Parasha da Semana – Bo

Parasha da Semana – Bo

Por: Rav Reuven Tradburks

Ocorrem as 8ª e 9ª pragas. Antes da 10ª, a morte do primogénito, são dadas as mitzvot de Korban Pesach e de Matza. Morre o primogénito. Os judeus são enviados para fora do Egito. São dadas mitzvot para comemorar o evento importante do Êxodo do Egito.

1ª aliá (10: 1-11) A oitava praga: gafanhotos. Moshe e Aharon vão ao faraó: surgirão gafanhotos, que comerão toda a vegetação que sobrou do granizo. Eles saem. Os conselheiros do faraó avisam-no de que o Egito está a caminhar para a destruição. Moshe e Aharon são trazidos de volta. O faraó diz: Ide e servi o vosso D’us. Quem vai? Moshe responde: Os jovens, os velhos, os homens, as mulheres, os animais. O faraó recusa: Só os homens. E manda-os ir.

As pragas têm padrões. Um dos padrões nestas últimas pragas parece ser uma reversão da Criação. Na história da Criação, a luz é criada no dia 1. Os céus no dia 2. A terra e a vegetação no dia 3. Ao inverso: os gafanhotos comem toda a vegetação da terra. Vêm do céu. Na escuridão, Moshe levanta o seu cajado para o céu. E então, escuridão. Como se o mundo do Egito estivesse a voltar ao caos.

2ª aliá (10: 12-23) O vento leste traz os gafanhotos. Eles escurecem a terra, comendo toda a vegetação. O faraó chama rapidamente Moshe e Aharon: Pequei perante D’us, o vossoD’us. Rezai para remover esta morte de mim. Moshe reza. O vento leva os gafanhotos de volta para o mar. O faraó não deixa o povo ir. A 9ª praga: 3 dias de escuridão. Para os judeus há luz.

As pragas são educativas. São para ensinar os princípios fundamentais da crença em D’us. Moshe diz isso ao faraó nas pragas 1, 4 e 7. Então saberás que Eu sou D’us. Então saberás que Eu sou D’us no meio da terra. Então saberás que não há ninguém como Eu. Estas são as 3 ideias centrais de crença em D’us que dizemos no Shema – há um D’us, Ele é nosso (conectado a este mundo) e Ele é Um.

Além disso, as pragas sobem – da água (sangue, rãs), para a terra (os animais selvagens e a morte) e para o céu (granizo, gafanhotos, escuridão). Ele governa sobre tudo.

E podemos ver como impactam a nossa vida. Sabemos que existe um delicado equilíbrio necessário para sustentar a vida. À medida que a ciência avança, tornamo-nos ainda mais conscientes. Precisamos de água. Os nossos corpos combatem doenças que podem ser mortais. Precisamos de nutrição. Uma mudança no equilíbrio da natureza traz desastres naturais.

As pragas podem ser vistas como se dissessem – toda essa sua vida é um equilíbrio delicado. Se houver qualquer coisa errada, cuidado. Você depende da água – observe o que acontece quando se transforma em sangue. O reino animal é um equilíbrio delicado entre predadores e presas. As rãs fora de controlo trazem a destruição. Os piolhos têm a sua função – mas demasiados acabam connosco. Os animais não atacam as pessoas – quando o fazem, é o caos. Os nossos corpos combatem doenças – doenças e furúnculos transmitem a nossa vulnerabilidade. O granizo simboliza o delicado equilíbrio da natureza, que quando perturbado pode trazer destruição em massa. A nossa comida é fraca – uma invasão de gafanhotos pode trazer uma fome que ameaça a própria vida. E a escuridão – a luz é simplesmente indispensável para o nosso funcionamento.

As pragas dizem-nos  que o nosso mundo é um equilíbrio delicado – a nossa vida individual de água, comida e doença, o reino animal e seu maravilhoso equilíbrio, o mundo natural e a sua conexão. Tudo isso tem que estar perfeito para que tudo funcione. E essa é a Sua Mão. A Sua Mão Oculta calibra tudo isso para que nem percebamos essa complexidade infinita. Nós, pessoas modernas, sabemos disso cada dia mais, pois a ciência revela equilíbrios cada vez mais fascinantes. As pragas transmitem a nossa vulnerabilidade e confiança na Mão Oculta que controla tudo.

