PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO – CONTINUAÇÃO

PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO – CONTINUAÇÃO

Continuação do artigo sobre a família Bissato (Yehoshua de 45 anos, Chana de 36, e a filha Leah, de 10), que chegaram a Israel vindos de Caxias do Sul, Brasil. O caminho incomum destes ex-pastores na verdade afastaram-nos dos ensinamentos com que cresceram, na direção de um caminho que os levou ao judaísmo. Procuraram por um processo de conversão durante oito anos e estão animados por estarem finalmente em Israel e por começarem esta etapa final da sua jornada ao judaísmo.

“Estamos morando em Israel agora, mas não tomamos isso como garantido.”
“Um pouco da nossa história: Enfrentámos muitos desafios na nossa jornada. Então, finalmente recebemos a oportunidade das nossas vidas por parte da Shavei Israel e começámos a planear a nossa viagem. Depois veio o coronavírus e os ataques a Israel. Tive que fazer vários exames, na verdade tive Corona e minha esposa teve que fazer uma cirurgia. Esperámos mais de um ano até podermos finalmente embarcar num avião e tudo correu bem. Tanta espera e angústia…  Rezámos muito, chorámos muito… mas nunca perdemos a fé!”
“Tínhamos certeza de que chegaria o dia de nossa viagem a Israel. Depois de termos tido que cancelar a viagem três vezes, tudo correu bem. Cada etapa da jornada foi acompanhada de muita emoção e lágrimas, mas desta vez foram lágrimas de alegria e gratidão por vermos nosso sonho realizado!
Quando chegámos ao aeroporto de Ben Gurion, parecia que finalmente estávamos indo para casa. À chegada, fomos calorosamente recebidos por pessoas maravilhosas; temos muito a agradecer.
Logo após a nossa chegada, começámos as aulas no Machon Miriam, o curso de conversão em língua espanhola da Shavei Israel. Os professores são incríveis e têm uma compreensão profunda dos conceitos judaicos. Eles fazem-nos refletir sobre os temas apresentados, e a cada aula aprendemos e crescemos mais. Além disso, fomos recebidos como se fôssemos todos parte de uma grande família, onde todos se preocupam uns com os outros, e tentam ajudar em tudo o que precisarmos.”
“Estamos muito gratos por esta oportunidade, embora ainda tenhamos muitos desafios pela frente. A questão económica é algo que pesa muito sobre nós, claro, enquanto esperamos o privilégio de poder trabalhar em Israel. Embora tenhamos recebido muita ajuda até agora, todas as necessidades básicas como alimentação, aluguer, água, eletricidade e saúde exigem recursos consideráveis. Mas confiamos em De’s, e Ele certamente enviará muitas pessoas boas para nos ajudar. 
Só podemos agradecer a todos por tudo o que já vivemos aqui em Israel. Agora vamos continuar lutando até alcançarmos nosso objetivo final, que é nos converter ao judaísmo e fazer aliá.” ~Yehoshua, Hanna e Leah
Para ajudar a família Bissato e outros como eles que trabalham duro para completar sua conversão, pode fazer o seu donativo aqui neste link, e pode indicar num comentário qual a finalidade do seu donativo. Muito obrigado!
PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO

PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO

A família Bissato (Yehoshua, de 45 anos, Chana, de 36 e a filha Leah, de 7) vieram de Caxias do Sul [Brasil] para Israel, mas a viagem foi muito mais do que uma viagem de avião. Como ex-pastores, os seus estudos bíblicos na realidade afastaram-nos dos ensinamentos com que cresceram, na direção de um caminho que os levou ao judaísmo. Eles estão a procura de um processo de conversão há oito anos e estão animados por estarem finalmente em Israel e por começarem esta etapa final da sua jornada ao judaísmo. Aqui está a história deles:

“Desde o momento em que conhecemos o judaísmo, há sete anos, começámos a admirar o povo judeu, o seu modo de vida, as festividades e a sua reverência, temor e respeito por D’us e pela Torá. Uma vez que conhecemos um pouco mais sobre a Torá, decidimos que o D’us de Israel também seria nosso D’us.

