Parasha da Semana – Bereshit

Pelo rabino Reuven Tradburks

A última Parasha da Torá cobre menos de um dia – a primeira Parasha da Torá abrange 1000 anos.

A parshat Breishit cobre a Criação, Adão e Eva no Jardim do Éden, o assassinato por  Caim do seu irmão Abel, as gerações que concluem com Noé e a destruição iminente de todos, exceto Noé e a sua família.

1ª Aliá, (cap. 1: 1-2: 3). A história da Criação vai do inanimado – luz, terra, mares – à vegetação, aos pássaros, aos peixes, aos animais, e, finalmente, ao Homem. É uma progressão, uma progressão evolutiva, do menos sofisticado ao mais sofisticado. O Homem recebe a ordem de ser fecundo e multiplicar-se, subjugar o mundo e dominar os animais.

O capítulo 1 e a primeira aliá terminam de maneira diferente. O capítulo 1 termina com o fim da Criação, o fim dos 6 dias da Criação. O parágrafo do Shabat começa no Capítulo 2. No entanto, a primeira aliá termina, não com o final dos 6 dias da Criação, mas com o final do Shabat. Incluímos o Shabat como parte da história da Criação.

Porque onde Ele para é onde nós começamos. Ao terminar, Ele entregou as chaves ao Homem. Este é um princípio crucial do judaísmo: no sexto dia D’us disse ao homem «Agora és tu: governa o mundo e subjuga-o» e então, para provar isso, Ele descansou no sétimo dia, como se dissesse: «Estou a falar a sério, és o meu parceiro; avança»

O Midrash mostra esse ponto – o parágrafo de V’yachulu termina com «laasot». Não termina como todos os outros 6 dias – e foi noite e foi manhã, o sétimo dia. Diz que D’us parou de fazer. Ele parou de fazer – agora é a tua vez de fazer.

2ª Aliá, (Cap. 2: 4-20). Um relato mais detalhado da Criação do Homem. D’us cria o Homem do pó da terra e sopra em suas narinas o sopro da vida. Ele é colocado no Jardim do Éden, cheio de belas árvores, para cultivá-lo. De’s ordena-lhe que não coma da árvore do conhecimento, ou da vida. E declara que não é bom para o homem ficar só; Vou fazer-lhe uma parceira.
A linguagem do capítulo 2 está em notável contraste com a do capítulo 1. Esta criação do Homem é mais um romance do que um livro de ciências. Personalidade, moralidade, humildade, emoção. O capítulo 1 é a criação da humanidade – o capítulo 2 é a criação de uma pessoa. Adão é criado a partir da adama, da terra, um começo bastante humilde. Ele foi criado sozinho. Isso não é bom. Ele recebe um mandamento. Existe o bem e o mal. Ele deve cuidar do jardim, não governá-lo. Os animais são-lhe trazidos para ele os nomear.
Este é o início da compreensão do Homem de quem ele é e quem ele não é. Ele foi criado à imagem de D’us, encarregado de ser um parceiro de D’us. Mas ele não é o próprio D’us. Ele deve governar o mundo, como Ele governa. Ele deve nomear os animais, como D’us nomeou o dia, a noite, os céus e os mares. Como Ele é um Criador, o homem deve ser um criador – um criador de vida através dos filhos, um criador de vegetação através do jardim. Por outro lado, não é bom que ele esteja só – pois há apenas Um que está só. D’us é o Comandante, ele, o comandado. O Homem deve ser semelhante a D’us: ser criativo, dar nomes às coisas, assumir o seu lugar como guardião do mundo. Mas até onde vai ele e até onde vai Ele é o tema da 3ª aliá.
3ª Aliá. (2: 20-3: 21) A mulher é criada. A serpente convence Eva de que se ela comer do fruto proibido, será como D’us, conhecendo o bem e o mal. Ela e Adão comem da fruta, seus olhos são abertos e cobrem-se com folhas de figueira. Eles escondem-se de D’us, que desafia a sua desobediência. Todos são punidos – a serpente rastejará, a mulher dará à luz filhos com dor e o cultivo da terra pelo homem será feito com suor.
E difícil encontrar no Tanach uma história mais rica em simbolismo. Uma serpente falante, a sedução da beleza, a arrogância, o fracasso, esconder-se de D’us, culpa, consequências. Muitas e variadas são as lições a serem tiradas desta história.
O Homem, criado à imagem de D’us, deve aspirar à sua vocação elevada, embora se lembre de que ele é apenas a imagem, não o próprio D’us. A serpente convenceu Eva, e depois ela convenceu Adão, de que o Homem pode ser o determinante do bem e do mal. Que, como D’us concede ao homem a liderança neste mundo, Ele também concede ao homem o papel de legislador do bem e do mal. Nisso eles erraram. E D’us responde fazendo-os recuar um pouco nas suas atividades mais criativas, como se dissesse: Enquanto vocês são criadores, Eu continuo a ser o Criador. Eva, quando criares e tiveres filhos, o momento criativo por excelência da humanidade, será com trabalho, uma lembrança das tuas origens terrenas. E tu, homem, quando trabalhares a terra, será com suor. Há apenas Um que cria com a pronúncia de uma palavra, com facilidade. Ele é «O» Criador, tu és «um criador». Ele é o Comandante do bem e do mal, enquanto que tu és o comandado.
4ª Aliá. (3:22 ​​- 4:18). O Homem é exilado do Jardim do Éden. Nascem Caim e Abel. Eles trazem oferendas a D’us – As de Abel são aceites, as de Caim não. Caim mata Abel. «Sou eu o guardião do meu irmão?». Caim foi condenado a vagar pela terra.
O pecado traz o exílio. O pecado de Adão traz o exílio do Jardim do Éden. O pecado de Caim traz peregrinação e falta de um lar. 4:16 explica o exílio: Caim deixou de andar com D’us. Isso introduz um conceito básico das relações entre o Homem e D’us: O desfavor divino em relação ao Homem resulta em distância. Adão mandado embora do Jardim. Caim expulso de estar diante de D’us. Mais tarde, a torre de Babel trará dispersão. Somente Avraham reverterá isso e viajará não para longe, mas em direção a um lugar específico.

