Pessach 5773 com a comunidade de Belmonte

Portugal, “Serra da Estrela” … Sonhos em verde, verde úmido de musgos e líquenes … Belmonte!

 

Chegando a Sinagoga
Chegando a Sinagoga

O povo de Belmonte sabe muito bem como chegar na Sinagoga. “Para cima, para cima, do Castillo”, indicam. A Sinagoga da Comunidade Judaica de Belmonte está localizada em um charmoso bairro antigo de ruas estreitas de paralelepípedos. Uma grande porta vermelha com sua grande inscrição em hebraico, dão as boas vindas a Sinagoga “Bet Eliahu”.

 

A Sinagoga é bonita, espaçosa, de madeira. As orações são feitas com entusiasmo, com picos de intensidade emocional espontânea. O Seder Comunitário de Pessach é familiar, simples, cativante. No jantar, tivemos um saboroso caldo verde caseiro e um guisado de carneiro, que as mulheres da comunidade tinham feito com paciência e dedicação, orgulhosas de poderem preparar o Seder de Pessach compartilhado da comunidade.

A Comunidade de Belmonte é uma família, mas não apenas no sentido espiritual, como normalmente são em outras comunidades judaicas. Esta comunidade é uma autêntica família biológica em que a árvore genealógica se completa com meia dúzia de nomes. Todos os membros são primos ou tios ou filhos ou irmãos, ou sogras ou cunhados ou genros … Assim o judaísmo permaneceu intacto durante séculos, mesmo quando os judeus de Portugal foram forçados a se converter ao cristianismo. Os judeus de Belmonte, como “cristãos-novos”, acabaram ilhados na bela “Serra da Estrela” e seguiram fielmente a sua tradição e seus casamentos arranjados apenas com os membros de sua própria família. Caminhando por entre as cadeiras da sinagoga podem ser lidos, repetidos sobrenomes: Morão, Henriques Vaz, Diogo Nunes, Mendes, Rodrigo, …. Estiveram socialmente identificados, mas não foram maltratados, conviveram, mas não se misturaram com os outros ao seu redor. Sempre comemoraram o Yom Kippur, o jejum de Ester, Purim, o Pessach, calculando as datas pela lua.

A comunidade judaica de Belmonte, como tal, foi criada em 1975, e consistia em cerca de 180 pessoas. Um par de anos Tefilámais tarde, com a intervenção decisiva do embaixador de Israel em Portugal, puderam fazer o retorno formal ao judaísmo com os devidos procedimentos, como as circuncisões, Mikva’ot, casamentos …. Hoje, existem cerca de metade do número inicial, muitos morreram e outros já fizeram Aliyah para Israel.

A Reza
A Reza

A Comunidade teve dois rabinos antes de seu rabino atual, o rabino Elisha Salas, que há tempos é responsável pela comunidade, como enviado da Shavei Israel. Nos serviços da Tefillah (reza), o rabino Elisha “abençoa” todo o homem que “pelo amor à D’us, amor à Festa de Pessach e amor à sua comunidade” colaborou em permitir que a leitura da Torah pudesse ocorrer. E neste “abençoar” inclui também sua esposa, filhos, netos … desejando inteligência, saúde, parnassah (sustento) … E abençoa os jovens que pretendem estudar em Israel, para que o Senhor o ajude a encontrar sua esposa lá, para que possam criar um novo lar judaico e construir a casa de Israel. Também deseja que o Senhor lhes conceda sabedoria em seus estudos e se tornem grandes eruditos. Para aqueles que já decidiram que querem fazer Aliyah para Eretz Israel, deseja uma fácil absorção e Shalom, e que com alegria possa se encontrar com todos os seus irmãos judeus lá.

O Rabino Salas abençoa com uma força concentrada. E todos os homens buscam a sua bênção. Embora o rabino não possua algum dos nomes da Comunidade, ganhou sua inclusão na família. Ele é um entre eles e, portanto, se é necessário discordar ou discutir com ele, também é feito. E ele ama sua comunidade e os atrai para a Torá com um amor sincero, humildade e paciência.

A Luz das Estrelas
A Luz das Estrelas

O mesmo rabino Elisha faz a necessária shechita de animais, que tão felizes e saudáveis vivem lá. Assim, a Comunidade está sempre abastecida de boa carne. Ele mesmo é quem vai fazer a chalá com o padeiro. Assim, as famílias podem dispor de Chalot artesanais para honrar o Shabat. Ele também supervisiona a kashrut de vários produtos regionais (óleo, queijo, vinho,..). Visita as aldeias vestido como um rabino, e assim aproximam-se pessoas que respeitam o Judaísmo ou que acreditam que seus ancestrais eram judeus, e é bem conhecido por lá, intervindo até mesmo em questões de Hasbara (Defesa de Israel) nas mídias sociais.

A Comunidade de Belmonte tem seu próprio cemitério. Está abastecida de produtos básicos kosher, e cresceu em ensinamentos da Torá. Parece uma estufa de judaísmo ancestral, localizado naquele lugar, tão bonito. Uma estufa que, pouco a pouco, está fazendo Aliyah para Eretz Israel, a terra dos judeus.

No Seder da segunda noite de Pessach, nos comentaram que no dia seguinte eles estariam comemorando o Chol Hamoed no “Campo” todos juntos, seguindo um belo costume da Comunidade. E nós fomos convidados a ir com eles. A todo O campomomento nos diziam,

O campo
O campo

sempre com um sorriso largo e uma grande ilusão. Assim, adiamos em um dia a partida de Belmonte e compartilhamos com eles o piquenique. Íamos nos reunindo aos poucos em uma grande área de lanches, a poucos quilómetros de Belmonte. Cada família sentava em suas mesas com toldos para proteger da chuva que ameaçava e muita comida, bebida e diversão. O Rabino Elisha Salas trouxe a carne que ele mesmo fez a Shechita e a a kosherização. O churrasco era preparado e repartido com muito amor entre todos. Os homens se reuniam em mesas para brincar de cartas. Jovens jogavam futebol, meninas jogavam jogos de tabuleiro. As mulheres falavam em voz baixa. E os anciões recordavam muitos momentos felizes que passaram nesta festa, como nos foi dito, que, também, tradicionalmente nesta, que eram realizados os votos de casamento.

É hora de partir! Tivemos um adeus difícil. Em três dias foi criado um imenso amor e eles tinha entrado em nossos corações. Com o declínio da tarde, dissemos lentamente adeus a cada família, com lágrimas nos olhos, com os nossos melhores desejos e nossos mais calorosos e sinceros abraços. Sabíamos que a maioria já não voltaríamos a ver e sabíamos que suas lembranças para sempre nos acompanhariam. Sabemos que somos irmãos e, juntos, todos nós somos o povo de Israel!

Que Hashem continue os abençoando, pois são um autêntico milagre vivo e a prova de que D’us nunca abandona o seu povo, uma prova de que Sua providência enche toda a terra, também as montanhas verdes de musgo e líquen, porque o seu amor é particular a cada um de Seus filhos.

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