“Com o passar do tempo, aprofundámo-nos nos nossos estudos e descobrimos que o povo judeu é diferente. Houve uma aliança, feita através de Abraão, passando por Isaque e Jacob. Depois de passar por muitas provas e demonstrar uma grande submissão para cumprir a vontade do Criador, Jacob recebeu o título de “Israel” [que pode ser traduzido como] “ yashar El ” ou “direto com D’us”, e, juntamente com o nome, a função de estudar e transmitir a Torá para a humanidade.

“Consequentemente, os Filhos de Israel receberam uma responsabilidade maior, uma nova situação espiritual e o jugo de todo o cumprimento da Torá. Percebemos que, apesar de sermos de outro povo, queríamos fazer parte desse povo, o Povo de Israel. Decidimos que deixaríamos o nosso povo, as nossas raízes, mesmo sabendo quanto esforço teríamos que fazer, e também que enfrentaríamos muitas dificuldades e até poderíamos enfrentar perseguições, antissemitismo e ódio gratuito, como o povo judeu sofre.

“Mesmo sabendo de tudo isso, continuámos firmes na nossa decisão, no nosso objetivo, e queríamos fazer parte deste povo, sermos “Israel”, convertermo-nos e tornarmo-nos judeus, assumindo a responsabilidade de manter todos os mandamentos, leis e costumes, honrar a aliança de Abraão, receber o jugo da Torá e servir a D’us.

“A partir de então começámos a estudar e a cumprir as mitzvot (mandamentos): comer kosher, guardar o Shabat, manter a pureza familiar, cumprir as exigências das festas, fazer orações e bênçãos diárias, aperfeiçoarmo-nos todos os dias na halachá (lei judaica) e ter consciência da importância que esta tem nas nossas vidas, desde o momento em que acordamos e em tudo o que fazemos.”

“De facto, sentimos que agora é como se estivéssemos “a voltar para casa”, a retornar às nossas verdadeiras raízes. Amamos Hashem, a Torá e o povo judeu. Não nos imaginamos a viver de outra maneira, exceto como judeus.

Decidimos realizar o nosso processo de conversão no Machon Miriam da Shavei Israel, pois é uma organização séria e comprometida em ajudar aqueles que desejam converter-se, tornando-se parte do povo judeu. Se D’us quiser, seremos capazes de atingir o nosso objetivo. Hashem é o nosso D’us, Israel é a nossa terra e o povo judeu é o nosso povo”.

À chegada a Israel, com Chaya Castillo da Shavei.

Uma atitude de aceitação: a verdadeira reforma de conversão que precisamos – opinião

Uma atitude de aceitação: a verdadeira reforma de conversão que precisamos – opinião

Por: Michael Freund, fundador e diretor da Shavei Israel

A conversão tem estado muito nas notícias ultimamente, e por todas as razões erradas.

Os planos do governo para aprovar uma legislação para reformar o sistema de conversão em Israel provocaram um clamor feroz, com apoiantes e oponentes a invocar uma retórica que parece estranhamente fora do lugar, dada a natureza espiritual do assunto em questão.

O debate centrou-se em torno de quem deve ter o poder fazer conversões, que padrões de conversão devem ser aplicados e quem precisa de ter a autoridade final para conferir o selo de aprovação do estado.

Por mais importantes que sejam essas perguntas, há um ponto-chave que tem sido esquecido no meio de todas as discussões: a nossa atitude em relação àqueles que escolhem converter-se precisa de melhorar.

Afinal, o processo é crucial, mas as pessoas também são. Todos os esforços devem ser feitos para garantir que os padrões adequados de conversão haláchica sejam cumpridos. Mas temos que recordar que esses padrões também incluem amar o convertido e acolhê-lo no nosso meio com carinho e afeição.

