Parasha da Semana – Bo

Parasha da Semana – Bo

Por: Rav Reuven Tradburks

Ocorrem as 8ª e 9ª pragas. Antes da 10ª, a morte do primogénito, são dadas as mitzvot de Korban Pesach e de Matza. Morre o primogénito. Os judeus são enviados para fora do Egito. São dadas mitzvot para comemorar o evento importante do Êxodo do Egito.

1ª aliá (10: 1-11) A oitava praga: gafanhotos. Moshe e Aharon vão ao faraó: surgirão gafanhotos, que comerão toda a vegetação que sobrou do granizo. Eles saem. Os conselheiros do faraó avisam-no de que o Egito está a caminhar para a destruição. Moshe e Aharon são trazidos de volta. O faraó diz: Ide e servi o vosso D’us. Quem vai? Moshe responde: Os jovens, os velhos, os homens, as mulheres, os animais. O faraó recusa: Só os homens. E manda-os ir.

As pragas têm padrões. Um dos padrões nestas últimas pragas parece ser uma reversão da Criação. Na história da Criação, a luz é criada no dia 1. Os céus no dia 2. A terra e a vegetação no dia 3. Ao inverso: os gafanhotos comem toda a vegetação da terra. Vêm do céu. Na escuridão, Moshe levanta o seu cajado para o céu. E então, escuridão. Como se o mundo do Egito estivesse a voltar ao caos.

2ª aliá (10: 12-23) O vento leste traz os gafanhotos. Eles escurecem a terra, comendo toda a vegetação. O faraó chama rapidamente Moshe e Aharon: Pequei perante D’us, o vossoD’us. Rezai para remover esta morte de mim. Moshe reza. O vento leva os gafanhotos de volta para o mar. O faraó não deixa o povo ir. A 9ª praga: 3 dias de escuridão. Para os judeus há luz.

As pragas são educativas. São para ensinar os princípios fundamentais da crença em D’us. Moshe diz isso ao faraó nas pragas 1, 4 e 7. Então saberás que Eu sou D’us. Então saberás que Eu sou D’us no meio da terra. Então saberás que não há ninguém como Eu. Estas são as 3 ideias centrais de crença em D’us que dizemos no Shema – há um D’us, Ele é nosso (conectado a este mundo) e Ele é Um.

Além disso, as pragas sobem – da água (sangue, rãs), para a terra (os animais selvagens e a morte) e para o céu (granizo, gafanhotos, escuridão). Ele governa sobre tudo.

E podemos ver como impactam a nossa vida. Sabemos que existe um delicado equilíbrio necessário para sustentar a vida. À medida que a ciência avança, tornamo-nos ainda mais conscientes. Precisamos de água. Os nossos corpos combatem doenças que podem ser mortais. Precisamos de nutrição. Uma mudança no equilíbrio da natureza traz desastres naturais.

As pragas podem ser vistas como se dissessem – toda essa sua vida é um equilíbrio delicado. Se houver qualquer coisa errada, cuidado. Você depende da água – observe o que acontece quando se transforma em sangue. O reino animal é um equilíbrio delicado entre predadores e presas. As rãs fora de controlo trazem a destruição. Os piolhos têm a sua função – mas demasiados acabam connosco. Os animais não atacam as pessoas – quando o fazem, é o caos. Os nossos corpos combatem doenças – doenças e furúnculos transmitem a nossa vulnerabilidade. O granizo simboliza o delicado equilíbrio da natureza, que quando perturbado pode trazer destruição em massa. A nossa comida é fraca – uma invasão de gafanhotos pode trazer uma fome que ameaça a própria vida. E a escuridão – a luz é simplesmente indispensável para o nosso funcionamento.

As pragas dizem-nos  que o nosso mundo é um equilíbrio delicado – a nossa vida individual de água, comida e doença, o reino animal e seu maravilhoso equilíbrio, o mundo natural e a sua conexão. Tudo isso tem que estar perfeito para que tudo funcione. E essa é a Sua Mão. A Sua Mão Oculta calibra tudo isso para que nem percebamos essa complexidade infinita. Nós, pessoas modernas, sabemos disso cada dia mais, pois a ciência revela equilíbrios cada vez mais fascinantes. As pragas transmitem a nossa vulnerabilidade e confiança na Mão Oculta que controla tudo.

