Visite o Centro da Memória Sefaradita de Granada

Visite o Centro da Memória Sefaradita de Granada

Subin1do uma pequena colina, Rodrigo del Campo, em Granada,passando pelo Hospicio Viejo, cruza-se um beco muito estreito que leva para a ‘Placeta Berrocal’.

A fachada da casa que se vê justo a frente é adornada com uma bandeira branca com uma menorah azul de sete braços com a Estrela de David em seu centro. A grande porta de madeira tem uma pequena porta através da qual entramos depois de beijar a mezuzá colocada corretamente em nosso lado direito.

A casa é pequena. Atravessamos o salão até uma escada estreita que leva as salas privadas da família e, descendo quatro jogos de escada, chegamos a um pátio pequeno, decorado com decorações de Granada uma vez retiradas de Alhambra.

A sala à esquerda contém um armário para a ‘Torá’, vazio, com dois “Rimonim”, um Shofar, um Talit e um Menorah. Um Tanach Hebraico aberto no livro dos Juízes com um dedo de prata dentro, usado para controlar o ponto do Sefer Torá, colocado em uma estante. Suspenso na parede vemos um mapa da cidade, de cerca de quatrocentos anos, que indica as antigas muralhas da cidade e os diferentes locais e sítios históricos.

Em outra sala, há uma cozinha com receitas de culinária judaica. Algumas prateleiras cheias de livros judaicos em espanhol, de Andaluzia e Granada, em particular. Livros sobre os judeus-espanhóis, sobre as raízes judaicas, a história dos judeus na Andaluzia e outros locais relacionados.

Uma grande placa escrita em Inglês e Espanhol, com o decreto de expulsão dos judeus da Espanha, decorado com um desenho de judeus marchando em alguma cidade espanhola. Em ambos os lados duas réplicas de sambenitos estão com suas respectivas coroas na cabeça, ‘adornados’, um com lâminas vermelhas e outro com chamas e demônios.

Seguindo pelo recinto vemos a resposta do Abravanel, também em uma grande faixa, ‘O Decreto dos Reis Católicos’, que previa os desastres que viriam aos reinos que expulsavam de seus territórios pessoas inocentes.

Também vemos outro sinal grande com um pequeno vocabulário de noções judaicas com suas explicações em Espanhol e Inglês.

E em uma última sala, com um velho projetor de slides, que é dedicada ao estudo do hebraico, com dois ou três alto-falantes do alfabeto e palavras hebraicas.

Isto é o que possui o chamado Centro de Memória Sefardita, no sopé da colina Mauror, hoje Realejo, onde era o antigo bairro judeu de Granada.

A alma que inspirou e dirigiu este pequeno projeto é Beatriz Sola Chevalier, francesa de origem espanhola, que voltou para a terra natal de seus avós. Sua história é única e complicada, uma vez que seu avô era um judeu que se converteu ao cristianismo no século XIX, depois de emigrar para França, onde sua filha, a mãe de Beatrice, converteu-se de volta ao judaísmo. Lá ela se casou e, sua filha Beatrice nasceu.

Beatriz sente no fundo de seu coração as tribulações passadas de nosso povo e, para chegar a Granada decidiu reivindicar a história judaica da cidade. Comprar uma casa no centro de Realejo, antigo bairro judeu, e o transformar em um pequeno museu que seria o “Centro de Memória”, aonde, com os poucos meios que possui, tenta estimular os habitantes locais e turistas a conhecer melhor o legado judeu de Granada, distribuindo as propagandas de suas atividades pelos hotéis da cidade. Ela diz que já atingiram dezenas de milhares de visitantes nestes meses de existência.

Veja o quanto pode fazer uma só mulher, com muito amor e dedicação!