Parasha da Semana – Devarim

Parasha da Semana – Devarim

Parasha Devarim

Por: Rav Reuven Tradburks

O livro de Devarim é o discurso de Moshe na última semana da sua vida.  Um discurso bastante longo, a melhor parte de 28 capítulos.  Tem muito a dizer. Ele não entrará na terra de Israel.  O povo judeu sim.  Transferiu a liderança com sucesso: o sucessor de Aharon é Elazar, o sucessor de Moshe é Joshua.  Já vimos antes outras palavras de despedida:  Yaakov, em Parshat Vayechi, exorta os filhos.  Mas não durante 28 capítulos.  Yaakov fê-lo num capítulo de 33 versos.  O nome em português para este livro é Deuteronómio; o Midrash chama-lhe Mishneh Torah.  Ambos significam «2» – a segunda versão da Torá, ou a repetição da Torá.  Mas estes nomes são enganadores.  Moshe não revê  toda a Torá.  Ele relata apenas algumas histórias, revendo com o povo alguns dos episódios que aconteceram anteriormente na Torá.  Mas deixa de fora muito mais do que o que repete.  Não menciona nada do livro de Bereshit.  Nem qualquer história do Egito; nada sobre a escravatura.  Ou sobre as pragas.  Ou sobre a divisão do Mar. Ou sobre as instruções para o Mishkan.  Ou sobre a maior parte do livro de Vayikra relativamente à Tuma, Tahara e às Oferendas. Portanto, não é uma revisão da Torá; é uma revisão de algumas partes, de histórias e leis selecionadas da Torá.  Somos obrigados a perguntar porque escolheu Moshe estas histórias que encontramos aqui, e não outras. E a ordem não é de todo a de como ocorreram; Moshe muda a ordem.   Onde é que ele quer chegar?  O que está a motivar Moshe?  E, como último ponto de introdução: a linguagem de Devarim é diferente.  É emocional.  Há muita preocupação, apreensão, medo.  Preocupação com o fracasso, desafios que não serão cumpridos, nos quais o povo fracassará.  Há amor:  amor de De’s por nós e amor nosso por Ele.  Muito zelo e paixão; muitas figuras de estilo enfáticas.  Moshe, neste discurso de partida, está a partilhar muito de si mesmo, de uma forma muito reveladora, com o povo de quem se separará muito em breve.

1a aliá (Devarim 1:1-10) Moshe narrou os eventos da viagem, a viagem de 11 dias de Chorev a Kadesh Barnea.   No 1º de Adar, no ano 40, Moshe relatou ao povo tudo o que De’s lhe tinha instruído sobre eles.  Isto foi depois das derrotas de Sichon e Og, nas margens do Jordão.  Ele relatou: De’s instruiu-nos a deixar o Sinai e a tomar a terra de Israel, a terra prometida aos nossos antepassados.  E eu disse: este povo é agora tão numeroso que não posso suportá-lo sozinho.

Demorou 40 anos para fazer uma viagem de 11 dias.  Isso não é uma quilometragem lá muito boa. Moshe começa as suas palavras de despedida com uma descrição da viagem à terra de Israel. Não com a história do Êxodo.  Nem mesmo com a história da entrega da Torá.  A sua ênfase  é a viagem à terra.  O povo está prestes a entrar na terra; estão preocupados com isso.  Moshe vai ao encontro deles onde eles estão, abordando as suas preocupações imediatas.   Ele já vai chegar à parte sobre os sinais, sobre a crença religiosa e sobre os desafios religiosos.  Mas primeiro vamos tratar do assunto em questão:  entrar na terra.

2ª aliá (1:11-21) Naquela época eu disse: vamos escolher pessoas sábias para liderar o povo. Concordaram que era boa ideia. Líderes sábios foram nomeados sobre milhares, centenas, e dezenas, e também foram nomeados oficiais de aplicação da lei. Encarreguei os juízes dizendo: Ouvi e governai de forma justa, sem preconceitos.  Dei-vos instruções sobre todas as coisas que deveis fazer.  Viajámos pelo deserto até ao Monte dos Emori, Kadesh Barnea.  Chegados lá disse:  Vamos sem medo e conquistemos a terra.

É curioso que a primeira história que Moshe sente necessidade de contar seja a nomeação dos vários juízes dos tribunais, do superior e do de primeira instância.  Afinal, isto não parece ter nada a ver com a marcha para a terra.  Na verdade, há outras histórias que ocorrem como parte da marcha, como as queixas por água, que são simplesmente ignoradas. Porquê mencionar a nomeação de juízes?  Talvez Moshe esteja a abordar a preocupação calada do povo: Como é que vamos conseguir ter sucesso sem a liderança de Moshe?  Não venceremos nas batalhas sem ele. A subtileza de Moshe equilibra a sua condição de indispensável.  Não posso fazer tudo.  Não conseguia fazer tudo naquela época. Precisei de ajuda desde o início.  E agora também.  Eu sou dispensável.

