O Povo e a Terra – Um Mistério Divino

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Lech Lechá

 

Quando Abraão, o patriarca maior de todos os judeus, recebeu seu chamado Divino, o primeiro comando foi sair de onde estava e o segundo ir para a terra que o Eterno lhe mostraria. Inevitavelmente, a cada geração dos seus descendentes, esta mesma voz ecoa: “Sai e vai, sai e vai, sai e vai !”

Parece que há sempre uma diáspora e, ao mesmo tempo, uma constante necessidade de retorno para um lugar já antes escolhido e estabelecido por D’us.

Se formos analisar o “sair”, certamente teremos que refletir sobre questões como assimilação, abandono das mitsvot, acomodação secular e, consequentemente, necessidade de teshuvá.  E não podemos negar a importância de reflexões nesta direção nos dias de hoje. E o apelo continua sendo: “SAI!”

Mas queremos nos deter neste momento no “vai”. Porque a sabedoria do Eterno não nos deixa no vazio. Ele não nos pede para sair sem rumo. Muito pelo contrário: Ele nos dá uma direção clara, específica e diversas vezes confirmada: Érets Israel. Muitas foram as peregrinações de Abraão e de nosso povo em toda a história. Mas um só era o destino: Érets Israel. Mesmo quando nos sentíamos tão bem acomodados e engajados nos países para onde fomos dispersos, foram as perseguições que nos disseram: “VAI!” Mas, para onde? América do Norte, Patagônia? Não, mas para Érets Israel, anunciavam e profetizavam os sionistas novamente em ascensão. Um só é o destino, em todas as gerações. O que isso realmente significa?

Muitos de nossos sábios já diziam que há uma relação sobrenatural entre o Povo Judeu e a Terra de Israel. Segundo eles, a Torá, o Povo e a Terra são inseparáveis. Há, inclusive uma definição de sionismo que afirma que este não é apenas uma questão política ou a solução do “problema judaico”. Mas sim que “o sionismo é o alicerce de toda a Torá.”

O fato é que D’us desejou um lugar para manifestar a Sua Kavod (glória) diante de toda a humanidade. E Ele inseriu a Sua Shechiná (Presença Divina) em Sião através de Seu Povo, Israel. Mas é só através da união Povo-Terra que esta Sua glória pode se manifestar em plenitude. E isso simplesmente porque a mais elevada Santificação do Nome de D’us ocorre através do estabelecimento da nação de Israel em Érets Israel, pois foi para lá que Ele enviou Abraão e a sua descendência, para que este fosse o lugar na terra que servisse de modelo da fé monoteísta. A Moisés e a Arão couberam a missão de conduzir o povo à Terra e a Josué, os juízes, Samuel e David a de conquistá-la. Posteriormente, Daniel, Esras e Neemias a reconquistaram, após uma difícil, mas profetizada diáspora. E tudo isso aos olhos de todas as grandes civilizações da história, para que elas testemunhassem que só o Eterno é D’us e que Ele é fiel às Suas promessas. De modo que o “vai” significa, mais do que qualquer outra coisa, um encontro de um povo com o Único e Suficiente D’us verdadeiro, no lugar que este escolheu.

E é assim que se evidencia a importância da terra e o fato de que judaísmo é muito mais do que mitsvot particulares de um indivíduo. Judaísmo é, isso sim, a constituição da nação judaica na sua Terra. De forma que a ‘kedushá’ (santificação) da nação e a ‘kedushá’ (santificação) da Terra são duas facetas da mesma essência.

O renomado sábio Nachmânides estabeleceu a regra haláchica fundamental de que viver na Terra de Israel e conquistar a Terra são mandamentos da Torá que se aplicam em todas as eras. Certamente, muitas gerações anteriores a nossa não tinham as condições técnicas para cumprir este mandamento, mas hoje em dia, os meios retornaram às nossas mãos. E, uma vez que a soberania judaica sobre Érets Israel é uma manifestação da Shechiná no mundo, estamos presenciando a inauguração de um novo período na história, onde o Eterno vai de novo manifestar a Sua glória diante de toda a humanidade, para que a esta venha o temor do Seu Nome.

Fica certo, diante de tudo isso, que o “vai para a Terra”, continua a ecoar. Mas agora a terra não é mais um mistério, a terra “que te mostrarei”. Porque a terra já foi revelada, habitada e agora, uma vez reconquistada, é o lugar certo, o tamanho exato, a medida perfeita para todo judeu, que deve ali se unir ao “Clau Israel” (todo o Israel) e, como nação, encontrar o seu destino e cumprir sua missão de melhorar o mundo através da Santificação do Nome de D’us aos olhos de todas as nações da Terra.

Por isso o Povo e a Terra são inseparáveis. O “vai” do povo para a Terra significa vida e vida de plenitude. E quanto mais esta união se efetivar, mais o Eterno resplandecerá a Sua luz, até que o Seu conhecimento e a Sua glória se estendam sobre toda a Terra, sempre a partir de Sião. Porque, como poeticamente afirmou o profeta Ieshaiahu, “de Sião virá o ensinamento da Torá e de Jerusalém a Palavra do Eterno” e “como quem recebe de sua mãe conforto, assim Eu vos consolarei e em Jerusalém sereis confortados. E com isto vosso coração se regozijará e os vossos ossos como a relva verde florescerão e será conhecida a mão do Eterno a favor dos seus servos…”  (Ieshaiahu 2:3 e 66:13).

