Parashá da semana – Veetchanán

Amarás o Senhor, teu De’s

Por Nejama Leibowitz

O «amor de De’s» é um conceito básico na nossa religião, e aquele que mereceu o título de «Amante de Deus» (Isaías 41: 8) pode ser considerado como possuidor de um grau espiritual muito elevado. Esta categoria tem vários aspectos dentro do culto divino, que foram analisados ​​pelos sábios judeus medievais. Não cobriremos esse conceito de todos os pontos de vista – nos limitaremos a considerá-lo como o mandato de De’s direcionado a nós. Vamos considerar o «amor de Deus» como um mandamento positivo estabelecido pela Torá.

Há duas questões fundamentais que esse mandamento levanta. A primeira: Em que consiste esse amor que nos foi ordenado professar a De’s? Em qualidade de quê e de que forma há-de ele habitar a alma humana?

O rabino Eliahu Mizraji fez esta pergunta resumidamente:

Como se pode ordenar amar algo que nunca foi conhecido ou visto?

Para a nossa segunda pergunta, como o amor pode ser ordenado, um sentimento que aparentemente «não se enquadra nas ordens da vontade», já encontramos uma resposta nas palavras de Rambam: através da meditação, que é sem dúvida uma faculdade volitiva, o homem chegará ao amor. Esta meditação, é um meio que nos leva a amar a Deus, como afirma o rei David (Tehillim 8: 4-5) Quando contemplo os Teus céus … o que é o mísero Homem para que Tenhas dele memória?” E através desses conceitos, explicou muitos dos grandes princípios que governam os atos do Senhor do universo, para que sirvam de iniciação para os inteligentes em sua busca pelo amor a De’s. Como os nossos sábios afirmaram, referindo-se ao amor, «pois desta maneira reconheces aquele que criou o mundo com a Sua palavra».

O amor ao qual Rambam se refere origina-se assim na consciência, apesar de não ser desprovido de paixão.

De que maneira se deve amar a De’s? Amá-lo-emos então, com um amor extremamente intenso e poderoso, até sentirmos a nossa alma cingida pelo amor de De’s, e sempre nos entregará a ele, como se sofrêssemos de mal de amores, e não pudéssemos libertar nosso pensamento do amor daquela amada mulher, e vêmo-nos constantemente pensando nisso, estejamos descansando ou ativos, comendo ou bebendo. Ainda mais intenso deve ser o amor de De’s no coração de Seus amantes, dedicando-nos constantemente a Ele, como nos foi ordenado (Deuteronômio 6: 5): «De todo o coração e de toda a alma». É a isso que Shlomo também se referiu quando disse figurativamente (Shir Hashirim 2: 5): «Pois, padeço mal de amores». Toda o Cantar dos Cantares é uma alegoria do nosso tema.

É uma coisa clara e bem conhecida que o amor a De’s não se apodera do coração humano, mas quando ele o cultiva constante e adequadamente, deixando de existir para ele todas as outras coisas do mundo, como Ele nos ordenou «com todo o teu coração e com toda alma» (Deuteronômio 6: 5). Sé se ama a De’s com o entendimento que se tem Dele, e na medida do seu conhecimento, será o seu amor: intenso ou fraco. Por essa razão, o Homem deve se dedicar a elucidar e entender as ciências e a sabedoria que tornam o Criador conhecido, de acordo com as possibilidades que o homem tem de entender e conceber, como já explicámos em “Hilchot Yesodé Hatorá”, diz Maimonides.

A que distância desses conceitos estão as palavras de Rabénu Bajie (lbn-Pekuda). Não é o interesse do homem pelo que acontece no mundo que origina o amor a De’s, mas, pelo contrário, a fuga dos problemas mundanos. Visto que o referido amor existe nas profundezas de sua alma, já que ela é uma partícula divina, e, portanto, é suficiente remover a alma dos impedimentos que a desviam para outros assuntos, e ela se encherá dessa luz superior. Isso está próximo de sua essência.

Mas se voltarmos à segunda parte das palavras de Rambam, expressas no Sefer Hamitzvot, veremos que o preceito do «amor» não se limita a um impulso da alma em seu isolamento, mas exige que ele atue dentro da sociedade, e é por isso que Rambam também cita Sifri, cujo texto iremos transcrever na íntegra abaixo:
E amarás o Senhor, teu De’s – faça com que Ele seja amado por todas as criaturas – como Abraão, seu patriarca, como está escrito (Bereshit 12, 5 ): «E as almas que eles fizeram em Haran»; Como devemos interpretar esse versículo? Se todos os habitantes do mundo se reunissem para criar um inseto e dar vida a ele, eles teriam sucesso? – Como deve ser entendido então: «e as almas que eles fizeram em Haran?» Assim, Abraão, nosso patriarca, fazia prosélitos e colocava-os sob as asas protetoras da Shechiná.

Aqui está um tipo de amor de De’s, influenciando os outros a amar a De’s, à semelhança de Abraão, que ensinou os homens a conhecer a De’s. Mas o Talmude expande ainda mais o preceito de «e amarás»: que o homem aja de tal maneira que De’s seja amado por todas as criaturas, não apenas ensinando a Torá a eles, trazendo-os intencional e diretamente para amar a De’s, mas também com todos os seus atos, com toda a sua conduta; não apenas em questões de santidade diretamente relacionadas a De’s, mas também em sua vida quotidiana e profana.

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