Orgulho Nacional – Comentários sobre a festa de Purim

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Críticas sobre o comportamento de Mordechai

Muitos autores, seguindo o comportamento dos judeus da época de Mordechai ‘o judeu’, criticam duramente o comportamento deste último durante a “crise de Haman”.

Como sabemos, Haman foi promovido ao posto de primeiro-ministro no governo do Rei Achashverosh (Xerxes), recebendo a honra de que todos os cidadãos do reino deveriam ajoelhar-se para ele, quando passasse. Contudo, pode ser, que esta honra ocultava uma medida preventiva que evitava uma tentativa de assassinato contra sua pessoa.

Mordechai recusou a prostrar-se diante do ministro, e ao ficar sabendo que tal “transgressor” era judeu, Haman decidiu exterminar todo o povo de Israel!

Os companheiros de Mordechai o haviam avisado que seu comportamento traria grandes desgraças, como, de fato, aconteceu e, portanto, o acusavam do desastre que se aproximava.

Como Mordechai pôde fazer tal coisa, colocando em risco não só a si mesmo, mas toda a sua geração e as que viriam depois?
Mordechai ‘o judeu’

Mordechai era um homem velho, que já era membro da Grande Corte de Israel (o Sinédrio) antes da destruição do Primeiro Templo, e foi um dos primeiros a voltar para sua terra natal e começar a reconstrução do Templo após o Exílio babilônico, como consta no segundo capítulo do livro de Ezra (Ezra 2:2).

Este livro nos mostra como, em seguida, os judeus são forçados a parar a construção do Templo e da cidade de Jerusalém por ordem do rei, que tinha sido enganado por alguns emissários amalequitas que haviam chegada da Terra Santa (Ezra 4:5, 4: 24).

Para contrabalancear este “lobby” dos amalequitas, os novos imigrantes judeus enviaram Mordechai ao palácio real aonde se tornou um membro do Tribunal Persa.
O pecado do povo

Na verdade, devemos nos perguntar como foi possível que o Criador impediu a reconstrução de Seu templo em Jerusalém? É claro que algo muito mais grave aconteceu que despertou a ira do Criador para com o Seu povo.

A resposta é simples. O povo, exilado por mau comportamento, havia chegado a Babilônia. Mas, apos 70 anos de exílio, chegava ao trono o rei Ciro que permitiu a eles retornar à sua pátria e reconstruir o Templo. Esperava-se que todos os exilados se levantassem, agarrassem seus pertences e retornassem à sua pátria ancestral. Em contrapartida, o número de judeus que retornaram foi de 42.360 cidadãos, 7.337 escravos e 200 cantores.

Não apenas desprezavam o grande presente do Criador, que devolvia a terra tão bonita para seu amado povo, mas também desmentiam a profecia de Yermyahu (Jeremias) que havia anunciado que, após 70 anos de exílio, os judeus poderiam voltar a reconstruir o país ancestral e o Templo do Criador (Yermyahu 29:10). Nem levaram em consideração que o número de participantes influencia no numero dos mandamentos a cumprir, e que enquanto a maioria dos Filhos de Israel não estão na Terra de Israel, a força dos mandamentos é drasticamente diminuída para um valor simbólico carente da santidade que existiria se todos estivessem presentes.
A “vitória”

E para piorar a situação, quando o Rei Achashverosh realizou uma festa deslumbrante comemorando sua “vitória” sobre o profeta Yermyahu (e o Criador, que havia sido anunciado), os habitantes judeus de Shushan, a capital, não encontram ‘desculpas’ para não participar do banquete. Como podiam celebrar que o Rei Achashverosh tinha “ganhado” do Criador?!

Neste momento, dizem os sábios, os judeus haviam assinado sua sentença de morte, seu extermínio. Faltava apenas uma desculpa para implementá-lo.

O pecado havia sido múltiplo: a falta de iniciativa em deixar o seu ser particular no exílio para reconstituir o lar nacional do povo em ruínas e a falta de orgulho nacional que lhes permitiu participar da festa de Achashverosh.
O antídoto

O antídoto deveria ser a restauração deste orgulho nacional, o sentimento de pertencer ao mesmo povo, um povo santo, com uma missão universal.

Por não se curvar a Haman o amalequita, Mordechai estava tentando inspirar o resto de seus irmãos, que o olhavam com inveja. É verdade que ao obter a resposta cruel de Haman muitos ficam confusos e não sabem se admiram ou criticam a Mordechai, mas quando este juiz toma as rédeas da liderança e ordena a todos um período de três dias de jejum, para apoiar espiritualmente a rainha, infiltrada no castelo, todos respondem de forma positiva. Este esforço conjunto que dá forças a Esther para anular a influência sinistra de Haman sobre o Rei.
Organizando uma nova Aliá

Além disso, muitos deles, pela situação que passavam, decidem naquele momento recolher seus pertences e se preparar para Aliá, a imigração para Israel, embora demoraram para se organizar e de facto realizá-la, como vêmos na continuação do livro de Ezra.

A isso devemos acrescentar o valor que tinha aqueles que já haviam retornado à Terra Santa e que se atreveram, incentivados pelos três profetas Chagai, Zechariá e Malachí (Ageu, Zacarias e Malaquias), a transgredir as ordens do rei e continuar construindo o Templo, como podemos ver nos capítulos 5 e 6 do livro de Ezra.

Em Purim celebramos, então, não apenas o milagre divino que salvou as pessoas de extermínio planejado pelos amalequitas, mas a restauração, ainda que muito parcial e efêmera, do, perdido, sentimento nacional e do orgulho de pertencer a um povo tão especial!

2 thoughts on “Orgulho Nacional – Comentários sobre a festa de Purim

  • March 25, 2016 at 8:49 pm
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    PURIM excelente celebração, vitória do povo de Deus
    vitória de Israel ainda será maior.

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