Os Judeus por Escolha De San Nicandro, Itália

Escondida em uma vila remota no sul da Itália, uma pequena e única sinagoga se ergue, controlada principalmente por mulheres. Tudo começou quase uma centena de anos atrás, quando o “profeta” Donato Manduzio se apaixonou com o judaísmo e reuniu uma comunidade de crentes. Depois que dezenas de moradores se converteram e fizeram Aliyah, aqueles que ficaram para trás eram em sua maioria mulheres, que se casaram com homens não-judeus locais. Juntos, eles continuam celebrando o Shabat e as festas, comendo exclusivamente kosher e estudando Torá. “Todos os dias quando oro”, diz Grazia Sochi, “eu sonho que estou no Kotel, o muro ocidental de Jerusalém”.

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Os Bnei Anussim celebram Purim em Espanha, Portugal e América Latina

As comunidades de Bnei Anussim de Itália, Espanha, Portugal e América Latina entraram no espírito de Purim – E temos fotografias para prová-lo!

 Aqui estão algumas fotografias do Chile:

Colômbia

Belmonte, Portugal

Alicante, Espanha

 

San Nicandro, Italia

E, finalmente, El Salvador

 

 

 

 

Judeus e descendentes de Bnei Anussim celebram Purim na Itália, Portugal e El Salvador

Judeus e descendentes de Bnei Anussim celebram Purim na Itália, Portugal e El Salvador

Os judeus e Bnei Anussim das comunidades das quais a Shavei Israel trabalha na Itália, Portugal e El Salvador, entraram no espírito de Purim este ano – e os nossos fotógrafos conseguiram capturar o humor.

Vamos começar a nossa ‘turnê mundial’ pela Itália. Abaixo imagens do que aconteceu no início da semana passada em Palermo.

E aqui, o que rolou na comunidade italiana de Bnei Anussim de San Nicandro:

Viajando um pouco para o oeste, paramos em Portugal onde Purim foi comemorado com o emissário da Shavei Israel, o Rabino Elisha Salas:

Para nossa parada final, cruzamos o oceano e chegamos à El Salvador onde a comunidade de Beit Israel se destacou com dua festa de Purim:

Os gritos silenciosos das vítimas da Inquisição na Sicília

Os gritos silenciosos das vítimas da Inquisição na Sicília

Por Michael Freund
Jerusalem Post
19 de janeiro de 2017

 

Elevando-se sob a Piazza Marina perto do mar, em Palermo, na Sicília, está uma estrutura medieval ornamentada que esconde evidências de um dos mais escuros capítulos da história europeia, dentro de suas paredes.

Com suas muralhas desgastadas e uma imponente arquitetura de fortaleza, o Palazzo Chiaramonte, ou Palácio Steri, como é mais conhecido, é um dos locais mais importantes da cidade costeira, um lugar envolvido em uma tormenta que muitos preferem esquecer.

De 1601 a 1782, o local serviu como a sede da “Santa Inquisição”, uma instituição que usou meios decididamente profanos para caçar suspeitos de hereges, sectários e, claro, judaizantes secretos ou cripto-judeus.

Mas se tratava de muito mais do que apenas um complexo administrativo.

O edifício abrigava celas onde os prisioneiros eram torturados pelos zelotes inquisitoriais, que aparentemente não conseguiram ver a ironia em rasgar a carne de pessoas em nome da fé ou destruir seu espírito, por causa da alma.

Em vários quartos do Steri, majestosos  grafites gravados por prisioneiros aguardando seu destino foram preservados, encarnando as últimas esperanças e sonhos de inúmeros homens e mulheres cujo único crime foi o fracasso em seguir o caminho papal.

Como judeu e ser humano, fui dominado pela aura de sofrimento que cada célula continha. Em uma sala, as letras hebraicas são visíveis em dois lugares na parede, evidência tangível de que os judeus sicilianos forçosamente convertidos e suspeitos de cometer “recaídas” ao praticar o judaísmo, passaram suas últimas horas aqui.