3ª aliá (10: 24-11: 3) O faraó chama Moshe: Ide servir a D’us, até mesmo os vossos bebés. Deixai apenas os animais para trás. Moshe responde: Precisamos de os levar. Não sabemos o que oferecer até chegarmos lá. O faraó: Nunca mais me apareças, ou morrerás. D’us diz a Moshe que após a próxima praga ficarão livres. E os egípcios darão ao povo ouro e prata.

A justiça é um tema central da Torá. A injustiça da escravidão deve ser corrigida – daí a promessa de que os egípcios darão aos israelitas  ouro e prata, uma pequena correção do mal da escravidão.

4ª aliá (11: 4-12: 20) Moshe fala ao faraó sobre a praga iminente do primogénito. O teu povo vai implorar para que partamos. Moshe sai, zangado. D’us diz-lhe que o faraó não vai ouvir. Moshe e Aharon recebem as instruções para o Korban Pesach: No dia 10 do mês tomai um cordeiro para cada a família, guardai-o até dia 14, todo o povo judeu deve oferecê-lo, consumi-lo à noite assado com Matza e Maror, com os vossos cajados na mão e as sandálias nos pés. Enquanto isso, destruirei todos os primogénitos à meia-noite. Este dia e sua celebração ficarão marcados para sempre. Durante 7 dias comei Matza; Não deveis comer chametz algum durante 7 dias.

A matza deve ser comida na noite do êxodo – antes da meia-noite. Eu pensava que comíamos Matza por causa da pressa do êxodo… Mas isso não acontecerá até amanhã. Rav Menachem Liebtag aponta que o seder na noite do êxodo é um jantar anti-Egito. Os animais são sagrados? Nós vamos assar um. E o pão levedado é um desenvolvimento egípcio. Todo o pão nessa parte do mundo é achatado: pitas, lafa. O pão em formas elegantes é egípcio. Então, no seder no Egito, nada de pão egípcio chique, apenas Matza.

5ª aliá (12: 21-28) Moshe instrui o povo sobre o pesach, incluindo marcar as portas com o seu sangue. Não saiam de casa nessa noite. Este feriado será cumprido para sempre: Quando chegares à terra, cumpre-o. Os teus filhos perguntarão porquê; diz-lhes que é porque D’us passou por cima das nossas casas. O povo, ao ouvir estas instruções, faz exatamente como D’us ordenou a Moshe e Aharon.

Imagine a fé necessária para seguir essas instruções. Ok, D’us prometeu que os primogénito egípcios seriam feridos no dia 15 à meia-noite. E com isso, sairemos em liberdade. Mas escravos a prepararem-se descaradamente para matar e assar os animais sagrados do Egito? Porquê assar em fogo aberto? Não sei, vou especular, mas… bem, o cheiro de churrasco não dá para esconder. O cheio chega à vizinhança toda. É ordenado aos judeus que celebrem, sem vergonha, em plena exibição, queimando o que é sagrado para os egípcios, bem na cara deles, antes de serem libertados!

E, para aumentar a confiança, a fé, a certeza, sabei que cumprireis isto para sempre. Antes que o êxodo aconteça, eles já estão a planear celebrá-lo para sempre. Isso é confiança. Fé.

Quando Moshe instruiu o povo, eles fizeram exatamente o que D’us ordenou. Uau.

6ª aliá (12: 29-51) À meia-noite, todos os primogênitos no Egito morrem. O faraó chama Moshe e Aharon e ordena que saiam para servir a D’us. Rapidamente, para que todo o Egito não seja ferido. 600.000 homens adultos estavam entre os judeus que deixaram o Egito. A massa foi assada como Matza, pois eles não podiam esperar para o pão crescer. A permanência no Egito foi de 430 anos. D’us diz a Moshe e Aharon as regras da oferenda de Pessach: apenas escravos circuncidados, nenhum empregado, todo o povo, não levem para fora de casa, uma regra para o povo todo.

