Parasha da Semana – Devarim

Parasha da Semana – Devarim

Parasha Devarim

Por: Rav Reuven Tradburks

O livro de Devarim é o discurso de Moshe na última semana da sua vida.  Um discurso bastante longo, a melhor parte de 28 capítulos.  Tem muito a dizer. Ele não entrará na terra de Israel.  O povo judeu sim.  Transferiu a liderança com sucesso: o sucessor de Aharon é Elazar, o sucessor de Moshe é Joshua.  Já vimos antes outras palavras de despedida:  Yaakov, em Parshat Vayechi, exorta os filhos.  Mas não durante 28 capítulos.  Yaakov fê-lo num capítulo de 33 versos.  O nome em português para este livro é Deuteronómio; o Midrash chama-lhe Mishneh Torah.  Ambos significam «2» – a segunda versão da Torá, ou a repetição da Torá.  Mas estes nomes são enganadores.  Moshe não revê  toda a Torá.  Ele relata apenas algumas histórias, revendo com o povo alguns dos episódios que aconteceram anteriormente na Torá.  Mas deixa de fora muito mais do que o que repete.  Não menciona nada do livro de Bereshit.  Nem qualquer história do Egito; nada sobre a escravatura.  Ou sobre as pragas.  Ou sobre a divisão do Mar. Ou sobre as instruções para o Mishkan.  Ou sobre a maior parte do livro de Vayikra relativamente à Tuma, Tahara e às Oferendas. Portanto, não é uma revisão da Torá; é uma revisão de algumas partes, de histórias e leis selecionadas da Torá.  Somos obrigados a perguntar porque escolheu Moshe estas histórias que encontramos aqui, e não outras. E a ordem não é de todo a de como ocorreram; Moshe muda a ordem.   Onde é que ele quer chegar?  O que está a motivar Moshe?  E, como último ponto de introdução: a linguagem de Devarim é diferente.  É emocional.  Há muita preocupação, apreensão, medo.  Preocupação com o fracasso, desafios que não serão cumpridos, nos quais o povo fracassará.  Há amor:  amor de De’s por nós e amor nosso por Ele.  Muito zelo e paixão; muitas figuras de estilo enfáticas.  Moshe, neste discurso de partida, está a partilhar muito de si mesmo, de uma forma muito reveladora, com o povo de quem se separará muito em breve.

1a aliá (Devarim 1:1-10) Moshe narrou os eventos da viagem, a viagem de 11 dias de Chorev a Kadesh Barnea.   No 1º de Adar, no ano 40, Moshe relatou ao povo tudo o que De’s lhe tinha instruído sobre eles.  Isto foi depois das derrotas de Sichon e Og, nas margens do Jordão.  Ele relatou: De’s instruiu-nos a deixar o Sinai e a tomar a terra de Israel, a terra prometida aos nossos antepassados.  E eu disse: este povo é agora tão numeroso que não posso suportá-lo sozinho.

Demorou 40 anos para fazer uma viagem de 11 dias.  Isso não é uma quilometragem lá muito boa. Moshe começa as suas palavras de despedida com uma descrição da viagem à terra de Israel. Não com a história do Êxodo.  Nem mesmo com a história da entrega da Torá.  A sua ênfase  é a viagem à terra.  O povo está prestes a entrar na terra; estão preocupados com isso.  Moshe vai ao encontro deles onde eles estão, abordando as suas preocupações imediatas.   Ele já vai chegar à parte sobre os sinais, sobre a crença religiosa e sobre os desafios religiosos.  Mas primeiro vamos tratar do assunto em questão:  entrar na terra.

2ª aliá (1:11-21) Naquela época eu disse: vamos escolher pessoas sábias para liderar o povo. Concordaram que era boa ideia. Líderes sábios foram nomeados sobre milhares, centenas, e dezenas, e também foram nomeados oficiais de aplicação da lei. Encarreguei os juízes dizendo: Ouvi e governai de forma justa, sem preconceitos.  Dei-vos instruções sobre todas as coisas que deveis fazer.  Viajámos pelo deserto até ao Monte dos Emori, Kadesh Barnea.  Chegados lá disse:  Vamos sem medo e conquistemos a terra.

