Dando Boas-Vindas aos Convertidos

Através do mundo, um despertar sem precedentes está acontecendo. Milhares de pessoas de diferentes ocupações estão repentinamente buscando ser judeus.

Desde um grupo no nordeste da Índia que reivindica descendência de uma das Tribos Perdidas de Israel até descendentes de convertidos espanhóis na Península Ibérica, o fenômeno está espalhado. E está crescendo.

Em recentes meses, eu encontrei-me com pessoas desde Burma, Espanha, Peru, Índia, Colômbia e Japão, todas as quais tinham feito o monumental passo de formalmente se unir ao povo judeu. Eles incluem biólogos e fazendeiros, tradutores técnicos e professores universitários e até mesmo um ex-padre católico.images

Por mais distintos que seus antecedentes possam ser, há uma linha similar que corre através de suas estórias – uma busca singular por verdade espiritual, uma que levou-os numa jornada sagrada para Israel e à aliança de Abraão.

Algumas de suas estórias são particularmente emocionantes e inspiradoras, tal como a de um monge de uma devota ordem religiosa e de suas leituras bíblicas diárias as quais acabaram por convencê-lo que a Torá é o autêntico manual de instruções Divino para a vida. Não mais capaz filosoficamente de cumprir com os seus deveres monásticos, ele é agora um judeu chassídico residente em Jerusalém.

Há então a do engenheiro hispânico cuja avó secretamente acendia velas em todas as noites de sexta-feira, obstinadamente continuando uma tradição que não entendia mas que foi transmitida por seus ancestrais durante séculos. Assistindo um programa de televisão enquanto trabalhava na Inglaterra, o jovem engenheiro descobriu que isto era um costume judaico, subitamente percebendo que seus ancestrais espanhóis tinham sido judeus, até que foram forçados à conversão pelos reis Fernando e Isabel há mais de quinhentos anos atrás.

Fazem algumas semanas, ele compareceu perante uma corte rabínica para conversão em Jerusalém, nervosamente respondendo perguntas sobre as complexidades na observância do Shabat. Não há necessidade de dizer, que ele passou brilhantemente.

Infelizmente, muitos de nós tornamo-nos tão cínicos que somos incapazes de entender porque alguém desejaria, voluntariamente, se tornar judeu.

Afinal de contas, uma vez ou outra, nós como povo temos sido lançados para fora de praticamente todos os países decentes do mundo. Através da história, nós temos sido odiados e perseguidos, massacrados e mortos. Por quê então, alguém realmente escolheria se juntar a nós?

Sente-se com um convertido e imediatamente irá descobrir a resposta. A sua pureza de convicção e sinceridade de propósito são tanto humildes como irresistíveis. Estas pessoas transformaram suas vidas, vencendo tremendos obstáculos pessoais, culturais e familiares, pela simples razão de que o Judaísmo pareceu-lhes impressionante e atraente.

Não é de se admirar então, que eles sejam ferozmente orgulhosos de sua judeidade, sendo um exemplo de piedade e devoção que outros fariam bem em imitar.

Mas enquanto os convertidos nos proporcionam valiosos reforços espirituais, eles podem simplesmente ter a chave para a solução do dilema demográfico de Israel também.

Na semana passada o Major-General Uzi Dayan, chefe do Conselho Nacional de Segurança de Israel, advertiu que em vinte anos, os judeus serão menos da metade da população residente entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo.

Com a aliá da ex-União Soviética em declínio e nenhuma perspectiva de imigração em massa do Ocidente, as graves previsões de Dayan sobre uma minoria judaica na Terra de Israel devem disparar sinais de alarme em qualquer um preocupado sobre o futuro do povo judeu.

Mas avaliando a poça de potenciais imigrantes, Dayan e outros funcionários israelenses não repararam no vasto e em grande parte inexplorado, reservatório – isto é, as massas de pessoas ao redor do mundo que estão clamando para juntarem-se ao povo de Israel.

Eles vão desde grupos como a tribo Lemba no sul da África e os Abayudaya da Uganda, até os cinco mil Bnei Menashe que vivem nos estados de Mizoram e Manipur na Índia. Cada qual, na sua própria, única e excepcional maneira, deseja assumir uma identidade judaica.

Um grande número de Cripto-Judeus (descendentes de Marranos que foram convertidos à força na Espanha e em Portugal no final do século XV), tem começado a retornar ao Judaísmo através do sudoeste dos Estados Unidos, bem como na América do Sul.

A maioria destes grupos opera fora da corrente principal judaica, recebendo pouco ou nenhum apoio ou encorajamento da comunidade judaica ou de Israel. É hora que isto mude.

Israel, no mínimo, deveria estar estendendo-lhes a mão, avaliando a sinceridade do seu desejo de juntarem-se ao povo judeu e atuando para ajudar aqueles merecedores de assistência. Dezembro passado, O Rabinato Chefe de Israel corajosamente mandou uma corte rabínica para o Peru com a finalidade de converter umas cem pessoas que estavam vivendo como judeus por mais de uma década. Mês passado, todos estes “novos” judeus fizeram aliá. O modelo peruano e a abertura do rabinato para com eles, servirá esperançosamente como um precedente para outros grupos.

Estender a mão a potenciais convertidos não é livre de riscos, é claro. Ninguém quer ver Israel inundada por refugiados econômicos usando o Judaísmo como meio de fugir da desordem em casa.

Conversão, por definição, é um ato religioso e deve ser realizado de acordo com os preceitos da lei judaica. Qualquer coisa menos que isto apenas conduziria a futuras mágoas, tanto para os convertidos como também para o povo judeu como um todo.

Mas para um país que luta para encontrar novas fontes potenciais de imigração, grupos tais como os Bnei Menashe e os Cripto-Judeus poderiam perfeitemente ser a resposta.

Nesta época enquanto que tantos jovens judeus da Diáspora abandonam suas raízes judaicas, estas pessoas estão batendo na porta, armadas com sinceridade, suplicando para entrar. Uma maneira deve ser agora encontrada para possibilitá-los de entrar.

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