3a Aliá (1:22-38) Vieram a mim para eu enviar espiões para explorar a terra.  Achei uma boa ideia escolher os líderes das tribos para essa tarefa.  Eles viajaram até lá e voltaram com frutos da terra exclamando: A terra que De’s nos dá é boa. Mas recusastes-vos a ir e revoltastes-vos contra De’s dizendo: Estes homens prejudicaram a nossa determinação, falando-nos dos gigantes e das cidades fortificadas.  Insisti que De’s travaria a batalha, como fez até agora.  Mas não confiastes em De’s, que vos tem guiado com nuvens e fogo.  Foi-vos dito que todos os que não acreditaram que podiam entrar na terra, não entrariam na terra.  E a mim também me foi dito que não entraria; Yeshoshua vai liderar o povo para entrar na terra.

Moshe está a criar uma ligação com o povo: Pedi-vos juízes e achastes que a minha ideia era boa.  Pedistes-me espiões e achei a vossa ideia boa.  As diferenças na forma como Moshe relata esta famosa história dos espiões e a forma como a própria Torá a descreveu é um tema rico para análise.  Uma das inúmeras diferenças é o papel dos espiões nesta narrativa: está em falta.  Pouco se diz sobre os espiões.  Em Bamidbar, parece que o relatório desfavorável deles despoletou uma cascata de medo.  Aqui, Moshe coloca a culpa no povo: causada pelo relatório dos espiões, mas claramente centrada no povo.  Talvez Moshe esteja deliberadamente a mudar a ênfase dos líderes para os seguidores.  Precisam de bons líderes, mas também precisam de ser bons seguidores.  A culpa de todos os fracassos nacionais não pode ser atribuída sempre aos líderes.  As pessoas também têm de assumir plena responsabilidade pelas suas decisões.  E aqui, a decisão do povo foi revoltar-se contra De’s.

4a aliá (1:39-2:1) Ao saber que não entraríeis na terra, arrependestes-vos do vosso pecado.  Deixa-nos ir para a terra.  Mas fostes avisados de que De’s não estaria convosco nisto, e os Emori afugentaram-vos como abelhas até à região de Seir.  Habitámos em Kadesh e Har Seir por muito tempo.

Quando seguimos o plano divino, temos sucesso. Quando nos aventuramos sozinhos, sem apoio divino, somos enxotados como abelhas. O nosso êxito na conquista da terra deve-se ao nosso parceiro divino.

5a aliá (2:2-30) Chegou a hora de viajar para o norte.  Não confronteis os descendentes do vosso irmão Esav que residem em Seir.  Contornai a sua terra; pagai pela comida e pela água que precisardes deles.  Além disso, não confronteis Moav, porque é a herança legítima dos descendentes de Lot.  Passando a terra de Moav, é Amon; não confronteis Amon, pois também é a herança legítima dos descendentes de Lot.  A região a norte do Arnon é a terra de Sichon e Og; estas terras são as que vos dei.   Propus a Sichon passar pela sua terra, mas ele recusou; De’s o tornou teimoso para que pudéssemos conquistar a sua terra.

Esta descrição das nossas ligações familiares é surpreendente. Temos parentes. E devemos ter consideração por esses parentes.  O irmão de Yaakov, Esav, instalou-se em Seir.  Ele merece respeito fraterno e, portanto, deixai-o em paz.  Moav e Amon são nações de Lot, sobrinho de Avraham.  Deixai-os em paz também; São vossos parentes.  Os irmãos, mesmo quando seguem caminhos completamente diferentes, continuam a ser irmãos.

6ª aliá (2:31-3:14) De’s disse-nos para tomarmos as terras de Sichon na guerra.  As terras foram conquistadas até ao Gilad.  Og confrontou-nos na região em direção ao Bashan e também foi conquistado.  As suas terras foram dadas a Reuven, Gad e à metade da tribo de Menashe.

Estes confrontos com Sichon e Og são as últimas histórias do livro de Bamidbar, não há muito tempo.  Moshe relata estas histórias logo no início do seu longo discurso, embora, se estivesse a rever a nossa história cronologicamente, tivesse de esperar 25 capítulos.  Fá-lo para começar o seu discurso com histórias de sucesso e encorajamento.  Ele vai querer avisar as pessoas, admoestá-las, contar-lhes sobre os seus futuros fracassos, mas isso pode esperar.  Começa com sentimentos positivos.

7a aliá (3:15-22) As terras a leste do Jordão, incluindo o Gilad e as terras desde o Kineret até ao Mar Morto foram habitadas por Reuven, Gad e metade da tribo de Menashe.  Instruí estas tribos a juntarem-se à batalha pela terra de Israel e regressarem depois às suas terras.