É curioso que a primeira história que Moshe sente necessidade de contar seja a nomeação dos vários juízes dos tribunais, do superior e do de primeira instância.  Afinal, isto não parece ter nada a ver com a marcha para a terra.  Na verdade, há outras histórias que ocorrem como parte da marcha, como as queixas por água, que são simplesmente ignoradas. Porquê mencionar a nomeação de juízes?  Talvez Moshe esteja a abordar a preocupação calada do povo: Como é que vamos conseguir ter sucesso sem a liderança de Moshe?  Não venceremos nas batalhas sem ele. A subtileza de Moshe equilibra a sua condição de indispensável.  Não posso fazer tudo.  Não conseguia fazer tudo naquela época. Precisei de ajuda desde o início.  E agora também.  Eu sou dispensável.

3a Aliá (1:22-38) Vieram a mim para eu enviar espiões para explorar a terra.  Achei uma boa ideia escolher os líderes das tribos para essa tarefa.  Eles viajaram até lá e voltaram com frutos da terra exclamando: A terra que De’s nos dá é boa. Mas recusastes-vos a ir e revoltastes-vos contra De’s dizendo: Estes homens prejudicaram a nossa determinação, falando-nos dos gigantes e das cidades fortificadas.  Insisti que De’s travaria a batalha, como fez até agora.  Mas não confiastes em De’s, que vos tem guiado com nuvens e fogo.  Foi-vos dito que todos os que não acreditaram que podiam entrar na terra, não entrariam na terra.  E a mim também me foi dito que não entraria; Yeshoshua vai liderar o povo para entrar na terra.

Moshe está a criar uma ligação com o povo: Pedi-vos juízes e achastes que a minha ideia era boa.  Pedistes-me espiões e achei a vossa ideia boa.  As diferenças na forma como Moshe relata esta famosa história dos espiões e a forma como a própria Torá a descreveu é um tema rico para análise.  Uma das inúmeras diferenças é o papel dos espiões nesta narrativa: está em falta.  Pouco se diz sobre os espiões.  Em Bamidbar, parece que o relatório desfavorável deles despoletou uma cascata de medo.  Aqui, Moshe coloca a culpa no povo: causada pelo relatório dos espiões, mas claramente centrada no povo.  Talvez Moshe esteja deliberadamente a mudar a ênfase dos líderes para os seguidores.  Precisam de bons líderes, mas também precisam de ser bons seguidores.  A culpa de todos os fracassos nacionais não pode ser atribuída sempre aos líderes.  As pessoas também têm de assumir plena responsabilidade pelas suas decisões.  E aqui, a decisão do povo foi revoltar-se contra De’s.

4a aliá (1:39-2:1) Ao saber que não entraríeis na terra, arrependestes-vos do vosso pecado.  Deixa-nos ir para a terra.  Mas fostes avisados de que De’s não estaria convosco nisto, e os Emori afugentaram-vos como abelhas até à região de Seir.  Habitámos em Kadesh e Har Seir por muito tempo.

Quando seguimos o plano divino, temos sucesso. Quando nos aventuramos sozinhos, sem apoio divino, somos enxotados como abelhas. O nosso êxito na conquista da terra deve-se ao nosso parceiro divino.

5a aliá (2:2-30) Chegou a hora de viajar para o norte.  Não confronteis os descendentes do vosso irmão Esav que residem em Seir.  Contornai a sua terra; pagai pela comida e pela água que precisardes deles.  Além disso, não confronteis Moav, porque é a herança legítima dos descendentes de Lot.  Passando a terra de Moav, é Amon; não confronteis Amon, pois também é a herança legítima dos descendentes de Lot.  A região a norte do Arnon é a terra de Sichon e Og; estas terras são as que vos dei.   Propus a Sichon passar pela sua terra, mas ele recusou; De’s o tornou teimoso para que pudéssemos conquistar a sua terra.

Esta descrição das nossas ligações familiares é surpreendente. Temos parentes. E devemos ter consideração por esses parentes.  O irmão de Yaakov, Esav, instalou-se em Seir.  Ele merece respeito fraterno e, portanto, deixai-o em paz.  Moav e Amon são nações de Lot, sobrinho de Avraham.  Deixai-os em paz também; São vossos parentes.  Os irmãos, mesmo quando seguem caminhos completamente diferentes, continuam a ser irmãos.

6ª aliá (2:31-3:14) De’s disse-nos para tomarmos as terras de Sichon na guerra.  As terras foram conquistadas até ao Gilad.  Og confrontou-nos na região em direção ao Bashan e também foi conquistado.  As suas terras foram dadas a Reuven, Gad e à metade da tribo de Menashe.