O Êxodo do Egito é uma crença central: que D’us molda a História judaica, com um yad chazaka e um braço estendido. E já que é uma crença tão central, temos um monte de mitsvot para nos lembrar disso. Para ficar bem inculcado na mente. Porque acreditar em um D’us todo-poderoso que criou o mundo é uma coisa. E que nos deu a Torá. Mas que, além disso, está ativo na nossa história? Isso é difícil de ver. Vivemos em um mundo nebuloso, onde os fluxos e refluxos de nossa história parecem aleatórios. Tivemos reis, depois exílio, depois voltámos. E depois 2.000 anos de exílio, com muitos  momentos em que a crença em um D’us ativo em nossa história foi, bem, foi muito difícil. Desafiante. Culminando no eclipse mais escuro de todos, a Shoah. A Mão de D’us na história, muitas vezes, na verdade, na maioria das vezes, foi obscurecida de nossa visão. Para onde Ele está nos levando, como Ele está nos guiando? Se acreditar em Sua Mão na história fosse fácil, não precisaríamos de todos esses lembretes do êxodo do Egito. Nós têmo-los porque precisamos deles.

Mas para nós é diferente. Nós, a geração privilegiada, (Ah, que privilegiada!), nós, que voltámos à nossa Terra, somos realmente privilegiados, porque quando lemos sobre o Seu Yad Hachazaka e o Seu Zroa Netuya, a Sua mão forte e o Seu braço estendido, podemos testemunhar e afirmar que sim, que Ele guia o nosso povo, intervém na nossa História. Para nós é mais fácil.

7ª aliá (13: 1-16) Ordens de D’us: todos os primogénitos  e animais do povo judeu serão Sagrados para Mim. Moshe diz ao povo: lembrai-vos deste dia, pois nele D’us tirou-vos da escravidão com Mão Forte. Quando vierdes para a terra de Israel, cumpri o seguinte: comei matza durante 7 dias, livrai a casa de chametz, dizei aos vossos filhos que foi por isso que D’us nos tirou do Egito. E amarrai isto como um sinal nos vossos braços e uma lembrança entre os vossos olhos. Cada animal primogénito é uma oferenda dedicada. Quando os vossos filhos perguntarem o que é isto, dizei-lhes que D’us nos tirou do Egito. Amarrai isso como um sinal nas vossas mãos e um guia entre os vossos olhos, pois D’us nos tirou com mão forte.

As mitzvot da história do Êxodo, incluindo amarrar tefilin na mão (do nosso lado mais fraco, pois o braço forte é dEle), e na cabeça, essas mitzvot resultam. A história do êxodo do Egito é facilmente a história mais familiar da Torah. As mitzvot-lembretes resultam.

Um novo emissário para a Comunidade Judaica de El Salvador

Um novo emissário para a Comunidade Judaica de El Salvador

A Shavei Israel, juntamente com o Beit Midrash Sephardi, nomeou o rabino Eliyahu Franco como o novo emissário para El Salvador, onde assumiu o cargo para trabalhar pelo fortalecimento da vida judaica no país.

Mais de 500 anos depois de seus antepassados judeus da Península Ibérica terem sido obrigados a se converter ao catolicismo, os Bnei Anussim (a quem os historiadores se referem pelo termo pejorativo “marranos”) em El Salvador terão o seu próprio rabino, nascido e criado na sua comunidade, para atender às suas necessidades espirituais e educacionais.

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Parasha da Semana – Vaerá

Parasha da Semana – Vaerá

Parshat Vaera

Por: Rav Reuven Tradburks

A Parshat Vaera é a transição das promessas Divinas para a ação Divina. Após a primeira recusa do faraó no final da parasha da semana passada, D’us garante a Moshe que Ele libertará o povo judeu da escravidão e o trará para a terra de Israel. Após a relutância de Moshe, Moshe e Aharon são enviados ao faraó. Ocorrem as primeiras sete pragas: sangue, rãs, piolhos, animais selvagens, praga nos animais, pústulas, granizo. O faraó reage aos solavancos, às vezes concordando e mudando de ideias logo a seguir.

1ª Aliá (6: 2-13) D’us responde firme e definitivamente à aparente futilidade da abordagem de Moshe ao faraó no final da parasha da semana passada. Eu sou D’us, um nome que os Avot não conheciam. Eu prometi-lhes a terra de Israel. Ouvi o clamor do povo. E lembro-Me da aliança. Então diz ao povo: Eu, D’us, tirá-los-ei, salvá-los-ei, redimindo-os, trazendo-os a Mim, trazendo-os para a Terra. O povo não ouve, devido aos seus fardos. D’us diz a Moshe para ir ao faraó. Ele objeta: o povo não me ouviu, como me ouvirá o faraó?

Nesta aliá, D’us estabelece a mais fundamental das crenças judaicas: a intervenção direta de D’us na história judaica. Até agora, conhecemos D’us como Aquele que promete a Avraham que receberá a terra de Israel. Mas ainda não vimos essa promessa se tornar realidade. A promessa da terra não foi concretizada.