3ª aliá (10: 24-11: 3) O faraó chama Moshe: Ide servir a D’us, até mesmo os vossos bebés. Deixai apenas os animais para trás. Moshe responde: Precisamos de os levar. Não sabemos o que oferecer até chegarmos lá. O faraó: Nunca mais me apareças, ou morrerás. D’us diz a Moshe que após a próxima praga ficarão livres. E os egípcios darão ao povo ouro e prata.

A justiça é um tema central da Torá. A injustiça da escravidão deve ser corrigida – daí a promessa de que os egípcios darão aos israelitas  ouro e prata, uma pequena correção do mal da escravidão.

4ª aliá (11: 4-12: 20) Moshe fala ao faraó sobre a praga iminente do primogénito. O teu povo vai implorar para que partamos. Moshe sai, zangado. D’us diz-lhe que o faraó não vai ouvir. Moshe e Aharon recebem as instruções para o Korban Pesach: No dia 10 do mês tomai um cordeiro para cada a família, guardai-o até dia 14, todo o povo judeu deve oferecê-lo, consumi-lo à noite assado com Matza e Maror, com os vossos cajados na mão e as sandálias nos pés. Enquanto isso, destruirei todos os primogénitos à meia-noite. Este dia e sua celebração ficarão marcados para sempre. Durante 7 dias comei Matza; Não deveis comer chametz algum durante 7 dias.

A matza deve ser comida na noite do êxodo – antes da meia-noite. Eu pensava que comíamos Matza por causa da pressa do êxodo… Mas isso não acontecerá até amanhã. Rav Menachem Liebtag aponta que o seder na noite do êxodo é um jantar anti-Egito. Os animais são sagrados? Nós vamos assar um. E o pão levedado é um desenvolvimento egípcio. Todo o pão nessa parte do mundo é achatado: pitas, lafa. O pão em formas elegantes é egípcio. Então, no seder no Egito, nada de pão egípcio chique, apenas Matza.

5ª aliá (12: 21-28) Moshe instrui o povo sobre o pesach, incluindo marcar as portas com o seu sangue. Não saiam de casa nessa noite. Este feriado será cumprido para sempre: Quando chegares à terra, cumpre-o. Os teus filhos perguntarão porquê; diz-lhes que é porque D’us passou por cima das nossas casas. O povo, ao ouvir estas instruções, faz exatamente como D’us ordenou a Moshe e Aharon.

Imagine a fé necessária para seguir essas instruções. Ok, D’us prometeu que os primogénito egípcios seriam feridos no dia 15 à meia-noite. E com isso, sairemos em liberdade. Mas escravos a prepararem-se descaradamente para matar e assar os animais sagrados do Egito? Porquê assar em fogo aberto? Não sei, vou especular, mas… bem, o cheiro de churrasco não dá para esconder. O cheio chega à vizinhança toda. É ordenado aos judeus que celebrem, sem vergonha, em plena exibição, queimando o que é sagrado para os egípcios, bem na cara deles, antes de serem libertados!

E, para aumentar a confiança, a fé, a certeza, sabei que cumprireis isto para sempre. Antes que o êxodo aconteça, eles já estão a planear celebrá-lo para sempre. Isso é confiança. Fé.

Quando Moshe instruiu o povo, eles fizeram exatamente o que D’us ordenou. Uau.

6ª aliá (12: 29-51) À meia-noite, todos os primogênitos no Egito morrem. O faraó chama Moshe e Aharon e ordena que saiam para servir a D’us. Rapidamente, para que todo o Egito não seja ferido. 600.000 homens adultos estavam entre os judeus que deixaram o Egito. A massa foi assada como Matza, pois eles não podiam esperar para o pão crescer. A permanência no Egito foi de 430 anos. D’us diz a Moshe e Aharon as regras da oferenda de Pessach: apenas escravos circuncidados, nenhum empregado, todo o povo, não levem para fora de casa, uma regra para o povo todo.

O Êxodo do Egito é uma crença central: que D’us molda a História judaica, com um yad chazaka e um braço estendido. E já que é uma crença tão central, temos um monte de mitsvot para nos lembrar disso. Para ficar bem inculcado na mente. Porque acreditar em um D’us todo-poderoso que criou o mundo é uma coisa. E que nos deu a Torá. Mas que, além disso, está ativo na nossa história? Isso é difícil de ver. Vivemos em um mundo nebuloso, onde os fluxos e refluxos de nossa história parecem aleatórios. Tivemos reis, depois exílio, depois voltámos. E depois 2.000 anos de exílio, com muitos  momentos em que a crença em um D’us ativo em nossa história foi, bem, foi muito difícil. Desafiante. Culminando no eclipse mais escuro de todos, a Shoah. A Mão de D’us na história, muitas vezes, na verdade, na maioria das vezes, foi obscurecida de nossa visão. Para onde Ele está nos levando, como Ele está nos guiando? Se acreditar em Sua Mão na história fosse fácil, não precisaríamos de todos esses lembretes do êxodo do Egito. Nós têmo-los porque precisamos deles.