Em outro, um judeu anônimo, obviamente talentoso e desolado, havia esboçado meticulosamente um desenho detalhado de Jerusalém, uma cidade que deve ter sonhado em conhecer, embora nunca tenha tido o mérito.

Enquanto olhava para aquelas cenas desalentadoras, percebi que as gravuras nas paredes das celas da prisão do Steri Palace eram os gritos silenciosos das vítimas da Inquisição, chamando-nos séculos mais tarde, suplicando para que não fossem esquecidos.

Entre os que morreram dentro dos Steri, haviam descendentes da antiga comunidade judaica da Sicília, que possivelmente datava da era romana.

No final do século XIV, os judeus da Sicília haviam sido confinados a guetos e submetidos a massacres e conversões forçadas ao catolicismo.

O aumento da perseguição nos anos seguintes atingiu seu clímax em 1492, quando os monarcas espanhóis Ferdinando e Isabela, que controlavam a Sicília, emitiram o Edito de Expulsão, que ordenava a saída de todos os judeus que ainda permaneciam em seu reino.

Havia mais de 50 comunidades judaicas espalhadas pela Sicília, com pelo menos 37.000 pessoas e possivelmente muitos mais. Os historiadores estimam que 10% da população de Palermo na época era judaica.

Quando a data da expulsão chegou, em 12 de janeiro de 1493, muitos deixaram o reinado, contudo um grande número de judeus foram forçosamente convertidos, conhecidos, mais tarde, como Anussim (a quem os historiadores se referem pelo termo depreciativo “Marranos”). Estes foram proibidos de sair e passaram grande parte de suas vidas sendo suspeitos da Inquisição, que dedicou bastante tempo em caçá-los.

Na verdade, o primeiro auto-da-fé na Sicília ocorreu em Palermo, em junho de 1511, quando os inquisidores executaram, em praça pública, nove Anussim sicilianos e queimou-os na fogueira, em frente a toda uma multidão.

Com isso, a história dos judeus sicilianos deveria presumivelmente ter chegado ao fim, sufocada pelo ódio e pela opressão.

Mas contra todas as probabilidades, e apesar de todos os perigos que enfrentaram, muitos dos Anussim continuaram a transmitir sua herança judaica de geração em geração, preservando vários costumes judaicos e apegando-se à identidade de seus antepassados.

Essa coragem foi recompensada recentemente em uma cerimônia notável que assisti em Palermo no aniversário da expulsão de 1493. Em um grande gesto de reconciliação, a Arquidiocese local devolveu oficialmente o local da Grande Sinagoga de Palermo, que havia pertencido anteriormente, ao povo judeu.

Trabalhando em conjunto com o Instituto Siciliano de Estudos Judaicos, a Shavei Israel – organização que fundei e presido – abrirá a primeira sinagoga e Beit Midrash (casa de estudos) em Palermo, em mais de 500 anos.

Estes serão supervisionados pelo Rabino Pinhas Punturello, antigo rabino-chefe de Nápoles, que é o emissário de Shavei Israel para a Sicília, e servirá de centro educativo, cultural e espiritual para o crescente número de pessoas, em toda a Sicília, que estão redescobrindo suas raízes judaicas, permitindo que se reconectem com a fé de seus antepassados.

Enquanto eu segurava na minha mão a grande e pesada chave para o local onde a antiga sinagoga tinha estado uma vez, não pude deixar de pensar sobre a indestrutibilidade do espírito judeu, pois nem a expulsão e nem a Inquisição foram capazes de anular o judaísmo siciliano.

Os gritos daqueles que já foram mantidos nas masmorras do palácio de Steri podem ter ficado em silêncio, mas em breve, com a ajuda de Deus, os sons das canções de Shabat recitadas por seus descendentes, voltarão a ressoar nas ruas de Palermo.

Se isso não é um testemunho da eternidade de Israel, o que é?