Estes confrontos com Sichon e Og são as últimas histórias do livro de Bamidbar, não há muito tempo.  Moshe relata estas histórias logo no início do seu longo discurso, embora, se estivesse a rever a nossa história cronologicamente, tivesse de esperar 25 capítulos.  Fá-lo para começar o seu discurso com histórias de sucesso e encorajamento.  Ele vai querer avisar as pessoas, admoestá-las, contar-lhes sobre os seus futuros fracassos, mas isso pode esperar.  Começa com sentimentos positivos.

7a aliá (3:15-22) As terras a leste do Jordão, incluindo o Gilad e as terras desde o Kineret até ao Mar Morto foram habitadas por Reuven, Gad e metade da tribo de Menashe.  Instruí estas tribos a juntarem-se à batalha pela terra de Israel e regressarem depois às suas terras.

Este é um pedaço de terra muito grande:  a parte do lado leste do Jordão, do Mar Morto até lá acima ao Hermon, foi conquistada e será habitada pelo povo judeu.   Estas primeiras vitórias e a repetição de Moshe das suas histórias permite-lhe iniciar as suas longas instruções ao povo de uma forma positiva e  otimista. E ele descreveu como chegámos às fronteiras da terra. Agora vai focar-se em instruções muito mais importantes: como viver na terra.

Mais diversão no verão dos Bnei Menashe

Mais diversão no verão dos Bnei Menashe

No verão não há escola. Muitas crianças vão para colónias de férias e viagens, mas nem todos têm recursos para tal, e muitas crianças ficam sem nada para fazer. 

Em Nof Hagalil, Moti Yogev organizou programas de verão incríveis para a Shavei Israel, com a assistência da Keren Kayemet L’Israel (KKL), para os Bnei Menashe dessa região. 

Após uma primeira semana bem-sucedida de atividades em grupo e exercícios ao ar livre, o programa de verão foi estendido para as séries 1-8 até 21 de julho, combinando muitas visitas de estudo e diversão. O leque de atividades incluiu desde explorar uma antiga sinagoga em Katzrin, nos Montes Golã, até um dia incrível de atividades aquáticas no ‘Aqua Kef’.

Esperamos que possa haver mais duas semanas de atividades em agosto. Enquanto isso, veja algumas fotografias dos dias magníficos que as crianças tiveram!

Património cultural na colónia de férias

Património cultural na colónia de férias

As colónias de férias são um lugar para as crianças fazerem explorações e se divertirem com os colegas. A colónia Camp Dror da OU Israel não é exceção. Esta conhecida colónia nos Montes Golã oferece quase três semanas de diversão a mais de 200 crianças todos os anos. As atividades incluem sempre componentes educativos, e este ano foi adicionado à programação um programa multimédia sobre os Bnei Menashe.
Como parte da programação do nosso Centro Ma’ani para preservar, promover e divulgar o património cultural das várias comunidades com as quais trabalhamos, Laura Ben-David fez a viagem de mais de 3 horas até aos Golã para fazer uma apresentação sobre os Bnei Menashe. Não passou despercebido a ninguém que os Montes Golã eram, de fato, parte do território que foi dado à tribo de Menashe após a conquista de Israel no tempo de Josué.

Após um longo e quente dia de atividades ao ar livre, toda a divisão do Camp Dror Boys (a divisão dos rapazes) – mais de 110 crianças – conseguiu reunir-se silenciosamente na sala de estudos. Os acampantes, com idades entre os 9 e os 17 anos, receberam uma visão geral da história, cultura, tradições, aliá e integração em Israel dos Bnei Menashe. O programa incluiu muitas fotografias dos Bnei Menashe, tanto na Índia quanto em Israel. Os acampantes ficaram fascinados e fizeram muitas perguntas, realmente ansiosos por aprender o mais que pudessem.

Crianças incríveis, programa incrível!!

Roupa para crianças

Roupa para crianças

Apesar de muitos desafios, fomos abençoados em trazer mais de 700 Bnei Menashe da Índia para Israel entre dezembro de 2020 e dezembro de 2021. Esses novos olim (imigrantes) passaram os seus primeiros meses em Israel nos nossos centros de absorção, após o que se instalaram em Nof Hagalil no norte. 

Desde então, uma série de iniciativas tem trazido roupas, presentes e brinquedos para os novos imigrantes, ajudando-os a facilitar o seu caminho rumo às suas novas vidas em Israel.

