Antigos membros de grupo de jovens judeus do Uruguai celebram Israel e a Shavei Israel

Antigos membros de grupo de jovens judeus do Uruguai celebram Israel e a Shavei Israel

Antigos membros de grupo de jovens judeus do Uruguai celebram Israel e a Shavei Israel

Recentemente, em homenagem à Independência do Estado de Israel, 45 antigos membros do movimento juvenil Bnei Akiva do Uruguai se reuniram em um hotel próximo ao Kineret (Mar da Galileia). Desfrutaram de uma viagem por Israel, onde celebraram a independência do Estado de Israel e relembraram o passado que compartilharam no Movimento Bnei Akiva. Como parte da sua programação, o grupo, que tem muito interesse nas atividades da Shavei Israel, pediu à nossa vice-diretora, Edith Blaustein, para lhes falar sobre a vibrante atividade da Shavei Israel em suas diferentes facetas.

Os participantes estavam particularmente interessados ​​nas várias comunidades com as quais trabalhamos e perguntaram especificamente sobre as Dez Tribos Perdidas, como a absorção dos Bnei Menashe em Israel pode ser avaliada e colocaram várias questões sobre o processo de conversão que os nossos alunos realizam em Machon Miriam (o nosso Centro de conversão em língua espanhola) e em Machon Milton (o nosso centro de conversão em língua inglesa).

Eles ficaram particularmente surpresos com o fenômeno das comunidades emergentes na América Latina, e todos mostraram grande admiração pelo trabalho que nosso fundador, Michael Freund, faz e expressaram seu desejo de que houvesse mais pessoas como ele em Israel.

Cara a cara com Edith Blaustein

Uma entrevista com a vice-diretora da Shavei Israel, traduzida do original em espanhol, um artigo do Semanário Hebreo Jai, um jornal judaico da América Latina. Entrevista por Janet Rudman

Gostaria que a Edith nos contasse a sua biografia em poucas palavras.

Estou muito honrada de que o Semanario Hebreo queira conduzir uma entrevista através de si, querida Janet. É realmente um grande prazer me reconectar com a Janet e com os leitores do Semanário. 

Nasci em Montevidéu em 1955. Os meus pais imigraram no final dos anos 1920, minha mãe de Kobrin e meu pai de Chernovich. Tenho quatro filhos – Dina, Raquel, Shie e Ionatan, sete netos, e sou casada com o Dr. Yehuda Sczwartz.

Eu me formei no Instituto Yavne em 1972, terminei meu ensino de história no Instituto de Professores Artigas e obtive o título de Mestre em Educação pela Universidade Católica. 

Pertenço à primeira geração de graduados do Leatid, programa da Joint, em Buenos Aires. Mais tarde, fiz a pós-graduação do Instituto Melton de Educação da Universidade Hebraica de Jerusalém. Além disso, sou técnica ontológica. Obtive o diploma no instituto dirigido pelo Dr. Rafael Echeverría na Universidad del Desarrollo de Santiago do Chile.

Trabalhei como professora de História Hebraica no Instituto Yavne e na Escola Integral. Dirigi o Centro de Estudos Judaicos entre 1982 e 1989. Fui Diretora Geral do Instituto Yavne entre 1991 e 1995. Mais tarde, já no Chile, fui Diretora Geral do Vaad Hajinuj e do Instituto Hebraico de Santiago do Chile entre 2002 e 2008. 

Em 2008 fiz aliá com meu filho Ionatan. Meus filhos Raquel e Shie já moravam aqui; Dina mora em Montevidéu. Viemos morar em Jerusalém. 

Trabalho desde fins de 2008 como vice-diretora da Fundação Shavei Israel.

O que representou para si o CEJ? Que contar aos nossos leitores que não o conheceram? Que memórias tem da publicação Contextos?

O nosso encontro, Janet, foi no Centro de Estudos Judaicos, um empreendimento do Departamento Dor Tzahir da Agência Judaica, em conjunto com as Universidades de Jersualem e de Tel aviv. Foi uma grande honra ser nomeada diretora de uma instituição de educação para adultos numa época difícil. Lembremos o contexto da ditadura que havia no Uruguai. Uma crise econômica muito importante, também, precisamente nesse ano de 1982. Locais de estudo foram fechados, então também foi um privilégio para o Uruguai ter aquele espaço. A comunidade judaica foi muito enriquecida pelo Programa de Identidade Judaica ministrado pelo CEJ, que durava dois anos. O CEJ foi, sem dúvida, uma luz em todos os sentidos; uma equipa de professores locais de alto nível com professores convidados de Buenos Aires, da Universidade Hebraica e da Universidade de Tel Aviv.

