Os 13 Princípios – 6º Princípio (parte 1 de 2) – A profecia: quem pode ser profeta?

Pelo rabino Yosef Bitton
Hoje começaremos a explicar o sexto princípio da fé judaica: D’us se comunica com o Homem através da profecia. 
Como uma introdução a este tópico fascinante, primeiro veremos quais são os requisitos para uma pessoa ser candidata à profecia. 
Os profetas de Israel foram seres humanos excecionais, chamados por D’s para fazer o povo judeu e / ou seus governantes retornarem ao bom caminho (teshuva). Para merecer essa delicada missão, os profetas deveriam ser indivíduos exemplares e possuir um caráter extremamente refinado.
Maimónides explica que o profeta podia ser reconhecido porque tinha 3 características que são a condição sine qua non para uma pessoa ser candidata a receber a visão profética. No entanto, essas 3 características não garantiam que o indivíduo recebesse o chamado de HaShem (= profecia, em hebraico נבואה). HaShem poderia ou não se comunicar com ele, como Ele quisesse. HaShem comunicar-se-ia com o profeta se considerasse que este indivíduo poderia inspirar o povo de Israel a fazer Teshuva.
As 3 características do profeta são: Força, sabedoria e riqueza material (חכם, גיבור, עשיר).
No seu comentário sobre a Mishná, Maimónides explica a que se refere cada uma destas virtudes.
FORÇA: Isto não significa que o candidato a profeta tivesse que ser capaz de derrotar todos os homens contra os quais lutasse. «Força» significa que o candidato a profeta deve ser capaz de se controlar. Que controle e, se necessário, supere, os seus impulsos físicos. Esta força emocional tinha que se manifestar principalmente nas seguintes 3 áreas: a) Os impulsos mais básicos, como a comida e a sexualidade. O profeta, como qualquer outro Yehudi, não precisava de eliminar esses impulsos, mas sim de canalizá-los. Ou seja, dar-lhes o lugar, a hora e as formas adequadas. E resistir a eles quando não for apropriado. b) Depois, há os instintos um pouco mais difíceis de dominar. Esses impulsos são mais psicológicos do que físicos e, ao contrário dos dois primeiros, não os compartilhamos com os animais. Refiro-me em especial à fala. Controlar o que se diz. Por exemplo: lashon hará , fofocas, palavras ofensivas, vaidades, etc. E controlar também o que se vê, pois o que vemos afeta o que pensamos. c) Finalmente, a área mais difícil de dominar é o pensamento. O candidato a profeta deve ser capaz de controlar a sua mente. Ser capaz de atingir uma concentração perfeita. Abstrair-se das distrações. Se um homem não fosse capaz de fixar o seu pensamento e focar-se totalmente em D’us, não poderia receber a Sua profecia.
SABEDORIA: A sabedoria não consiste em saber tudo, mas em tentar aprender com todos. O candidato a profeta é um ser humano que nunca sente que não tem mais o que aprender. Ele nunca para de aprender. Está em constante crescimento intelectual e espiritual. A sua sede de conhecimento está particularmente concentrada na área da Torá. O candidato a profeta quer saber mais sobre HaShem (ידיעת ה ‘). Saber mais sobre as Suas obras, sobre a Sua vontade, sobre a Sua sabedoria. Ele quer descobrir. E à medida que a sua experiência de vida o enriquece, o candidato a profeta atinge novos níveis de compreensão. Supera-se. Evolui. Por exemplo: à medida que a nossa certeza sobre a existência de D’us cresce, a nossa percepção da realidade que nos cerca muda. Quanto mais certos estamos da Sua existência, menos nos importamos com distrações materiais, e vice-versa.
«Sabedoria» é o oposto de «estagnação», intelectual e espiritual.

 

RIQUEZA : Finalmente, o candidato a receber a profecia deve ser um homem materialmente rico. O dinheiro não lhe pode faltar. Ou seja, deve ter todas as suas necessidades e ambições materiais atendidas. «Rico» é aquele que não precisa mais do que já tem. Independentemente de quanto tiver. No judaísmo, a riqueza não é medida pelo que se tem, mas pelo que se necessita. Um candidato a profeta era considerado rico mesmo que tivesse um capital total do equivalente a 100 dólares, se não precisasse de mais do que esses 100 dólares. Enquanto outro candidato seria considerado pobre mesmo se tivesse um milhão, se quisesse ou «precisasse» de ter dois milhões. A fórmula para medir a riqueza material não é: quanto mais você tem, mais rico você é. A fórmula é: quanto menos você precisa, mais rico você é.

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