Conferências sobre “Os Conversos” em Hervas

“Os conversos: A Difamação” – 18ª Edição

Hervás, de 3 a 6 de julho de 2014

De 3 a 6 de Julho se celebrará em Hervás a jornada de conferências sobre “Os conversos”, que cumpre sua 18ª edição.

Juntamente com as conferências será organizada uma série de atividades nas ruas do Bairro Judeu, com a participação dos moradores, além da tradicional peça de teatro, este ano é sobre a “Calúnia”, de Miguel Murillo.

hervc3a1s
A aldeia de Hervás

A cidade de Hervás, surgiu no século XII, de uma capela localizada as margens do rio Santihervás, do qual origina o nome da cidade, construída naqueles dias por monges templários. Após a expulsão destes, no início do século XIII, um castelo foi erguido no local, passando a abrigar, então, várias famílias.

No século XV se estabeleceu em Hervás uma importante comunidade judaica adjacente ao rio Ambroz, fundada sob o patrocínio de San Gervasio e San Protasio, que dariam o nome para a cidade. Embora há aqueles que atribuem o nome à raiz latina da palavra “erva” (hierba). Os vestígios hebreus importantes que permanecem como um legado na cidade, são as ruas e os edifícios que compõem a, agora famosa, Judería de Hervás.hervas1

O castelo da Ordem dos Templários foi bastante importante nos tempos da Reconquista pelos reis de Castela, onde Hervás era somente uma vila no distrito de Bejar. Ambos Béjar e Hervás, passaram a depender do Señorío de Los Zúñiga, Duques de Béjar, até que, em 1816, por doação do rei Fernando VII, foi declarada uma Vila Livre e dona de uma jurisdição que era anteriormente objecto de Granadilla, “por ter todas as condições de ser uma das vilas mais felizes do reino”, como registrado no Real Privilegio de Exención y Villazgo.

Desde 1396, a vila pertencia à comunidade de Villa e de Tierra de Béjar, no Reino de Castela, passando depois a jurisdição da província de Cáceres, para depois conquistar a reforma administrativa em 30 de Novembro de 1833. Durante a Primeira República, a cidade se declarou Cantonesa, durante a Revolução Cantonal.

Sua localização é privilegiada e a atratividade do ambiente urbano é notável, tanto em relação a seus edifícios históricos e artísticos, quanto a textura popular e tradicional do traçado urbano.
A Judería

O judaísmo foi um bairro da cidade de Hervás (Cáceres) habitada pela comunidade judaica desde o século XIII até à sua expulsão, promulgada pelo Edito de Granada, imposta pelos Reis Católicos em 1492. Atualmente ainda é conhecida como Juderia, esta área da cidade.

hervas_4__400x200_q85O bairro é composto por ruas estreitas e casas com grandes saliências, varandas e uma abundância de materiais indígenas, como a madeira de castanheiro, adobe e granito. Se estende da Praça até o Rio Ambroz, na Ponte Fuente Chiquita. Os nomes das ruas ainda permanecem os mesmos, como Sinagoga, Rabilero e Cofradía.

Embora nada reste da sinagoga, a tradição aponta para a rua Rabilero, número 19. Neste edifício, havia uma galeria que se projetava para a rua, formando um arco, demolida em 1949. Outros edifícios relacionados com a comunidade judaica é a casa da Cofradía, que possui uma adega e um moinho de azeitona dentro, e o Hospital de Beneficencia, dirigido por judeus convertidos e situado na rua do Vado.

Com a promulgação do Edito de Expulsão pelos Reis Católicos em 1492, muitas famílias judias fugiram para terras portuguesas e outros tornaram-se cristãos, formando a Irmandade Católica de San Gervasio e San Protasio, e, que, se tornaria mais tarde a Cofradía de Nuestra Señora de la Asunción de Aguas Vivas. Os judeus se dedicaram principalmente aos ofícios de sapateiro, alfaiate, escriba e credor. Mesmo que também existiam aqueles que faziam as atividades artesanais, relacionadas principalmente a madeira, couro e alguns outros exemplos, como o vidro. Existem grande chances de que alguns dos que fugiram da Espanha em 1492 voltaram mais tarde para Hervás, quando foram forçados a se converter ao cristianismo, também em Portugal, alguns anos mais tarde.

Em 1969 foi declarado como sendo um conjunto histórico-artístico, e desde 1989 têm sido realizados vários trabalhos de restauração e conservação através das escolas e comércios da oficina, incluindo uma área dentro da Área de Reabilitação Integral. Finalmente, em 1996, a Câmara Municipal promoveu entre as diferentes cidades espanholas a criação de uma fort parceria que as reuniria, formando assim, a Rede de Juderías da Espanha, que ainda continua em vigor.
Conferências sobre os “conversos”

Desde 1997, a cada ano, durante um fim de semana de julho, se celebra uma conferência chamada de: “CONVERSOS: HERVÁS EM BUSCA DE SUAS RAÍZES”, de importância singular para todos, dadas as suas dimensões sociais, culturais e turísticas.

