Os 13 Princípios – 5º Princípio (Parte 1 de 2)

5º Princípio: Rezar só a HaShem – Parte 1 de 2

Por Rav Yossef Bitton

O quinto princípio da fé judaica diz que só é apropriado orar a D’us, e que não se deve orar a ninguém, exceto a Ele. Não devemos orar a um anjo, a uma estrela, a uma constelação ou a uma pessoa morta ou viva, mesmo que essa pessoa seja ou tenha sido um grande Tzadiq. Devemos orar exclusiva e diretamente a D’us. Rezar a algo ou alguém que não seja D’us é considerado uma forma de idolatria. Também é proibido orar a D’us por meio de intermediários; imaginar que esses intermediários levarão a nossa oração a D’us. Noutras religiões, reza-se, por exemplo, a um deus menor, a um anjo ou a um líder religioso já falecido, para que esse deus menor, esse anjo ou o espírito desse líder leve essa oração ao deus maior. No judaísmo, tudo isso também é considerado idolatria (avodá zará). De acordo com Maimónides, o erro da geração de Enosh (a civilização que se desenvolveu depois de Adão, e que se afastou de D’us) foi terem o seguinte raciocínio: uma vez que D’us criou os corpos celestes para servir o mundo (como o sol e a lua), e essas criações são «servos do Rei», é apropriado louvar e honrar os servos do Rei, pois assim estaremos indiretamente honrando o Rei (além disso, creio eu, foi tentador orar a esses «servos de D’us», que eram visíveis e, portanto, pareciam mais acessíveis do que HaShem). Esses indivíduos, diz Maimónides, começaram a construir templos ou pirâmides para o sol e para a lua, e a prestar-lhes tributo, pensando que assim estavam honrando a D’us. No fim, conta Maimónides, aqueles homens acabaram por se esquecer de HaShem e servir as estrelas… Como já explicámos, quando alguém ora a qualquer entidade ou intermediário, humano ou não humano, real ou imaginário, apesar do facto de pensar e declarar que seu propósito é orar a D’us, isso é considerado idolatria. Muitas vezes as pessoas acreditam erroneamente que, se suas intenções forem corretas, as suas ações não serão consideradas negativas. Mas, dada a severidade da proibição de avoda zará (idolatria), um iehudi temente a D’us deve ser extremamente cuidadoso nesses assuntos e orar somente e diretamente a HaShem. Uma das melhores maneiras de evitar esses erros gravíssimos é estudar as leis de avodá zará. Agora, não confunda a proibição de orar a supostos intermediários de D’us com o fato de alguém orar por nós. Rezarmos uns pelos outros não só não é mau, como é meritório. (Orar por outra pessoa não é o mesmo que orar para outra pessoa). Na verdade, nós, judeus, rezamos sempre dirigindo a nossa oração a D’us de uma maneira inclusiva: na primeira pessoa do plural, orando coletivamente uns pelos outros. Não é errado uma pessoa orar e pedir pelos outros. Esse tipo de «intermediação» é comum e louvável. O Talmud também registra inúmeros casos de talmidé chachamim ou outras pessoas que tinham muitos méritos, especialmente graças aos seus atos de Chesed (compaixão, benevolência), como o Rabino Chaninah ben Dosa, ou pela sua integridade impecável, como Abba Khilkiah, a quem os chachamim pediam (a eles e às suas esposas) para orarem por eles, em virtude dos seus enormes méritos.

Continua…Dedicado à memória do Capitão Ishay Rosales, 23 anos, z »l. 

O Rabino Bitton escreve há 8 anos a Halachá do Dia, um e-mail diário sobre a Torá, o pensamento judaico e particularmente sobre a história dos rabinos sefarditas. Veja o site: www.halakhaoftheday.org Em 2014 o Rabino Bittón começou a escrever a Halajá del Día em espanhol.

É rabino comunitário e líder religioso há mais de 25 anos, em Buenos Aires, Montevidéu e atualmente nos Estados Unidos, onde é rabino da congregação Shaare Rajamim, pertencente à UMJCA em Great Neck, Nova Iorque.

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