Baruch HaShem!

(*Foram utilizados como fonte para este artigo os ensinamentos do Rabino Tsvi Iehuda HaCohen Kook, descritos no Livro “A Torá de Érets Israel – Judaísmo e Sionismo.”)

Se formos analisar o “sair”, certamente teremos que refletir sobre questões como assimilação, abandono das mitsvot, acomodação secular e, consequentemente, necessidade de teshuvá.  E não podemos negar a importância de reflexões nesta direção nos dias de hoje. E o apelo continua sendo: “SAI!”

Mas queremos nos deter neste momento no “vai”. Porque a sabedoria do Eterno não nos deixa no vazio. Ele não nos pede para sair sem rumo. Muito pelo contrário: Ele nos dá uma direção clara, específica e diversas vezes confirmada: Érets Israel. Muitas foram as peregrinações de Abraão e de nosso povo em toda a história. Mas um só era o destino: Érets Israel. Mesmo quando nos sentíamos tão bem acomodados e engajados nos países para onde fomos dispersos, foram as perseguições que nos disseram: “VAI!” Mas, para onde? América do Norte, Patagônia? Não, mas para Érets Israel, anunciavam e profetizavam os sionistas novamente em ascensão. Um só é o destino, em todas as gerações. O que isso realmente significa?

Muitos de nossos sábios já diziam que há uma relação sobrenatural entre o Povo Judeu e a Terra de Israel. Segundo eles, a Torá, o Povo e a Terra são inseparáveis. Há, inclusive uma definição de sionismo que afirma que este não é apenas uma questão política ou a solução do “problema judaico”. Mas sim que “o sionismo é o alicerce de toda a Torá.”

O fato é que D’us desejou um lugar para manifestar a Sua Kavod (glória) diante de toda a humanidade. E Ele inseriu a Sua Shechiná (Presença Divina) em Sião através de Seu Povo, Israel. Mas é só através da união Povo-Terra que esta Sua glória pode se manifestar em plenitude. E isso simplesmente porque a mais elevada Santificação do Nome de D’us ocorre através do estabelecimento da nação de Israel em Érets Israel, pois foi para lá que Ele enviou Abraão e a sua descendência, para que este fosse o lugar na terra que servisse de modelo da fé monoteísta. A Moisés e a Arão couberam a missão de conduzir o povo à Terra e a Josué, os juízes, Samuel e David a de conquistá-la. Posteriormente, Daniel, Esras e Neemias a reconquistaram, após uma difícil, mas profetizada diáspora. E tudo isso aos olhos de todas as grandes civilizações da história, para que elas testemunhassem que só o Eterno é D’us e que Ele é fiel às Suas promessas. De modo que o “vai” significa, mais do que qualquer outra coisa, um encontro de um povo com o Único e Suficiente D’us verdadeiro, no lugar que este escolheu.

E é assim que se evidencia a importância da terra e o fato de que judaísmo é muito mais do que mitsvot particulares de um indivíduo. Judaísmo é, isso sim, a constituição da nação judaica na sua Terra. De forma que a ‘kedushá’ (santificação) da nação e a ‘kedushá’ (santificação) da Terra são duas facetas da mesma essência.

O renomado sábio Nachmânides estabeleceu a regra haláchica fundamental de que viver na Terra de Israel e conquistar a Terra são mandamentos da Torá que se aplicam em todas as eras. Certamente, muitas gerações anteriores a nossa não tinham as condições técnicas para cumprir este mandamento, mas hoje em dia, os meios retornaram às nossas mãos. E, uma vez que a soberania judaica sobre Érets Israel é uma manifestação da Shechiná no mundo, estamos presenciando a inauguração de um novo período na história, onde o Eterno vai de novo manifestar a Sua glória diante de toda a humanidade, para que a esta venha o temor do Seu Nome.

Fica certo, diante de tudo isso, que o “vai para a Terra”, continua a ecoar. Mas agora a terra não é mais um mistério, a terra “que te mostrarei”. Porque a terra já foi revelada, habitada e agora, uma vez reconquistada, é o lugar certo, o tamanho exato, a medida perfeita para todo judeu, que deve ali se unir ao “Clau Israel” (todo o Israel) e, como nação, encontrar o seu destino e cumprir sua missão de melhorar o mundo através da Santificação do Nome de D’us aos olhos de todas as nações da Terra.

Por isso o Povo e a Terra são inseparáveis. O “vai” do povo para a Terra significa vida e vida de plenitude. E quanto mais esta união se efetivar, mais o Eterno resplandecerá a Sua luz, até que o Seu conhecimento e a Sua glória se estendam sobre toda a Terra, sempre a partir de Sião. Porque, como poeticamente afirmou o profeta Ieshaiahu, “de Sião virá o ensinamento da Torá e de Jerusalém a Palavra do Eterno” e “como quem recebe de sua mãe conforto, assim Eu vos consolarei e em Jerusalém sereis confortados. E com isto vosso coração se regozijará e os vossos ossos como a relva verde florescerão e será conhecida a mão do Eterno a favor dos seus servos…”  (Ieshaiahu 2:3 e 66:13).

Baruch HaShem!

(*Foram utilizados como fonte para este artigo os ensinamentos do Rabino Tsvi Iehuda HaCohen Kook, descritos no Livro “A Torá de Érets Israel – Judaísmo e Sionismo.”)