Rotina e Estrada

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Bamidbar

 

 

A Boa Rotina

Muitas pessoas temem sair da rotina. Constroem a sua volta um mundo repleto de paredes intransponíveis, que lhes permite viver uma vida tranquila, sem a necessidade de repensar seus princípios, sem ter de lutar contra os possíveis adversários que possam surgir. Em sua rotina preparam todo o necessário para superar os possíveis perigos sem esforços exagerados que desgastem seus recursos.

Sem dúvida, existem muitas vantagens neste tipo de vida tranquila, que permite concentrar as forças em desenvolver a criatividade, ao invés de desperdiçá-las, repelindo inconvenientes. Quando vivemos uma vida tranquila e pacífica, podemos nos dedicar ao que realmente queremos, sem ter que preocupar-nos com a extinção de incêndios inesperados.

Quando a vida é bem planejada, temos tempo para um estudo mais profundo da Torá, examinando cada item e detalhe separadamente, com suas condições e desvantagens sem misturar um com o outro, um estudo de laboratório.

 

 

A saída do Castelo

O problema começa quando saimos deste castelo, seja porque caíram as muralhas ou pois não foram o suficiente para repelir os perigos. E, então, devemos direcionar nossos caminhos para um lugar melhor. De repente, percebemos que nossas rotinas foram alteradas e, não podemos mais, seguir nossas vidas como planejado inicialmente.

Isso não significa que a nossa educação haja sido pobre, e nem que as lições não foram devidamente registradas em nossa personalidade. Em absoluto. Somos humanos, e isso significa, entre outras coisas, que podemos esquecer, nos cansar, nos distrair e perder a direção e o norte. E é precisamente por isso que são tão importantes as rotinas adequadas.

Por esta razão é tão perigoso perder a direção na estrada. Perdemos uma muralha e ainda não alcançamos umbusinessmanwalkingdownroad2a outra cidade muralhada. Anteriormente haviam ladrões que lançavam contra as caravanas, ou animais ferozes à espreita na vegetação rasteira esperando para pôr em perigo os pedestres.

 

 

Estradas Intelectuais

Isto também se reflete nos caminhos intelectuais e espirituais. Enquanto estamos envolvidos por paredes de conhecimento sólido e coerente, podemos nos desenvolver em silêncio, devagar e calmamente, como deveria ser.

Até uma parede cair ou sermos forçados a sair ao ar livre. E, então, nosso mundo intelectual ou espiritual é colocado em sério risco.

A rotina dos últimos séculos entrou em colapso. Embarcamos em uma viagem para o desconhecido.

As novas descobertas: primeiro a televisão e em seguida, a Internet; a globalização; a perda de privacidade; a exposição a idéias estrangeiras; imagens que penetram sem aviso prévio ou permissão em nossa privacidade; e etc. Isto tudo faz com que nossas muralhas desmoronem e, qualquer tipo de rotina positiva, seja seriamente alterada.

 

 

Instruções para a Estrada

Para isso temos instruções que nos ajudam a enfrentar os perigos da estrada. Do mesmo modo que, antigamente, saía-se armado para as viagens – especialmente aquelas realizadas a noite – se contratava um bom guia que conhecesse o caminho a se enfrentar e localizavam com antecedência uma fonte de água limpa para caso necessitassem refrescar-se. Do nosso jeito, mais moderno, também levamos um bom guia conosco para nos mostrar as fontes da vida, e que nos fornece orientação e incentivo. Devemos também conhecer as novas armas que nos permitem uma defesa eficaz. E devemos aprender a usá-las corretamente.

O livro de Bamidbar se trata do livro da estrada. Neste livro consta, por vezes de maneira encriptada – como é habitual nos livros da Torá – estas precisas instruções. Ele fornece as ferramentas e armas necessárias para percorrer o caminho sem medo. Nosso guia para chegar ao nosso destino sem sofrer danos desnecessários.

 

 

“Truques” Vitais

Já no livro de Gênesis, aprendemos do nosso patriarca Yaacov uma primeira orientação a se ter em consideração antes de sair ao desconhecido. No capítulo 28, ele deixou sua casa, fugindo do seu irmão, e ao despertar de um sonho profético se armou com uma promessa que lhe ajudaria a superar os perigos da estrada e de sua permanência no exterior.

Yaacov era somente uma pessoa, e estava bem preparado para enfrentar os perigos, mas não faltaram problemas. Quando se trata de uma população inteira, ou quando se trata de uma pessoa menos preparada, é evidente que a preparação deverá ser mais trabalhosa.

Na porção da Torá de Bamidbar aprendemos as primeiras lições. Em primeiro lugar, um censo. Um bom alpinista sabe que objetos tem guardado e sabe exatamente aonde estão, para que seja capaz de encontrar tudo o que precisar sem ter que perder tempo buscando. Cada coisa possui seu lugar e este lugar é acessível, e assim, sou capaz de encontrá-lo cegamente, mesmo sob estresse. Existem suficientes peças de reposição e estão em boas condições.

 
O Acampamento e suas Qualidades

A distribuição bem ordenada em um acampamento permite que o general saiba como usar suas tropas em caso de perigo. Pois cada um possui suas qualidades, únicas e específicas  e, geralmente, conhece e é capaz de usá-las no momento certo: um é um bom atirador, outro é um especialista em tecnologias e outro tem uma força física incomparável. Cada um com sua ‘segulá’, seu tesouro, sua capacidade específica. Não são as mesmas capacidades que possuem as tribos de Dan ,Yehuda ou Naftali. Cada um tem a sua missão no acampamento e o lugar aonde é possível desempenhar seu papel com o máximo de precisão.

E no centro do acampamento estavam os levitas, que substituíram os primogênitos para executar a função mais importante: cuidar do tesouro dos tesouros e transportá-lo corretamente com sua cobertura. É o tesouro espiritual, o contato direto com o Criador, que deve ser mantido em uma proteção adequada em tempos normais e mais ainda em tempos conturbados.

O livro de Bamidbar nos proporcionará mais detalhes, mais e mais truques vitais que nos permitam atravessar o deserto árido e enfrentar o perigo que nos ameaça. Em cada palavra e expressão estão os detalhes, em quase todas as letras que enriquecem o contexto e adicionam uma nova visão, um subtópico que será muito útil, e muitas vezes vital, em nosso caminho.

3 thoughts on “Rotina e Estrada

  • June 10, 2016 at 1:56 am
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    Shalom,Fiquei muito feliz com estas instruções.

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  • June 10, 2016 at 8:19 pm
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    Costumo fazer críticas à política , estilo de abordagem de vida dos israelense , mas , tenho profundo respeito pela dedicação e integridade que ” Israel ” ( povo ) assume , ao se integrarem e se focarem em um modo de dedicação frontal e forte … em relação ao que acreditam de sua história humana e transcendental !

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  • June 11, 2016 at 12:33 pm
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    Boker tov!
    Obrigado pela instrução…
    Shalom…

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