Exigidas desculpas à família de oficial expulso

O director da Organização Shavei Israel – que auxilia qualquer pessoa com raízes judaicas a reassumir esta religião – apelou ontem ao Governo português para “corrigir a injustiça” cometida com o capitão Barros Basto, expulso do Exército em 1943.

“Gostávamos que o Governo pedisse desculpas à família de Barros Basto e esperamos que em breve seja feita justiça”, disse Michael Freund, que está no Porto para participar até domingo no 1º Congresso dos Marranos.

Em 1943,download o Ministério da Defesa, citando razões não especificadas de “bom e bem-estar”, revogou a patente de oficial a Barros Basto e retirou-o do serviço das Forças Armadas, levando os historiadores a chamá-lo “Dreyfus português” (oficial francês que foi injustamente acusado e condenado por traição em 1894).

Artur de Barros Basto, que conseguiu edificar a sinagoga judaica que existe no Porto, é considerado “o apóstolo dos Marranos” – descendentes de judeus cujos antepassados foram forçados a converter- se ao cristianismo para permanecer em Portugal no reinado de D. Manuel II.

Barros Basto dedicou-se à missão de encorajar os marranos, ou “cristãos-novos”, a “sair do armário” e abertamente voltar a assumir a condição de judeu, fundando em 1938, um ano antes do início da II Guerra Mundial, a sinagoga do Porto.

Michael Freund lembrou ainda que a sua organização já enceta esforços há cerca de dois anos para que o Governo português honre Barros Basto, cujo trabalho de despertar de consciências dos judeus é hoje seguido. “Resgatar” aos “cristãos-novos” a sua identidade judaica é o grande objectivo deste 1º Congresso.

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