Muitos de nós ainda olhamos para os convertidos com suspeita, questionando injustamente a sua sinceridade ou motivos. Mas em vez disso, nós, como judeus, devíamos fazer um esforço maior para abraçar os judeus por escolha e enchê-los de bondade e afeição.

Nas últimas duas décadas, como presidente da Shavei Israel, trabalhei com inúmeras pessoas de vários países ao redor do mundo que fizeram sacrifícios enormes e muito corajosos para vincular o seu destino ao destino do povo judeu. Num mundo em que o anti-semitismo e o ódio aos judeus estão em ascensão, a decisão de se juntar ao povo de Israel é muito valente e até heróica.

De facto, como judeus de nascimento, temos muito a aprender com os convertidos sobre não considerar a nossa fé ou identidade como um facto adquirido. Ao longo da história do nosso povo, os prosélitos e os seus descendentes têm-nos enriquecido espiritualmente.

As nossas orações diárias incluem inúmeras passagens dos Salmos, escritos pelo rei David, descendente de Rute, a Moabita. Ao lado do texto das edições do Pentateuco em hebraico aparece sempre o comentário em aramaico de Onkelos, um nobre romano que se converteu ao judaísmo há quase dois milénios. E a própria Bíblia inclui o Livro de Obadias, que foi escrito por um convertido edomita que se tornou um profeta hebreu.

Vários sábios talmúdicos cujas regras moldaram o judaísmo como o conhecemos hoje eram descendentes de convertidos, como o grande rabino Akiva e o seu aluno Rabi Meir. Sobre este último, o Talmud diz em Eruvin 13b: “Rabi Aha bar Hanina disse: É revelado e conhecido perante Aquele que falou e o mundo veio a existir, que na geração de Rabi Meir não havia ninguém que fosse igual a ele.”

Curiosamente, o ato de converter um gentio ao judaísmo não está listado entre as 613 mitsvot da Torá por nenhum dos principais codificadores da lei judaica, mas a exigência de amar o convertido com certeza está.

O Sefer Hahinuch, um texto do século 13 atribuído a um estudante de Nahmanides que enumera as mitsvot, diz (Mitzvah 431): “Temos que amar o convertido”, notando que “fomos avisados para não lhes causar tristeza, mas sim fazer-lhes o bem e tratá-los com justiça, como merecem”.

E, no seu grande compêndio de lei judaica, o Mishneh Torá, Maimônides escreve (Hilchot De’ot 6:4) que “De’s  deu-nos ordens sobre o amor ao convertido, assim como nos ordenou a amá-Lo a Ele”, e acrescenta que “De’s, Ele próprio, ama os convertidos, como diz a Torá (em Deuteronómio 10:18), ‘e Ele ama os convertidos’”.

E uma das declarações mais poderosas de todas pode ser encontrada no Midrash Tanhuma (Lech Lecha 6), onde o Rabi Shimon ben Lakish afirma: “Um prosélito é mais amado diante do Santo, Bendito seja Ele, do que todos aqueles que permaneceram no Monte Sinai [isto é, o povo de Israel].”

Ele explica que, se as pessoas que estavam no Sinai “não tivessem experimentado os trovões, as chamas, os relâmpagos, o tremor da montanha e o som dos shofarot, não teriam aceite o jugo do Reino dos Céus”.

Em contraste, o rabino Shimon ben Lakish diz que o convertido ao judaísmo não testemunhou nenhuma dessas coisas e ainda assim escolheu por sua própria vontade aceitar a De’s. Conclui perguntando retoricamente: “Existe alguém mais precioso do que isso?”

Seja qual for o resultado das mudanças na batalha sobre o sistema de conversão de Israel, quando a poeira baixar, faríamos bem em levar a sério as palavras do rabino Shimon ben Lakish. Ao invés de focar exclusivamente em como refinar o processo de conversão, também devemos ter como prioridade encontrar maneiras de abraçar aqueles que se juntam ao povo judeu. Só então podemos dizer que o sistema de conversão terá sido realmente reformado.

