de nascimento, temos muito a aprender com os convertidos sobre não considerar a nossa fé ou identidade como um facto adquirido. Ao longo da história do nosso povo, os prosélitos e os seus descendentes têm-nos enriquecido espiritualmente.

As nossas orações diárias incluem inúmeras passagens dos Salmos, escritos pelo rei David, descendente de Rute, a Moabita. Ao lado do texto das edições do Pentateuco em hebraico aparece sempre o comentário em aramaico de Onkelos, um nobre romano que se converteu ao judaísmo há quase dois milénios. E a própria Bíblia inclui o Livro de Obadias, que foi escrito por um convertido edomita que se tornou um profeta hebreu.

Vários sábios talmúdicos cujas regras moldaram o judaísmo como o conhecemos hoje eram descendentes de convertidos, como o grande rabino Akiva e o seu aluno Rabi Meir. Sobre este último, o Talmud diz em Eruvin 13b: “Rabi Aha bar Hanina disse: É revelado e conhecido perante Aquele que falou e o mundo veio a existir, que na geração de Rabi Meir não havia ninguém que fosse igual a ele.”

Curiosamente, o ato de converter um gentio ao judaísmo não está listado entre as 613 mitsvot da Torá por nenhum dos principais codificadores da lei judaica, mas a exigência de amar o convertido com certeza está.

O Sefer Hahinuch, um texto do século 13 atribuído a um estudante de Nahmanides que enumera as mitsvot, diz (Mitzvah 431): “Temos que amar o convertido”, notando que “fomos avisados para não lhes causar tristeza, mas sim fazer-lhes o bem e tratá-los com justiça, como merecem”.

E, no seu grande compêndio de lei judaica, o Mishneh Torá, Maimônides escreve (Hilchot De’ot 6:4) que “De’s  deu-nos ordens sobre o amor ao convertido, assim como nos ordenou a amá-Lo a Ele”, e acrescenta que “De’s, Ele próprio, ama os convertidos, como diz a Torá (em Deuteronómio 10:18), ‘e Ele ama os convertidos’”.

E uma das declarações mais poderosas de todas pode ser encontrada no Midrash Tanhuma (Lech Lecha 6), onde o Rabi Shimon ben Lakish afirma: “Um prosélito é mais amado diante do Santo, Bendito seja Ele, do que todos aqueles que permaneceram no Monte Sinai [isto é, o povo de Israel].”

Ele explica que, se as pessoas que estavam no Sinai “não tivessem experimentado os trovões, as chamas, os relâmpagos, o tremor da montanha e o som dos shofarot, não teriam aceite o jugo do Reino dos Céus”.

Em contraste, o rabino Shimon ben Lakish diz que o convertido ao judaísmo não testemunhou nenhuma dessas coisas e ainda assim escolheu por sua própria vontade aceitar a De’s. Conclui perguntando retoricamente: “Existe alguém mais precioso do que isso?”

Seja qual for o resultado das mudanças na batalha sobre o sistema de conversão de Israel, quando a poeira baixar, faríamos bem em levar a sério as palavras do rabino Shimon ben Lakish. Ao invés de focar exclusivamente em como refinar o processo de conversão, também devemos ter como prioridade encontrar maneiras de abraçar aqueles que se juntam ao povo judeu. Só então podemos dizer que o sistema de conversão terá sido realmente reformado.

O escritor é fundador e presidente da Shavei Israel (www.shavei.org), que ajuda tribos perdidas e outras comunidades judaicas ocultas a retornar ao povo judeu.

Leia aqui o artigo original do Jerusalém Post

Não há nada como a singularidade de um casamento judaico

Não há nada como a singularidade de um casamento judaico

Aproveite, saboreie-o e abrace a felicidade, mas não perca de vista a sua parte no esquema maior da eternidade de Israel.

