Os 13 Princípios – 2º Princípio

2º Princípio: Monoteísmo Vs Sincretismo

אני מאמין באמונה שלמה, שהבורא יתברך שמו, הוא אחד ויחיד

Nesta série, estamos analisando um a um os 13 princípios da fé judaica. Anteriormente, vimos o primeiro princípio: Acreditar que De’s existe.

O segundo princípio, o monoteísmo, consiste em acreditar que De’s é UM.

O monoteísmo inclui também outro elemento muito importante, que é explicitamente indicado no segundo dos Dez Mandamentos: Não terás outros deuses diante de Mim. Este elemento, a exclusividade, é a forma como o povo judeu praticou o monoteísmo desde o início. E, neste sentido, o monoteísmo foi talvez o valor que mais protegeu o povo de Israel durante a sua longa história. E também o que mais caro lhe custou…

Para entender melhor esses dois ângulos do monoteísmo, devemos primeiro entender o que é «sincretismo». Nos tempos antigos, era muito comum os povos lutarem permanentemente uns contra os outros. Havia muito poucos períodos de paz. Muito, muito menos do que agora. Impérios surgiam sobre as ruínas de outros impérios, e tentavam constantemente conquistar todos os povos ao seu redor. Esse tipo de guerras de conquista era a forma que os impérios ou povos poderosos tinham de enriquecerem, especialmente através dos impostos que arrecadavam dos povos conquistados, os escravos que obtinham, etc. Quando um povo conquistava outro, além de cobrar altos impostos, também impunha a sua religião, os seus deuses. Mas, quando impunha os seus deuses, não exigia que o povo conquistado se desfizesse dos seus ídolos locais. Simplesmente exigia que agora o povo conquistado servisse também, ou em primeiro lugar, os deuses do povo vencedor. Isso era extremamente comum e ninguém o via com maus olhos. Qual é a diferença entre servir 5 ou 10 deuses? E servir novos deuses não era algo feito apenas pelos derrotados. Quando os assírios conquistaram os fenícios, impuseram o seu deus Marduk, mas também adotaram o deus fenício Melkart, que estava na moda em todo o Mediterrâneo. Esse fenómeno, de servir simultaneamente deuses de duas religiões diferentes, é conhecido como «sincretismo». O sincretismo também era muito comum quando dois ou mais povos queriam formar uma aliança para se unir contra um inimigo comum. Adotar os deuses de outros povos, sem renunciar aos próprios, era um gesto de amizade entre os povos. O sincretismo era a norma aceite em todos os povos do mundo, com uma única exceção: Israel.

O monoteísmo da Torá não se opõe apenas ao politeísmo, mas também ao sincretismo. Quando Alexandre, o Grande, conquistou Yehuda, aproximadamente em 350 AEC, ele exigiu, como a coisa mais natural, que os yehudim colocassem uma estátua de Zeus no seu templo. E não conseguia entender como e porquê os yehudim estavam dispostos a sacrificar as suas vidas antes de aceitar Zeus. Afinal, raciocinou Alexandre, não estamos exigindo que eles parem de servir o seu De’s; eles têm apenas que aceitar um deus adicional, como todo o mundo faz!

Muitos historiadores dizem que a rejeição do sincretismo que nossos pais praticavam, e pelo qual estavam dispostos a dar as suas vidas, contribuiu para os primeiros sentimentos antijudaicos. Porquê? Porque os povos do mundo não entendiam que a crença em um só De’s também implicava servir esse De’s exclusivamente. Portanto, não era de admirar que os povos gentios nos considerassem intolerantes ou intransigentes. Eles não conheciam o conceito de exclusividade que emerge do segundo dos Dez Mandamentos. E, sem essa exclusividade, o povo judeu teria desaparecido há muito tempo. Nossos valores e princípios teriam sido diluídos e misturados com várias culturas e religiões. Se tivéssemos renunciado à prática do monoteísmo, estaríamos agora onde estão os fenícios, os assírios e os gregos: nos museus de história antiga.

O Rabino Bitton escreve há 8 anos a Halachá do Dia, um e-mail diário sobre a Torá, o pensamento judaico e particularmente sobre a história dos rabinos sefarditas. Veja o site: www.halakhaoftheday.org Em 2014 o Rabino Bittón começou a escrever a Halajá del Día em espanhol.

É rabino comunitário e líder religioso há mais de 25 anos, em Buenos Aires, Montevidéu e atualmente nos Estados Unidos, onde é rabino da congregação Shaare Rajamim, pertencente à UMJCA em Great Neck, Nova Iorque.

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