Parasha da Semana – Matot-Masei

Por: Rav Reuven Tradburks

Na marcha para a terra de Israel, a liderança fez a transição para a nova geração. Elazar substituiu Aharon. Yehoshua foi nomeado sucessor de Moshe. Houve sucesso militar, com as nações vizinhas mostrando deferência e medo do sucesso do povo judeu. Houve lições de liderança: os líderes devem servir o seu povo e o seu D’us. E a parashá da semana passada terminou com uma lição paralela para o povo: nós também servimos o nosso povo e o nosso D’us, simbolizado pelas oferendas comunitárias. Somos parte de uma história maior; a história do povo judeu. E como tal, aproximamo-nos de D’us como povo, com uma oferenda comum para cada ocasião especial.

1a  aliá (Bamidbar  30:2-31:12)  Votos: os compromissos devem ser mantidos.  O voto de uma jovem  pode ser anulado pelo pai no dia em que é tomado; se não for anulado, deve ser observado.  O voto de uma mulher casada pode ser anulado pelo marido; se não for anulado, deve ser observado.  Travai uma batalha de  retaliação a Midian, após a qual Moshe morrerá.  1,000 soldados por tribo são liderados por  Pinchas, acompanhados pelos utensílios sagrados e trompetes.  Os líderes de Midian são mortos, as cidades destruídas.  Todo o espólio é trazido para Moshe e Elazar nas planícies de  Moav, em frente a Jericho.

Há 2 coisas a serem observadas na mitsvá dos votos. Primeiro, a Torá está alerta em exigir que mantenhamos a nossa palavra. Essa é uma marca registada do comportamento interpessoal – o que eu disser, farei. E segundo, que um homem precisa cuidar dos votos de sua esposa e filhas.

Mas porque é colocada aqui esta mitsvá, neste ponto da Torá?

Estamos a marchar para a terra de Israel. Então vamos estabelecer-nos lá. Todos precisarão de assumir compromissos comunitários. O que eu digo, devo fazer. A minha palavra é minha palavra; você pode contar comigo.

Enquanto a marcha para a terra continua, pensamos no dia seguinte, na colonização da terra e na construção da sociedade. Estamos a virar o foco da marcha para a terra, para a vida na terra. Essa sociedade tem que ser construída sobre a confiabilidade da palavra de alguém.

A ênfase aqui em mantermos a nossa palavra está é um prenúncio da história que vai aparecer mais adiante na parashá. Gad e Reuven querem ficar na margem leste do Jordão. Eles prometem lutar com o povo. Moshe aceita essa promessa; porque uma promessa é uma promessa.

Este aspeto dos votos faz parte da filosofia de vida que a Torá criou; a vida é serviço de uma vocação superior. Somos parte de um povo que serve a D’us. Somos parte de uma missão maior. E, portanto, temos que honrar a nossa palavra uns para com os outros, pois temos uma sociedade preciosa para cuidar.

Mas a nossa aliá também enfatiza a responsabilidade de um homem de cuidar dos votos de sua esposa e filhas. Isso é um contrapeso. Servimos o nosso povo. Mas também temos a nossa família. O serviço público dá à nossa vida um propósito maior. Mas não à custa da nossa família. A nossa principal responsabilidade é administrar a nossa família.
A sociedade judaica será uma sociedade de proximidade, de compromissos e cuidados uns com os outros. A começar em nossa casa.

2ª  aliá  (31:13-54)  Moshe está zangado por as mulheres terem sido poupadas, pois foram as armadilhas  nos assuntos ilícitos de Baal Peor.  Ordena a sua morte.  Elazar ensina a passar os utensílios midianitas através do fogo e através da água antes de os usar (kasherização e  imersão).  O vasto espólio está dividido.  Os soldados recebem metade, o povo metade.  Os soldados darão 1/500 do seu espólio aos Cohanim; o povo  dará 1/50  para os Leviim.  O espólio era: 675.000 ovelhas, 72.000 bovinos, 61.000  burros e 32.000 jovens.  Foram dados os dízimos.  Os líderes da guerra aproximam-se de Moshe: nenhum soldado caiu na batalha.  Daremos a totalidade do espólio de ouro e prata como expiação; é 16.750 shekel.