Tudo muda agora. Em vez de termos que procurar, perscrutar os bastidores em busca do Divino, Ele diz-nos exatamente o que fará. Agora, pela primeira vez, D’us revela, em grandes detalhes, o que está prestes a fazer. E isso acontece imediatamente. Ele diz a Moshe e ao povo exatamente o que vai fazer, com todos os detalhes: tirá-los, salvá-los, redimi-los, aproximá-los a Ele, trazê-los para a Terra.

Vamos ver isto ainda melhor nas próprias pragas: De’s diz o que vai fazer hoje ou o que vai fazer amanhã. E fá-lo imediatamente. É por isso que existem 10 pragas. De’s quer demonstrar repetidamente que controla o mundo e, portanto, também a história humana.

2ª Aliá  (6: 14-29) É delineada a linhagem de Reuven, Shimon e Levi, incluindo o nascimento de Moshe e Aharon. São os mesmos Aharon e Moshe que D’us ordenou que fossem ao faraó. Aqueles que falam com o faraó.

A linhagem de Moshe parece ser apresentada para destacar que ele não é líder devido à sua linhagem. Ele não provém do filho primogénito Reuven. Nem do primeiro filho de Levi. Nem sequer é o filho primogénito de Amram. Moshe não é líder em virtude da sua linhagem.

3ª Aliá (6: 30-7: 7) D’us diz a Moshe para ir ao faraó. Moshe objeta: Sou preso de língua, como como me ouvirá o faraó? D’us diz a Moshe: Faço de ti juiz do faraó e de Aharon teu porta-voz. Endurecerei o coração do faraó. Ele não te ouvirá.

Aqui começa o detalhe do que vai acontecer. Por medidas políticas normais, Moshe sabe que não terá sucesso. Ele: fraco. O faraó: poderoso. Mas é-lhe dito que ele e o faraó são apenas peões nas Mãos de D’us.

4ª Aliá (7: 8-8: 6) Começam as pragas. Vai ao faraó pela manhã, quando ele for ao o rio. Através disto saberás que Sou D’us: A água transformar-se-á em sangue. Moshe avisa o faraó. Aharon toca na água; esta transforma-se em sangue. Os feiticeiros também o fazem. O faraó não escuta. A 2ª praga: Vai ao faraó e diz-lhe que D’us diz para deixares o povo ir servi-Lo. De contrário, as rãs invadirão a tua casa, cama, fornos, as casas dos escravos. Aharon levanta o seu cajado e surgem as rãs. O faraó chama Moshe e pede-lhe que reze para aquilo parar.

As primeiras 2 pragas, sangue e sapos, vêm da água. A água faz-nos imediatamente pensar na Criação: O espírito de D’us pairava sobre as águas. A água é um começo: em Breishit, é o começo do mundo. Aqui, é o início do povo judeu.

E as pragas serão de baixa intensidade ao princípio, e depois aumentarão. O que é mais baixo do que o nível do solo? A água, que se acumula nas partes mais baixas. As primeiras 2 pragas vêm da água. A 4ª e a 5ª, os animais selvagens e a praga nos animais, são em terra. E a 7ª, 8ª e 9ª, o granizo, o enxame de gafanhotos e a escuridão, vêm do céu.

Isto também nos remete à Criação: primeiro havia água. Separou-se para fazer os céus. E a água em baixo foi dividida para fazer surgir a terra seca. As pragas atacam esses mesmos elementos do princípio da Criação.

5ª Aliá (8: 7-8: 18) Moshe reza, as rãs param, o faraó obstina-se. 3ª praga: Aharon levanta o seu cajado; os piolhos atacam as pessoas e os animais. Os feiticeiros tentam imitar, sem sucesso. É a mão de D’us. O faraó não escuta. A 4ª praga: Vai ao faraó pela manhã quando ele for ao rio. Diz-lhe: Haverá feras no Egito, mas não em Goshen. Através disto saberás que Sou D’us no meio da terra.

Quem decidiu onde acaba cada aliá estava a fazer um comentário através dessa escolha. Na nossa parashá, faria sentido que as aliot acabassem de forma lógica com o fim de cada praga – na quebra de parágrafo. Mas tanto esta aliá quanto a seguinte concluem da mesma forma: Saberás que Eu Sou D’us.