Mas para nós é diferente. Nós, a geração privilegiada, (Ah, que privilegiada!), nós, que voltámos à nossa Terra, somos realmente privilegiados, porque quando lemos sobre o Seu Yad Hachazaka e o Seu Zroa Netuya, a Sua mão forte e o Seu braço estendido, podemos testemunhar e afirmar que sim, que Ele guia o nosso povo, intervém na nossa História. Para nós é mais fácil.

7ª aliá (13: 1-16) Ordens de D’us: todos os primogénitos  e animais do povo judeu serão Sagrados para Mim. Moshe diz ao povo: lembrai-vos deste dia, pois nele D’us tirou-vos da escravidão com Mão Forte. Quando vierdes para a terra de Israel, cumpri o seguinte: comei matza durante 7 dias, livrai a casa de chametz, dizei aos vossos filhos que foi por isso que D’us nos tirou do Egito. E amarrai isto como um sinal nos vossos braços e uma lembrança entre os vossos olhos. Cada animal primogénito é uma oferenda dedicada. Quando os vossos filhos perguntarem o que é isto, dizei-lhes que D’us nos tirou do Egito. Amarrai isso como um sinal nas vossas mãos e um guia entre os vossos olhos, pois D’us nos tirou com mão forte.

As mitzvot da história do Êxodo, incluindo amarrar tefilin na mão (do nosso lado mais fraco, pois o braço forte é dEle), e na cabeça, essas mitzvot resultam. A história do êxodo do Egito é facilmente a história mais familiar da Torah. As mitzvot-lembretes resultam.

Parashá da Semana – Bo

Parashá da Semana – Bo

Por: Rav Reuven Tradburks

Ocorrem as 8ª e 9ª pragas. Antes da 10ª, a morte do primogénito, são dadas as mitzvot de Korban Pesach e de Matza. Morre o primogénito. Os judeus são enviados para fora do Egito. São dadas mitzvot para comemorar o evento importante do Êxodo do Egito.

1ª aliá (10: 1-11) A oitava praga: gafanhotos. Moshe e Aharon vão ao faraó: surgirão gafanhotos, que comerão toda a vegetação que sobrou do granizo. Eles saem. Os conselheiros do faraó avisam-no de que o Egito está a caminhar para a destruição. Moshe e Aharon são trazidos de volta. O faraó diz: Ide e servi o vosso D’us. Quem vai? Moshe responde: Os jovens, os velhos, os homens, as mulheres, os animais. O faraó recusa: Só os homens. E manda-os ir.

As pragas têm padrões. Um dos padrões nestas últimas pragas parece ser uma reversão da Criação. Na história da Criação, a luz é criada no dia 1. Os céus no dia 2. A terra e a vegetação no dia 3. Ao inverso: os gafanhotos comem toda a vegetação da terra. Vêm do céu. Na escuridão, Moshe levanta o seu cajado para o céu. E então, escuridão. Como se o mundo do Egito estivesse a voltar ao caos.

2ª aliá (10: 12-23) O vento leste traz os gafanhotos. Eles escurecem a terra, comendo toda a vegetação. O faraó chama rapidamente Moshe e Aharon: Pequei perante D’us, o vossoD’us. Rezai para remover esta morte de mim. Moshe reza. O vento leva os gafanhotos de volta para o mar. O faraó não deixa o povo ir. A 9ª praga: 3 dias de escuridão. Para os judeus há luz.

Embora não devamos ter um filho preferido, podemos ter uma praga preferida. As crianças gostam das rãs. A minha preferida é a escuridão. Pelo que diz sobre os judeus. Ficou escuro no Egito durante 3 dias. Porquê 3 dias? Em nenhuma das outras pragas nos é dito quanto tempo duraram. Porque durou 3 dias a escuridão? Onde mais nesta história surgem 3 dias?