Esta batalha não é liderada por Yehoshua. É liderada por Pinchas. Com cada tribo igualmente representada. É uma guerra santa. Não é a vingança que as pessoas costumam procurar quando são injustiçadas. Foi uma afronta ao Divino. A resposta é uma resposta divina.

3a  Aliá  (32:1-19)  As tribos de Reuven e Gad  têm  extensos rebanhos, e a região acabada de conquistar  tem  terras de pastagem exuberantes.  Pediram a Moshe para se instalarem neste local.  Moshe  perguntou retoricamente: os vossos irmãos vão para a  guerra e vós sentais-vos aqui? Ides desmoralizar o povo assim como os espiões, ao não querer entrar na terra. Vistes a reação de De’s ao não permitir que aquela geração entrasse na terra.  As tribos de Reuven e Gad partiram para alojar os seus rebanhos e famílias no lugar, juntando-se ao resto das pessoas nas  batalhas pela  terra.

A guerra com Midian rendeu um vasto espólio de animais.   Os  Bnei  Reuven e os Gad pensam: “se esta terra pode dar tanto, porque não ficar com ela?”  Faz todo o sentido.  Afinal, isto é economicamente seguro e  estável.  Não é o mesmo que os espiões.  Os espiões tinham medo de tomar a  terra, o que, no fundo, foi um repúdio da promessa de De’s de defender a nossa conquista da terra.  Estas  pessoas  estão apenas confortáveis em  chutz  laaretz.  A grama é mais verde deste lado; por que se aventurar  para o outro, o  desconhecido?  Não questionam    se a terra pode ser conquistada; questionam poquê desistir da boa vida.  Parece-vos familiar?

4a  aliá  (32:20-33:49)  Moshe  concordou com a oferta das tribos de Reuven e Gad: eles se juntariam à batalha pela terra e após a sua conclusão voltariam para a margem leste do Jordão.  Moshe informou Yehoshua e Elazar disto, instruindo-os a garantir que tudo o que foi acordado fosse cumprido.  As terras de  Og  e  Sichon foram divididas entre Gad e Reuven, enquanto a região de Gilad foi dada a metade da tribo de Menashe.    Moshe registou todas as viagens até aqui, enumerando-as todas com  grande detalhe.  Quando  chegaram a  Hor  Hahar,  Aharon  morreu, aos 123, anos no primeiro dia do quinto mês (1 Av).  As  viagens terminaram nas planícies de  Moav  em frente a Jericó.

A aquiescência ao pedido das tribos de Reuven e Gad é surpreendente.  Por que permitir que se assentem fora da terra de Israel, instalando-se nas terras de  Og  e  Sichon? Pode ser graças ao seu empenho. Eles mostraram estar totalmente empenhados na conquista da terra de Israel. Eles juntar-se-ão às batalhas, e só quando o povo judeu estiver instalado na terra é que eles voltarão ao outro lado do Jordão. Eles expressaram o seu compromisso total com a missão judaica. Por isso é que Moshe concordou com o seu pedido de se instalarem do outro lado do Jordão.

5a  aliá  (33:50-34:15) Nas margens do Jordão, é ordenado ao povo é ordenado que conquistem a terra de Israel e se instalem nela, por ela lhe ter sido dada.  Deveis substituir o povo da terra, pois, senão, eles serão um espinho do vosso lado; e, inevitavelmente, o que vos estou a  ordenar, que os substitueis, será feito por eles a vós.  As fronteiras da terra: ao sul, do Mar Mediterrâneo até ao Mar Morto; a fronteira ocidental é o Mar Mediterrâneo a norte até ao Líbano, a Norte até à Síria, a leste ao longo do Jordão. Esta terra será dividida pelas 9,5 tribos, enquanto que as tribos de Reuven, Gad e a meia tribo de Menashe instalar-se-ão no lado leste do Jordão.