A 1ª, 4ª e 7ª pragas começam com Moshe a encontrar-se com o faraó na água pela manhã. E cada uma repete a mesma frase: Saberás… A primeira é “Saberás que sou D’us.” A 4ª, “Saberás que sou D’us no meio da terra.” E a 7ª, “Saberás que não há ninguém como Eu.”

Estes são os 3 pilares da fé judaica: Existe um D’us, Ele é nosso D’us, ou seja, está envolvido no que acontece no mundo, e Ele é Um.

6ª Aliá (8: 19-9: 16) Ocorre a praga de feras. O faraó concorda em permitir que o povo saia para adorar no deserto. Moshe reza pelo fim da praga. O faraó muda de ideias. A 5ª praga: Vai ao faraó, os animais serão atacados com uma praga, mas não os do povo judeu. O faraó verificou, viu que era verdade. Mas endureceu o seu coração. A 6ª praga: Moshe, lança pó ao céu à frente do faraó. O pó transformou-se em furúnculos e pústulas nos animais e nas pessoas. D’us endureceu o coração do faraó. 7ª praga: Moshe, vai ao faraó pela manhã. Com esta praga saberás que não há ninguém como Eu.

As pragas 4 e 5, os animais selvagens e a praga nos animais, atacam apenas os egípcios, não acontecem em Goshen. Isto ensina-nos que D’us está envolvido na atividade do Homem, distinguindo entre o bem e o mal.

Transformar a água em sangue foi um ataque ao deus egípcio; portanto, saberás que sou D’us. Aqui a praga distingue as pessoas, os egípcios  dos judeus, para ensinar: Eu sou D’us, a agir no meio da terra. E as últimas pragas vêm do céu – Ele controla o céu, os poderes, o cosmos. Não há ninguém fora dEle.

7ª Aliá (9: 17-35) Choverá granizo e matará toda a gente no seu caminho. Moshe ergueu o seu cajado e choveu granizo no meio de trovões, com fogo. O faraó chamou Moshe e Aharon: Pequei; D’us é justo. Rezem para remover isto e eu vos deixarei ir. Moshe fez isso. O faraó recusou-se a deixar sair o povo.

Embora as pragas tenham uma ordem muito clara, as reações do faraó não. Ele aceita, permitindo que eles saiam para comemorar. Depois muda de ideias. Aqui, ele aceita que pecou. Esta é uma aceitação de responsabilidade muito impressionante. Está arrependido. E depois muda de ideias.

Esta demonstração do envolvimento de D’us no mundo é algo sem precedentes, mas o Homem permanece teimoso.

A Parasha termina após 7 pragas. As últimas 3 fazem parte da Parasha da próxima semana.

Esta história é a história mais notável da vida judaica. Mencionada diariamente nas nossas orações. No Shema. No Birkat Hamazon. No Kidush. E no seder. Por duas razões:

  1. Porque representa uma inovação radical na crença religiosa. D’us como Criador é uma crença central. D’us como Juiz, a recompensar e a punir, também é uma crença fundamental. Mas a noção de que D’us intervém no mundo, moldando a história humana, atraindo o povo judeu a Ele, para nos trazer à terra de Israel – o D’us da História, essa noção é introduzida aqui. No nosso tempo somos mimados, pois vemos o D’us da História no nosso retorno à terra de Israel. Para nós, é evidente. Nós vemo-Lo com os nossos próprios olhos. O D’us da História é-nos apresentado aqui, na nossa Parasha.
  2. Porque a perceção aberta de D’us é… bem, é difícil para nós. A Mão de D’us está escondida neste nosso mundo nebuloso. Ele criou-o dessa forma – a palavra em hebraico para «mundo» é olam, semelhante a ne’elam, «oculto». Mas perceber a Sua Mão moldando a história requer grande fé e discernimento. Oh, quantos escolheram, nos nossos dias, devido ao eclipse da Sua Face, à falta da Sua Mão na nossa história, no holocausto, oh, quantos O abandonaram. Esta história do Egito é como se Ele nos dissesse: Vou mostrar-vos a Minha Mão uma vez. Só uma vez. Prestem atenção. Não vai acontecer assim de novo. Mas estou a fazer isso porque sei como é difícil para vocês conseguirem ver-Me. A Minha Mão revela-se no Egito, nas pragas, na travessia do mar. E vocês, meu povo judeu, que viverão no futuro na espessa névoa da vida, quando ver a Minha Mão for demasiado difícil – vocês regressarão, muitas vezes, em oração, em mitsvot, a este glorioso dia claro e ensolarado da Minha Mão. E saberão que, tal como a minha Mão era tão clara e óbvia naquele tempo, a Minha Mão também está presente agora.
O último passo: o casamento

