Shavei Israel patrocina o primeiro Seder de Pessach público que acontece na ilha da Madeira em Portugal

Brian Blum
21/03/2013

Marvin e Danby Meital

Em apenas uma semana, em uma ilha isolada no Oceano Atlântico, a cerca de 600 milhas do continente europeu e 300 milhas do continente africano, acontecerá um incomum Seder de Pessach. Treze judeus, muitos destes Bnei Anussim, se reunirão em Funchal, capital do arquipélago de Madeira, para celebrar o êxodo do Egito. Será o primeiro seder público ao longo de cinco séculos, em uma região que já teve uma grande população judaica, até a Inquisição chegar, até mesmo, neste local tão remoto, longe do continente.

O Seder de Madeira é uma iniciativa de Danby e Meital Marvin, um casal americano-israelense que possuem um grande interesse na história cripto-judaica. E é patrocinado pela Shavei Israel, que fornece os recursos para tornar o seder possível.

Marvin Meital, originalmente de Boston, se apaixonou pelos portugueses desde veio, ainda jovem, a Israel em um programa de um ano em 1958. Teve a opção de dormir com outros americanos do curso ou com um grupo da América do Sul. Pensou que aprenderia mais o hebraico se estivesse com pessoas que não falavam Inglês. E então, eventualmente, se apaixonou pela língua. Ele continuou a ensinar literatura e língua Portuguesa na Universidade de Wisconsin, e depois de fazer aliá, em 1974, também começou a ensinar na Universidade Hebraica de Jerusalém. Os Meital foram, também, enviados várias vezes ao Brasil, como representantes da Agência Judaica.

Marvin e Danby tiveram uma conexão com a comunidade de Bnei Anussim há vários anos, quando o casal foi convidado para Palma de Mallorca na Espanha, para liderar um Seder em grupo para alguns chuetas (Marvin, por sua vez, é um chazan profissional). Este ano, os Meital quiseram reviver a experiência e se atentaram a população da Ilha da Madeira, um popular resort que recebe milhões de turistas durante o ano e é uma importante parada para os navios, comerciais e de cruzeiros.

Mas não tinham convidados. E então, eles contataram o emissário da Shavei Israel para os Bnei Anussim de Portugal, o Rabino Elisha Salas. “Nós perguntamos a ele se conhecia qualquer judeu na Madeira”, diz Marvin. O Rabino Salas disse que conhecia uma convidada perfeita para a mesa do Seder da família Meital: uma descendente de Anussim, que estudou com ele em Belmonte. Ela imediatamente aceitou o convite e confirmou presença, juntamente com seus três filhos. Ela, então, recomendou uma outra família, e esta, recomendou outra. “Foi como uma bola de neve”, diz Marvin.

Os Meital alugaram um hotel com cozinha própria. Os gerentes foram muito simpáticos e “nos deram um quarto com talheres e panelas novas, cadeiras extras para os nossos convidados”, disse Marvin. “Trouxemos a matsá e o vinho de Israel, e todos os produtos são de plástico. Quando chegarmos compraremos os frutos e legumes”. Não há nada kosher na ilha.

A Shavei Israel não só ajudou financeiramente, mas também está oferecendo aos participantes uma bela Hagada para o Seder (livro para acompanhar o ritual) de couro forrado, em Hebraico, Português e com a fonética. Os Meital também trouxeram outras Haggadot provenientes de suas estadias no Brasil.

Enquanto Madeira não tem uma verdadeira comunidade judaica hoje, há vestígios de um passado judaico mais recente.

Madeira no círculo, Portugal em verde

Atraídos pela riqueza da cidade e os benefícios naturais, os judeus marroquinos chegaram em 1819 e se estabeleceram principalmente com o negócio de roupas. Mais pessoas chegaram como refugiados durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Uma sinagoga foi construída em 1836, mas fechou faz bastante tempo e hoje no local está uma lavandaria e um café. Há um cemitério judaico que data de 1861, mas este tem-se deteriorado muito e alguns túmulos têm, até mesmo, caído no mar.

Assim como o passado próspero de Madeira, os convidados dos Meital tem suas próprias histórias impressionantes. Danby Meital conta que participará da cêrimonia, um magnata da navegação fluvial, um cartógrafo, um executivo da indústria de alimentos e um homem que estuda Cabala ativamente “mas não admite ser judeu”.

Com um grupo tão diverso, Marvin espera que a discussão em torno da mesa seja bem viva. A narrativa do Êxodo – que visa reviver “em cada geração” a transformação física e espiritual da escravidão para a gloriosa liberdade é extremamente relevante na descoberta dos Bnei Anussim de hoje.

“O Pessach é a noite de perguntas”, diz Marvin. “É o momento de perguntar. Quando qualquer questão é permitida e tudo é novo. Perguntamos, por que esta noite é diferente de todas as outras? Há um ponto de grande admiração aqui. ”

Uma descrição apropriada aos 13 participantes do primeiro seder que ocorre em meio milênio, na Madeira!

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