Lembro-me do valor que os formandos davam ao diploma final, voltam sempre à minha memória, tanto professores da comunidade quanto alunos inesquecíveis que passaram pelas suas salas de aula. Pessoas adultas muito cultas. Entre as iniciativas que realizávamos no CEJ estava a revista Contextos, com uma equipa editorial de estudantes de luxo, com artigos, entrevistas, ilustrações feitas com profissionalismo e amor, que influenciaram a vida comunitária da época. E a Janet também fazia parte dessa linda equipa.

A Edith trabalhou na educação judaica em vários países da América Latina? Como foi a sua experiencia?

Foi uma experiência enriquecedora, que me permitiu conhecer a vida judaica latino-americana. Quero destacar a minha experiência chilena como diretora geral do Vaad Hajinuj e do Instituto Hebraico, um colégio modelo com cerca de 1.500 alunos. Foram anos muito intensos que me permitiram fazer parte da comunidade chilena e fazer amizades excelentes, com as quais continuo em contato até hoje. Tenho muito carinho pela comunidade chilena e sou muito grata pela oportunidade que tive de realizar projetos e transformar a educação judaica naquela comunidade. O fato de ter tornado o Instituto Hebraico trilíngue foi um dos alicerces do seu sucesso atual. Levei a experiência do Taglit para o Chile, e também do Hillel para jovens universitários. Fizemos um programa de intercâmbio com um colégio de New Jersey. Acrescentámos à viagem de estudo a Israel uma paragem na Polónia, e dessa forma elevámos a viagem a uma dimensão de experiência transformadora para os alunos. Desenvolvemos a Semana de Verão para a comunidade adulta e uma infinidade de outros projetos. Lembro-me de quando saí do cargo para fazer aliá, deixei trinta projetos em andamento.

Em que anos trabalhou no Yavne? Quantos alunos compareceram?

Fui diretora geral da Yavne entre 1991 e 1995. Naquela época havia cerca de 500 alunos. Foram anos muito intensos na direção, onde programámos, com o corpo docente, profundas mudanças estruturais. Duas lembranças que me vêm à mente: quando chamei um pai, jovem na época, Dani Cohn, e lhe pedi que fizesse parte da comissão diretiva (tudo o resto é história), e quando trouxemos o minian da Bney Akiva da Escola Integral, que funcionava nos Yamim Noraim, ao Yavne, e essa foi a base do minian de sucesso até hoje em um belo Beit Knesset.

Como foi a sua adaptação a Israel profissionalmente? E pessoalmente?

Fiz aliá com a convicção de que Eretz Israel niknet al isurim, ou seja, que «a Terra de Israel consegue-se com sacrifício». Eu tive siata dishmaia, ajuda divina, na klitá. A Raquel já era casada, ela já tinha três filhos, e a Shie veio morar com o Ionatan e comigo até casar e hoje já tem quatro filhos. Assim, meus filhos foram e continuam sendo um apoio constante que me permitiu aclimatar-me como em casa. Ao longo do caminho conheci pessoas maravilhosas, incluindo meu marido, que junto com meus amigos de longa data, o Rabino e Rabanit Birenbaum, permitiu que Ionatan e eu tivéssemos uma klitá muito boa, não sem dificuldades, é claro, mas certamente bem-sucedida.  

Desde 2008, trabalho como vice-diretora da Shavei Israel (www.shavei.org), uma fundação criada por Michael Freund, que fez aliá de Nova Iorque. Michael, enquanto servia como assessor de Netanyahu no seu primeiro mandato, recebeu uma carta de um grupo no nordeste da Índia que se apresentava como descendentes da tribo Menashe. Na carta, eles pediam a «seu irmão Yehuda» que os ajudasse a chegar a Eretz Israel. Michael, ao contrário de outros que rejeitaram a carta, decidiu responder-lhe. A partir dessa carta, ele prometeu fazer todos os possíveis para trazê-los para Israel. E essa é uma das nossas tarefas na Shavei Israel, onde Michael é o principal responsável pela angariação de fundos e eu pela administração da instituição. Temos departamentos que se encarregam dos Bnei Anusim (descendentes daqueles que mantiveram o judaísmo em segredo após a expulsão dos judeus de Espanha), há quem queira voltar plenamente ao judaísmo e nós os ajudamos, tanto os que vivem na Europa como na América Latina. Dentro deste departamento funciona o Machon Miriam, que acompanha a conversão dos alunos falantes de espanhol, português e italiano, e o Machon Milton, para os alunos falantes da língua inglesa. 

