Os 13 Princípios – 6º Princípio (parte 2 de 2) – A escola de profetas

Pelo rabino Yosef Bitton

Estamos a explicar o sexto princípio da fé judaica: D’us comunica-Se com os homens através da profecia.
No texto anterior dissemos quais são os três requisitos para uma pessoa ser candidata a receber a profecia (veja  aqui ). Comentámos que além de ser um homem (ou uma mulher, já que houve 7 profetisas em Am Israel) com temor a D’us, e com total controlo sobre os seus impulsos físicos e psicológicos, o profeta deve ajustar a sua mente à realidade de D’us, deixando à parte o habitual e o material. O futuro profeta tinha que se comportar como se fosse «absolutamente rico», isto é, com total desinteresse em acumular mais bens materiais. E obviamente, uma mente que esperava receber uma mensagem de D’us não poderia ser distraída por atividades mundanas.
Parafraseando o rabino Chaim Pereira-Mendes: «Os profetas eram homens dedicados à oração. A sua principal ocupação era a conexão espiritual com D’us e a meditação constante em Suas palavras … tudo isso aliado a uma conduta moral impecável … assim os homens e mulheres da Bíblia foram preparados para receber inspiração ou mensagens divinas (esta preparação é conhecida em hebraico como התנבאות). Assim como a consequência do exercício físico é o desenvolvimento de maiores possibilidades físicas, esses exercícios mentais resultavam em maior desenvolvimento espiritual, e o candidato a Profeta alcançava maiores possibilidades espirituais.»
De acordo com a nossa tradição, havia escolas para a formação de profetas, como a estabelecida pelo profeta Shemuel. Os alunos dessas escolas eram chamados de «bene hanevi’im» (בני הנביאים), ou seja, «aprendizes de profetas». Nesta escola preparavam-se para atingir o nível de comportamento e compreensão que lhes permitisse renunciar à ambição material, adquirir força para controlar os seus impulsos e alcançar a humildade, que é a chave da sabedoria. De acordo com alguns geonim, os aspirantes a Profetas eram também treinados em técnicas que hoje chamaríamos de «meditação», ou seja, controlo mental e concentração para «tolerar» a experiência muito profunda de absorver uma visão que vem diretamente de HaShem; um esforço mental indescritível, que, como diz Maimónides, deixava os profetas exaustos. (Se o leitor está interessado em saber mais acerca do fascinante mundo da profecia, recomendo ler as obras do Rav Aryeh Kaplan, z»l, especialmente o livro Inner Space: Introduction to Kabbalah, Meditation and Prophecy).
Quando uma pessoa conseguia aperfeiçoar o seu caráter, mente e espírito nos níveis mais elevados, estava pronta a receber a profecia. E tentava meditar e «sintonizar» o seu pensamento com a palavra de HaShem (esta atividade é chamada na Torá de מתנבאים, אֶלְדָּד וּמֵידָד מִתְנַבְּאִים בַּמַּחֲנֶה).
Mas ainda assim, não havia garantia de que o profeta aprendiz necessariamente fosse receber a profecia. De alguma forma, receber a mensagem profética pode ser comparado a receber um telefonema de HaShem. E a perfeição de caráter alcançada pelo aspirante a profeta pode ser comparada a ter um telefone celular. Obviamente, se a pessoa não tiver um telefone, não poderá receber essa chamada. Mas, por outro lado, o fato de alguém ter o telefone ativado e sintonizado na frequência Divina não garantia que receberia aquela chamada. Essa pessoa era um potencial recetor da chamada de D’us. Mas a decisão final de ligar ou não ligar é prerrogativa de HaShem.

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