O último passo: o casamento

 

 

Nós já escrevemos sobre a família Bissato (Yehoshua de 45 anos, Chana, de 36, e a filha Leah de 10) quando eles chegaram a Israel vindos de Caxias do Sul, Brasil. O caminho incomum destes ex-pastores na verdade afastou-os dos ensinamentos com que cresceram, na direção de um caminho que os levou ao judaísmo. Procuraram por um processo de conversão durante oito anos e estão animados por estarem finalmente em Israel e por começarem esta etapa final da sua jornada ao judaísmo.

Uma vez feita a conversão formal ao judaísmo, depois de muitos meses, ou mesmo anos de aprendizado, os novos convertidos mergulham em um mikva  (banho ritual) após o qual os homens passam pela circuncisão e os casais se casam novamente, de acordo com a Torá. 
Esta cerimónia em particular foi uma grande celebração! Organizado pelas respetivas famílias adotivas dos noivos na cidade de Alon Shvut, ao sul de Jerusalém, o casamento teve cerca de 200 convidados, incluindo Chaya Castillo, coordenadora da Shavei Israel para todos os programas de conversão, que acompanhou o casal e sua filhinha durante todo o processo. 
O casamento foi um acontecimento alegre e memorável tanto para a família Bissato como para todos os convidados. MAZAL TOV!

“Somos muito gratos à Shavei Israel, que esteve sempre em contato connosco, nos ajudou durante todo o processo e continua ajudando até hoje. Também ficámos maravilhados com a chesed (bondade) do povo de Israel. Não podemos acreditar que nossa filha já está falando hebraico! Estamos ansiosos para continuar nosso futuro em nossa terra, Israel”. ~Yehoshua, Hanna e Leah
Para ajudar a família Bissato e outros como eles que estão trabalhando arduamente para concluir sua conversão, sinta-se à vontade para doar qualquer valor . Obrigada!
Parasha da Semana – Shemot

Parasha da Semana – Shemot

Parshat Shemot

Por: Rav Reuven Tradburks

O povo judeu está no Egito. Um novo faraó está preocupado com o tamanho do povo judeu. Ele decreta trabalhos forçados, infanticídio e, em seguida, o afogamento ativo dos bebés do sexo masculino. Moshe nasce e é criado em casa da filha do faraó. Depois de ver os judeus maltratados, foge para Midiã, casa, e estabelece-se lá. Aos 80 anos, Moshe encontra a sarça ardente. D’us ordena-lhe ir ao faraó e exigir, em nome de D’us, a libertação do povo judeu. Moshe, depois de tentar recusar esta missão, vai ao faraó. O faraó aumenta os trabalhos. O povo reclama.

1ª Aliá (1: 1-17) 70 Bnei Yisrael descem ao Egito. Tornam-se excessivamente numerosos, enchendo a terra. Surge um novo faraó que não conhecia Yosef. Receando que os judeus se unissem aos inimigos do Egito, ele procura diminuir a sua quantidade. A um imposto sobre o trabalho seguem-se trabalhos opressores. Em seguida, é ordenado às parteiras que matem os bebés judeus. As parteiras temem a D’us e não obedecem à ordem do faraó.

O livro de Shemot, do Êxodo, é radicalmente diferente de Bereshit. Bereshit era a história de pessoas: Avraham, Yitzchak e Yaakov, Sarah, Rivka, Rachel e Leah. Depois Yosef e os seus irmãos. E, sobreposto à história das pessoas, está o refrão Divino, “Dou-te a terra que prometi a Avraham”. É quase como uma canção com um refrão: cada pessoa é um verso, com o refrão da promessa de D’us sobre a terra a repetir-se. Avraham e sua vida, com a promessa de D’us a repetir-se. Yitzchak e sua família, com a promessa de D’us a repetir-se. Yaakov e depois a história de Yosef, com a promessa de D’us a repetir-se. Em Bereshit, as pessoas estão no centro do palco, com D’us sempre presente, mas de poucas palavras: a repetição da promessa.

