Não há nada como a singularidade de um casamento judaico

Não há nada como a singularidade de um casamento judaico

Aproveite, saboreie-o e abrace a felicidade, mas não perca de vista a sua parte no esquema maior da eternidade de Israel.

Por Michael Freund

Há momentos na vida de significado tão profundo que ficam indelevelmente gravados nas nossas memória, para nunca desaparecer nas névoas do passado.
Estar sob a hupah e ver um filho a casar é exatamente um desses momentos, intocado na sua alegria. De facto, a pureza não adulterada do cenário e a santidade do momento, tornam o sentido de destino quase tangível.
Na semana passada, mereci ter uma experiência destas, quando o meu segundo filho e sua noiva se casaram. Foi um evento tradicional judaico, com muita dança e música alegre, cheio de vitalidade, que se estendeu até altas horas da noite.
Não tenho dúvidas de que os vários tipos de casamentos, sejam eles cristãos, muçulmanos ou laicos, estão cheios das suas próprias versões de pompa, cerimónia e alegria. A junção de um casal, o estabelecimento de laços matrimoniais no meio da cuidadosa coreografia, é certamente um evento partilhado pela maioria da humanidade.
E, no entanto, enquanto estava sob o dossel do casamento, ao lado do meu filho, no meio da mistura de solenidade e diversão típica da ocasião, não pude deixar de concluir que um casamento judaico é algo único e que traz lições poderosas, não apenas para os noivos, mas também para todos os presentes.
Um casamento, é claro, é um rito de passagem pessoal e muito íntimo para o jovem casal e para as suas famílias. E, no entanto, como muitos outros elementos da vida judaica, tem uma camada adicional de significado, que evoca o nosso passado, ao mesmo tempo que aponta o caminho para o nosso futuro coletivo.
Como parte da cerimónia, são recitadas sete bênçãos, ou Sheva Brachot, a primeira das quais sendo a bênção por um copo de vinho. Inexplicavelmente, seguem-se várias bênçãos que aparentemente não têm nada a ver com o casamento, incluindo uma bênção geral que diz que D’us “criou tudo para Sua glória”, duas bênçãos sobre a criação do Homem, e  uma sobre o retorno a Sião.
É somente na sexta das sete bênçãos que finalmente mencionamos a alegria dos noivos, pedindo ao Criador que lhes dê felicidade.
Porquê?
Talvez se possa sugerir que a estrutura das Sheva Brachot se destina a enfatizar aos presentes que o estabelecimento de uma casa judaica deve conter um chamamento e um propósito mais elevados.
Sim, o amor e o romance, a parceria e o apoio mútuo são muito importantes, mas também há um toque de alerta para que todos os casais vinculem a casa que estão a construir ao destino judaico.
Todos os casamentos judaicos dão-nos um vislumbre do carácter indestrutível de Israel, à medida que se adiciona outro elo à longa e ziguezagueante cadeia da jornada do nosso povo ao longo das gerações.
É uma espécie de vitória sobre todos aqueles que se levantaram contra nós e buscaram a nossa destruição ao longo dos milénios, um triunfo do espírito e da determinação.
Isso é confirmado por uma declaração no Talmude (Berachot 6b) que descreve a grandeza da mitzvah de trazer alegria aos noivos. O rabino Nahman bar Yitzchak diz, sobre alguém que o faz, que “é como se tivesse reconstruído uma das ruínas de Jerusalém”.
Fica claro a partir disto que a celebração de um casamento judaico está misticamente ligada à reparação dos danos do exílio e da destruição. Talvez de alguma forma, a música e a dança, o puro regozijo do evento, venham para corrigir o ódio sem sentido que precipitou a queda de Jerusalém na época do Segundo Templo, um evento que lembramos, visual e auditivamente, quando o noivo quebra o copo no auge da cerimónia.
Quando entram na hupa, os noivos entram como indivíduos. Mas quando saem, são uma unidade, estão ligados um ao outro.
Sempre me perguntei porque em hebraico uma noiva é conhecida pela palavra kallah. Ocorreu-me que essa palavra é semelhante à raiz de VaYechulu, com a qual começamos a recitação do kidush todas as sextas-feiras à noite, ao recordar a criação do universo. Nos seus comentários, tanto Ibn Ezra quanto Yonatan Ben Uziel explicam VaYechulu como “o completar”. Que D’us tinha  completado a formação do céu e da terra, assim como uma noiva e um noivo se completam, complementando os seus talentos, equilibrando as suas falhas e construindo juntos um futuro judaico mais brilhante.
Isto não quer dizer que a alegria pessoal do evento seja substituída ou ultrapassada pelas suas componentes comunitárias ou cósmicas. Longe disso. Apenas adiciona um elemento muito especial, transformando a alegria privada do casal e elevando-a a uma alegria de significado nacional.
E essa é, em poucas palavras, a abordagem judaica da vida tal como é incorporada na cerimónia de casamento. Aproveite, saboreie-o e abrace a felicidade, mas não perca de vista sua parte no esquema maior da eternidade de Israel.
O escritor é fundador e presidente da Shavei Israel (www.shavei.org), que ajuda tribos perdidas e comunidades judaicas ocultas a retornar ao povo judeu.