Moshe pediu ao faraó para permitir que os judeus fizessem uma jornada de 3 dias no deserto para servir a D’us. Se ficar escuro durante 3 dias, perfeito: Sai, anda os 3 dias e quando a luz voltar, o povo judeu já estará no mar. Porque não saíram eles quando estariam ocultos pelos 3 dias de escuridão?

Porque esta não é a história da marcha dos judeus para a liberdade. Uma marcha pela liberdade teria que ter um líder carismático a mobilizar o povo para lutar contra as injustiças que lhe são infligidas, liderando um povo que anseia pela sua liberdade. Mas a história não é essa. Os judeus estão no Egito há centenas de anos. Sem uma insurreição. Moshe tinha 80 anos quando foi chamado para a sua missão – um pouco tarde na vida para liderar o seu povo. Mas liderar o povo não é ideia dele; é-lhe imposto. Ele recusa-se. Moshe não é um líder carismático, um orador retórico hábil, um mestre legislador.

A história do Êxodo é a história dEle. Ele escolhe Moshe, contra a sua vontade, para ser o Seu peão. E repare nos judeus: eles poderiam ter fugido, mas eles não são ativistas pela liberdade. Eles saem completamente pela vontade de D’us, não pelas suas próprias artimanhas. Quando tiveram a oportunidade de fugir, não o fizeram. O líder relutante e os seguidores passivos significam apenas uma coisa: a sua redenção não foi obra deles, mas sim de D’us.

3ª aliá (10: 24-11: 3) O faraó chama Moshe: Ide servir a D’us, até mesmo os vossos bebés. Deixai apenas os animais para trás. Moshe responde: Precisamos de os levar. Não sabemos o que oferecer até chegarmos lá. O faraó: Nunca mais me apareças, ou morrerás. D’us diz a Moshe que após a próxima praga ficarão livres. E os egípcios darão ao povo ouro e prata.

A justiça é um tema central da Torá. A injustiça da escravidão deve ser corrigida – daí a promessa de que os egípcios darão aos israelitas  ouro e prata, uma pequena correção do mal da escravidão.

4ª aliá (11: 4-12: 20) Moshe fala ao faraó sobre a praga iminente do primogénito. O teu povo vai implorar para que partamos. Moshe sai, zangado. D’us diz-lhe que o faraó não vai ouvir. Moshe e Aharon recebem as instruções para o Korban Pesach: No dia 10 do mês tomai um cordeiro para cada a família, guardai-o até dia 14, todo o povo judeu deve oferecê-lo, consumi-lo à noite assado com Matza e Maror, com os vossos cajados na mão e as sandálias nos pés. Enquanto isso, destruirei todos os primogénitos à meia-noite. Este dia e sua celebração ficarão marcados para sempre. Durante 7 dias comei Matza; Não deveis comer chametz algum durante 7 dias.

A matza deve ser comida na noite do êxodo – antes da meia-noite. Eu pensava que comíamos Matza por causa da pressa do êxodo… Mas isso não acontecerá até amanhã. Rav Menachem Liebtag aponta que o seder na noite do êxodo é um jantar anti-Egito. Os animais são sagrados? Nós vamos assar um. E o pão levedado é um desenvolvimento egípcio. Todo o pão nessa parte do mundo é achatado: pitas, lafa. O pão em formas elegantes é egípcio. Então, no seder no Egito, nada de pão egípcio chique, apenas Matza.

5ª aliá (12: 21-28) Moshe instrui o povo sobre o pesach, incluindo marcar as portas com o seu sangue. Não saiam de casa nessa noite. Este feriado será cumprido para sempre: Quando chegares à terra, cumpre-o. Os teus filhos perguntarão porquê; diz-lhes que é porque D’us passou por cima das nossas casas. O povo, ao ouvir estas instruções, faz exatamente como D’us ordenou a Moshe e Aharon.

Imagine a fé necessária para seguir essas instruções. Ok, D’us prometeu que os primogénito egípcios seriam feridos no dia 15 à meia-noite. E com isso, sairemos em liberdade. Mas escravos a prepararem-se descaradamente para matar os animais sagrados do Egito, não num dia, mas guardando-os durante 4 dias, oferecendo-os, assando-os? Porquê assar em fogo aberto? Não sei, vou especular, mas… bem, o cheiro de churrasco não dá para esconder. O cheio chega à vizinhança toda. É ordenado aos judeus que celebrem, sem vergonha, em plena exibição, queimando o que é sagrado para os egípcios, bem na cara deles, antes de serem libertados!

