Parashat Bamidbar

O censo e os Leviim – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

De’s, ao dizer-nos os limites da terra, fá-lo para que saibamos tudo o que temos que conquistar, mas também para que saibamos que só até aí se deve conquistar, e não mais. O nosso objetivo não é sermos imperialistas.
Nesta parashá encontramos várias coincidências: O povo no total são 603 mil pessoas; o valor numérico das palavras Bene Israel – “Filhos de Israel” é 603.
Diz-nos que havia 22.000 leviim e, em contraposição, havia 22.273 primogénitos, que são aqueles que foram trocados pelos leviim. Os leviim são poucos, quase 30% da população das demais tribos. Isto é assim porque o povo ia ter que os sustentar e dar-lhes territórios nas suas cidades. De’s não quis que fossem muitos para não se transformarem num peso para o povo, pois, se os leviim fossem muito numerosos, o povo, em vez de lhes dar o dízimo, iriam ter que lhes dar o 20% para os poder sustentar.
Se a Terra era dividida por goral — sorteio – , para quê saber quantos são em cada tribo?
Para demonstrar que o que saiu por goral — por sorteio — é o correto. Não só é necessário fazer Tzedek — justiça —, mas, para além disso, é necessário que essa justiça seja visível para todos.
Porquê quando eram contados os leviim no censo, contavam-se aqueles que tinham entre 30 e 50 anos, enquanto que, para o resto do exército (o resto do povo), eram contados desde os 20 aos 60 anos?
Isto é assim porque para o exército faz falta força física, enquanto que no santuário faz falta Shikul daat — maturidade inteletual e sensatez, e não ter maus pensamentos. É por isso que se preferia indivíduos mais maturos intelectualmente.
Como sabemos que agora o povo de Israel sai do monte Sinai para entrar na Terra de Israel? Se analisarmos mais à frente, quando a Torá nos relata que partiram do monte Sinai, notaremos que é a mesma data que diz aqui no princípio do livro Bamidbar, quando se ordena o censo. E aí vemos claramente que o povo se dirige à Terra de Israel. Para além disso, Moisés, nessa ocasião, tinha dito a Itró, seu sogro, que iam até a terra de Israel, tal como já tinha mencionado em Shemot.
Se vão para a terra de Israel, o mais provável é que tenham que preparar o exército para a luta e para a conquista, pelo que é lógico ter que os contar, para poder organizar o exército. Mas está escrito que De’s vai lutar por eles. Para quê então contar o povo para a guerra? A resposta é que, se bem que é De’s que nos faz triunfar, temos que fazer o nosso hishtadlut — o nosso esforço. De’s ajuda-nos derech hateva — de forma natural – , e não de forma milagrosa, tal como aconteceu por exemplo na Guerra dos Seis Dias.
Apesar de não ter sido de forma natural com o rei Ezequias, pois De’s feriu com uma peste os inimigos que estavam a sitiar a cidade de Jerusalém, de tal forma que todos os inimigos morreram e o povo de Israel não teve que lutar, nessa ocasião foi assim porque não havia outra opção para além do milagre.
Se bem que as tribos de Simeão e Levi receberam a mesma bênção por parte de Jacob (de que seriam dispersados entre as demais tribos), mais do que uma bênção foi uma reprimenda pelo que tinham feito ao povo de Shchem. Apesar disso, Levi melhorou até ao ponto de chegar a ser Nachalat HaShem — Herança de De’s –, enquanto que Simeão passou a ser a tribo menos numerosa. Isto foi assim porque perdeu muita gente por causa das diferentes pestes que De’s enviou ao povo como castigo pelas numerosas rebeliões que efetuaram no deserto, por exemplo com baal peor — idolatria. Isto demonstra que esta tribo estava muito envolvida nesses erros.
Qual é o objetivo do censo? Um reduzido número de indivíduos que servem a De’s, ou um grande povo que faz a vontade de De’s, não é o mesmo. É notavelmente mais louvável quando se pode ver uma pequena família no meio de um povo idólatra, que se desenvolve e se transforma num povo numeroso, conhecedor de De’s, e que se torna meritório de ouvir a voz do Criador. Que construa um santuário para Ele e que Ele se transforme no centro das suas vidas. Estes são os que foram denominados de tzivot HaShem— as Hostes de De’s – , e, tal como está escrito: Verov am, hadarat Melech – Quanto mais numeroso for o público, mais se notará o louvor ao Rei. Portanto, o facto de serem frutíferos e numerosos, isso, em si mesmo, já é um louvor a De’s.
Para além disto, o facto de serem tantos é uma prova de que De’s cumpriu o que tinha dito aos patriarcas, que se transformariam num povo muito numeroso.
Outro motivo é que, ao sermos conscientes de que se trata de um povo muito numeroso (aproximadamente 3 milhões de pessoas ou mais), torna-se mais notória a maravilhosa proteção divina, que não só tirou toda esta gente do Egito, como também os conduziu e os alimentou no deserto e os levou à Terra de Israel.
A tribo de Levi é quem leva o Aron — a Arca, ou seja, a mercavá — a carroça celestial, por isso se diz: Shuva HaShem (…) ribebot alfe Israel (Regressa, De’s, a residir entre as dezenas de milhares de Israel) Ribebot = dezenas de milhares. Ao dizer “dezenas”, no plural, devemos supor que pelo menos são duas, ou seja 20.000, e alfe = milhares, pelo menos dois, quer dizer 2000. No total são 22.000, que é o número dos integrantes da tribo de Levi.