O escritor é fundador e presidente da Shavei Israel (www.shavei.org), que ajuda tribos perdidas e outras comunidades judaicas ocultas a retornar ao povo judeu.

Leia aqui o artigo original do Jerusalém Post

Descendentes criptojudaicos estão em contacto, mas ainda há obstáculos

Descendentes criptojudaicos estão em contacto, mas ainda há obstáculos

Por: Sasha Rogelberg

“Shabbat Shalom a Todos” escreveu um membro do grupo do Facebook Sephardic and Crypto-Jewish Research para um público de mais de 400 membros, muitos dos quais vivem no norte do México ou no sudoeste dos Estados Unidos. 

O post aparece por cima de acima de uma consulta para encontrar um livro sobre guardas da marinha espanhola publicado em 1954 em Madrid e por baixo de uma imagem antiga de um manual escolar mostrando uma mulher a ser levada perante a  Inquisição na Cidade do México.

O conteúdo dos posts do grupo é variado, mas todos dizem respeito ao criptojudaísmo, a prática secreta do judaísmo pelos judeus sefarditas em Espanha e suas colónias durante e depois da Inquisição.

Numa época em que os católicos continuam a ser a grande maioria nos países de língua espanhola e na Península Ibérica, os judeus desses países permanecem estigmatizados, embora a Inquisição tenha terminado há séculos. É por isso que esses grupos do Facebook são preciosos para tantas pessoas que estão agora mesmo a descobrir as suas origens sefarditas depois das mesmas lhes terem sido ocultas durante gerações.

Ronit Treatman, da Filadélfia, (na foto) é membro de mais de 25 desses grupos, incluindo Sephardic and Crypto-Jewish Research.

Em 2012, Treatman descobriu a sua própria história através de testes de ADN: Uma descoberta surpresa indicou que alguns membros da família se tinham mudado de Espanha para a Polónia.

“Isso mostrava que parte deles foi forçada a converter-se e teve que ir para o Brasil”, disse Treatman.

“A descoberta de origens judaicas, particularmente de ascendência criptojudaica, tornou-se mais comum agora, com os  testes de DNA mais acessíveis”, disse Treatman. Empresas como a Family Tree DNA podem pesquisar mais especificamente as as raízes sefarditas.

Treatman descreve-se como “o outro lado do espelho”. Enquanto tantos outros membros dos grupos foram educados como católicos e estão agora a tentar aprender mais sobre as suas raízes judaicas, Treatman sempre soube que era judia (o seu pai foi diplomata israelita). 

Ao longo de quase uma década a conhecer pessoas nesses grupos, Treatman tem conseguido ajudar dezenas de pessoas a encontrar textos, recursos e membros da comunidade, e tem reunido descendentes criptojudaicos de volta ao judaísmo.

Os judeus da Filadélfia estão habituados a ajudar descendentes de criptojudeus, também chamados de Conversos, Bnei Anusim ou Marranos,  a palavra espanhola que quer dizer “porco” e que, na opinião de Treatman, é uma terminologia inadequada para o grupo.

A Congregação Mikveh Israel, a sinagoga mais antiga da Filadélfia, foi fundada por judeus espanhóis e portugueses através de uma sinagoga sefardita em Amsterdão.

Na década de 1920, foi a primeira sinagoga sefardita a responder aos pedidos do Comité Português de Marranos, “para que sejam aplicados fundos no retorno ao judaísmo de mais de 14.000 marranos que vivem em Portugal, como cristãos em público e como judeus secretamente, há mais de quatro séculos”, escreveu o líder religioso de Mikveh Israel Leon H. Elmalah numa carta de 31 de outubro de 1926.

O apelo foi feito em parceria com a Comunidade Sefardita de Londres, a Associação Anglo-Judaica e a Aliança Israelita, explicou a carta. A doação feita pela Mikveh Israel seria o equivalente a USD $ 50.000 de hoje, disse o rabino da Mikveh Israel, Albert Gabbai.

