Emissário da Shavei Israel inaugura o primeiro evento “Ciclismo pela Vida” na Polônia

Emissário da Shavei Israel inaugura o primeiro evento “Ciclismo pela Vida” na Polônia

Em 1909, os avôs de Robert Desmond deixaram sua casa e sua família em uma pequena aldeia/shtetl de Chernigov, ao norte de Kiev, na Ucrânia, e se mudaram para a Inglaterra. Isto salvaria suas vidas, uma vez que assim escaparam das atrocidades que a vida judaica esperava na Europa Oriental nas próximas décadas.Biking-in-Poland-300x1691

Cerca de 100 anos depois, em outubro de 2013, Desmond, um engenheiro de sistemas em Londres, maratonista e ávido ciclista de longa distância, embarcou em uma perergrinação moderna em busca de suas raízes. Subiu na sua bicicleta para traçar o que chamou de “o caminho da libertação” – no sentido inverso – de Londres a Normandia, as praias francesas onde desembarcaram no dia D, passando por Paris, em direção a Alemanha e depois para a República Checa, terminando nos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Depois de sua longa jornada de 1350 milhas, Desmond terminou em Cracóvia, aonde conheceu e se tornou um grande amigo do emissário da Shavei Israel lá, o Rabino Avi Baumol. Depois de várias refeições de Shabat e sessões de Torá com a comunidade, Desmond começou a apreciar o notável renascimento atual da vida judaica na Polônia. Quis mostrar ao mundo o que estava acontecendo, e “qual a melhor maneira de fazê-lo, senão com a bicileta?”

Desmond e o Rabino Baumol se reuniram com o diretor da JCC de Cracóvia, Jonathan Ornstein e lhe presentearam com um plano: eles iriam criar um novo evento de ciclismo, desta vez não para Auschwitz, mas sim, para Cracóvia, terminando no JCC (Jewish Community Center) que se tornou o foco da dinâmica vida judaica da cidade, sob a liderança do Rabino Baumol. Eles a chamaram de “Ciclismo pela Vida”, uma variante da famosa “Marcha pela Vida” que, também ocorre no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

O trajeto de 50 milhas entre Auschwitz e Cracóvia aconteceu na sexta-feira 6 de Junho, deste ano, e Rabbi Baumol e Desmond se juntaram com outros 15 ciclistas, incluindo: um grupo que Desmond trouxe de Londres, os membros locais do JCC de Cracóvia e um pequeno contingente dos EUA. E uma campanha on-line foi realizada para angariar fundos para os membros seniores do JCC poderem visitar Israel.

O dia começou com uma cerimônia, às 11h30, diante dos portões de Birkenau, onde o Rabino Baumol, membros da comunidade judaica e o vice-diretor do Museu de Auschwitz, falaram sobre a importância deste evento que seria realizada pela primeira vez.

“Milhões de visitantes fizeram seu caminho para Auschwitz por aviões, trens e automóveis”, escreve o Rabino Baumol, “mas nós fomos os primeiros a fazê-lo de bicicleta, simbolizando o espírito incansável do povo judeu – podem destruir nossos ossos, destruir nossas comunidades e tentar erradicar as nossas memórias, mas vamos sobreviver, continuar a construir!”

O Rabino Baumol recitou duas orações antes de iniciar a viagem:”Baruch Dayan Haemet”, honrando a memória do passado, e “Tefilat Haderech” orando para que D’s nos guie em nossos trajetos futuros.

“A viagem foi linda, o cenário e o clima perfeitos”, continua o Rabino Baumol. “Cada ciclista conseguiu realizar a viagem de 55 milhas em direção ao JCC… de volta à vida em Cracóvia. Todos nós aprendemos que temos a capacidade física para fazer esta viagem, e quando o sol se pôs, nos juntamos para uma refeição de Shabat e para a oração. Entendemos a importância de nossa mensagem!”

Na noite de sábado, Cracóvia celebrou o “7@nite”, um evento anual em que milhares, na sua maioria poloneses não-judeus, chegam a Cracóvia para caminhar pelas, cerca de sete, sinagogas, que ainda estão abertas, no distrito centro de Kazimierz.

A noite começou com um serviço de Havdalah liderado pelo Rabino Baumol no telhado do JCC Cracóvia. Então, à meia-noite, o Rabino deu uma palestra sobre “os símbolos da sinagoga” com cerca de 100 pessoas presentes.

O Rabino Baumol e Desmond pretendem transformer o “Ciclismo pela Vida”, um evento anual, e esperam que no próximo ano o número de participantes triplique. O Rabino Baumol diz que o objetivo é simples, mas muito importante “transmitir a mensagem de que devemos o inferno de Birkenau e as almas que ali morreram nunca deve ser o nosso lugar de descanso. A jornada judaica nunca vai parar com a morte, mas vai voltar lá, não mais levados como animais em trens, mas com nossos próprios pés, guiando-nos a liberdade e a vida judaica restaurada na Polônia.”

 

Chegando a Cracóvia
Chegando a Cracóvia
Grupo em frente à Auschwitz
Grupo em frente à Auschwitz
Robert Desmond e o Rabino Avi Baumol
Robert Desmond e o Rabino Avi Baumol