E, para aumentar a confiança, a fé, a certeza, sabei que cumprireis isto para sempre. Antes que o êxodo aconteça, eles já estão a planear celebrá-lo para sempre. Isso é confiança. Fé.

Quando Moshe instruiu o povo, eles fizeram exatamente o que D’us ordenou. Uau.

6ª aliá (12: 29-51) À meia-noite, todos os primogênitos no Egito morrem. O faraó chama Moshe e Aharon e ordena que saiam para servir a D’us. Rapidamente, para que todo o Egito não seja ferido. 600.000 homens adultos estavam entre os judeus que deixaram o Egito. A massa foi assada como Matza, pois eles não podiam esperar para o pão crescer. A permanência no Egito foi de 430 anos. D’us diz a Moshe e Aharon as regras da oferenda de Pessach: apenas escravos circuncidados, nenhum empregado, todo o povo, não levem para fora de casa, uma regra para o povo todo.

O Êxodo do Egito é uma crença central: que D’us molda a História judaica, com um yad chazaka e um braço estendido. Acreditamos num D’us todo-poderoso, que nos deu a Torá. Mas que, além disso, tem um plano. Ele interveio nos assuntos do Homem, trouxe-nos até Ele. A Mão de D’us na História tem sido muitas vezes (na verdade, na maioria das vezes) oculta da nossa vista. Para onde está Ele a guiar-nos? Como está Ele a guiar-nos?

Nós, a geração privilegiada, (Ah, que privilegiada!), nós, que voltámos à nossa Terra, somos realmente privilegiados, porque quando lemos sobre o Seu Yad Hachazaka e o Seu Zroa Netuya, a Sua mão forte e o Seu braço estendido, podemos testemunhar e afirmar que sim, que Ele guia o nosso povo, intervém na nossa História.

7ª aliá (13: 1-16) Ordens de D’us: todos os primogénitos  e animais do povo judeu serão Sagrados para Mim. Moshe diz ao povo: lembrai-vos deste dia, pois nele D’us tirou-vos da escravidão com Mão Forte. Quando vierdes para a terra de Israel, cumpri o seguinte: comei matza durante 7 dias, livrai a casa de chametz, dizei aos vossos filhos que foi por isso que D’us nos tirou do Egito. E amarrai isto como um sinal nos vossos braços e uma lembrança entre os vossos olhos. Cada animal primogénito é uma oferenda dedicada. Quando os vossos filhos perguntarem o que é isto, dizei-lhes que D’us nos tirou do Egito. Amarrai isso como um sinal nas vossas mãos e um guia entre os vossos olhos, pois D’us nos tirou com mão forte.

A história do Êxodo tem que ser lembrada nos seus detalhes através de Mitzvot, incluindo amarrar tefilin na mão, no nosso braço mais fraco (pois Ele é quem tem o braço forte), e nas nossas cabeças. Porque todas as nossas ações e todas as nossas aspirações, por toda a História, têm que ser guiadas por essa história do Seu amor, levando-nos a ser Seus amados.

Parashá da Semana

Bo

Pelo rabino Reuven Tradburks.

Ocorrem as pragas 8 e 9. Antes do dia 10, a morte do primogénito, são dadas as mitzvot de Korban Pesach e de Matza. O primogénito morre.  Os judeus são enviados para fora do Egito. São dadas Mitzvot para comemorar a importância do êxodo do Egito.

1a aliá (10:1-11): A oitava praga: gafanhotos. Moshe e Aharon vão ao Faraó: Haverá uma invasão de gafanhotos, que comerão toda a vegetação que ficou depois do granizo.  Vão-se embora. Os conselheiros do Faraó avisam-no de que o Egito está a caminho da destruição.  Moshe e Aharon são trazidos de volta. O Faraó diz: Vai e serve o teu De’s. Quem vai? Moshe responde: Jovens, velhos, homens, mulheres, animais. O Faraó recusa: Só homens. E os expulsa.

As pragas têm padrões. Um padrão nestas últimas pragas parece ser uma inversão da Criação. De volta à história da Criação: a luz é criada no dia 1. Os céus no dia 2. A terra e a vegetação no dia 3. Ao contrário, os gafanhotos comem toda a vegetação da terra. Chegam em enxames vindos do céu. Na escuridão, Moshe ergue a sua vara para o céu. E depois, não há luz. Como se o mundo do Egito estivesse a desfazer-se, de volta ao caos.

