O Escritor Miquel Segura aborda o tema dos “Chuetas” em uma Perspectiva Novelística!

Convit_les cendres del rabi.fh8Muito tem sido escrito sobre os “Chuetas” em Mallorca, porém somente Miquel Segura – escritor convertido que em 2009, retornou à fé de seus antepassados judeus – abordou a questão a partir de uma perspectiva atual, retirando o tema dos arquivos e coteries sempre fechados e inacessíveis. Começou com o ensaio “Raízes Chuetas, Asas Judaicas” (Lleonard Muntaner 2006), que foi traduzido para o espanhol, conseguindo difundir rapidamente em toda a Espanha e América Latina e até mesmo em cidades como Sarajevo e Istambul. Mais tarde Segura nos surpreendeu com “A História Somos Nós” (Lleonard Muntaner 2012), uma crônica de seu retorno ao Judaísmo, escrita em um livro-chave de suas viagens.

No entanto, Segura, apesar de poder se mover como um peixe na água no gênero que poderíamos chamar de, “Literatura do Eu”, nunca quis renunciar de sua vocação como novelista. Um dia, em 2010, teve a sorte de encontrar um homem que contou uma história incrível. Joseph Wallis, afirma ser um descendente do Rabino Rafael Valls, morto na fogueira pela Inquisição espanhola, em 1691, juntamente com outros 36 descendentes de judeus convertidos. Wallis transportou o escritor para a vida dos seus pais e avós, todos, vítimas da Shoá (Holocausto), embora seus pais tenham sobrevivido a este horror. Aquele homem assegurou-lhe que sua família sempre teve uma força muito especial, que ele atribuia a seus antepassados de Mallorca: eles haviam lhe dado força nos campos de concentração e, mais tarde, na sua peregrinação pela Europa devastada pela guerra, até chegar em Israel. Eles também lhe tinham transmitido os fundamentos da ortodoxia. Contou sobre um Sidur que seu pai perdeu entre Auschwitz e Dachau, cuja capa traseira incluia a árvore genealógica da família.

Com este material intenso e cativante – embora contido em compartimentos estancados – Miquel Segura escreveu um romance que se passa entre os anos de 1678 e 2009. Demonstrando o domínio no “flash back” e um vasto conhecimento da história dos últimos “conversos judaizantes” de Mallorca, o autor leva o leitor através de várias histórias que se cruzam em uma ação frenética aonde não faltam intriga, reivindicação do passado e do presente e uma emoção dramática.

Estamos, portanto, diante de um romance construído a partir de muitas histórias verdadeiras em que os personagens fictícios ajudam a concretizar os vários argumentos que acabam sendo o mesmo: a desgraçada cadeia histórica dos conversos de Mallorca, que ainda não foi reparada, muito menos, em sua totalidade.

Mas, “As Cinzas do Rabino” – escrito em catalão, que é a língua materna de Segura – não é um romance “de chuetas”. É muito mais: é a reivindicação de um passado e um presente que os mallorquino sempre quiseram arrancar dos arquivos empoeirados. É a denuncia da falácia daqueles que usam a memória histórica dos convertidos de Mallorca como uma cobertura para um entretenimento para curiosos, pseudo-intelectuais e promotores de turismo. O drama dos Chuetas – subgrupo de Anussim – deixado de lado neste mar tempestuoso de instituições religiosas, tanto judaicas quanto cristãs, aparece aqui com força total. Além deste romance histórico, cheio de intrigas que servem como um estímulo para o leitor, trata-se de uma grande questão que ainda está por resolver: o enquadramento dos chuetas no judaísmo ou, em qualquer caso, no grande Povo de Israel.

 

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