Uma dessas iniciativas é a do projeto de Tamara Okun, de Neve Daniel. Tamara administra uma ‘gemach’, uma espécie de loja de segunda mão judaica. Tamara recolhe roupas pouco usadas que foram doadas. Desta vez, como das outras anteriores, ela verificou a sua coleção, selecionou itens apropriados e fez embalagens organizadas, com o tamanho e o género claramente marcados. Ela faz isso para dezenas de crianças e depois entrega os itens nos nossos escritórios, para surpresa da equipa, ao verem como estava tudo tão bem organizado e fácil de distribuir pelas crianças. 

Finalmente, os itens são carregados em veículos e levados para os imigrantes mais novos, atualmente em Nof Hagalil, e distribuídos pelas crianças Bnei Menashe, que ficam muito felizes. 

Que projeto incrível! 

Parasha da Semana – Matot-Masei

Parasha da Semana – Matot-Masei

Por: Rav Reuven Tradburks

Na marcha para a terra de Israel, a liderança fez a transição para a nova geração. Elazar substituiu Aharon. Yehoshua foi nomeado sucessor de Moshe. Houve sucesso militar, com as nações vizinhas mostrando deferência e medo do sucesso do povo judeu. Houve lições de liderança: os líderes devem servir o seu povo e o seu D’us. E a parashá da semana passada terminou com uma lição paralela para o povo: nós também servimos o nosso povo e o nosso D’us, simbolizado pelas oferendas comunitárias. Somos parte de uma história maior; a história do povo judeu. E como tal, aproximamo-nos de D’us como povo, com uma oferenda comum para cada ocasião especial.

1a  aliá (Bamidbar  30:2-31:12)  Votos: os compromissos devem ser mantidos.  O voto de uma jovem  pode ser anulado pelo pai no dia em que é tomado; se não for anulado, deve ser observado.  O voto de uma mulher casada pode ser anulado pelo marido; se não for anulado, deve ser observado.  Travai uma batalha de  retaliação a Midian, após a qual Moshe morrerá.  1,000 soldados por tribo são liderados por  Pinchas, acompanhados pelos utensílios sagrados e trompetes.  Os líderes de Midian são mortos, as cidades destruídas.  Todo o espólio é trazido para Moshe e Elazar nas planícies de  Moav, em frente a Jericho.

Há 2 coisas a serem observadas na mitsvá dos votos. Primeiro, a Torá está alerta em exigir que mantenhamos a nossa palavra. Essa é uma marca registada do comportamento interpessoal – o que eu disser, farei. E segundo, que um homem precisa cuidar dos votos de sua esposa e filhas.

Mas porque é colocada aqui esta mitsvá, neste ponto da Torá?

Estamos a marchar para a terra de Israel. Então vamos estabelecer-nos lá. Todos precisarão de assumir compromissos comunitários. O que eu digo, devo fazer. A minha palavra é minha palavra; você pode contar comigo.

Enquanto a marcha para a terra continua, pensamos no dia seguinte, na colonização da terra e na construção da sociedade. Estamos a virar o foco da marcha para a terra, para a vida na terra. Essa sociedade tem que ser construída sobre a confiabilidade da palavra de alguém.

A ênfase aqui em mantermos a nossa palavra está é um prenúncio da história que vai aparecer mais adiante na parashá. Gad e Reuven querem ficar na margem leste do Jordão. Eles prometem lutar com o povo. Moshe aceita essa promessa; porque uma promessa é uma promessa.

Este aspeto dos votos faz parte da filosofia de vida que a Torá criou; a vida é serviço de uma vocação superior. Somos parte de um povo que serve a D’us. Somos parte de uma missão maior. E, portanto, temos que honrar a nossa palavra uns para com os outros, pois temos uma sociedade preciosa para cuidar.

Mas a nossa aliá também enfatiza a responsabilidade de um homem de cuidar dos votos de sua esposa e filhas. Isso é um contrapeso. Servimos o nosso povo. Mas também temos a nossa família. O serviço público dá à nossa vida um propósito maior. Mas não à custa da nossa família. A nossa principal responsabilidade é administrar a nossa família.
A sociedade judaica será uma sociedade de proximidade, de compromissos e cuidados uns com os outros. A começar em nossa casa.