3 thoughts on “Parashat Bamidbar

  • June 8, 2019 at 9:47 pm
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    Reverendíssimo Rabino . A FÍSICA ESTATÍSTICA pode calcular o grau de ENTROPIA pelos cálculos das Probabilidades em todas as PALAVRAS ORDENADAS pelos seus respectivos VALORES NUMÉRICOS e assim poder mostrar as Nações estrangeiras que A VERDADE ESTÁ COM OS JUDEUS! Havendo de fato a INTERFERÊNCIA de uma MENTE INFINITAMENTE INTELIGENTE na escolha dos Nomes, datas e outros detalhes como os relacionados acima. Não há outro caminho por não terem em seu DNA a PRESENÇA REVELADA no SINAI sendo o MISTICISMO HEBRAICO apenas o suficiente para seu povo. Cuidado devemos ter, falo em nome de meu falecido avô Maurício Samuel cuja morada ETERNA encontra-se na quadra 13do cemitério Israelita de Manaus, com a atratividade no STATUS de conversão ao Judaísmo pelo fato de serem os Judeus aqueles que Dominam o Mundo fato este também previsto na Bíblia Hebraica. Mas História, Professias Arqueologia são vistas pelas Nações como ” coisas do passado “. A VERDADE HODIERNA DAS NAÇÕES QUE SEGUIRÃO YAAKOV é a Física de Einstein. SHALOM

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  • June 13, 2019 at 3:08 pm
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    Reverendíssimos Rabinos e demais Participantes! Juro pelo ETERNO do qual recebí Bênçãos na Saúde de meus olhos, pois faço o controle da PIO que eu não sabia que não se pode acender LUZES aos SHABAT; APENAS fogo me foi informado por Prosélitos que conhecí em 2016 ou 2017. No entanto leiam no artigo A NUMEROLOGIA DE SAMUEL Cap ECHAD qual foi o RESULTADO que DESCOBRI por esta NUMEROLOGIA. Isto, para mim, é a PROVA de que o que OBSERVEI foi de fato uma OBRA DO ETERNO! SHALOM

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  • June 15, 2019 at 2:08 am
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    Reverendíssimo Rabino. Já que a língua Hebraica possui valores numérico e, com numeros podemos avaliar ordem e desordem, Os Judeus acreditam que é possível, desde que haja interesses, se PROVAR a existência de D’us com os conhecimentos dos Físicos Estatísticos avaliando o grau de ENTROPIA das palavras e nomes presentes na Torah? Como uma segunda pergunta rogo-vos me fazer entender de que forma esperam os Judeus ver se CUMPRIR a Professia de Zehariá 8.23? Como trocar a fé dos extrangeiros sem a prova da Ciência? Shalom

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