O Rabinato Chefe de Israel é quem estabelece os critérios para todo esse trabalho. Trabalhamos também com os judeus ocultos da Polônia, que esconderam seu judaísmo após a Shoah e hoje seus netos se descobrem judeus e querem voltar às suas raízes. Também trabalhamos com os Subotniks na Rússia e com a comunidade judaica Kaifeng na China. Com o patrocínio do Ministério da Cultura, criámos o Centro Maani, de preservação da cultura das diferentes comunidades com as quais temos contato, onde aprendemos e compartilhamos as diversas tradições que cada comunidade desenvolveu para preservar o Judaísmo.  Portanto, tenho um trabalho apaixonante. 

Já conseguimos trazer para Israel cerca de 3.000 bnei menashe, que vivem em doze cides de Israel. Criámos para eles um centro de absorção para quando chegam a Israel, e lá os acompanhamos durante três meses para eles passarem pela conversão com os Daianim do Rabinato de Israel. Depois os acompanhamos na sua absorção nas diferentes cidades, quando já estão instalados. 

Já viajei várias vezes à Índia para dirigir a «operação retorno». Em uma das viagens, foi a minha vez de trazer um grupo de cem bnei menashe para Israel. A verdade é que é a coisa mais próxima de se sentir Moshe Rabeinu por algumas horas. A emoção é indescritível; eles têm um hino que fala da esperança de chegar à Terra de Israel e Jerusalém, eu sempre choro de emoção ao chegar em Israel com aquela música e ver como cada um beija a enorme mezuzá que está na entrada do aeroporto. Neste momento o governo de Israel aprovou a chegada de 250 olim bnei menashe e estamos em pleno planejamento e organização; serão trazidos por um avião da El Al que fretámos especialmente e, junto com o Ministério de Absorção, cuidaremos da sua inserção na sociedade israelense depois de passarem pelo centro de absorção que montámos, onde passam a conversão. 

Sem dúvida é um privilégio fazer parte desta importante instituição.

Eu conheci a Edith como sendo ortodoxa moderna. Tenho a lembrança de Shabat do papel higiênico cortado no banheiro de sua casa. Como é a sua vida hoje nesse sentido?

Minha família, quando nasci, não era religiosa; na verdade, até chegar a Yavne no primeiro ano do ensino médio, e em Bnei Akiva, eu não sabia hebraico. Foram essas instituições, que evidentemente moldaram minha vida, que me permitiram me apaixonar pelo judaísmo, estudar e começar a cumprir mitzvot

Adotei o algoritmo Judaico, do qual fala o Rabino Jonathan Sacks (ZT´L), em minha vida. Acredito com plena convicção que o Judaísmo é um modo de vida cheio de significado, não há dia que não estude um capítulo do Tanach e agora também a página diária do Talmud, é alimento para a alma.

Do que sente saudades, de Montevidéu?

Em primeiro lugar, da minha filha Dina que mora lá, dos meus pais (Z´L) que estão enterrados no cemitério de La Paz. Não sinto falta de nada específico, mas certamente carrego Montevidéu no coração. Um fenômeno interessante é a língua, o espanhol: tenho a felicidade de dominar (ler, escrever) o espanhol, o inglês e o hebraico, mas às vezes sinto falta do espanhol, quero ver um filme ou ler um livro… porque falar hebraico ou inglês para mim é como estar vestida para sair para a rua, e o espanhol é estar de pantufas, com roupa de andar por casa.

Suas amigas de longa data, de que origem são elas e de que época da sua vida?

Tenho amigas de longa data que fui fazendo em diferentes fases da minha vida, da Bnei Akiva, CEJ, Yavne, amigas chilenas que são incríveis e, ultimamente, também israelenses. Quero mencionar a minha amiga Lea Cesarco, que conheci no CEJ, com quem tenho contato o tempo todo. Também a Cuca Sandbrand e Mary Fogjel… A lista é muito longa graças a D’us.