Este é um pedaço de terra muito grande:  a parte do lado leste do Jordão, do Mar Morto até lá acima ao Hermon, foi conquistada e será habitada pelo povo judeu.   Estas primeiras vitórias e a repetição de Moshe das suas histórias permite-lhe iniciar as suas longas instruções ao povo de uma forma positiva e  otimista. E ele descreveu como chegámos às fronteiras da terra. Agora vai focar-se em instruções muito mais importantes: como viver na terra.

Parashá da Semana – Devarim

Parashá da Semana – Devarim

Parshat Devarim

Pelo rabino Reuven Tradburks

O livro de Devarim é o discurso de Moshe na última semana da sua vida.  Um discurso bastante longo, a melhor parte de 28 capítulos.  Tem muito a dizer. Ele não entrará na terra de Israel.  O povo judeu sim.  Transferiu a liderança com sucesso: o sucessor de Aharon é Elazar, o sucessor de Moshe é Joshua.  Já vimos antes outras palavras de despedida:  Yaakov, em Parshat Vayechi, recriminou os filhos.  Mas não durante 28 capítulos.  Yaakov fê-lo num capítulo de 33 versos.  O nome em português para este livro é Deuteronómio; o Midrash chama-lhe Mishneh Torah.  Ambos significam «2» – a segunda versão da Torá, ou a repetição da Torá.  Mas estes nomes são enganadores.  Moshe não revê  toda a Torá.  Ele relata apenas algumas histórias, revendo com o povo alguns dos episódios que aconteceram anteriormente na Torá.  Mas deixa de fora muito mais do que o que repete.  Não menciona nada do livro de Bereshit.  Nem qualquer história do Egito; nada sobre a escravatura.  Ou sobre as pragas.  Ou sobre a divisão do Mar. Ou sobre as instruções para o Mishkan.  Ou sobre a maior parte do livro de Vayikra relativamente à Tuma, Tahara e às Oferendas. Portanto, não é uma revisão da Torá; é uma revisão de algumas partes, de histórias e leis selecionadas da Torá.  Somos obrigados a perguntar porque escolheu Moshe estas histórias que encontramos aqui, e não outras. E a ordem não é de todo a de como ocorreram; Moshe muda a ordem.   Onde é que ele quer chegar?  O que está a motivar Moshe?  E, como último ponto de introdução: a linguagem de Devarim é diferente.  É emocional.  Há muita preocupação, apreensão, medo.  Preocupação com o fracasso, desafios que não serão cumpridos, nos quais o povo fracassará.  Há amor:  amor de De’s por nós e amor nosso por Ele.  Muito zelo e paixão; muitas figuras de estilo enfáticas.  Moshe, neste discurso de partida, está a partilhar muito de si mesmo, de uma forma muito reveladora, ao povo de quem se separará muito em breve.

 

1a aliá (Devarim 1:1-10) Moshe narrou os eventos da viagem, a viagem de 11 dias de Chorev a Kadesh Barnea.   No 1º de Adar, no ano 40, Moshe relatou ao povo tudo o que De’s lhe tinha instruído sobre eles.  Isto foi depois das derrotas de Sichon e Og, nas margens do Jordão.  Ele relatou: De’s instruiu-nos a deixar o Sinai e a tomar a terra de Israel, a terra prometida aos nossos antepassados.  E eu disse: este povo é agora tão numeroso que não posso suportá-lo sozinho.

Demorou 40 anos para fazer uma viagem de 11 dias.  Isso não é uma quilometragem lá muito boa. Moshe começa as suas palavras de despedida com uma descrição da viagem à terra de Israel. Não com a história do Êxodo.  Nem mesmo com a história da entrega da Torá.  A sua ênfase  é a viagem à terra.  O povo está prestes a entrar na terra; estão preocupados com isso.  Moshe vai ao encontro deles onde eles estão, abordando as suas preocupações imediatas.   Ele já vai chegar à parte sobre os sinais, sobre a crença religiosa e sobre os desafios religiosos.  Mas primeiro vamos tratar do assunto em questão:  entrar na terra.

 

2ª aliá (1:11-21) Vamos escolher pessoas sábias para liderar o povo. Concordaram que era boa ideia. Líderes sábios foram nomeados sobre milhares, centenas, e dezenas, e também foram nomeados oficiais de aplicação da lei. Encarreguei os juízes dizendo: Ouvi e governai de forma justa, sem preconceitos.  Dei-vos instruções sobre todas as coisas que deveis fazer.  Viajámos pelo deserto até ao Monte dos Emori, Kadesh Barnea.  Chegados lá disse:  Vamos sem medo e conquistemos a terra.

