Parashat Chucat-Balak

Podemos viver num mundo sem limites?

Todos os pais de adolescentes sabem como é difícil estabelecer limites para nossos filhos quando estes têm idade para descobrir o mundo.

Esta parasha fala-nos sobre o poder dos limites.

Bilam, um profeta das nações do mundo, é chamado para amaldiçoar o povo de Israel. O rei de Moab dirige-se a ele para pedir ajuda para derrotar o povo de Israel. A maldição de Bilam seria o último recurso caso as armas de Moab falhassem. Mas ele era assim tão poderoso? Sua palavra podia mais do que a espada?

A parashá de Balak é uma das poucas na Torá onde, praticamente, Moisés não aparece. O tema gira em torno do episódio de Bilam.

A figura de Moisés deve ser comparada à deste outro profeta.

Primeiro devemos entender que a Torá nos diz que a sabedoria e a profecia não estão apenas no povo de Israel. Pelo contrário, a sabedoria e a profecia estão espalhadas entre todos os povos do mundo.

Onde está, então, a diferença?

Bilam tem um poder enorme, ele é um profeta com forças semelhantes às de Moisés. A diferença é que Bilam possui força sem limites. Esses limites que Moisés se impõe a si próprio, por reverência ao Altíssimo.

Para Bilam, a divindade é uma fonte de poder e nada mais.

Podemos resumir que Bilam tem a força do amor, mas não o temor do Céu e, portanto, não tem limites.

Abraão, nosso patriarca, também se destacava por seu grande amor, demonstrando amplamente o seu poder de estabelecer limites e temor do Céu. Podemos ver isso claramente quando ele cumpriu o sacrifício de Isaac, ordenado por De’s.

Bilam não tem limites. Pelo seu nome, podemos deduzir que é um ser «bli-am», não tem povo. Nele não reside um povo que tem a semente da eternidade, por ter temor do Céu.

E podemos ver as consequências quando há profecia sem limites, quando há amor sem limites, quando se vive sem limites claros.

O nome Moab vem das filhas de Lot, que, após a destruição de Sodoma e Gomorra, pensando que o mundo estava chegando ao fim, decidiram procriar com seu pai. Uma das filhas tem uma filho a quem chama Moab que literalmente significa «do meu pai». Produto de quebrar os limites do incesto.

Nisto reside a diferença entre Bilam e Moisés; não em sua grandeza, mas em sua maneira de ver o mundo. No olhar particular do judaísmo, o temor do Céu está no centro do nosso modo de vida.

Como está escrito na Guemara, em Masechet Brachot:

«Disse o rabino Chanina, tudo está nas mãos do Céu, exceto o temor do Céu».

É nossa tarefa, como educadores e como judeus, viver uma vida de amor, com limites auto-estabelecidos, como modelos a imitar, pelos nossos filhos e por nós mesmos.

Edith Blaustein