Bnei Anussim – Passado e Presente

Bnei Anussim – Passado e Presente

O Centro Maani da Shavei Israel acolheu a fascinante palestra intitulada “Bnei Anusim, Passado e Presente”, pela nossa querida Edith Blaustein. É importante que, tanto a nível pessoal quanto nacional, não esqueçamos o passado do povo judeu; vamos aprender com ele para moldar o presente e, assim, moldar o nosso futuro.

‘Anussim’, plural para ‘anuss’, que significa ‘os forçados’ são os judeus que foram forçados a abandonar a Lei Judaica contra a sua vontade. É o termo legal rabínico aplicado a um judeu que foi forçado a abandonar o judaísmo contra a sua vontade e que faz tudo ao seu alcance para continuar praticando o judaísmo sob a condição de coerção. É normalmente aplicado aos judeus ocultos na era da Inquisição espanhola (mais comumente – e negativamente – referidos como ‘Marranos’).

O termo é derivado da expressão utilizada no Talmud, “aberrá be’ones” [Avoda Zara 54a]:

“Certamente, quando se trata de linhagem, todo o povo de Israel são irmãos. Somos todos filhos de um mesmo pai, os rebeldes (reshaim) e criminosos, os hereges (meshumadim), os forçados (anussim), e os prosélitos (guerim) que estão ligados à casa de Jacob. Todos esses são israelitas. Mesmo que eles tenham deixado De’s ou rejeitado-O, ou violado a Sua Lei, o jugo da Lei ainda está sobre os seus ombros e nunca será levantado.”

 

Veja a gravação da conferência (Em espanhol):

O projeto de identidade judaica

O projeto de identidade judaica

The Jewish Identity Project: New American Photography” de Susan Chevlowe (2005) é um belo livro fotográfico para pôr na mesinha de café. Apresentando dez projetos fotográficos e de vídeo de artistas emergentes e em meados de carreira, todos encomendados pelo Museu Judaico, o livro apresenta uma série de discussões provocativas sobre a natureza da identidade judaica na América do século XXI. A autora, Susan Chevlowe, discute como os artistas exploram comunidades individuais para dissipar estereótipos da vida judaica contemporânea, e o colaborador Ilan Stavans disseca a diversidade dos judeus americanos no último século. Em luminosas entrevistas com os artistas, a colaboradora Joanna Lindenbaum fornece perspetivas sobre suas ideias e métodos.

Jaime Permuth escreveu ‘A Conversão de Carmen’ (2003), uma seção sobre Carmen Maria (Esther) Rodriguez, que é amiga de Shavei Israel. Originalmente de Cuba e agora morando nos Estados Unidos, ela partilhou recentemente sua história de conversão connosco.

A história de Carmen é contada através de fotos no livro. Embora o livro esteja fora de catálogo, Carmen deu generosamente à Shavei algumas cópias para ter no escritório, para as pessoas usufruirem delas.

Algumas citações de Carmen no livro destacam-se particularmente: “Um homem disse-me recentemente que eu provavelmente estava no Sinai. O que significa que eu também era uma alma judia naquela época.” E, “o que meus antepassados fizeram foi sobreviver espiritualmente, saindo da Espanha para não cortar seu vínculo eterno com a Magnificência confiada aos judeus no Sinai”.

Carmen dedicou um vitral em uma sinagoga aos sobreviventes do Holocausto que conheceu. Nele, diz: “Para Irene e Martin Staub, sobreviventes do Holocausto, de uma filha de judeus que fugiram da Inquisição, tudo pela nossa Amada Torá.”

Primeira cerimónia de acendimento das velas de Chanuka no Palácio da Inquisição, na Cidade do México

Primeira cerimónia de acendimento das velas de Chanuka no Palácio da Inquisição, na Cidade do México

A Shavei Israel organizou uma cerimónia histórica de acendimento de velas de Chanucá no Palácio da Inquisição, levando luz a um edifício que simbolizou a escuridão durante séculos.

O evento, que foi organizado em conjunto com a comunidade judaica Beit Moshe na Cidade do México, ganhou ainda mais força devido à participação dos Bnei Anussim (que os historiadores designam pelo termo pejorativo marranos), pessoas cujos antepassados judeus foram obrigados a se converter ao catolicismo há mais de cinco séculos, mas continuaram a praticar o judaísmo em segredo ao longo das gerações.