É curioso que a primeira história que Moshe sente necessidade de contar seja a nomeação dos vários juízes dos tribunais, do superior e do de primeira instância.  Afinal, isto não parece ter nada a ver com a marcha para a terra.  Na verdade, há outras histórias que ocorrem como parte da marcha, como as queixas por água, que são simplesmente ignoradas. Porquê mencionar a nomeação de juízes?  Talvez Moshe esteja a abordar a preocupação calada do povo: Como é que vamos conseguir ter sucesso sem a liderança de Moshe?  Não venceremos nas batalhas sem ele. A subtileza de Moshe equilibra a sua condição de indispensável.  Não posso fazer tudo.  Não conseguia fazer tudo na altura. Precisei de ajuda desde o início.  E agora também.  Eu sou dispensável.

 

3a Aliá (1:22-38) Vieram a mim para eu enviar espiões para explorar a terra.  Achei uma boa ideia escolher os líderes das tribos para essa tarefa.  Eles viajaram até lá e voltaram com frutos da terra exclamando: A terra que De’s nos dá é boa. Mas recusastes-vos a ir e revoltastes-vos contra De’s dizendo: Estes homens prejudicaram a nossa determinação, falando-nos dos gigantes e das cidades fortificadas.  Insisti que De’s travaria a batalha, como fez até agora.  Mas não confiastes em De’s, que vos tem guiado com nuvens e fogo.  Foi-vos dito que todos os que não acreditaram que podiam entrar na terra, não entrariam na terra.  E a mim também me foi dito que não entraria; Yeshoshua vai liderar o povo para entrar na terra.

Moshe está a criar uma ligação com o povo: Pedi-vos juízes e achastes que a minha ideia era boa.  Pedistes-me espiões e achei a vossa ideia boa.  As diferenças na forma como Moshe relata esta famosa história dos espiões e a forma como a própria Torá a descreveu é um tema rico para análise.  Uma das inúmeras diferenças é o papel dos espiões nesta narrativa: está em falta.  Pouco se diz sobre os espiões.  Em Bamidbar, parece que o relatório desfavorável deles despoletou uma cascata de medo.  Aqui, Moshe coloca a culpa no povo: causada pelo relatório dos espiões, mas claramente centrada no povo.  Talvez Moshe esteja deliberadamente a mudar a ênfase dos líderes para os seguidores.  Precisam de bons líderes, mas também precisam de ser bons seguidores.  A culpa de todos os fracassos nacionais não pode ser atribuída sempre aos líderes.  As pessoas também têm de assumir plena responsabilidade pelas suas decisões.  E aqui, a decisão do povo foi revoltar-se contra De’s.

 

4a aliá (1:39-2:1) Ao saber que não entraríeis na terra, arrependestes-vos do vosso pecado.  Deixa-nos ir para a terra.  Mas fostes avisados de que De’s não estaria convosco nisto, e os Emori afugentaram-vos como abelhas até à região de Seir.  Habitámos em Kadesh e Har Seir por muito tempo.

 

Um princípio fundacional na jornada nacional judaica é seguir o nosso De’s. O Homem tem muito que fazer quando a instrução divina está ausente.  Mas quando Ele nos disser para não irmos para a terra, não prevaleceremos.

 

5a aliá (2:2-30) Chegou a hora de viajar para o norte.  Não confronteis os descendentes do vosso irmão Esav que residem em Seir.  Contornai a sua terra; pagai pela comida e pela água que precisardes deles.  Além disso, não confronteis Moav, porque é a herança legítima dos descendentes de Lot.  Passando a terra de Moav, é Amon; não confronteis Amon, pois também é a herança legítima dos descendentes de Lot.  A região a norte do Arnon é a terra de Sichon e Og; estas terras são as que vos dei.   Propus a Sichon passar pela sua terra, mas ele recusou; De’s o tornou teimoso para que pudéssemos conquistar a sua terra.

O povo judeu não está sozinho no mundo.  Temos parentes.  E devemos ter consideração por esses parentes.  O irmão de Yaakov, Esav, instalou-se em Seir.  Ele merece respeito fraterno e, portanto, deixai-o em paz.  Moav e Amon são nações de Lot, sobrinho de Avraham.  Deixai-os em paz também; São vossos parentes.  Os irmãos, mesmo quando seguem caminhos completamente diferentes, continuam a ser irmãos.

 

6ª aliá (2:31-3:14) De’s disse-nos para tomarmos as terras de Sichon na guerra.  As terras foram conquistadas até ao Gilad.  Og confrontou-nos na região em direção ao Bashan e também foi conquistado.  As suas terras foram dadas a Reuven, Gad e à metade da tribo de Menashe.

Estes confrontos com Sichon e Og são as últimas histórias do livro de Bamidbar, não há muito tempo.  Moshe relata estas histórias logo no início do seu longo discurso, embora, se estivesse a rever a nossa história cronologicamente, tivesse de esperar 25 capítulos.  Fá-lo para começar o seu discurso com histórias de sucesso e encorajamento.  Ele vai querer avisar as pessoas, admoestá-las, contar-lhes sobre os seus futuros fracassos, mas isso pode esperar.  Começa com sentimentos positivos.