2ª aliá (10:12-23): O vento leste traz os gafanhotos. Escurecem a terra, comem toda a vegetação. O Faraó chama rapidamente Moshe e Aharon:  Pequei contra De’s, o vosso De’s. Rezem, para esta morte ser removida de mim.  Moshe reza. O vento traz os gafanhotos de volta ao mar. O Faraó não deixa sair o povo.  A 9ª praga: 3 dias de escuridão. Mas para os judeus há luz.

Embora não devamos ter um filho preferido, podemos ter uma praga preferida. As crianças gostam das rãs. A minha preferida é a escuridão. Pelo que diz sobre os judeus. Se está escuro no Egito por 3 dias – já agora, porquê 3 dias? Sobre nenhuma das outras pragas nos é dito quanto tempo duraram. Porquê a escuridão durou 3 dias?  Onde mais nesta  história surgem 3 dias? 

Moshe pediu ao Faraó que permitisse que os judeus viajassem 3 dias pelo deserto para servir a De’s. Se estiver escuro durante 3 dias – Perfeito! Saem, andam durante os 3 dias, e quando as luzes se acenderem, o povo judeu já estará junto ao mar. Porque não partiram sob a cobertura dos 3 dias de escuridão?

Porque esta história não é a história da marcha do povo judeu rumo à liberdade. Uma marcha para a liberdade teria um líder carismático, que reunisse o povo para lutarem contra as injustiças que lhes foram feitas, liderando um povo que anseia ganhar a sua liberdade.  Mas a história não é esta. Os judeus estão no Egito há 430 anos. Sem insurreição. Moshe tem 80 anos quando foi chamado para a sua missão – um pouco tarde na vida para liderar um povo.  Mas liderar o povo não é ideia dele; é-lhe imposta. Recusa-se. Moshe não é um líder carismático, um orador retórico suave, um mestre legislador. 

A história do Êxodo é a Sua história. Ele escolhe Moshe, contra a vontade do próprio, para ser o Seu peão. E repare nos judeus: podiam ter aderido logo – mas eles não são lutadores pela liberdade. Partem completamente pela vontade de De’s, não pela sua própria vontade. Quando tiveram a oportunidade de correr, não o fizeram. O líder relutante e os seguidores passivos só significam uma coisa: a sua redenção não foi um feito do povo, mas uma realização dEle.

3ª aliá (10:24-11:3): O Faraó chama Moshe: Ide servir a De’s, até mesmo os vossos bebés. Deixai só os animais para trás. Moshe responde: Precisamos de levá-los – não sabemos o que oferecer até chegarmos lá. Nunca mais me verás, ou morrerás. De’s diz a Moshe que depois da próxima praga vão ficar livres. E os egípcios vão equipar o povo com ouro e prata.

A justiça é um tema central da Torá. A injustiça da escravatura tem de ser corrigida – daí a promessa de que os egípcios darão ouro e prata, uma pequena compensação pela escravatura.

4ª aliá (11:4-12:20): Moshe conta ao Faraó sobre a praga iminente do primogénito. O teu povo vai implorar para que partamos. Moshe sai com raiva. De’s diz-lhe que o Faraó não vai ouvir. Moshe e Aharon recebem as instruções para o Korban Pesach: no dia 10do mês pegue um cordeiro para a família, guarde-o até dia 14, todo o povo judeu deve oferecê-lo, consumi-lo à noite, assado, com Matza e Maror, com o seu cajado na mão e sapatos nos pés. Entretanto, à meia-noite, vou atacar todos os primogénitos. Este dia e a sua celebração serão marcados eternamente. Durante 7 dias comam Matza; nenhum chametz deve ser comido durante 7 dias.

A Matza deve ser comida na noite do êxodo, antes da meia-noite. Mas eu pensava que comíamos Matza por causa da pressa do êxodo! E isso só acontece no dia seguinte. Rav Menachem Liebtag salienta que o seder na noite do êxodo é um jantar anti-Egipto. Os animais eram sagrados – assamos um. E o pão que sobe é um desenvolvimento egípcio. Todo o pão nestas partes do mundo é pão achatado – pitas, laffa. O pão em formas chiques é egípcio. Então, no seder no Egito – nenhum pão egípcio chique, apenas Matza.