Por Michael Freund

Há momentos na vida de significado tão profundo que ficam indelevelmente gravados nas nossas memória, para nunca desaparecer nas névoas do passado.
Estar sob a hupah e ver um filho a casar é exatamente um desses momentos, intocado na sua alegria. De facto, a pureza não adulterada do cenário e a santidade do momento, tornam o sentido de destino quase tangível.
Na semana passada, mereci ter uma experiência destas, quando o meu segundo filho e sua noiva se casaram. Foi um evento tradicional judaico, com muita dança e música alegre, cheio de vitalidade, que se estendeu até altas horas da noite.
Não tenho dúvidas de que os vários tipos de casamentos, sejam eles cristãos, muçulmanos ou laicos, estão cheios das suas próprias versões de pompa, cerimónia e alegria. A junção de um casal, o estabelecimento de laços matrimoniais no meio da cuidadosa coreografia, é certamente um evento partilhado pela maioria da humanidade.
E, no entanto, enquanto estava sob o dossel do casamento, ao lado do meu filho, no meio da mistura de solenidade e diversão típica da ocasião, não pude deixar de concluir que um casamento judaico é algo único e que traz lições poderosas, não apenas para os noivos, mas também para todos os presentes.
Um casamento, é claro, é um rito de passagem pessoal e muito íntimo para o jovem casal e para as suas famílias. E, no entanto, como muitos outros elementos da vida judaica, tem uma camada adicional de significado, que evoca o nosso passado, ao mesmo tempo que aponta o caminho para o nosso futuro coletivo.
Como parte da cerimónia, são recitadas sete bênçãos, ou Sheva Brachot, a primeira das quais sendo a bênção por um copo de vinho. Inexplicavelmente, seguem-se várias bênçãos que aparentemente não têm nada a ver com o casamento, incluindo uma bênção geral que diz que D’us “criou tudo para Sua glória”, duas bênçãos sobre a criação do Homem, e  uma sobre o retorno a Sião.
É somente na sexta das sete bênçãos que finalmente mencionamos a alegria dos noivos, pedindo ao Criador que lhes dê felicidade.
Porquê?
Talvez se possa sugerir que a estrutura das Sheva Brachot se destina a enfatizar aos presentes que o estabelecimento de uma casa judaica deve conter um chamamento e um propósito mais elevados.
Sim, o amor e o romance, a parceria e o apoio mútuo são muito importantes, mas também há um toque de alerta para que todos os casais vinculem a casa que estão a construir ao destino judaico.
Todos os casamentos judaicos dão-nos um vislumbre do carácter indestrutível de Israel, à medida que se adiciona outro elo à longa e ziguezagueante cadeia da jornada do nosso povo ao longo das gerações.
É uma espécie de vitória sobre todos aqueles que se levantaram contra nós e buscaram a nossa destruição ao longo dos milénios, um triunfo do espírito e da determinação.
Isso é confirmado por uma declaração no Talmude (Berachot 6b) que descreve a grandeza da mitzvah de trazer alegria aos noivos. O rabino Nahman bar Yitzchak diz, sobre alguém que o faz, que “é como se tivesse reconstruído uma das ruínas de Jerusalém”.
Fica claro a partir disto que a celebração de um casamento judaico está misticamente ligada à reparação dos danos do exílio e da destruição. Talvez de alguma forma, a música e a dança, o puro regozijo do evento, venham para corrigir o ódio sem sentido que precipitou a queda de Jerusalém na época do Segundo Templo, um evento que lembramos, visual e auditivamente, quando o noivo quebra o copo no auge da cerimónia.
Quando entram na hupa, os noivos entram como indivíduos. Mas quando saem, são uma unidade, estão ligados um ao outro.
Sempre me perguntei porque em hebraico uma noiva é conhecida pela palavra kallah. Ocorreu-me que essa palavra é semelhante à raiz de VaYechulu, com a qual começamos a recitação do kidush todas as sextas-feiras à noite, ao recordar a criação do universo. Nos seus comentários, tanto Ibn Ezra quanto Yonatan Ben Uziel explicam VaYechulu como “o completar”. Que D’us tinha  completado a formação do céu e da terra, assim como uma noiva e um noivo se completam, complementando os seus talentos, equilibrando as suas falhas e construindo juntos um futuro judaico mais brilhante.
Isto não quer dizer que a alegria pessoal do evento seja substituída ou ultrapassada pelas suas componentes comunitárias ou cósmicas. Longe disso. Apenas adiciona um elemento muito especial, transformando a alegria privada do casal e elevando-a a uma alegria de significado nacional.
E essa é, em poucas palavras, a abordagem judaica da vida tal como é incorporada na cerimónia de casamento. Aproveite, saboreie-o e abrace a felicidade, mas não perca de vista sua parte no esquema maior da eternidade de Israel.
O escritor é fundador e presidente da Shavei Israel (www.shavei.org), que ajuda tribos perdidas e comunidades judaicas ocultas a retornar ao povo judeu.