“Como somos uma sinagoga espanhola e portuguesa, e traçamos a nossa ascendência até aos judeus que escaparam — porque somos uma congregação que segue essa tradição iniciada por esses judeus, foi natural para nós ajudá-los”, disse Gabbai.

Gabbai visitou a comunidade judaica portuguesa, que agora tem entre 50 e 100 membros, em 2017, décadas depois dela ter recebido uma educação judaica por parte de rabinos israelitas enviados para ensinar os feriados judaicos.

A viagem foi animadora, disse Gabbai, pois conseguiu ver o que a ajuda da Mikveh Israel 90 anos antes  foi capaz de fazer. Mas ainda há na zona preconceitos em torno dos judeus, disse ele.

Na viagem, Gabbai viu um turista numa igreja — erguida no lugar de uma antiga sinagoga — que perguntou o que tinha acontecido com os judeus que deixaram a sinagoga.

“O guia disse: ‘Nós convidámo-los a deixar o país’”, conta Gabbai.

O estigma contínuo reafirma o trabalho de Treatman, disse ela. Também impulsionou o trabalho de um amigo de Treatman, que ela conheceu num evento criptojudaico no Facebook: Keith Chávez, natural de Albuquerque, Novo México, que descobriu que era judeu aos 13 anos.

“A minha bisavó estava a morrer. Ficou acamada por um longo período de tempo antes de falecer, e queria falar comigo, com o meu irmão e com o meu primo”, disse Chávez. “Então convocou-nos juntos e disse: ‘Somos Sefarditos.’ Somos Sefarditos.”

Em retrospetiva, a origem judaica de Chávez fazia sentido para ele, apesar de, durante a infância, ter  frequentado com o pai uma igreja católica. Enquanto a maioria das mulheres católicas do Novo México varria a casa empurrando o lixo para fora da porta, a sua bisavó usava uma pá, já que varrer para fora da porta violava as leis da mezuzá (embora a família nunca tivesse tido mezuzot nas ombreiras das suas portas). Ela insistia em obter e preparar a carne para as refeições do fim de semana de uma maneira que se assemelhava à lei kosher.

A história de Chávez assemelha-se à de muitos outros descendentes de criptojudeus, mas ele ainda se considera diferente. 

Muitas outras pessoas com origens criptojudaicas negaram firmemente as suas origens familiares, dando preferência à sua educação católica. Se quiserem aprender mais sobre judaísmo, poderão enfrentar obstáculos por parte de alguns líderes judeus que não consideram os descendentes de criptojudeus como sendo judeus válidos sem passarem por uma conversão.

Agora professor adjunto de história e antropologia na Universidade do Novo México, Chávez tem ensinado sobre a presença de descendentes de criptojudeus no sudoeste dos EUA e a sua própria Inquisição, que só terminou no século XIX.

Como Treatman, Chávez é administrador de vários  grupos criptojudaicos no Facebook. O Facebook ajudou a mudar a situação dos descendentes de criptojudeus que procuram conectar-se, disse Chávez, embora essas conexões permaneçam menores do que ele queria.

A certa altura, ele ajudou uma mulher finlandesa, que tinha acabado de descobrir a sua ascendência judaica, a conectar-se com um rabino em Helsínquia. Depois o rabino acabou por ajudá-la a fazer o processo de conversão.

“Senti-me muito bem,” disse Chávez. “Porque ela voltou para casa.”

Pode ler Aqui o artigo original em inglês.

A história de Chaya: descobrindo as minhas raízes

A história de Chaya: descobrindo as minhas raízes

Onde eu realmente pertenço

Muitas pessoas me perguntam porque emigrei para Israel… Que eu venho de um país muito bonito e tinha tudo o que precisava… O que me encorajou a tomar essa decisão crucial? Costumo responder com um grande sorriso: “Porque não há lugar como Israel!”