5ª aliá (12:21-28): Moshe instrui as pessoas sobre Pesach, incluindo a marcação das portas com sangue. Não devem sair de casa naquela noite. Este feriado será cumprido para sempre; quando chegarem à terra, cumpram-no. Os vossos filhos perguntarão porquê; digam-lhes que é porque De’s passou sobre as nossas casas. As pessoas que ouvem estas instruções acedem e vão fazer exatamente o que De’s mandou a Moshe e a Aharon.

Imagine a fé necessária para seguir estas instruções. Ok, De’s prometeu que os egípcios primogénitos serão feridos no dia 15 à meia-noite. E com isso, vamos ser livres. Mas escravos a se prepararem descaradamente para abater os animais sagrados do Egito, não num dia, mas tomá-lo e guardá-lo por 4 dias, oferecê-lo e assá-lo? Porquê assá-lo em fogo aberto?  Não sei, estou a especular, mas não se pode esconder o cheiro de um churrasco. Toda a vizinhança o sente. Os judeus são ordenados a celebrar, sem vergonha, em plena exibição, queimando o que é sagrado para os egípcios, bem na sua cara – antes de serem libertados! 

E, para ampliar a confiança e a fé, saiba que vai cumprir isto para sempre. Antes do êxodo acontecer, já planeiam celebrá-lo para sempre. Isto é confiança. Fé. 

Quando Moshe instruiu o povo, as pessoas fizeram exatamente o que De’s mandou.  Uau!

6ª aliá (12:29-51): À meia-noite, todos os primogénitos do Egito morrem. O Faraó chama Moshe e Aharon e ordena-lhes que saiam para servir a De’s. Rapidamente, para todo o Egito não ser ferido. 600.000 homens adultos estavam entre os judeus que deixaram o Egito.  A massa foi assada como Matza, pois não podiam esperar que levedasse.  A estadia no Egito foi de 430 anos.  De’s diz a Moshe e Aharon as regras da oferta de Pesach: só escravos circuncidados, não empregados, todo o povo, não o tirem de casa, uma regra para todo o povo. 

O Êxodo do Egito é uma crença central: que De’s molda a história judaica, com uma yad chazaka e um braço estendido. Acreditamos num De’s todo-poderoso. Que nos deu a Torá. Mas que, além disso, tem um plano. Interveio nos assuntos do homem, trouxe-nos a Ele. A Mão de De’s na história tem sido demasiadas vezes, na verdade, obscurecida da nossa vista. Para onde nos está a levar, como é que Ele nos está a guiar? 

Nós, a geração privilegiada, (oh, quão privilegiada!) nós, que voltámos à nossa Terra, temos o verdadeiro privilégio de ler sobre a Sua Yad Hachazaka e o seu Zroa Netuya, a Sua mão forte e o Seu braço estendido – e podemos confirmar que, sim, afirmando que Ele guia sim o nosso povo, intervém sim na nossa história.

7ª aliá (13:1-16): De’s ordena: todos os primogénitos e animais do povo judeu serão sagrados para mim. Moshe diz ao povo: lembrai-vos deste dia, pois neste dia, De’s tirou-vos da escravidão com mão forte. Quando vierem à terra de Israel, cumpram o seguinte: comam matza durante 7 dias, libertem a casa de chametz, dizei aos vossos filhos que foi para isto que De’s nos tirou do Egito. E amarrá-lo-ás como um sinal no teu braço e como lembrança entre os teus olhos. Cada animal primogénito é uma oferta dedicada. Quando o teu filho te perguntar o que é isto, diz-lhe que De’s nos tirou do Egito. Prende isto como um sinal na tua mão e um guia entre os teus olhos, porque De’s nos tirou com mão forte. A história do Êxodo precisa de ser lembrada nos seus detalhes através de Mitzvot, incluindo colocar tefilin na mão, no nosso braço mais fraco, (pois Ele é quem tem o braço forte), e nas nossas cabeças. Porque todas as nossas ações e aspirações, para toda a História, precisam de ser guiadas por essa história do Seu amor, tomando-nos para sermos os Seus amados.

Rav Reuven Tradburks é o Diretor do Machon Milton, o curso de preparação para a conversão em inglês, uma parceria do Rabbinical Council of America (RCA) e da Shavei Israel. Rav Tradburks também é Diretor Regional para Israel da RCA. Antes da sua aliá, Rav Tradburks trabalhou durante 10 anos como Diretor do Tribunal de Conversão do Vaad Harabonim de Toronto, e foi rabino comunitário em Toronto e nos Estados Unidos.

