O pecado dos espiões e a destruição do templo

Comentário sobre Tisha BeAv – o dia nove do mês de Av

Como sabemos, o dia 9 do mês de Av é um dia de luto nacional. As razões são muitas, começando com a punição recebida pelo povo que, instigados pelos espiões, decidiram não entrar na Terra Prometida, passando pela destruição dos dois templos em Jerusalém, e chegando a expulsão dos judeus da Espanha há quinhentos e vinte e um anos e a destruição do povoado israelense de Gush Katif, há apenas oito anos.

A questão é: será que existe algum ponto em comum entre estes desastres nacionais?

Os sábios de Israel estão convencidos que sim.

 

O PECADO DOS ESPIÕES

Começamos com uma análise do que aconteceu com os espiões. O povo de Israel tinha saído do Egito, 15 meses antes, e tinha chegado à fronteira da Terra Prometida, na cidade de Kadesh Barnea. Moshe envia doze espiões, um de cada tribo, para inspecionar a Terra e trazer palavras de encorajamento para um povo de ex-escravos que, em breve, se tornariam agricultores livres na herança de D’us.

Mas os espiões foram capazes de ver apenas as falhas do novo status. No deserto tinham tudo pronto: o Maná e a abundância de água todos os dias garantiam que não precisassem trabalhar duro. Apesar de estarem prestes a se empossar de uma valiosa herança, como agricultores deveriam trabalhar em um lugar onde quase não chove, do lugar onde seus antepassados tiveram que fugir, mais de uma vez, devido à escassez de alimentos.

Ademais, os próprios espiões perderiam suas posições privilegiadas como juízes e líderes do povo, já que todos se espalhariam pelo país e abririam novos tribunais, diminuindo, então, a importância dos líderes atuais.

Isso fez com que estes se opusessem ao plano de conquistar o novo país. Muito melhor, em seus pontos de vista, era permanecer no deserto onde tinham tudo. E assim desencorajar as pessoas, destacando as falhas ou defeitos ou, aquilo que eles entendiam como defeitos.

De fato, as cidades altamente muralhadas eram claramente um sinal de que o povo estava com medo e estavam na defensiva. Isso deveria ter incentivado as pessoas, considerando os grandes milagres que o Criador havia feito e todo o processo maravilhoso com o qual haviam passado. Entendendo que os cananeus não eram fortes, mas sim um povo assustado!

As lágrimas daquela noite sinistra de 9 b’Av iniciaram um marco de uma longa série de períodos de lágrimas na história de Israel.

 

A DESTRUIÇÃO DOS TEMPLOS

Os sábios de Israel, analisaram os motivos que contribuíram para a destruição dos Templos.

Pois as pessoas consideravam isto incongruente, impossível. Como seria possível que a Casa de D’us fosse destruída? O Criador não nos protegeria das mãos de nossos inimigos?

Como os profetas, especialmente Iermiá (Jeremias), explicou, o bom comportamento das pessoas garantia que a Casa que o Criador escolheu para habitar entre nós não fosse assediada. Salvo no caso dos três ped794d795d7a8d793cados capitais: derramamento de sangue, idolatria e relações proibidas.

A cidade de Jerusalém entrou em um declínio perigoso durante os reinados dos últimos reis de Judá. O Rei Iehoshea (Josias) fez o seu melhor para salvar a situação, mas morreu sem ter conseguido. Ele percebeu que seria impossível salvar o Templo e ordenou esconder a Arca Sagrada e seu mobiliário em um esconderijo que o Rei Salomão havia preparado quando este construiu o Templo.

Além disso, durante as últimas gerações que antecederam a destruição do Segundo Templo, o povo havia perdido completamente o sentido de unidade nacional. A idolatria não era o grande problema. Cabe salientar que houve grandes estudiosos da Torá nessas gerações, como podemos constatar nos testemunhos dos grandes sábios de Israel, que formam a base da Mishna e do Talmude.

O que aconteceu então?

O povo havia perdido o sentido de ser uma nação. Se acostumaram a viver sem as dez tribos que já haviam sido exiladas mais de meio milênio antes, e até mesmo os próprios irmãos da tribo de Judá que permaneceram na Babilônia, sem qualquer intenção de voltar à Terra Prometida. Os irmãos espalhados em diferentes partes do mundo, não se viam conectados uns aos outros, e assim continuou nos últimos dois mil anos de exílio.

Podemos ver, portanto, que há dois fatores fortes naquela época: a Terra Prometida e o Povo Eleito.

Por muitas gerações foi difícil, talvez influenciados por comentários de outras pessoas, entender o verdadeiro significado destes dois conceitos: a terra e as pessoas. Não o fato de não pertencerem a uma cidade ou a um país, mas o fato de que ambos são tão especiais, tão sagrados e tão essenciais para a realização do bom trabalho que o Criador impôs.

Muitos acreditam ser suficiente estudar a Torá, cada um em sua própria casa, onde, desconectados do resto do povo vivem sem qualquer vínculo com a Terra Santa. Estes dados demonstram como 9 b’Av nos deve servir de lembrança de como a conexão Povo-Terra é a condição vital para uma vida judaica completa.

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