Os 13 Princípios – 7º Princípio – Moshe foi o profeta mais importante

Pelo rabino Yosef Bitton

Anteriormente discutimos o sexto princípio da fé judaica, que afirma a nossa crença de que D’us se comunica com os homens por meio de profecia. Explicámos quem pode ser candidato à profecia e a natureza da profecia (veja aqui e aqui ).
O sétimo princípio também se refere à profecia, mas trata especificamente dos detalhes de um único profeta: Moshe Rabbenu (Moisés). O sétimo princípio diz que Moshe foi o maior e mais importante profeta que já viveu, e que nenhum profeta jamais alcançou ou alcançará o seu nível de profecia.
Primeiro, discutiremos em que sentido a profecia de Moisés foi superior à de qualquer outro profeta. E, em segundo lugar, porque é importante para nós, Yehudim, afirmarmos a superioridade de Moshe.
Os nossos rabinos explicam que o nível da profecia de Moshe era mais alto, e deram alguns exemplos. Todos os outros profetas, disseram eles, receberam a sua mensagem profética por meio de uma visão,  numa espécie de transe ou  num sonho. Moshe Rabbenu, no entanto, foi capaz de receber a mensagem de HaShem, estando consciente e acordado, não num transe profético. Isto é o que a Torá chama panim el panim, literalmente «cara a cara», o que significa que Moshé Rabenu podia ouvir as palavras de D’us da mesma maneira que um homem ouve outro homem numa conversa normal, «cara a cara».
A possibilidade de estar consciente permitiu a Moshe Rabenu, em primeiro lugar, ser o recetor perfeito da Torá. Por outras palavras, a Torá não é a interpretação de Moshe de uma visão profética. A Torá também não foi escrita por Moshe através de «inspiração divina». Acreditamos que Moshe foi de facto o escritor da Torá, mas a Torá foi-lhe literalmente ditada por D’us. D’us falou com Moisés sem qualquer intermediação. Esta forma de «comunicação direta», que está acima da profecia de qualquer outro profeta, foi possível porque Moshe estava totalmente consciente enquanto ouvia D’us. Como disse o Rabino Pereira Mendes «… Moshe não recebeu a mensagem de D’us em visões ou parábolas … mas sim estando em plena posse das suas faculdades.»
Estar consciente durante a receção da profecia também permitiu a Moshe «falar» com D’us, iniciar a comunicação com D’us. Algo que nenhum outro profeta alcançou… Embora tenhamos textos que descrevem diálogos entre outros profetas e D’us, a tradição judaica explica que esses diálogos ocorreram na visão profética, não na vida real. Moshe Rabbenu, pelo contrário, podia comunicar-se com Deus à vontade: «sempre que o desejasse, ele podia ser envolvido pela inspiração divina, e a profecia descia sobre ele» (Maimonides, Yesodé haThora 7: 6), o que lhe permitia estar em contato constante com D’us.
Portanto, Moshe foi capaz, por exemplo, de fazer uma pergunta a D’us, algo que nenhum outro profeta poderia fazer. Após o pecado do bezerro de ouro, houve um encontro muito próximo entre D’us e Moshe. Moshe orou a HaShem para perdoar o povo judeu. A certa altura, Moshe Rabbenu disse a HaShem: «Faz-me conhecer a Tua glória.» Os nossos Chachamim explicaram que Moshe estava a fazer uma pergunta muito difícil a D’us : «Porque permites que aconteçam coisas más a pessoas boas?» Talvez em nome de toda a humanidade, Moshe fez a D’us a pergunta que tantas vezes confunde as nossas mentes. A resposta de HaShem a Moshe dá assunto para uma extensa análise. Mas no que diz respeito ao nosso tema, D’us mostrou a Moshe (e a nós) que a resposta para isso, e para outras questões desta natureza, está para além da compreensão de qualquer homem (כי לא יראני האדם וחי), mesmo de Moisés. Isto ensina-nos que mesmo o maior dos profetas, Moshe, era um ser humano com limites; ele não era um homem-deus. Moshe sabia disso e é por isso que a Torá diz que, apesar do seu alto nível de profecia (ou talvez graças a ele) Moshe era o homem mais humilde à face da terra.
Ora, porque é tão importante enfatizar que a profecia de Moshe nunca será substituída por outro profeta no futuro? Porque a Torá foi-nos dada por intermédio de Moshe. E, como vamos aprender no próximo princípio, a Torá é eterna e imutável. Conceber que outro profeta possa atingir o nível de Moshe Rabbenu abriria a possibilidade de que nossa Torá pudesse ser mudada ou substituída por esse outro profeta ח»ו.

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