Pathans (Índia)

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Uma hipotética imagem dos Pathans no Muro das Lamentações retirada do site do Dr. Navras Aafreedi

Na aldeia de Malihabad, a 25 quilômetros da cidade indiana de Lucknow, 650 Pathans afirmam ser descendentes da tribo perdida de Efraim, expulsos pelos assírios há mais de 2.000 anos atrás. A história é potencialmente inflamatória: os Pathans – também chamado de Pashtuns ou Afridis – tornarem-se um grande componente do Talibã Afegão, e representam cerca de 15 milhões de pessoas na Índia, Afeganistão, Paquistão e algumas partes do Irã. O grupo é também referido como Bani-Israel.

Existem várias fonte que discutem a história dos Pathans. O Dr. Navras Jaat Aafreedi, Professor Assistente na Universidade Gautam Buddha em Greater Noida e um membro da comunidade, realizou uma pesquisa sobre os Pashtuns indianos e apresenta suas descobertas. Seu extenso blog e seu website oferecem muito mais detalhes, assim como fotos.

Dr. Aafreedi também escreveu sobre os Pathans em um blog que criou, focado na comunidade de Malihabad e sugere as raízes do nome tribal Afridi (nome do qual Aafreedi é derivado).

Aafreedi tem liderado um projeto para analisar o DNA dos Pathans. Para isso, ele conta com a ajuda de Tudor Parfitt, que fez a mesma pesquisa com a tribo Lenga na África.

A geneticista indiana Shahnaz Ali, que recebeu uma bolsa de estudos para trabalhar no Technion de Israel – Israel Institute of Technology – no Departamento de Nefrologia e Medicina Molecular, está conduzindo os testes. Shahnaz viajou para Malihabad e coletou amostras de sangue da população tribal de lá.

A Rádio Nacional de Israel, Tamar Yonah conduziu uma entrevista com Aafreedi durante um ano de licença sabática que ele tirou na Universidade de Tel Aviv.

Um artigo de 2008 do Times of India fornece um histórico mais aprofundado e descreve um plano de dois operadores turísticos de Israel em adicionar Malihabad nas excursões, “Desafio da Tribo Perdida”, criadas para comunidades judaicas distantes (incluindo os Bnei Menashe).

Malihabad é lar de várias figuras importantes da história e da cultura indiana: Urdu poeta Josh Malihabadi é desta área e Zakir Husain, o terceiro presidente da Índia, é de perto de Qayamganj.

Dr. Aafreedi em Israel em 2010
Dr. Aafreedi em Israel em 2010

É importante ressaltar que os Pathans não se identificam como judeus e nem reivindicam o direito de retorno perante a lei de imigração israelense. Contudo, possuem alguns costumes que se assemelham bastante a tradição judaica, incluindo o acendimento das velas no Shabat, manter longas costeletas, o uso de xales que lembram o talit, a circuncisão no oitavo dia após o nascimento e o costume do levirato.

O Rabino Marvin Tokayer fornece mais detalhes em um artigo. Basicamente:

O “talit” dos pathans é chamado de “kafan”. É um vestuário de 4 pontas no qual se amarram cordas semelhantes às franjas (tzitzit) de um talit judaico. Eles também têm um talit maior que chamam de Joy-Namaz. É uma peça de 2-3 metros quadrados feito para cobrir a cabeça e parte dos ombros, e é usado para a oração, estendido no chão na moda muçulmana. Este não tem franjas.

Os Pathans têm o costume de guardar o sábado, durante o qual não trabalham, cozinham ou assam. Os Pathans preparam 12 pães de chalá (a tradição judaica especifica apenas dois pães por refeição no Sabbath).

Os Pathans acendem uma vela para honrar o sábado. Após acesa, a vela é geralmente coberta por um grande cesto. A vela é acesa por uma mulher que passou a menopausa.

Pathans têm algumas leis dietéticas que são semelhantes às leis da kashrut. Por exemplo, eles não comem carne de cavalo ou de camelo, alimento comum na área, mas proibido aos judeus. Há algumas evidências também de que não comem carne e leite juntos. Estes têm também uma tradição de diferenciar aves puras e impuras – isto é, as que são e não são permitidas para comer.

Alguns pathans ainda usam uma pequena caixa semelhante ao tefilin judaico (filactérios). Tokayer compara isso com o uso dos “tokin” pelos japoneses Yamabushi.

Os casamentos Pathan ocorrem sob um dossel de casamento (embora este seja um costume que surgiu mais tarde, não especificamente mencionado no período anterior ao exílio das tribos de Israel).

As mulheres Pathans mantêm leis similares às leis judaicas sobre menstruação. Durante esse período, e durante os 7 dias que o sucedem, nenhum contato é permitido com o marido. Após esse período, a mulher mergulha em um rio ou nascente ou em uma casa de banhos caso a fonte natural não esteja disponível.

Tokayer também afirma em seu artigo que o sistema legal dos Pathans, conhecido como Pashtunwali, tem semelhanças com a Torá. Os Pathans, diz ele, honram o que é chamado Tavrad El Sharif (a Torá de Moisés), e se levantam com a menção do nome de Moisés, mesmo que este não seja importante no Islã.

Os nomes de algumas sub-tribos Pathan soam como os nomes das tribos de Israel: Rabani (Reuven), Shinwari (Shimon), Daftani (Naftali), Lewane (Levi), Ashuri (Asher) e Yusuf-sai (filhos de Yosef ).

Lingüisticamente, as diferenças entre os nomes originais das tribos e seus nomes atuais pode ser consequência dos diferentes dialetos da língua de modo que, por exemplo, Jaji é na verdade Gaji, que se refere a tribo de Gad.

O Dr. Aafreedi também aponta descendência israelita entre outros grupos, incluindo os Qidwai/Kidwai. Os Qidwais traçam sua genealogia á partir de um Sufi de ascendência judaica que se estabeleceu na Índia em 1191 da Era Comum.