 

7a aliá (3:15-22) As terras a leste do Jordão, incluindo o Gilad e as terras desde o Kineret até ao Mar Morto foram habitadas por Reuven, Gad e metade da tribo de Menashe.  Instruí estas tribos a juntarem-se à batalha pela terra de Israel e regressarem depois às suas terras.

Este é um pedaço de terra muito grande:  a parte do lado leste do Jordão, do Mar Morto até lá acima ao Hermon, foi conquistada e será habitada pelo povo judeu.   Estas primeiras vitórias e a repetição de Moshe das suas histórias permite-lhe iniciar as suas longas instruções ao povo de uma forma positiva e  otimista. Vão conseguir e conquistarão a terra.

Parashá da Semana – Devarim

Shabat Chazon – Onde e como

Na haftarah que lemos semanalmente na beit hakneset, há uma relação temática com a parashá.

Neste Shabat, a parashá inicia o livro de Devarim, ou Deuteronómio; é um Shabat especial chamado Shabat Chazon (Shabat da Visão), porque lemos a visão profética na qual Isaías anuncia a destruição do Templo. Este texto prepara-nos para o jejum de Tisha BeAv, no qual recordamos o desaparecimento dos dois templos, cuja ausência mudou drasticamente a vida judaica.

A profunda relação entre a parashá de Dvarim, a Haftarah de Chazon e Tisha Beav é simbolizada pela palavra Eichá, que aparece nos dois textos e é, além disso, o nome da Megilah que lemos no dia mais triste do calendário judaico. Eichá significa «Como?» Como ficou a cidade? Como é possível que eu continue só?,  Moisés se pergunta. Como a cidade se tornou prostituta?, Isaías se pergunta.

Esta pergunta é formada pelas mesmas letras que formam a pergunta que o Altíssimo fez a Adão e Eva no jardim do Éden depois de eles terem comido o fruto proibido: Aieka? «Onde estás?» A questão existencial que inicia o relato bíblico torna-se «Como isso pôde acontecer?»

Esta semana marcamos mais um aniversário do infeliz dia em que uma bomba terrorista destruiu a AMIA em Buenos Aires. É um crime que continua impune. Como isso pôde acontecer? Como puderam acontecer todos os eventos fatídicos que a nossa memória lembra como fogo e destruição, no jejum de Tisha Beav? Onde estava a humanidade nesses momentos? Onde? Como? Essas são as perguntas que surgem do texto e devem nos guiar como um imperativo categórico, para que nossa ética e moral continuem sendo as mesmas de há milhares de anos. Essas perguntas direcionam o caminho da memória. Elie Wiesel escreveu que o povo judeu desempenha um papel na humanidade; é como o alarme que soa quando o trem corre o risco de descarrilar. A nossa existência faz sentido como um alerta para a humanidade de todas as injustiças que ocorrem, e é com esta convicção profunda que devemos entrar no jejum de 9 de Av.

Edith Blaustein

Parashat Haazinu

O objetivo do cântico de Haazinu – Retirado do livro Ideas de Devarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

O objetivo deste cântico que De’s ordena a Moisés escrever é advertir o povo acerca do mal que lhe acontecerá no caso de se assimilar à cultura idólatra dos povos de Canaã, até ao ponto em que chegará a esquecer-se de De’s, que foi Quem formou o povo de Israel.

De’s adverte-os de que, no caso de O abandonarem, então Ele retirará deles a Sua providência divina, o que fará com que fiquem expostos às catástrofes naturais e às maldades dos demais povos.

No entanto, há uma esperança e um consolo: o povo, finalmente, entenderá que só a De’s deve servir. De’s impedirá que todo o povo de Israel seja aniquilado, para que o Seu Santo Nome não seja profanado. Vingar-se-á dos inimigos de Israel e expiará os pecados do Seu povo.

Contrariamente aos historiadores e a muitos dos líderes laicos do povo de Israel, que defendem que o povo de Israel se conduz do mesmo modo que os outros povos e que lhe ocorrem as mesmas coisas que a qualquer povo, a Torá sublinha de forma clara que não é assim.

O povo de Israel é o único povo que foi formado pelo próprio De’s, tal como diz o versículo: Ele é teu pai, teu fazedor e formador.

É o único povo a quem De’s dirige e instrui através de mandamentos justos, tanto para o indivíduo como para a sociedade em geral. Não são só leis para manter o equilíbrio e a paz social, mas sim também pautas e normas de comportamento para vida privada de cada indivíduo, que o ajudam a elevar-se e a evitar tornar-se depravado indo atrás dos prazeres e apetites materiais. Também os afasta de falsas ideias e cultos nocivos. Como diz: Encontrando-se no deserto numa terra desolada, trouxe-o ao redor (do monte Sinai) e instruiu-o.

