Parasha da Semana – Ki Tetze

As lições do filho rebelde

Se alguém tiver um filho desobediente e rebelde, que não ouve a voz de seu pai nem a voz de sua mãe… (Deuteronómio 21:18)

Esta Parasha traz-nos uma das leis mais estranhas de toda a Torá: a de Ben Sorer Umoré («o filho desobediente e rebelde»). Esse caso ocorre quando um rapaz de pouco mais de treze anos tem que ser executado por apresentar certas formas de comportamento repulsivas e anómalas, como roubar, e, com o dinheiro roubado, comprar e consumir quantidades colossais de comida e bebida barata. Hoje adicionaríamos ao assunto da comida outros flagelos sociais modernos, como o álcool e a droga.

De tal forma que, se os seus pais vierem a denunciar tal comportamento ao tribunal, o tribunal condena-o à pena de morte.

Este evento é tão estranho e tem requisitos legais tão improváveis ​​de cumprir que os nossos Sábios concluíram que essa lei é completamente teórica, «isso nunca aconteceu nem acontecerá»; portanto, devemos necessariamente entender que o propósito desta lei é nos ensinar princípios educativos e de conduta. O Talmud explica que, apesar desse rapaz não ter cometido nenhum crime capital, pelo facto de já tão jovem roubar os seus pais para satisfazer o seu apetite glutão podemos deduzir que, seguindo as suas tendências negativas, quando crescer derramará sangue para continuar sustentando os seus vícios, que serão cada vez piores. O Talmud aqui usa um princípio legal chamado neherag al shem sofó, yamut zakai ve’al yamut chayav – «ele é executado por suas ações futuras, e é melhor que ele morra inocente e não culpado.»

Nas normas que a Torá estabelece para o caso do «Filho Rebelde», podemos encontrar que características de pais têm que existir para que este caso seja possível. Os nossos Sábios deduzem da análise dos versículos que os pais do Ben Sorer Umoré devem ter vozes semelhantes, a sua visão deve ser completa, eles devem possuir todos os seus órgãos intactos, e a cidade onde moram eles e o seu filho deve ter um Beit Din (Tribunal de Justiça Rabínico).

A influência do meio

Como pais, devemos preocupar-nos com quem são os amigos dos nossos filhos, que lugares frequentam e, em geral, a que influências estão expostos.

Através desse modelo hipotético, a Torá dá-nos a compreensão de que o comportamento errado de um jovem muitas vezes não reflete quem ele é em essência, mas sim o ambiente em que se desenvolveu. E embora isso não desculpe o mau comportamento, é indicativo de que todos somos irremediavelmente afetados pelo ambiente que nos rodeia, empurrando-nos a agir de determinada maneira. Portanto, se o comportamento anómalo de uma pessoa pode ser afetado pelo seu ambiente, existe sempre a possibilidade de que ela mude e se reforme, uma vez que a essência da pessoa não foi completamente corrompida.

Baseado no livro “Perspectivas Atuais”, Estudo de Torá e Musar, do Eng. Enrique Medresh.

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