Esta é a mitzvá de estabelecer-se na terra de Israel. O povo judeu entrou na terra de Israel apenas 3 vezes na história: aqui, liderado por Yehoshua, no tempo de Esdras e Neemias, retornando do exílio babilónico, e no nosso tempo. Esta primeira entrada é gloriosa, todo o povo judeu, com profecia liderada por Yehoshua, com autodeterminação, e depois com monarquia. A segunda entrada foi dececionante. Pequenos números, aos trancos e barrancos, semiautonomia, sem plena soberania. Mas esta terceira entrada, no nosso tempo, embora complicada e sem profecia, e sem todo o povo judeu, ainda assim é muito mais parecida com o tempo de Yehoshua. Números grandes e crescentes. Sucesso glorioso. Soberania – o nosso próprio governo, a nossa própria defesa, a nossa própria tomada de decisão. Que privilégio. Esta aliá é a nossa vida.

A delimitação das fronteiras da terra é complicada porque alguns dos marcos que descreve não nos são familiares.  No entanto, é evidente que a fronteira sul não se estende até Eilat.  A fronteira norte estende-se até boa parte do Líbano de  hoje.  E a fronteira oriental  inclui grande parte da Síria de hoje.

O Negev ocidental fica fora dessas fronteiras e, portanto, pode estar isento das leis de Shemita. As fronteiras específicas e como elas impactam a halachá fazem desta aliá, talvez negligenciada durante os longos anos do exílio, uma aliá viva no nosso tempo.

6a  aliá  (34:16-35:8) Os líderes das tribos farão a partilha da terra. São listados os nomes dos líderes de cada tribo. Aos  Leviim  serão dadas cidades entre as tribos.  Cada cidade terá área aberta e área de pastoreio à sua volta, 2.000  amot  em área total fora da cidade.  Os  Leviim  podem instalar-se nas cidades de refúgio ou em 48 cidades designadas.  Estas cidades são fornecidas pelas tribos,  de acordo com o tamanho da tribo e a sua área atribuída.

A transferência de liderança continua com esta lista de novos líderes.

A Torá enfatizou algumas vezes que a atribuição de terras na terra de Israel tem que ser feita por tribo. E dentro da tribo, pelo seu líder. E já aprendemos que qualquer terra vendida deve retornar ao seu proprietário original no Yovel. Porquê essa insistência na integridade tribal, na atribuição segundo as instruções e na manutenção dessa distribuição original ao longo do tempo?

Poderia ser para transmitir que a colonização da terra de Israel não é meramente uma apropriação de terras para albergar este grande grupo de pessoas. É um mandamento divino com a sua estrutura e as suas limitações. O retorno da terra no Yovel parece bastante anticapitalista. Grandes propriedades de terra não são para nós; a terra volta para aqueles que ali se estabeleceram quando entraram na terra.

7a  aliá  (35:9-36:13) Devem ser estabelecidas Cidades de Refúgio, 3 no lado oeste da Jordânia, 3 a leste.  Quem matar acidentalmente pode  fugir para lá.  Não é acidental mas sim assassinato se uma pessoa atacar outra com uma arma letal, ou se o ataque for premeditado.  O  assassino será condenado à morte; os familiares das filhas de  Zelophchad  apontaram a Moshe que a herança da família seria danificada,  pois as filhas vão se casar com homens de outra tribo, e, assim, a integridade do loteamento familiar deles seria danificada.  Nem sequer regressará em Yovel, pois passará para outra tribo. Moshe instruiu que estas mulheres casassem com homens da sua família, de modo a manter a integridade do loteamento da família.

Na descrição das cidades de refúgio, qualquer ilusão de que a sociedade judaica na terra será perfeita é dissipada.  Haverá assassinatos.  E nesta parsha, travámos uma batalha devido à ao pecado do mau comportamento sexual com as mulheres de Midian.  E anteriormente, na Torá, o bezerro de ouro e adoração de ídolos. Os  judeus do deserto cometeram os 3 grandes pecados: idolatria, adultério e assassinato.  Não  somos, nem temos ilusões de virmos a ser uma sociedade perfeita.  Mas, com todo o conhecimento disso, De’s está a prometer-nos que estamos na iminência de entrar na terra. Alguns judeus vão errar, vão pecar, vão falhar. Mas não o povo judeu.  O pacto com o povo perdura. Com algumas pedras no caminho, mas  perdura.

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