É o único povo que é conduzido por De’s, seja em forma geral ou em forma particular, pois conta com a providência divina. É o que diz o versículo: Cuida-o como à menina dos Seus olhos. Tal como a águia que desperta a sua ninhada, voa sobre os seus filhotes, estende as suas asas, toma-os e leva-os sobre as suas asas.

Ele é o Senhor e dono do mundo, e é Ele que nos entregou a terra de Israel, e que nos expulsará dela por causa das nossas transgressões. Quando fez herdar a cada povo o seu território… E decretou as fronteiras das nações…

Destes pontos podemos deduzir que o povo de Israel não é igual aos demais povos:

  • Não foi o povo que se formou a si próprio nem surgiu de motu próprio; foi De’s que o constituiu.
  • Não é o povo que compõe as suas próprias leis e mandamentos de acordo com o seu próprio parecer, é De’s que lhes fornece um sistema de leis elevado, justo e equilibrado.
  • O povo não é dono da terra; toda ela pertence a De’s, e Ele entrega-a quem Ele considera justo.
  • Não é o povo que forja o seu destino; é De’s quem o salva e redime dos seus inimigos ou desgraças.

O objetivo destes versículos é De’s testemunhar de antemão tudo o que vai acontecer se abandonarem De’s, e adverti-los que não pensem que as desgraças que lhes acontecem são coisas naturais, tal como acontece com os demais povos. Estes versículos são um convite à reflexão, à observação da História e ao recordar dos tempos passados. De onde vêm? Quem os formou? E quem os guiou? Observar tudo o que De’s fez por eles e a maneira tão mal-agradecida na qual se comportaram com Ele.

Então verão que De’s é quem os conduz e quem vela pelo seu bem, e dessa maneira retornarão a Ele e o servirão. Então De’s voltará a eles, os salvará e lhes fornecerá a Sua proteção e manutenção com abundância, paz e harmonia.

Parashat Vaielech

Mitzvat Hakehel – Reunir todo o povo de Israel – Retirado do livro Ideas de Devarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Texto a analisar: Devarim 31:9-13

O primeiro que notamos é que quando diz esta Torá, não se refere a toda a Torá, pois a Torá ainda não estava acabada; faltavam acontecimentos que ainda não tinham sido escritos. É por isso que, mais à frente, 31:24-26 diz: E foi quando acabou de escrever as palavras desta Torá no livro, até que o completou (…) Tomai este livro da Torá e colocai-o o na arca do pacto do Eterno. Nesse versículo vê-se claramente que somente aí se completou a escrita da Torá. Portanto, o nosso versículo da parashá de Hakehel (E escreveu Moisés esta Torá), não se refere a toda a Torá.

O livro Devarim pode dividir-se da seguinte maneira: as três primeiras parashiot (Devarim, Vaetchanan e Ekev) tratam dos temas fundamentais do judaísmo, os que têm a ver com a fé em De’s e com as boas qualidades.

Depois, as próximas três (Ree, Shoftim e Ki Tetzé) são parashiot de mitzvot específicas.

A três seguintes (Ki Tavó, Netzavim e Vaielech) fazem finca-pé na importância de nos mantermos firmes e fiéis ao pacto.

As duas últimas (Haazinu e VeZot Habrachá) são as últimas palavras de Moisés, ditas em forma poética.

A expressão esta Torá já foi mencionada antes, na parashá Ki Tavó, e, tal como dissemos, essa parashá faz parte das parashiot que se referem a nos mantermos fiéis à Torá. Portanto, a nossa parashá não faz alusão aos cinco livros da Torá, mas sim àquelas partes da Torá que sublinham o facto de sermos fiéis ao Pacto.

E era precisamente isto que o rei tinha que ler. As partes do livro de Devarim que falam da importância de cumprir a Torá e manter o Pacto.

Por outras palavras: deve escrever todos os parágrafos que advertem sobre os benefícios e consequências do cumprimento dos preceitos (sem entrar nos detalhes dos preceitos), quer dizer, as bênçãos e as maldições e todos os parágrafos que nos incitam ao cumprimento de toda a Torá.

O motivo pelo qual é entregue aos cohanim e aos sábios, é porque os cohanim eram quem ensinava a Torá ao povo, e por isso era importante que tivessem estes parágrafos à mão para poder ensiná-los a toda a gente.

E é a isto que faz alusão quando diz que se devia ler a cada sete anos, pois a Torá deve sempre ser lida e estudada, e não só os cohanim e os sábios, mas sim todo o povo.

Portanto, vê-se claramente que a intenção deste preceito não é estudá-la e aprendê-la, mas sim renovar o Pacto entre o povo e De’s, lendo-a a cada sete anos.