2ª  aliá  (31:13-54)  Moshe está zangado por as mulheres terem sido poupadas, pois foram as armadilhas  nos assuntos ilícitos de Baal Peor.  Ordena a sua morte.  Elazar ensina a passar os utensílios midianitas através do fogo e através da água antes de os usar (kasherização e  imersão).  O vasto espólio está dividido.  Os soldados recebem metade, o povo metade.  Os soldados darão 1/500 do seu espólio aos Cohanim; o povo  dará 1/50  para os Leviim.  O espólio era: 675.000 ovelhas, 72.000 bovinos, 61.000  burros e 32.000 jovens.  Foram dados os dízimos.  Os líderes da guerra aproximam-se de Moshe: nenhum soldado caiu na batalha.  Daremos a totalidade do espólio de ouro e prata como expiação; é 16.750 shekel.

Esta batalha não é liderada por Yehoshua. É liderada por Pinchas. Com cada tribo igualmente representada. É uma guerra santa. Não é a vingança que as pessoas costumam procurar quando são injustiçadas. Foi uma afronta ao Divino. A resposta é uma resposta divina.

3a  Aliá  (32:1-19)  As tribos de Reuven e Gad  têm  extensos rebanhos, e a região acabada de conquistar  tem  terras de pastagem exuberantes.  Pediram a Moshe para se instalarem neste local.  Moshe  perguntou retoricamente: os vossos irmãos vão para a  guerra e vós sentais-vos aqui? Ides desmoralizar o povo assim como os espiões, ao não querer entrar na terra. Vistes a reação de De’s ao não permitir que aquela geração entrasse na terra.  As tribos de Reuven e Gad partiram para alojar os seus rebanhos e famílias no lugar, juntando-se ao resto das pessoas nas  batalhas pela  terra.

A guerra com Midian rendeu um vasto espólio de animais.   Os  Bnei  Reuven e os Gad pensam: “se esta terra pode dar tanto, porque não ficar com ela?”  Faz todo o sentido.  Afinal, isto é economicamente seguro e  estável.  Não é o mesmo que os espiões.  Os espiões tinham medo de tomar a  terra, o que, no fundo, foi um repúdio da promessa de De’s de defender a nossa conquista da terra.  Estas  pessoas  estão apenas confortáveis em  chutz  laaretz.  A grama é mais verde deste lado; por que se aventurar  para o outro, o  desconhecido?  Não questionam    se a terra pode ser conquistada; questionam poquê desistir da boa vida.  Parece-vos familiar?

4a  aliá  (32:20-33:49)  Moshe  concordou com a oferta das tribos de Reuven e Gad: eles se juntariam à batalha pela terra e após a sua conclusão voltariam para a margem leste do Jordão.  Moshe informou Yehoshua e Elazar disto, instruindo-os a garantir que tudo o que foi acordado fosse cumprido.  As terras de  Og  e  Sichon foram divididas entre Gad e Reuven, enquanto a região de Gilad foi dada a metade da tribo de Menashe.    Moshe registou todas as viagens até aqui, enumerando-as todas com  grande detalhe.  Quando  chegaram a  Hor  Hahar,  Aharon  morreu, aos 123, anos no primeiro dia do quinto mês (1 Av).  As  viagens terminaram nas planícies de  Moav  em frente a Jericó.

A aquiescência ao pedido das tribos de Reuven e Gad é surpreendente.  Por que permitir que se assentem fora da terra de Israel, instalando-se nas terras de  Og  e  Sichon? Pode ser graças ao seu empenho. Eles mostraram estar totalmente empenhados na conquista da terra de Israel. Eles juntar-se-ão às batalhas, e só quando o povo judeu estiver instalado na terra é que eles voltarão ao outro lado do Jordão. Eles expressaram o seu compromisso total com a missão judaica. Por isso é que Moshe concordou com o seu pedido de se instalarem do outro lado do Jordão.

5a  aliá  (33:50-34:15) Nas margens do Jordão, é ordenado ao povo é ordenado que conquistem a terra de Israel e se instalem nela, por ela lhe ter sido dada.  Deveis substituir o povo da terra, pois, senão, eles serão um espinho do vosso lado; e, inevitavelmente, o que vos estou a  ordenar, que os substitueis, será feito por eles a vós.  As fronteiras da terra: ao sul, do Mar Mediterrâneo até ao Mar Morto; a fronteira ocidental é o Mar Mediterrâneo a norte até ao Líbano, a Norte até à Síria, a leste ao longo do Jordão. Esta terra será dividida pelas 9,5 tribos, enquanto que as tribos de Reuven, Gad e a meia tribo de Menashe instalar-se-ão no lado leste do Jordão.