A Edith sempre foi uma mulher muito trabalhadora. Dentro do lar judaico…

Quando meus filhos andavam no gan, aprendiam que «o pai trabalha e a mamãe cozinha.» Acho que ninguém fala assim hoje. Meus filhos me viram trabalhar toda a minha vida, com esforço, e eles também o fazem. Minhas filhas são profissionais, têm mestrados e trabalham em cargos importantes, minha nora também. Eu acredito que as mulheres judias podem ser profissionais em vários campos. Mesmo na vida judaica, na sinagoga, também houve muitas mudanças nos lugares que as mulheres ocupam como professoras, estudiosas do Talmud, etc.

Hoje, no Uruguai, temos uma vice-presidente mulher, conhecida por lutar pelas mulheres. Golda Meir foi primeira-ministra em 1969. O Uruguai tem mais mulheres no Parlamento e, pelo que li, Israel tem menos nesta legislatura do que na anterior. O que me pode me dizer sobre isto?

Sem dúvida, as mulheres em Israel ocupam um lugar muito importante. Isso vê-se na mídia e também na política. Em relação ao Uruguai, as mulheres aqui, nesse sentido, têm mais relevância. A Diretora Geral da Indústria Aeronáutica de Israel é uma engenheira, funções que não eram tradicionalmente associadas às mulheres. 

A Edith é avó. Diga-me o que significa para si ser avó e exercê-lo.

Ser avó para mim é como receber um prêmio. Por enquanto, tenho sete netos, a mais nova tem três anos e os mais velhos 18 (são gêmeos). Eles são todo o meu orgulho. É muito especial estar com eles e desfrutá-los. Todas as sextas-feiras, quando nos cumprimentamos para o Shabat, eu digo-lhes o quanto os amo e como estou orgulhosa deles. Confesso que exerço um «avózismo» ativo, preocupo-me em estabelecer rotinas, às vezes organizo peulot, como quando era madrichá. Gosto de passear, preparar comida para eles, comprar doces, ensinar espanhol, estudarmos juntos, coisas que com certeza vão se lembrar quando, com a ajuda de De’s, forem adultos.

Parasha da Semana – Vaiakhel Pecudei

Movermo-nos para nos comovermos…

Shabat HaChodesh

Shabat de conclusão. Shabat de renovação. Duas instâncias que se misturam no ir e vir da nossa jornada bíblica que propõe rever e enfrentar novamente o desafio de ser judeu todos os dias.

O Livro de Shemot chega ao fim, tal como o mês de Adar. Uma nova leitura nos espera. Um novo mês nos aguarda. Aqui está a «revisão», e também o desafio. O constante parece ser o eixo da vivência humana, quando confrontada com os rolos circulares da sagrada Torá. O que se renova é o ponto de partida que inaugura a chegada de um tempo em que tudo é como antes e nada é como antes…

As estatísticas finais da obra monumental do deserto são enumeradas em Vaiakhel e Pekudei, as duas últimas parashiot do nosso segundo livro.

Neste Shabat, o Maftir é chamado Shabat HaChodesh. É um Shabat que mobiliza as fibras íntimas de uma nação chamada a construir o todo no meio do nada. E, por sua vez, comove-nos porque nos leva pela mão para um tempo definido como «o nosso tempo». Lemos haChodesh hazé lachem, «Este mês é para vós», anuncia-nos o Todo-Poderoso, na antecâmara da maravilhosa libertação do Egito.

O Mishcan, que representava o santuário durante o trajeto no deserto, objeto de dedicação popular e inspiração artesanal, é construído e concluído na nossa parashá semanal. Pode o Homem ser a Casa de De’s? Não apenas pode, mas deve … Para alcançar tal definição, é necessária uma mobilização, e a nossa parashá explica isto com conceitos simples:

Quem veio ao Mishcan? Todos aqueles que tinham aceso o fogo da sua humanidade.