O povo fez um Pacto com De’s no monte Sinai, e depois renovou-o aos quarenta anos em Arvot Moav. Se prestarmos atenção, veremos que nessas duas ocasiões são utilizadas as mesmas palavras mencionadas agora.

A cada sete anos, quando a ideia do Pacto consertado com De’s se vai esquecendo na consciência do povo, Moisés diz-lhes que é necessário renová-lo. É por isso que isto foi dito logo depois de Moisés ter reunido o povo inteiro para renovar o Pacto.

O que Moisés fez foi juntar todo o povo e renovar o Pacto, e agora diz-lhes que isso deve ser feito cada sete anos. É por isso que têm que vir todos: homens, mulheres e crianças, tal como aconteceu no monte Sinai.

É precisamente isto o que diz Rambam em Hilchot Chaguigá 3:1-3: É um preceito reunir todo Israel, homens, mulheres e crianças, ao finalizar o ano sabático, quando sobem ao santuário. Devem ler-se aos seus ouvidos parashiot que incentivem ao cumprimento dos preceitos e que os fortaleçam na religião verdadeira. Parashiot cujo objetivo é o cumprimento geral das mitzvot.

Quando se reunia e se lia tudo isso? No final do sétimo ano sabático, depois do primeiro dia da festa de Sucot, lia-se a Torá. E era o rei quem devia lê-la no pátio do Templo. O que é que o rei lia? Lia desde o princípio do livro de Devarim até à primeira parte do Shemá; depois saltava até à segunda parte do Shemá e depois saltava até às bênçãos e às maldições. (Acaba aqui a citação de Rambam em Hilchot Chaguigá).

O motivo pelo qual se lia exatamente estes parágrafos é porque neles vê-se claramente o incentivo para cumprir todos os preceitos.

Tal como quando um indivíduo quer juntar-se ao povo de Israel, o que se faz é explicar-lhe os princípios básicos do judaísmo, a existência de De’s, a Sua unicidade, que opera a justiça, etc. E sobre estes temas diz Rambam que nos devemos estender e abundar em detalhes, e depois ensinam-se de forma breve o resto dos preceitos. Com isto, é suficiente para entrar no Pacto.

É isto mesmo que se deve fazer a cada sete anos.

Porquê os sábios estipularam que era precisamente o rei quem devia ler esta Torá diante de todo o povo no fim dos sete anos? De onde aprenderam isto, se a Torá não disse nada ao respeito?

Se observarmos o parágrafo anterior ao nosso, ele fala-nos justamente de que Yehoshua seria quem faria entrar o povo de Israel na terra. E ele era precisamente o líder político do povo, aquele que exercia o cargo de rei.

É por isso que aprenderam que o rei é que devia ler tudo isto aos ouvidos do povo e renovar o Pacto com De’s. E porque o rei é o líder deles, é ele que tem a autoridade para comprometer e obrigar a todos a cumprir o Pacto, já que todo o povo o teme e obedece às suas palavras. Este é o motivo pelo qual deve ser lido pelo rei. Para além disso, desta maneira o Pacto ganha uma conotação muito mais solene e séria.

Porquê deve ser feito a cada sete anos? Porquê no ano sabático? Justamente depois do ano sabático, quando estão tranquilos, não estão atarefados com os trabalhos do campo e as dívidas foram perdoadas, então é quando têm a mente tranquila para poder pensar em tudo isto.

Mais um ponto a ter em conta é que precisamente agora as pessoas começavam novamente a se dedicar aos seus trabalhos. Por isso, antes de iniciarem os seus afazeres de rotina, a Torá ordena este ritual, para que o povo tenha o Pacto bem presente nas suas mentes. Tal como o fizeram no deserto com Moisés, onde reafirmaram o Pacto antes de entrar na terra, para não terem medo de tudo o que iam ter que enfrentar, assim também, a cada sete anos, repetem isto, para terem força e poderem enfrentar tudo aquilo com que se terão que deparar nos próximos anos de trabalho, e para a sua confiança e fé em De’s não se debilitarem.

Liam-se estes parágrafos no fim do ano sabático, antes de começar tudo novamente; desta maneira vão aprender que não devem temer nada, que o único caminho e a única fórmula para triunfar é fazer a vontade de De’s.

No momento em que vai começar a vida diária e a rotina, é quando é necessária uma dose extra de fé e temor a De’s para não tropeçar.

É por isso que se fazia em Sucot, pois nesta festa consciencializamo-nos de que tudo depende de De’s e não só de nós. Em Sucot recordamos que fomos atrás de De’s por caminhos inóspitos e Ele nos conduziu pelo deserto e fez com que nada nos faltasse.

Está escrito: Reunirás o povo, homens, mulheres, crianças e os estrangeiros que estejam nas tuas cidades, para que escutem e para que aprendam e temam o Eterno vosso De’s e cumpram todas as palavras desta Torá.

