Perfil Shavei Israel: Fabian Spagnoli – uma questão de identidade leva de volta para casa, para Israel

03/06/2013

Fabian-Spagnoli-203x300Fabian Spagnoli não sabe por que o homem da pequena loja na Espanha disse isso. Spagnoli tinha ido comprar um cobertor novo para sua cama. O homem na loja olhou para ele e disse direto: “Você é judeu.” Spagnoli e o lojista começaram a conversar e os dois se tornaram grandes amigos. O lojista, que era judeu, começou a ensinar Spagnoli coisas sobre judaísmo, sinagoga e oração. “A vida é um mistério”, diz Spagnoli. “É um equilíbrio entre nossas vontades pessoais e o que D’s quer. Claramente, estava escrito que este homem tinha que me dizer isso. É algo que não é lógico. Além do materialismo.”

Seja qual foi o motivo, o resultado deste “curioso” encontro tem sido uma grande mudança de vida para Spagnoli, que no início deste ano mudou-se para Israel com sua esposa e sua filha de 10 anos. Spagnoli, 50 anos, está agora explorando suas raízes como parte dos Bnei Anussim (um descendente de judeus que foram convertidos à força ao catolicismo, cerca de 500 anos atrás, e que são muitas vezes referidos pelos historiadores pelo nome depreciativo de ‘Marranos’) no Machon Miriam Instituto de Shavei Israel para Conversão e Retorno.

Spagnoli já se sentia um peixe fora d’água muito antes do incidente do cobertor. Nascido na Argentina, sua família emigrou para a América do Sul da Suíça após a Segunda Guerra Mundial. Mas o avô de Spagnoli não era de lá também, ele nasceu na Itália e seu nome – Spagnoli – significa “povo da Espanha” em italiano.

 

“Eu tinha um problema de identidade real”, Spagnoli admite. “Quando eu tinha 15 anos, eu costumava me perguntar: quem sou eu? Quem são meus ancestrais? Eu não me sentia totalmente argentino já que costumava viajar a cada verão para a Suíça para visitar meus parentes que ainda estavam lá. ”

Para tornar as coisas ainda mais complicadas, o pai de Spagnoli, embora não descrevendo-se um judeu, revelou uma história da família: a razão pela qual os Spagnolis – “pessoas da Espanha” – estavam na Itália, era em primeiro lugar porque eles eram judeus que haviam fugido da Inquisição. O jovem Spagnoli ficou completamente confuso!

Após o colegial, Spagnoli viajou pela Europa à procura de um lugar de conexão, mas acabou por regressar à Argentina para estudar Direito. Foi lá que ele conheceu sua esposa. Em 2001, porém, a crise econômica na Argentina enviou os Spagnolis para sua própria diáspora pessoal. “Minha esposa estava grávida e perdi meu emprego. A empresa fechou.”, diz ele. Decidiram, então, se estabelecer na Itália, na pequena cidade de Perugia, cidade natal de seu avô. Abriram uma hospedaria com cama e café-da-manhã e assim Spagnoli se sentiu finalmente à vontade. Mas não era para durar!

As palavras de seu pai e do lojista espanhol continuam a reverberar. Ele sabia que era judeu. “Na Itália, todos os escritórios públicos e escolas tem uma cruz”, diz ele. “Eu não queria viver em uma cultura católica. O fogo dentro de mim ainda estava queimando.”

Ainda na Itália, Spagnoli conheceu a Shavei Israel através da Internet. Ele começou a participar de seminários para Bnei Anussim (ele viajaria até a Espanha, uma vez que a Shavei ainda não tinha começado o seu trabalho no sul da Itália).

Sua convicção era cada vez mais forte. Sua jornada o levou a se casar com uma mulher judia. E o seu passado não era de Bnei Anussim ou oculto como o dele: ela cresceu em uma área judaica de Buenos Aires e seu pai, um imigrante da Ucrânia, era membro completo da comunidade judaica de lá. Como resultado, os Spagnolis eram legalmente elegíveis para fazer aliá sob a Lei do Retorno do Estado de Israel.

“Essa é a magia da vida”, diz Spagnoli. “Primeiro, eu estou em um seminário para Bnei Anussim em Barcelona, e agora estamos aqui em Israel. Há uma parte da vida que nós mesmos podemos gerenciar e outra parte que está além de nós. Pode chamar de destino … Eu não gostava desta palavra. Mas, agora, estando aqui, acho que poderia ser isso. ”

A esposa e a filha de Spagnoli já estão em Israel há três anos, mas Spagnoli ficou na Itália para cuidar de seu pai doente, que também se mudou para a cidade de sua família. Quando o pai de Spagnoli faleceu no ano passado, seu filho finalmente foi capaz de fazer aliá.

Spagnoli agora participa das novas aulas de língua italiana no Machon Miriam em Jerusalém ministradas pelo mais novo emissário da Shavei Israel, o rabino Pinchas Punturello. E já encontrou trabalho em uma operadora de viagens que se aproveita de sua proficiência em espanhol e italiano para o trabalho. (A esposa de Spagnoli também trabalha lá).

“Foi um desafio contar aos amigos na Itália que eu estava vindo para cá”, ele confessa. “Eles disseram -, há uma série de problemas em Israel”. Spagnoli aproveita esta falta de conhecimento sobre o Oriente Médio para “explicar às pessoas como aqui realmente é” e por vezes faz a função de comentarista em Israel em vários programas de rádio transmitidos na Argentina. Seu sonho é ainda maior. “Eu gostaria de ajudar a abrir um canal de notícias 24 horas, como a CNN, saindo de Israel”, diz ele.

Neste meio tempo, ele diz estar muito satisfeito com a decisão que tomou de vir para cá. E ele está particularmente satisfeito que sua filha está crescendo em um ambiente israelense ao invés de “uma cultura não-judaica na Europa.” Em última análise, ele acrescenta, “não há nenhum outro lugar para ir”.

Ainda assim, Spagnoli não tem ilusões. “Agora que estamos em Israel, a parte romântica da história, o flerte e o namoro, acabaram. Eu vou trabalhar e tomo o ônibus como qualquer outro cidadão israelense”. “Nem sempre é fácil. Mas é sempre fascinante.”

“Todo mundo aqui tem uma história, um livro sobre eles”, diz Spagnoli. “Eu gosto disso. Porque eu tenho o meu livro, também.”

 

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