Eu tenho 30 anos, agora. Nasci e cresci em Puebla, uma cidade próxima à Cidade do México.

O meu pai é cristão, e a minha mãe não. Os meus pais  divorciaram-se quando eu era criança. Na maior parte da minha infância, eu fui mais próxima da família do meu pai.

Quando fiz quinze anos, comecei a passar mais tempo com a família da minha mãe. Eles eram diferentes de todas as outras famílias da área. Não trabalhavam aos sábados e não iam à igreja.

A minha mãe sempre me ensinou que havia apenas um De’s. Ela ensinou-me a ter fé e encorajou-nos, a mim e aos meus irmãos, a ler o Tanach. Isso ela aprendeu com os tios que a criaram, porque a sua mãe faleceu quando ela tinha quatro anos de idade.

O apelido [sobrenome] da minha bisavó era Valencia. Ela foi para o México vinda de Valência, Espanha. Achamos que ela era judia. Não temos registos para provar isso. Não temos registos de nascimento de nenhum dos seus filhos, em lugar algum. Não temos documentos. Apenas as histórias que ouvíamos na infância e o fato inegável de que a família da minha mãe aparentemente sempre manteve a fé judaica. No entanto, a minha mãe nunca explicou porquê ou de onde veio esse sistema de crenças. Ela nunca o chamou de judaísmo, mas acreditamos que ela nasceu judia.

Eles tinham certos costumes, como usar roupas conservadoras, e as mulheres usavam apenas saias. Incomum num ambiente secular, celebravam o Shabat aos sábados, em contraste com a maioria das outras pessoas. Eles tinham uma panela especial para leite e eram estritamente proibidos de consumir carne de porco e frutos do mar.

Todos nós fomos à escola com crianças cristãs, e ela deixava claro que, embora devêssemos respeitá-las, a elas e à sua fé, éramos diferentes.

Quando eu era criança e os meus amigos ou a família do meu pai tinham eventos nas suas igrejas, a minha mãe sempre hesitava em deixar-me ir. Dizia: “É melhor não ires.” Mas eu nunca entendi o porquê. Eu ia, porque queria estar lá pelos meus amigos e pela minha comunidade, mas sabia que eu nunca estava lá por observar a fé cristã.

Em Puebla, não havia comunidade judaica.

Eu sabia que me sentia diferente, mas nunca tinha visto uma comunidade judaica para poder saber onde eu realmente pertencia.

(…)

Escolhendo uma Vida Nova

Quando eu tinha dezoito anos, o meu rabino fez-me uma proposta: Ele disse que eu poderia vir para Israel e frequentar uma Midrasha. Ele queria que eu viesse a Israel para ver se gostava. Ele queria que eu visse se realmente queria ser judia.

Na época, embora eu soubesse que a minha família alargada estava a passar pelo processo e planeava fazer aliá, eu própria não tinha a certeza disso. Eu estava no processo de aceitar quem eu realmente era e de onde eu realmente vim. A questão era: Queria eu comprometer-me com essa identidade?

Eu poderia ter escolhido ser Noahida. Poderia ter acreditado em um só De’s, cumprido as sheva mitzvot bnei noach, e tido uma boa vida.

Eu tinha medo. Estava com medo de deixar para trás tudo o que conhecia. Eu estava a aprender coisas novas e estava a processar o que elas queriam dizer. Estava a tentar entender o que significaria cumprir todas as mitzvot. Parecia uma mudança radical. A pessoa pode acreditar numa fé, mas o estilo de vida era muito diferente. Eu nunca tinha passado tempo numa comunidade judaica. Tudo parecia tão estranho…

No final, escolhi viver pelo resto da minha vida como judia.

Fiz uma conversão completa aqui em Israel.

Sentei-me com sete rabinos de Bnei Brak. O meu rabino estava comigo e ajudou-me a comunicar, fazendo a tradução.

Eu estava com tanto medo. Não falava hebraico. Fizeram-me perguntas sobre chagim, kashrut, Shabat, os 13 princípios da fé.