Em Shemot, D’us e o homem trocam de lugar. É a história do controlo divino sobre o destino judaico. Ele é o encenador principal, e o povo judeu meros atores no palco. Ele já não não se oculta com repetidas promessas. Ele age, domina, controla, manobra. Inicia, comunica, comanda. Posteriormente, no Sinai, revela-Se.

Mas o Seu aparecimento só aconteceu quando chegámos ao fundo do poço.

O faraó age para enfraquecer o povo judeu. Ações cruéis, incluindo assassinato. As parteiras temem a D’us, recusam-se a matar. Não há menção das ações de D’us. Nós já vimos isso antes. O nome de D’us está ausente da venda de Yosef, tal como aqui. Cair, podemos cair sozinhos. No que toca à crueldade, o ser humano faz um excelente trabalho sozinho. D’us aparece quando chegamos ao fundo.

2ª Aliá (1: 18-2: 10) As parteiras defendem as suas ações perante o faraó. Moshe nasce e é colocado na água, numa cesta. A filha do faraó resgata-o. Miriam providencia para que a mãe de Moshe cuide dele. Ele é devolvido à filha do faraó e é chamado Moshe.

Quando Moshe nasceu, a sua mãe “viu que ele era bom”. E ele foi colocado na água, numa cesta. Esses 2 elementos, água e “era bom”, lembram-nos imediatamente o primeiro dia da Criação. No início, “o espírito de D’us pairava sobre as águas” (Génesis 1: 2). E quando a luz foi criada, “D’us viu a luz e eis que era boa.” Moshe a ser colocado na água e a sua mãe a ver “que ele era bom” poderia ser a maneira de a Torá nos dizer que há uma nova história da Criação a acontecer: com o nascimento de Moshe, um novo mundo amanhece para o povo judeu.

3ª Aliá (2: 11-25) Moshe amadurece. Ele sai para ver as angústias dos seus irmãos. Defende um judeu matando o seu agressor egípcio e, em seguida, salva um judeu de um agressor judeu. Foge para Midiã para salvar a vida, ajuda as filhas de Yitro, é recebido por Yitro, casa-se com Zípora e tem um filho, Gershom, “pois sou um estranho numa terra estranha”. D’us vê o sofrimento dos judeus e lembra-Se da sua aliança com Avraham, Yitchak e Yaakov.

Moshe chama o seu filho Gershom, porque “sou um estranho”. A que terra estranha se refere ele? Ser judeu no Egito? Ou ser egípcio em Midiã? Onde é a verdadeira casa de Moshe?

A história até este ponto é a história de pessoas; D’us ainda não apareceu. Num mundo sem a presença de D’us, existem pessoas boas e pessoas más. O faraó: mau. As parteiras: boas. Os pais de Moshe: corajosos. A filha do faraó: boa. A irmã de Moshe: altruísta. O capataz dos escravos egípcio: cruel. Os judeus a lutar, violentos. Yitro: hospitaleiro.

E Moshe? Sai. Preocupado. Ajuda quem precisa de ajuda. Sente angústia. Um estranho.

D’us aparece. O Seu nome aparece 5 vezes em 3 versículos. Agora tudo muda. Ou talvez não. Será que Ele orquestrou toda a atividade humana até este ponto, ou são simplesmente as pessoas a fazerem o que costumam fazer, algumas sendo boas e outras não? Ou têm sido meros fantoches na Sua Mão?

4ª Aliá (3: 1-15) Moshe e a sarça ardente. Moshe, Moshe, Hineni. D’us fala, Moshe fica intimidado. D’us diz-lhe: Vi o sofrimento do Meu povo. Salvá-los-ei do Egito e trá-los-ei para a terra do leite e do mel. Envio-te para ir ao faraó e ele libertará o meu povo do Egito. Moshe refuta: Quem sou eu para ir ao faraó? E o povo judeu vai perguntar Quem me enviou. D’us diz: Diz-lhes que foi o D’us dos seus antepassados, Avraham, Yitzchak e Yaakov, que te enviou.

Aqui, toda a história da Torá muda. D’us passa de força invisível por trás da ação humana a ditar diretamente a atividade humana. Ele diz a Moshe que tirará o povo judeu do Egito e os trará para a terra de Israel. Até agora, a terra foi prometida ao povo judeu, mas o povo tem vivido apenas com a promessa, não com o seu cumprimento. Eles não viram a Mão de D’us; detectaram-na por trás dos eventos. Como disse Yosef, “D’us trouxe-me ao Egito para salvar a família”. Ele nunca ouviu isso. Ele espreitou por trás da cortina e detectou-o.