Reflexões sobre as Bênçãos e suas consequências

Pelo Rabino Isaac Aboud

ESP_0479-300x199Uma das bênçãos que os Cohanim (Sacerdotes) dão ao povo de Israel é: “Que Hashem te abençoe e te guarde” (Números 06:24). O grande sábio, Or HaChayim, em uma de suas elucidações, explica esta benção, da seguinte maneira: “Que D’us te abençoe e que essa bênção não seja a raíz de um mal, como está escrito “Para que você não comas, se satisfaça … e (então) seu coração se tornará orgulhoso e esquecerá de Hashem, vosso D’us…” (Deuteronômio 8: 12-14).

Ou seja, todas as bênçãos envolvem um risco e exige um cuidado extra para este perigo, o perigo da pessoa se tornar orgulhosa. Este é o teste do sucesso. É necessário estar atento, tomar um cuidado extra, e é necessário uma bênção especial do Criador para não cair no perigo que acompanha o sucesso e a bênção. Mesmo no estudo da Torá, quando há um grande sucesso, há, também, um risco maior. O indivíduo deve passar por novos testes e imprevistos quando alcança uma conquista especial. Também vale a pena lembrar que tal bênção também se refere a assuntos materiais como, por exemplo, quando você é rico ou representa uma função importante. Por isso é necessário acompanhamento especial.

Há três pessoas das quais seus pecados são perdoados: alguém que se converte ao judaísmo, aquele que alcança uma posição importante e aquele que se casa (Rashi sobre Bereshit 36: 3, citando um Midrash do Livro de Samuel). Podemos dizer que a razão para isso é que, nestes três casos as pessoas estão em uma situação boa e bem sucedida e assim, sujeitos a novos testes e, portanto, precisam de cuidados especiais dos Céus para ajudá-los. É como um incentivo para poderem passar, com sucesso, pelos novos testes que os esperam.

Birkat Hailanot – A bênção das árvores

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Ontem estive no tribunal rabínico, acompanhando um casal que está muito perto de finalizar seu processo de conversão e o rabino lhes perguntou algo um pouco incomum, qual é a bracha (benção) que realizamos apenas uma vez por ano?

Para minha surpresa, a senhora respondeu rapidamente “Birkat Hailanot”, e o rabino concordou e acrescentou que há outros exemplos também.

Birkat Hailanot ou, a bênção das árvores, é uma bênção feita apenas uma vez por ano, durante o mês de Nissan, quando as árvores começam a florescer.

A bênção é realizada em árvores de fruto, de preferência dois tipos diferentes de árvores de frutos, quando a árvore começa a florescer, antes de sair o próprio fruta.

A bênção recitada é:

“ברוך אתה ה’ א-לוהינו מלך העולם, שלא חיסר בעולמו כלום, וברא בו בריות טובות ואילנות טובים, ליהנות בהם בני אדם”

“Bendito és Tu, nosso D’us, Rei do Universo, que não fez nada faltar no seu mundo, e criou nele criaturas boas e árvores boas, para o prazer dos homens”

Sem dúvida, esta bênção é um gesto de agradecimento ao nosso Criador, que nós colocou em um mundo maravilhoso e nos deu tudo que é necessário para satisfazer as nossas necessidades.

Quando saímos as ruas, campos e vemos as árvores florescendo, o início da primavera, a natureza que volta a criar vida, só podemos abençoar Aquele que criou tudo isso para nossa satisfação.

Diz a Gemara no tratado de Sanhedrin 98a, que, quando vemos as montanhas de Israel com frutos em abundância, não há maior sinal de que a redenção já começou. Qualquer um familiarizado com a história do moderno Estado de Israel, sabe que quando os primeiros judeus voltaram depois de um longo exílio, a terra de Israel era um deserto e pântano. Mas, aos poucos, com o trabalho duro do povo judeu e a bênção celestial, o país começou a florescer (em todos os sentidos) e, hoje, é certamente um exemplo para o mundo.

Saiam para os campos e venham abençoar Aquele que tem nós dado tudo!