Esta é a mitzvá de estabelecer-se na terra de Israel. O povo judeu entrou na terra de Israel apenas 3 vezes na história: aqui, liderado por Yehoshua, no tempo de Esdras e Neemias, retornando do exílio babilónico, e no nosso tempo. Esta primeira entrada é gloriosa, todo o povo judeu, com profecia liderada por Yehoshua, com autodeterminação, e depois com monarquia. A segunda entrada foi dececionante. Pequenos números, aos trancos e barrancos, semiautonomia, sem plena soberania. Mas esta terceira entrada, no nosso tempo, embora complicada e sem profecia, e sem todo o povo judeu, ainda assim é muito mais parecida com o tempo de Yehoshua. Números grandes e crescentes. Sucesso glorioso. Soberania – o nosso próprio governo, a nossa própria defesa, a nossa própria tomada de decisão. Que privilégio. Esta aliá é a nossa vida.

A delimitação das fronteiras da terra é complicada porque alguns dos marcos que descreve não nos são familiares.  No entanto, é evidente que a fronteira sul não se estende até Eilat.  A fronteira norte estende-se até boa parte do Líbano de  hoje.  E a fronteira oriental  inclui grande parte da Síria de hoje.

O Negev ocidental fica fora dessas fronteiras e, portanto, pode estar isento das leis de Shemita. As fronteiras específicas e como elas impactam a halachá fazem desta aliá, talvez negligenciada durante os longos anos do exílio, uma aliá viva no nosso tempo.

6a  aliá  (34:16-35:8) Os líderes das tribos farão a partilha da terra. São listados os nomes dos líderes de cada tribo. Aos  Leviim  serão dadas cidades entre as tribos.  Cada cidade terá área aberta e área de pastoreio à sua volta, 2.000  amot  em área total fora da cidade.  Os  Leviim  podem instalar-se nas cidades de refúgio ou em 48 cidades designadas.  Estas cidades são fornecidas pelas tribos,  de acordo com o tamanho da tribo e a sua área atribuída.

A transferência de liderança continua com esta lista de novos líderes.

A Torá enfatizou algumas vezes que a atribuição de terras na terra de Israel tem que ser feita por tribo. E dentro da tribo, pelo seu líder. E já aprendemos que qualquer terra vendida deve retornar ao seu proprietário original no Yovel. Porquê essa insistência na integridade tribal, na atribuição segundo as instruções e na manutenção dessa distribuição original ao longo do tempo?

Poderia ser para transmitir que a colonização da terra de Israel não é meramente uma apropriação de terras para albergar este grande grupo de pessoas. É um mandamento divino com a sua estrutura e as suas limitações. O retorno da terra no Yovel parece bastante anticapitalista. Grandes propriedades de terra não são para nós; a terra volta para aqueles que ali se estabeleceram quando entraram na terra.

7a  aliá  (35:9-36:13) Devem ser estabelecidas Cidades de Refúgio, 3 no lado oeste da Jordânia, 3 a leste.  Quem matar acidentalmente pode  fugir para lá.  Não é acidental mas sim assassinato se uma pessoa atacar outra com uma arma letal, ou se o ataque for premeditado.  O  assassino será condenado à morte; os familiares das filhas de  Zelophchad  apontaram a Moshe que a herança da família seria danificada,  pois as filhas vão se casar com homens de outra tribo, e, assim, a integridade do loteamento familiar deles seria danificada.  Nem sequer regressará em Yovel, pois passará para outra tribo. Moshe instruiu que estas mulheres casassem com homens da sua família, de modo a manter a integridade do loteamento da família.

Na descrição das cidades de refúgio, qualquer ilusão de que a sociedade judaica na terra será perfeita é dissipada.  Haverá assassinatos.  E nesta parsha, travámos uma batalha devido à ao pecado do mau comportamento sexual com as mulheres de Midian.  E anteriormente, na Torá, o bezerro de ouro e adoração de ídolos. Os  judeus do deserto cometeram os 3 grandes pecados: idolatria, adultério e assassinato.  Não  somos, nem temos ilusões de virmos a ser uma sociedade perfeita.  Mas, com todo o conhecimento disso, De’s está a prometer-nos que estamos na iminência de entrar na terra. Alguns judeus vão errar, vão pecar, vão falhar. Mas não o povo judeu.  O pacto com o povo perdura. Com algumas pedras no caminho, mas  perdura.