Parashat Bechucotai

As bênçãos – Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Em primeiro lugar, temos que analisar se todas estas coisas boas que nos são  prometidas são milagre ou são algo natural. Quer dizer, é normal a natureza comportar-se assim tão bem, ou não?

Nachmánides defende que a Torá está a falar de uma época milagrosa. A natureza geralmente não se comporta assim.

No entanto, para rabi Simcha Cohen, no seu livro Meshech Chochmá, não se trata de uma época milagrosa, mas sim esse é o estado normal da natureza. De’s criou a natureza para que ela funcione bem (chuvas boas e a seu tempo e não inundações, furacões ou desastres), mas, quando o ser humano não anda no bom caminho, então a natureza não se comporta como se deveria comportar. Os milagres existem para que não nos esqueçamos de que a natureza não é tudo, mas sim que há Alguém que está acima dela, que é quem a criou e quem a controla.

É possível que Nachmánides e Meshech Chochmá se não se contradigam, e que na realidade estejam a dizer o mesmo, apenas de ângulos diferentes. O milagre acontece quando as coisas deixam de agir como costumavam fazê-lo e passam a agir de uma maneira mais benéfica no momento em que se necessita. Hoje em dia (devido ao nosso estado atual), a natureza comporta-se como se comporta, e não vemos todas as coisas boas que a Torá nos anuncia aqui. No entanto, quando o povo se comportar da maneira correta, então a natureza deixará de agir assim e será muito mais benéfica.

O mais provável é que a Torá, quando fala de todas estas bênçãos no caso de nos mantermos fiéis à Torá, se refira a todo o povo e não a casos particulares. Prova disso é que a Torá expressa esta ideia no plural e não no singular.

No que diz respeito a quais são os requisitos para que nos aconteçam estas coisas boas, seria propício analisar outras passagens da Torá, onde ela nos fala de coisas parecidas, quer dizer, do bem-estar no caso de andarmos pelo caminho dos preceitos.

Isto acontece na parashá Ekev (Deuteronômio capítulo 7), em Ki Tissá (Deuteronômio capítulo 28) e no Shemá (Deuteronômio capítulo 11). Nas duas primeiras, a Torá fala-nos de efetuar os preceitos; não nos diz nada acerca da intenção, do pensamento ou do sentimento que devem acompanhar esses preceitos. No Shemá, fala-nos específica e claramente de fazermos as coisas sinceramente e com o coração. Mas, se observarmos com maior profundidade, notaremos que, na realidade, tanto em Ekev como em Ki Tissá a Torá também nos fala acerca da intenção sincera. Tal como diz o comentarista Seforno, em Vaikrá 26:3, o termo hebraico shamor— cuidar — refere-se também a cuidar de realizar os preceitos da maneira mais correta, e isto obviamente inclui um pensamento e um sentimento corretos.

Em conclusão, vê-se claramente que sempre que a Torá nos fala de uma recompensa por ter cumprido os preceitos, não se refere a cumpri-los de forma automática, sem reparar no sentido e na mensagem dos mesmos.

Porque não nos promete a Torá o bem maior, quer dizer, o mundo vindouro? Para responder a esta pergunta recorreremos às palavras de Rambam na introdução ao Perek Chelek: No entanto, o significado dos benefícios e das desditas que estão escritas na Torá é o seguinte: Ele assegura-te que se cumprires esses preceitos, ajudar-te-á a poder praticar os mandamentos de forma íntegra, retirando do teu caminho todo o tipo de obstáculos que te impeça de os realizar, já que é impossível ao Homem cumprir os preceitos[na sua integridade] estando doente, com fome ou com sede, como também não em época de guerra ou perseguições, portanto, De’s assegura que afastará todas estas coisas e nos manterá sãos e tranquilos para que, deste modo [possamos realizar os preceitos e] alcançar um conhecimento pleno, tornando-nos então meritórios do mundo vindouro.

