Parasha da Semana – Behaalotecha

Que o Eterno te abençoe e te proteja

Na parasha anterior, Nasó, estudámos um tópico essencial: a brachá (bênção) dos Cohanim (sacerdotes). Gostaria de continuar com esse tema, já que essa é a bênção que nós, pais, usamos para abençoar os nossos filhos no início de cada Shabat. É a invocação que nos protege e nos fortalece em diferentes momentos das nossas vidas, por isso paremos para analisar seu significado.

O texto de Bamidbar (6:23 a 27) diz:

E falou o Eterno a Moisés dizendo:

Fala com Aarão e seus filhos e diz-lhes:
«Assim abençoarás os filhos de Israel dizendo:
“O Eterno te abençoará e te guardará.
O Eterno fará Seu rosto brilhar sobre ti e conceder-te-á Sua graça.
O Eterno elevará Seu rosto para ti e te dará paz.”»
E porão o meu nome sobre o povo de Israel, e Eu os abençoarei.


É o Altíssimo que nos abençoa; os sacerdotes têm o papel de serem aqueles que nos despertam para recebermos essa bênção.
Quando os cohanim na beit hakneset (sinagoga) se preparam para fazer a sua bênçã, recitam: «Bendito seja De’s, rei do universo, que nos santificou com a santidade de Aarão e nos ordenou que abençoássemos o Seu povo de Israel com amor.» Por que o amor é tão essencial para os sacerdotes cumprirem a sua missão?

Primeiro, devemos nos perguntar: o que é uma bênção? Podemos definir bênção como uma força que nos une à fonte de todo bem. Esta ação não pode ser realizada exceto por amor infinito, e dessa forma os sacerdotes unem as pessoas ao seu Criador, e o Seu Nome encontra-se sobre o povo.

O amor assegura que a bênção que sai dos lábios dos filhos de Aarão é uma, mas chega cada um de nós de uma maneira diferente. Ao ouvi-la, recebemos uma bênção única e intransmissível, como seres únicos que somos. Cada um é diferente, é um ser próprio e único; todos podemos estudar a mesma Torá, mas cada um de nós terá sua maneira pessoal de interpretá-la. Cada um encontra algo próprio nas mesmas palavras.

A bênção nos proporciona uma união com a parte mais profunda de nosso ser, com nossa origem e, desse modo, nos confere nossa própria essência.

Cada um de nós pode identificar os outros e De’s, porque há aqui uma bênção. Na brachá há uma raiz e, numa árvore com raízes, não há sequer uma folha que não tenha personalidade própria. Se o sacerdote tiver problemas com uma dessas folhas, ele é incapaz de abençoar; somente com amor é que esse relacionamento íntimo e essencial pode ser alcançado. O amor é o ingrediente especial dessa bênção e é por isso que nós pais a usamos com os seres que surgiram da nossa própria essência e a quem damos todo o nosso carinho. No Shabat, o dia que nos aproxima da Criação, que significa uma parte do mundo vindouro entre as tensões da vida quotidiana, essa bênção permite-nos unirmo-nos à essência de nossos entes queridos.

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