Eu sabia todas as respostas e passei no exame.

O Mikveh foi muito bom. Foi uma experiência especial. Embora já tenham passado onze anos, lembro-me que chorei.

Depois tive uma mistura de emoções, mas no final cumpri a minha missão. Que de ali em diante, eu podia começar a viver. Podia ser quem eu realmente era.

(…)

Eu precisava de me converter novamente. A conversão que eu tinha feito não era reconhecida pelo Estado. Somente o Rabinato-Chefe de Israel tem permissão para fazer conversões e que a situação das pessoas que se convertem seja reconhecida pelo estado. Eu já era judia, mas para fazer aliá, eu precisava de fazer a conversão novamente através do Rabinato Chefe. Eu já o sabia com antecedência, mas era importante para a minha família que eu fizesse a conversão primeiro através do Beit Din de Bnei Brak.

Fui ao mikveh novamente. A conversão foi considerada “L’chumrah”. Depois de algumas semanas da minha primeira conversão, fomos ao Beit Din e no dia seguinte fomos ao mikveh.

O meu processo finalmente terminou.

Eu estava tão animada para começar minha nova vida!

Shavei Israel

Um dia, recebi uma ligação de alguém da Shavei Israel a perguntar-me se eu queria trabalhar para eles. Eu sempre quis trabalhar com Aliá e Olim. Eu estava feliz onde estava, fui promovida onde estava, mas a minha paixão era ajudar olim e partilhar a minha experiência.

Tive três entrevistas, e havia sete candidatos.

Fui escolhida.

Então, agora eu trabalho com o Ulpan de conversão da Shavei. Trabalho com as pessoas que estão a vir para cá, não apenas de países de língua espanhola e portuguesa, mas também pessoas que querem fazer aliá de todo o mundo. Eu giro os seus casos e a documentação. Como eu mesma fiz isso, e sei exatamente como é, sei como ajudá-los e orientá-los.

No ano passado, mais membros da família vieram do México para Israel. Fui eu que geri o processo para eles, através da Shavei Israel.

Foi tão difícil. O processo burocrático é tão difícil. Nem sempre se obtêm as respostas quando se quer, é preciso esperar até que o comité decida. Eles tiveram que esperar seis meses para saber se poderiam ou não se converter.

Eu ajudei-os a traduzir os documentos e a obter as recomendações. Obtive cópias da teudat zehut de todos os membros da nossa família que já vivem aqui, para ajudar a recomendá-los ao comité. Às vezes, o comité diz não. Quando acham que a pessoa não é um bom candidato ao processo.

Entendo o porquê de não poder ser toda a gente aceite, embora seja difícil. Eu vi casos em que as pessoas pedem para se converter porque querem vir para aqui por outras razões. Acabam por não cumprir a religião, ou querem vir para Israel para começar um negócio. Nem toda a gente está a querer fazer a conversão pela razão certa, de querer ser judeu.

Mas desta vez eles disseram que sim, e acredito que o apoio e o empenho da nossa família ajudaram na aceitação deles.

Graças a De’s eles terminaram. Eles farão Aliá em breve.

Agora tenho família a morar em Be’er Sheva, Ashdod, Ashkelon e Jerusalém. Temos mais de trinta membros da família aqui agora. Tios, tias, primos; famílias inteiras a casar, a ter bebés e a crescer aqui.

É incrível fazer parte deste novo capítulo na história da minha família.

Estes foram excertos de Chaya’s Story: Discovering My Roots – um capítulo do novo livro, Layers: Personal Narratives of Struggle, Resilience, and Growth From Jewish Women, publicado pela Toby Press, escrito por Shira Lankin Sheps, da The Layers Project Magazine.
A Chaya trabalha na Shavei Israel como Diretora dos Departamentos Bnei Anousim e Judeus Ocultos da Polónia e do nosso Centro Ma’Ani.
Leia o resto da história de Chaya e tantas outras histórias neste livro tão especial.
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