Parashat Bo

Escuridão e luz

A Parasha Bo é uma das mais influentes e importantes das parshiot que lemos durante o ano. Ela conta-nos as três últimas pragas que De’s enviou ao Egito, incluindo a morte do primogénito. É aqui que recebemos os primeiros preceitos como comunidade e vemos a inclusão de «am rav», uma multidão de povos que decidem deixar o Egito juntamente com o povo de Israel.

A Parashá começa com De’s declarando a Moisés a razão pela qual as pragas atormentam o Egito: «Para que possas contar ao teu filho e ao filho do teu filho como Eu agi com o Egito e os sinais (as pragas) que Eu fiz entre eles, e saibam que fiz isso pelo povo de Israel» (Êxodo 10:2). A essência da educação é encontrada neste versículo; o relato da libertação da escravidão do Egito é o que forja a nossa identidade como povo e o que que devemos transmitir aos nossos filhos numa cadeia indestrutível, onde cada um de nós é um elo.

A educação é encontrada em cada uma das ações desta Parashá ou na sua ausência; se a luz simboliza tudo o que queremos que as novas gerações recebam, a escuridão que assola o Egito deixa-nos com ensinamentos profundos. A nona praga tem um efeito muito importante para a história e também para as gerações futuras: «Eles não se viram e ninguém se levantou do lugar por três dias, enquanto todos os israelitas tinham luz nas suas casas». (Êxodo 10:23) A Torá conta-nos a penúltima praga em três versos concisos. Nada conta sobre a reação dos mágicos egípcios, como nas pragas anteriores. Sabemos apenas que será uma escuridão que durará três dias e que poderá «ser tocada» (10:21); enquanto os egípcios estão paralisados, os israelitas «têm luz nas suas casas».

Que tipo de escuridão é essa que faz parar uma sociedade inteira, e como os membros do povo de Israel ficaram livres dos efeitos dela?

É pelos midrashim que sabemos que as trevas tinham as características da cegueira; era um facto único, uma manifestação real que atinge o coração da experiência humana.

A escuridão está associada ao temor, ao medo profundo pela falta de luz e pelo que nos pode acontecer na escuridão da noite. Muito mais neste caso, se pensarmos numa escuridão da qual não conhecemos a origem e que dura dias. A falta de luz é um símbolo do caos que existia antes da Criação. As primeiras palavras de De’s foram «Haja luz». A escuridão do Egito traz consigo o medo do caos e da destruição. Os egípcios testemunharam o declínio do seu mundo e dos valores que o sustentaram.

Para outros comentaristas, a escuridão não era física, mas psicológica, espiritual. «Melancolia» vem da palavra grega que significa «estado de ânimo negro». De acordo com essa explicação, o que os egípcios sofreram foi uma depressão social, aqueles três dias negros vividos em pânico e desolação. O rabino Yitzchak Meir Alter escreveu que a escuridão é maior quando não podemos ver o vizinho ou partilhar da sua dor, nem ele o pode fazer connosco. O resultado dessa escuridão é isolamento e alienação.

O contraste com o povo de Israel não poderia ser maior: Enquanto os egípcios viviam o seu declínio, o povo de Israel estava a nascer e reuniu-se em comunidade para receber de De’s os preceitos que celebram a sua liberdade. Eles foram redimidos na primavera e assemelham-se a esta estação em que as plantas renascem mas os frutos ainda não são vistos, assim como o povo de Israel, que brotou com a liberdade, mas a recepção da Torá e o facto de viver na Terra de Israel é que farão amadurecer os seus frutos.

É através da educação das novas gerações que podemos continuar com a luz que o povo de Israel obteve na redenção e que nos permitirá lutar como povo contra o obscurantismo da ignorância e contra as depressões que assolam o modo de vida ocidental.

Parashat Bo

Parashat Bo

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

A conceção de De’s do faraó

Moisés apresenta-se perante o faraó e diz-lhe que Hashem, Eloke Israel o enviou, porque sabe que o faraó não iria perceber se ele dissesse somente Hashem.

O faraó entende que força (Elokim) é que os judeus chamam Hashem.

O faraó disse: “Quem é o Eterno para que eu o escute e envie Israel? Não conheço o Eterno, nem deixarei sair Israel”. Quer dizer, ele recusa três coisas: 1) Que De’s existe 2) Que De’s fala e 3) Que temos que servir a De’s.

Moisés diz-lhe que é obrigatório servir Hashem nosso De’s, e diz-lhe também que se não o servirem, De’s pode zangar-se com eles.

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