5ª Aliá. (4:19 – 4:22). Uma aliá curiosamente curta. Lemech e as suas esposas Ada e Tzila têm filhos. Um é o iniciador da pecuária, outro da música de cordas e instrumentos de sopro, e outro do fabrico de cobre e ferro.

A humanidade avança maravilhosamente no domínio criativo do mundo: o domínio dos animais, a expressão artística criativa da música e a produtividade avançada do cobre e do ferro. Mas, apesar de o homem dever dominar o mundo, a brevidade da menção serve para destacar que muito mais importante é o domínio de si mesmo. A Torá está muito mais interessada no comportamento ético do homem e no seu relacionamento com D’us do que no seu domínio do ferro e na expressão criativa da sua música.

6ª Aliá, (4:23 – 5:24). As gerações de Adão a Noé.

Enos é descrito (4:26) como começando a profanar o nome de D’us. Rashi explica que foram atribuídas qualidades Divinas a pessoas e coisas. O início da idolatria. É errado considerar Avraham como o primeiro monoteísta. D’us falou com Adão e Eva, Caim e Abel trouxeram oferendas, Ele falou com Caim e Noé será instruído por D’us.

O Homem afastou-se de D’us, falhou no seu comportamento e distanciou-se. Avraham não é o primeiro monoteísta; ele é o primeiro a ser abraçado e puxado para perto de Si por D’us. A humanidade primitiva é afastada; Avraham é puxado para perto.

7ª Aliá (5:25 – 6: 8) Aparece Noé. D’us está desapontado com o Homem, a sua expectativa de vida foi reduzida para 120 anos. D’us planeja destruir o Homem, os animais, os pássaros. Noé encontra graça em Seus olhos.

A parashá vai da Criação à destruição iminente. Embora não estejam registadas, a humanidade tem mitsvot. D’us tem expectativas da humanidade e essas expectativas não foram cumpridas. Embora desapontado, Ele não destruirá a humanidade, mas começará de novo com Noé.

 

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