Agora a cortina está corrida. Moshe recebe informação detalhada sobre o que acontecerá. Os judeus serão expulsos pelo faraó. A história do Êxodo do Egito é um pilar da crença judaica porque é uma exibição direta e flagrante da Mão de D’us na nossa história. É a Sua mão à vista de todos, não por trás da cortina.

5ª Aliá (3: 16-4: 17) D’us continua: Reúne o povo. Diz-lhes que os levarei para a Terra. Eles ouvirão. Vai ao faraó. Eu sei que ele não te ouvirá. Ferirei os egípcios. Saireis carregados de ouro, prata e roupas, tudo dado pelos egípcios. Moshe ainda está convencido de que as pessoas não vão acreditar nele. D’us dá-lhe sinais: o cajado transforma-se em cobra e depois de novo em cajado, a sua mão fica leprosa e depois volta ao normal. E a água transforma-se em sangue. Moshe contrapõe: Não sou bom orador. D’us diz: Sou Eu que dou a palavra ao Homem. Enviarei Aharon contigo. Ele falará. Leva o teu cajado.

A relutância de Moshe é surpreendente. Avraham não hesitou em cumprir a ordem de sacrificar o seu filho. Noach também não, quando recebeu uma ordem que iria causar a zombaria das pessoas. Moshe é um líder muito relutante, o que mostra que ele não é um homem guiado por uma missão, um líder fantástico, carismático, que vai guiar o seu povo da opressão à liberdade, mostrando o poder da vontade humana face à injustiça. E, afinal de contas, ele tem oitenta anos; já é um começo tardio para ser líder de um povo.

A história de um líder carismático a conduzir a liberação, da opressão à liberdade, seria uma história ótima. Mas não é a nossa história. A nossa história é a história da Mão Divina a guiar os eventos humanos através de um líder relutante. Esta não é a história de Moshe. É a história do Divino. E até mesmo a famosa frase “deixa ir o meu povo”, não é uma frase de Moshe. A frase é “deixa ir o Meu povo”. É Moshe a repetir a frase de De’s ao faraó. Moshe é só o mensageiro.

6ª Aliá (4: 18-31) Moshe recebe a bênção de Yitro para retornar ao Egito. D’us diz a Moshe que aqueles que queriam a sua morte já morreram. D’us diz-lhe para dizer ao faraó: D’us diz que Israel é o Seu primeiro filho. Deixa sair o Meu primogénito, pois se não o fizeres, matarei o teu primogénito. Zippora circuncida o seu filho. Aharon cumprimenta Moshe. Eles reúnem o povo. O povo acredita que D’us os redimirá.

D’us diz mais uma coisa a Moshe: Israel é o Meu primogénito. Como se dissesse – “Moshe, esta é uma história de amor. Eu vejo o povo judeu como o Meu amado primogénito. E a recusa do faraó resultará em punição divina.” A nossa ética ocidental fica desconfortável com estes princípios centrais do Judaísmo: a Mão de D’us na História, o amor de D’us pelo povo judeu e o castigo Divino. Como disse Rabi Sacks, z ”l,: Isso era radical nessa época, e continua radical hoje.

7ª Aliá (5: 1-6: 1) Moshe e Aharon aproximam-se do faraó, solicitando uma viagem de 3 dias ao deserto para uma celebração. O faraó recusa-se. Ele aumenta a carga de trabalho. Surge conflito entre os trabalhadores judeus e os supervisores egípcios. Os judeus criticam Moshe por o seu fardo ter aumentado. Moshe queixa-se a D’us. D’us assegura-lhe que, através de uma mão forte, o faraó deixá-los-á sair.

Que grande lição: mesmo quando temos uma promessa de De’s, não pense que tudo vão ser rosas. As Suas promessas confrontam a incómoda realidade dos seres humanos. O plano para a saída dos judeus confronta a realidade do faraó e a sua resistência. O faraó desvia o plano, pelo menos em parte. Essa é a lição: O homem deambula sem rumo enquanto o plano Divino se desdobra, para cima e para baixo, para a frente e para trás. Mas a resistência não altera o fim. O fim vai chegar. Pode ser mais tarde, mas uma promessa é uma promessa.