O rabino Michael Freund, fundador e presidente da Shavei Israel, liderou a cerimónia de acendimento das velas de Chanucá. Entre os participantes estavam o rabino Yitzhak Abud, da Cidade do México, Moshe Rivera Reyes, presidente da comunidade Beit Moshe, e Aaron Francisco Javier Perez, líder da comunidade.

O Palácio da Inquisição foi durante muito tempo um símbolo do controlo da Igreja Católica sobre a colónia espanhola do México, então conhecida como Nova Espanha. Abrigou a filial local do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, fundado em Espanha, que funcionou de 1571 a 1820 e é conhecido por ter perseguido centenas de pessoas por praticarem secretamente o judaísmo, muitas das quais tendo sido torturadas e executadas. A maioria das vítimas no México eram descendentes de judeus convertidos à força em Espanha e Portugal que fugiram das inquisições desses países.

O edifício abrigou mais tarde uma universidade e agora é um museu.

“Séculos depois de o Palácio da Inquisição ter sido usado na tentativa de extinguir a luz de Israel, viemos aqui para mostrar que a chama do judaísmo nunca pode ser extinta”, disse Freund. “Durante séculos, os judeus foram torturados pelos fanáticos da Inquisição, e muitos foram queimados na fogueira por praticarem secretamente o judaísmo. Onde antes governava a escuridão da Inquisição, agora prevalece a luz de nossas velas de Chanucá”.

Começando com a sua criação em 2010 com 70 membros, a comunidade Beit Moshe da Cidade do México reconectou-se com o judaísmo e a tradição judaica. Tem uma sinagoga, um rolo de Torá e uma mikveh (banho ritual). Os emissários da Shavei Israel atendem a comunidade desde 2018, fornecendo orientação sobre questões relacionadas à vida judaica e ajudando os membros a recuperar a sua identidade judaica perdida.

Veja as fotos do evento abaixo. Crédito da foto: ENLACE JUDÍO, Cortesia de Shavei Israel.

Descendentes de judeus portugueses e espanhóis podem pedir certidão sefardita

Descendentes de judeus portugueses e espanhóis podem pedir certidão sefardita

Artigo original da publicação guiame. Pode ler o artigo completo aqui

Os descendentes de comunidades judaicas espanholas e portuguesas, cujos ancestrais foram convertidos à força a partir do século XIV, agora podem solicitar um “Certificado de Ancestralidade Sefardita”.

As pesquisas acadêmicas e genéticas recentes mostraram que essas pessoas, principalmente na América Latina, América do Norte e Europa, têm “ascendência judaica significativa” que remonta à época da Inquisição nos dois países europeus.

A iniciativa foi lançada pelo Instituto de Experiência Judaica da Federação Sefardita Americana (ASF IJE), Reconectar, uma organização dedicada a ajudar os descendentes de comunidades judaicas espanholas e portuguesas a se reconectarem com o povo judeu.

A autora premiada, pesquisadora e genealogista Genie Milgrom conseguiu documentar completamente sua linhagem materna ininterrupta de 22 gerações, desde 1405 até a Espanha e Portugal pré-Inquisição.

Ela também está liderando o trabalho para digitalizar os registros da Inquisição que fornecem uma grande quantidade de informações genealógicas para aqueles que procuram descobrir suas possíveis raízes judaicas.

Estas e outras informações no site da certificação ajudarão os descendentes, também conhecidos como Anussim, Marranos, Conversos ou Cripto-Judeus, a descobrir sua herança.

Destaque para os nossos voluntários: Rachael Spero

Destaque para os nossos voluntários: Rachael Spero

Rachael Spero é de Cleveland, Ohio, e passou 15 anos morando na cidade de Nova Iorque. Frequentou escolas judaicas durante o ensino médio e continuou sua educação judaica na faculdade. Formou-se em arte e desenho gráfico na Yeshiva University e continuou estudando terapia ocupacional na Columbia University. Recentemente fez Aliyah para Israel e está muito feliz por fazer parte da mudança na história do judaismo.

Desde o ensino médio, e apesar de suas fortes raízes asquenazitas, Rachael sempre foi fascinada pela história judaica sefardita e viajou literalmente pelo mundo para aprender mais em primeira mão.

De facto, Rachael já esteve numa das nossas comunidades judaicas emergentes na América do Sul. Veja aqui: https://casadosanussim.shavei.org/um-novo-espaco-judaico-na-guatemala/

Estamos muito felizes que Rachael tenha decidido nos dar um pouco de seu tempo para ajudar em alguns de nossos muitos projetos, e estamos ansiosos por trabalhar com ela. 

Também queremos dar-lhe os parabéns pela aliá a Israel!