Portanto, o objetivo desta recompensa pelo cumprimento dos preceitos não é atingir a abundância terrena ou desfrutar de uma vida longa e saudável; todas estas recompensas são um meio para poder cumprir a Torá plenamente.

Algo similar é expresso em Hilchot Teshuvá, capítulo 9.

Que quer dizer que “De’s andará entre nós”? Encontramos um texto similar a este, que nos fala metaforicamente de que De’s “andava” entre os homens. Refiro-me ao princípio do livro de Génesis (3: 8), quando a Torá nos fala do Jardim do Éden. Ali diz-nos que ouviram a voz do Criador, que andava no meio do jardim. Quer dizer, aqui diz-nos que, se cumprimos bem todos os preceitos, então vamos atingir um nível tão alto como o de Adão quando estava no Jardim do Éden.

E é precisamente este o objetivo da saída do Egito, quer dizer, deixar de servir e de ser escravos deste mundo. Dessa maneira atingiremos um nível superior, e então este mundo servir-nos-á a nós, como um meio para nos tornarmos meritórios da vida eterna.

Uma vez que atinjamos esse nível superior, então chegaremos ao nível de compreender que De’s é o centro da nossa vida. A isto se refere a Torá quando diz: Eu serei para vós De’s. \lsdpriority47

2 thoughts on “Parashat Bechucotai

  • June 6, 2019 at 2:21 pm
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    A VERDADE HODIERNA das Nações que seguirão YAAKOV! Reverendíssimos Rabinos e demais Participantes. O pouquíssimo que sei foi adquirido pela leitura constante de GENESI na Interpretação do Mestre de todos os Mestres da TORAH – RASHI de Abençoada Memória. Embora sem escrever no LIVRO dá para se concluir que a cada Decreto do Divino corresponde uma mudança Física palpável. Assim cada descendente daquele Povo tem em seu DNA A PRESENÇA REVELADA NO SINAI! Se um Profeta OBADIÁ foi um EXTRANGEIRO teremos esta MUTAÇÃO GENÉTICA de seus antepassados que podem ser devido a AVRAM quando o DECRETO DIVINO MUDOU seu nome para AVRAHAM. Atualmente, somente a CIÊNCIA FÍSICA é a VERDADE HODIERNA das Nações descendentes de Jafé. Se quizer-mos ver se CUMPRIR a Professia de Zehariá 8.23 teremos que convocar-mos os Físicos Matemáticos tal como fez Eliahu no MONTE Carmel .De outra forma Sabemos como pode ser atrativo nos ” converter ” ao Judaísmo se os Judeus Dominam o Mundo.. Isto não é o que dita A PROFESSIA

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  • June 8, 2019 at 2:03 pm
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    O HOLOCAUSTO E PROFESSIA DE ZEHARIÁ 8.23 Reverendíssimos Rabinos! Não precisam publicarem este comentário que é uma VERDADE PURA que podemos TODOS enchergar-mos! Diz a PROFESSIA de ZEHARIÁ 8.23 que os estrangeiros seguirão YAAKOV por saberem que D’us está com eles. Mas, nos ultimos séculos tem sido atrativo nos “converter-mos” ao Judaísmo pois os Judeus Dominam o Mundo desde o Econômico até as Ciências Físicas; e Einstein a Landau. Não é isto que PREVER A PROFESSIA. Muito pelo contrário: devemos nos precaver-mos disto pois é a causa que DESPERTA ODIO gerado por inveja como nas concorrências do dia a dia. Antes que ocorra outro Holocausto é URGENTE fazer-mos os gentios se curvarem com a arma da CIÊNCIA pois está é a única JUÍZA das Nações que não conheceram O ETERNO no MONTE SINAI! A única que pode fazer TODOS se curvarem diante das VERDADES que ela REVELA por um motivo análogo ao que fez ELIAHU no MONTE CARMEL. E, torço para poder contribuir com este GRANDE TRUNFO ao POVO de meu avô Maurício Samuel cuja morada ETERNA encontra-se na quadra 13do cemitério Israelita de Manaus. SHALOM

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