A cidade de Hervás, consciente do interesse geral no legado histórico que o povo judeu deixou na cidade, além da importância na promoção da cidade de Hervás e a região, divulgando assim a diversidade cultural da região de Extremadura, organiza em 2014, a 18ª Edição.

A riqueza da conferência é a participação dos moradores de Hervás, das quais a ausência não permitiria que fosse possível o sucesso e a continuidade do evento. São conferências em que, através de uma tradicional “Festa Popular”, envolve praticamente toda a população, direta ou indiretamente, que utilizam do Teatro como um meio de expressão, investigando e recriando costumes, comportamentos e eventos que ocorreram em Hervás no século XV e na primeira metade do século XVI.

Esta celebração ganhou reconhecimento no exterior recebendo o prêmio internacional “Mundo Teatro 99”, concedido pela Associação Cultural San Jordi, sob a tutela da governança da Catalunha, e o Prêmio “Diálogo de Culturas – 2009” em Montánchez (Cáceres).

Uma média de 400 habitantes por edição, dessa belíssima localidade do Vale do Ambroz, ao norte de Extremadura, situado entre os vales de Jerte, La Vera, Sierra de Gata e las Hurdes, tornaram possível consolidar e disseminar esta “Festa Popular”, no coração do Bairro Judeu, um dos mais bem preservados de toda a Rede de Juderías da Espanha e Caminhos de Sefarad, utilizando como um meio de expressão, as Artes Cênicas.
As Representações

Durante os últimos anos, mudanças foram introduzidas para facilitar a adaptação de os “Conversos” e implementar melhorias. Assim, têm se mostrado três peças dramáticas diferentes escritas expressamente para cada ocasião, usando elementos da história local: entre 1997 e 1999, foi “Os Conversos” e, entre 2000 e 2007, “A Conversa de Hervás”, ambas desenhadas pelo escritor argentino de origem judaica Solly Wolodarsky; e, a partir de 2008 até o presente, “A Estrela de Hervás,” do nativo de Extremadura, Miguel Murillo.

Também tem variado ao longo do tempo, a lista de diretores – desde Miguel Nieto a José Antonio Raynaud, passando por Jesús Sanabria e Teddy Ramírez – e o lugar das apresentações, até encontrarem o cenário único de Fuente Chiquita, no Bairro Judeu, em 2006 (previamente realizado na Plaza de Toros), coincidindo com o décimo aniversário de os “Conversos”, efeméride que foi acompanhada pela criação da “Comissão dos Conversos”, um corpo civil de caráter participativo que, desde então, permite a qualquer pessoa que queira, se envolver e participar ativamente.

Por outro lado, e durante todo esse tempo, têm ocorrido um envolvimento essencial de outras instituições que colaboram com a cidade de Hervás: o Governo de Extremadura (representando uma ajuda financeira média de 60-65% do orçamento total) e o Conselho de Cáceres (cerca de 10%).

Em 2008 “Os Conversos” alcançou sua 12ª edição, tendo ocorrido nos dias 26, 27, 28 e 29 de Junho.escenario-natural-fuente-chiquita

Embora tenha cumprido com os objetivos e aproveitado o local que ficou famoso neste aniversário para além das fronteiras da comunidade autónoma da Extremadura, têm se mantido um rico passado da cidade no Contexto Histórico do Bairro Judeu, afirmando claramente um interesse histórico-artístico, assim como a peça teatral em que, em ambas as atividades, participam centenas de moradors de Hervás, este ano, se incorporou algo transcedental que gostaria de acrescentar como mais um incentivo a beleza do evento: a Câmara Municipal de Hervás encomendou um texto dramático do escritor Miguel Murillo, autor de reconhecimento nacional, que respondeu com a peça “La Estrella de Hervás” que estreiou de maneira especial na 12 ª edição de os “Conversos”.

Miguel Murillo (Badajoz, 1953) é autor de inúmeras peças, incluindo “El reclinatorio” (1980), “Golfus de Emérita Augusta”, em colaboração com José Luis Alonsos de Santos, o “Armengol” (2002), prêmio nacional de teatro “Lope de Vega”, para citar apenas algumas destacadas, além de desenvolver atividades vinculadas a cultura de Extremadura: dirigiu a Editora Regional de Extremadura, foi secretário do programa “Extremadura Enclave 92” e na atualidade dirige o Consórcio Teatro “López de Ayala” de Badajoz.

Ao estilo de nossos clássico, como fizeram em seu tempos Shakespeare, Calderon e Lope, Murillo aceitou e desenvolveu a obra da única maneira possível: através da qualidade literária e da precisão histórica. Duas ferramentas essenciais para alcançar uma obra de arte a partir do passado de Hervás e desta área em particular, nas margens do rio Ambroz, onde são misturados perfeitamente magia e realidade, amor e ambição, humor e drama, de um teatro dentro do teatro. Ao estilo de “Romeu e Julieta”, para seguir com a comparação ilustre, este emocionante conto ecoa de longe através desta lenda de um património arquitectónico (quase) inalterado.

Leave a Reply

Your email address will not be published.