É engraçado, mas o idioma do paraíso, o nosso ivrit, permite visualizar a ideia. O verbo que fala de entusiasmo e fervor é mitlahevHitlahavut é efervescência, calor, fogo interior. Verbo e nome que carregam em sua essência uma palavra simples e eloquente: Lahav, que significa «chama», uma chama de fogo que se reacende e revive quando é alimentada, para crescer cada vez mais, iluminando cada vez mais, dando mais vida…

Um povo se mobiliza. Inquieto como o fogo em seu desejo de se elevar para tocar os céus. Tanto os homens como as mulheres. A nossa Torá explica-nos isso a partir do que é iluminado em cada um. Do combustível espiritual imprescindível para ser promotor de um milagre… Porque convenhamos que a construção de uma Casa para De’s no meio do deserto não deixa de se assemelhar a um milagre, nes, em hebraico.

Aqui temos uma primeira conexão com o nosso Shabat do Mês, quando Nisan, da mesma raiz de nes, vem trazer-nos outro milagre: o da nossa elevação como povo livre, como redimido, gueulim, com as mãos livres para trazer e um coração de fogo para se aproximar…

E veio todo homem cujo coração o elevou e o transportou, e todo aquele cujo espírito o levou a dar de si mesmo… É assim que somos apresentados, no fim de contas, as «contas finais do Mishcan», Pekudei haMishcan, como se diz na nossa última parashá.

Um coração que nos eleva e um espírito que nos move.

O final do nosso livro devolve-nos uma ordem. Vaiakhel, o próprio significado de «congregar», Kahal é «congregação», e voltar a expressar a unidade mesmo dentro da diversidade. Porque assim como seus rostos são diferentes, os seus pensamentos são muito diferentes… O que nos iguala é a condição humana, esse fogo depositado dentro. A Neshama, a alma, tal como é definida pelos sábios, é o que temos em comum… é o que devemos educar, alimentar, como fogo, para que cresça em nós.

Finalizamos Shemot acendendo um fogo íntimo que põe o Homem em movimento, o humano que vive em nós. Construtores do nosso destino. Dimensionando o espaço, assim como De’s o estabeleceu no mundo da Criação.

Abrimos as portas do Sefer Vaikrá, um livro que tratará do Homem na sua tentativa de se aproximar de De’s. Acendendo o fogo da Fé. Mobilizando o mais profundo do ser …

Edith Blaustein

Parashat Vaishlach

Autora: Edith Blaustein

Elie Wiesel, no seu livro Mensageiros de De’s diz-nos: No seu sonho, Jacob viu uma escada cujo fim chegava ao céu. Ainda existe. Há quem a tenha visto, em algum lugar da Polónia, ao lado de uma estação de comboio abandonada, e um povo inteiro estava a subir em direção às nuvens ardentes. Esse era o caráter do medo que o nosso Jacob deve ter sentido.

Wiesel continua a descrever o nosso patriarca:

Um homem solitário, um sonho incandescente, um conflito. Dois irmãos, dois destinos. Amarrados e separados à noite. Um homem face à morte, um homem que imagina o seu futuro.

Um exame de si mesmo que implica um questionamento do seu passado. Memórias da primeira infância, das primeiras brigas com o seu irmão mais velho, triunfos seguidos de remorsos, os primeiros amores, a primeira e última deceção. Todos esses acontecimentos tinham-no conduzido ao confronto que acabava de ter com o seu tio Labão e o que teria amanhã com o seu irmão Esaú.

Jacob estava preocupado, o que era compreensível. Amanhã poderia morrer. O seu irmão, que ele não via há vinte anos, não compareceria sozinho ao encontro: Estaria acompanhado, pelo menos, por quatrocentos homens armados. O que aconteceria amanhã? Jacob estava com medo.

Na verdade, se ele tivesse o menor domínio sobre questões práticas, Jacob teria tentado descansar. Amanhã ele iria precisar de toda a sua energia, de todas as suas faculdades. Não conseguia, porque esta noite marcaria o início de uma nova aventura, a mais importante de todas.

Uma aventura estranha, misteriosa do princípio ao fim, de uma beleza avassaladora, intensa a ponto de nos fazer duvidar do que os nossos sentidos experimentam. Filósofos e poetas, rabinos e narradores, todos aspiraram lançar luz sobre o enigmático evento que ocorreu naquela noite, a poucos passos do rio Chabok. Um episódio contado na Bíblia com a sua sobriedade habitual e majestosa. Lembram-se?

Deixaram Jacob sozinho. E um homem lutou com ele até ao amanhecer. Quando viu que não o derrotara, deslocou-lhe a anca. E disse-lhe:

O dia está a chegar, deixa-me ir.