Porquê está escrito para que escutem e para que aprendam? Deveria ter dito para que escutem e aprendam.

O comentarista Or HaChaim diz que o motivo pelo qual se repete a palavra para duas vezes é porque se dirige tanto ao homem como à mulher. A maneira em que a mulher capta algo é geralmente diferente da maneira do homem: A mulher vivencia-o, recorda-o, e fá-lo. O homem, pelo contrário, é mais analítico: estuda-o, e aí é que se convence e se compromete.

O objetivo a que se deve chegar é temer a De’s, e isso vai levar-nos a cumprir todas as palavras desta Torá e cumprir os seus preceitos. É por isso que se repete duas vezes a palavra para, pois refere-se à internalização, seja da maneira feita pela mulher ou pelo homem. (Por experiência ou analiticamente).

Então, qual é o objetivo: Temer a De’s ou cumprir a Torá? Na realidade, os dois são o objetivo. Que o cumprimento dos preceitos seja com temor a De’s, com um profundo respeito reverencial. Que não seja um ato reflexo e automático, sem pensar no que faz ou onde isso o conduzirá.

O facto de ser o rei quem lhes lê tudo isto ajuda a gerar temor no povo.

O motivo pelo qual as crianças pequenas também devem estar presentes, apesar de ainda não entenderem, é para adquirirem temor a De’s. Não é para aprenderem os preceitos, pois, como dissemos, ainda não têm raciocínio; o objetivo é que, ao ver todo o povo e o rei a ler a palavra de De’s, eles adquiram uma tal experiência que fique gravada na sua memória e nunca seja esquecida.

Estas palavras voltam a repetir-se outra vez na Torá, e é precisamente no sopé do Monte Sinai. Ali diz: Cuida-te muito de não esqueceres o que viste com os teus olhos, e que não se afaste do teu coração todos os dias da tua vida. E ensinarás aos teus filhos e aos filhos dos teus filhos, o dia em que estiveste perante De’s no monte Chorev quando De’s disse: – Reúne-Me o povo e faz-lhe ouvir as Minhas palavras, que lhe ensinarão a temer-Me todos os dias que vivam sobre a terra e os seus filhos o aprenderão.

Não se trata só de recordar e renovar o Pacto. É algo que vai mais além; trata-se de reviver o Pacto. Não é algo meramente intelectual, mas também um acontecimento emocional; vivenciar o Pacto com De’s como se fôssemos nós que estamos de pé no monte Sinai aceitando os mandamentos de De’s.

Este é o motivo pelo qual não se fazia todos os anos em Sucot, pois seria algo muito rotineiro. Mas ao fazê-lo a cada sete anos, passa a ser algo mais especial. Como, por exemplo, quando se faz Bircat Hachamá (a bênção quando começa um novo ciclo solar), que ocorre uma vez a cada muitos anos. Apesar de ser somente uma bênção rabínica, é realizada do mesmo modo, com muita emoção e entusiasmo, porque é algo que ocorre a cada muitos anos.

Uma vez a cada sete anos a Torá fazia-nos reviver todo este evento para que, com alta emoção e no meio de todo o povo, o Pacto e o temor reverencial a De’s ficassem gravados no mais profundo do nosso ser.

É por isso que se fazia no santuário, pois o tabernáculo (como já explicámos) era como se fosse um monte Sinai portátil.

Rambam, em Hilchot Chaguigá 3:4 diz: Antes de o rei ler no sétimo ano, tocavam-se as trombetas em toda Jerusalém para reunir todo o povo e construia-se uma grande plataforma no santuário e o rei lia dali para que todos o escutassem e todo o povo se reunia ao redor dessa plataforma.

De aqui vemos que as trombetas fazem-nos recordar o som do Shofar no monte Sinai. As pessoas ao redor da plataforma recordam-nos todo o povo a rodear o monte Sinai para escutar a voz do Eterno.

Continua Rambam dizendo: Cada um deve ver-se a si mesmo como se estivesse a receber nesse momento a Torá e está a ouvi-la da boca de De’s.

O número sete é muito recorrente em todo este parágrafo, pois tem em total sete versículos, 140 palavras (20 × 7); sete vezes aparece o nome de De’s; deve ler-se no sétimo dia da festa de Sucot; essa festa cai no sétimo mês, e fazia-se a cada sete anos.

Tudo isto nos faz recordar quando saíram do Egito, e que ao fim de sete semanas (7 × 7) estiveram no sopé do Monte Sinai para fazer o Pacto com De’s.

O acontecimento do monte Sinai não foi chamado «Dia do Sinai» ou algo do género, mas sim precisamente: Yom HaKahal, e este preceito da nossa parashá chama-se precisamente a mitzvá Hakehel.

O dia em que todo o povo (Kahal) esteve frente a De’s, com temor reverencial, para se transformar no povo de De’s.