Jacob respondeu:

Não te deixarei ir, a menos que me abençoes.

E ele disse:

Qual é o teu nome?

Jacob respondeu:

Jacob.

O outro disse:

O teu nome não será mais Jacob, mas Israel, porque lutaste com De’s e o derrotaste.

Então Jacob pediu:

Peço-te que me digas o teu nome.

E ele respondeu:

Para quê o queres saber? E abençoou-o.

Jacob chamou aquele lugar Peniel:

Pois vi De’s face a face, e no entanto, continuo com vida.

Existem diferentes interpretações. Aqui as dimensões do episódio são modificadas: Testemunhamos um confronto entre Jacob e Jacob. O heroico sonhador e o inveterado fugitivo, o homem modesto e o fundador de uma nação, lutaram em Peniel numa batalha feroz e decisiva. E ganhou. Podia ser um anjo, o seu outro «eu» ou um homem, mas uma coisa é certa: O adversário foi derrotado. Agora Jacob estava preparado para enfrentar o seu irmão inimigo. Esse é, então, o significado principal deste episódio: A história de Israel ensina-nos que a verdadeira vitória do homem é aquela que ele consegue sobre si próprio.

Peniel: Encruzilhada, momento dramático para o espírito de Jacob. Já não estava satisfeito com a sua condição de filho de Isaac e neto de Abraão; desejava ter um nome que lhe pertencesse. Carregar com um significado completamente próprio e ligar-se a um evento que o imortalizasse.

Israel já não é decididamente o Jacob desorientado e sentimental que conhecemos até agora. Aprendeu a ser duro e determinado. A derrotar os seus adversários e inspirar respeito aos anjos. Sim, sem dúvida: Podia contemplar Peniel e lembrá-la com orgulho.

Conferência: As tribos perdidas de Israel

Por Oro Jalfon

Foi uma agradável surpresa para mim, uma judia sefardita que nunca teve que lutar para preservar o seu judaísmo, participar de uma conferência sobre «As Tribos Perdidas de Israel», que ocorreu em 24 de novembro no Centro Ma’ani, em Jerusalém.

Edith Blaustein, vice-diretora geral encarregada da administração da Shavei Israel, foi a oradora que nos apresentou, a um grupo de ouvintes fascinado à volta de uma mesa no escritório do centro, os périplos dos dispersos de Israel, na sua vontade de ferro de continuarem apegados à tradição judaica e na sua determinação de voltar para casa, Eretz Israel.

A partir da divisão do reino de Israel e do subsequente exílio das tribos, Edith evocou a rota da seda, um conjunto de redes comerciais que trouxeram migrações culturais e identitárias, entre as quais se destaca o estabelecimento de uma comunidade judaica na China, «Os judeus de Kaifeng».

A Shavei Israel assumiu o desafio de transcender importantes fronteiras físicas e culturais e de responder ao despertar para Sião dos membros desta comunidade. Assim, episódios comoventes, tais como a recusa das jovens chinesas à proposta das madrichot (guias) israelitas de irem fazer um tiul por Israel sem levarem guarda-chuvas (elas geralmente não apanham sol!), ou o pedido de um membro Kaifeng de não tirar fotos no primeiro casamento desta comunidade realizado em Eretz Israel, atestam as imensas dificuldades dessa tarefa heróica.

Os Bnei Menashé, outra odisseia! Os descendentes da tribo de Menashé, estabelecida desde o século XVIII no nordeste da Índia, em Manipur e Mizoram, vivem um momento de florescimento do retorno às origens, graças aos centros de aprendizagem estabelecidos pela organização Shavei Israel.

Durante a sua apresentação, a professora Edith Blaustein mostrou-nos uma fotografia do rabino Shlomo Amar, ex Grande Rabino Sefardita de Israel, junto aos membros de um grupo de Bnei Menashe. Após dois anos de pesquisa, ficou claro e foi decretado que a tribo de Menashé tem raízes judaicas, o que levou à conversão do primeiro grupo na história desta comunidade.

Esta importante palestra foi organizada por Chaya Castillo, diretora do Departamento de Bnei Anusim, dos Judeus da Polônia e do Centro Ma’ani, no âmbito de uma série de conferências intituladas Higanu habaita, «chegamos a casa»!

Não deixe de verificar o nosso site para conhecer os próximos eventos!