Chegando aos “cripto-judeus” de Portugal

post-procissc3a3oDezenas de portugueses ‘cripto-judeus’ se reunirão na próxima semana em Lisboa, Portugal, para um seminário especial “Shabaton” organizado pela Shavei Israel, a organização com sede em Jerusalém (www.shavei.org), que estende a mão em auxilio aos “judeus perdidos” que buscam retornar ao povo judeu.

O seminário, intitulado “O Povo Escolhido ou a escolha de um Povo”, vai incluir rabinos e acadêmicos de Israel e Portugal, e incidirá sobre questões relativas à nacionalidade judaica e seu destino, assim como o vínculo entre o povo judeu e os ‘Bnei Anussim’.

Bnei Anussim é o termo hebraico para os judeus cujos antepassados foram convertidos à força ao catolicismo durante a época da Inquisição. Os historiadores, muitas vezes se referem a estes pelo termo depreciativo “marranos”.

De acordo com o diretor da Shavei Israel, Michael Freund, “Um verdadeiro despertar tem acontecido entre os Bnei Anussim em Portugal, que vem mantendo suas identidades judaicas, apesar de séculos de medo e perseguição. Não por culpa própria, seus ancestrais foram arrancados de nós, mas agora muitos estão procurando uma maneira de voltar. Voltar à sua herança religiosa e intelectual que foi tão cruelmente tirada deles”.

No final de 1496, o rei D. Manuel I de Portugal demonstrou em interesse em se casar com a filha do rei espanhol Fernando e a rainha Isabel, que condicionaram o casamento com seu consentimento em expulsar os judeus do território Português. Manuel aceitou e, emitiu um decreto ordenando a expulsão dos judeus do país em outubro de 1497.

Mas temendo a perda econômica que seu reino sofreria, uma vez que seus principais comerciantes seriam mandados embora, o monarca Português optou por empreender uma campanha de batismo forçado, obrigando a maior parte do Judaísmo Português se converter. “Muitos, no entanto, continuaram a praticar o judaísmo em segredo” Freund diz, “e arriscaram suas vidas e seu bem-estar ao viver como judeus escondidos e passar tal identidade as gerações futuras”.

“Nosso objetivo com este seminário é o de chegar a seus descendentes, os Bnei Anussim, e demonstrar-lhes que, assim como eles não se esqueceram de nós, o povo judeu, assim também não esquecemos deles”, disse ele.

A Shavei Israel tem atualmente dois rabinos emissários em Portugal, que atuam como os rabinos da comunidade judaica local e ao mesmo tempo engajam-se no trabalho de aproximação dos Bnei Anussim.

Ha quatro meses atrás, uma delegação da Shavei Israel liderada por Freund e o Rabino Eliyahu Birnbaum do Rabinato Chefe, viajaram para Portugal, juntamente com Rabino Chefe sefardita de Israel, Rabino Shlomo Amar, onde se encontraram com os Bnei Anussim em Lisboa e no Porto, as duas maiores cidades de Portugal.

Na esteira da visita, o Rabino Amar declarou que iria trabalhar no sentido de encontrar uma solução halachica para o status dos Bnei Anussim que desejam retornar ao povo judeu.

O seminário em Lisboa é o quinto encontro que a Shavei Israel realizou nos últimos dois anos na Península Ibérica. Os seminários anteriores foram convocadas em Madri, Barcelona e Palma de Maiorca, na Espanha, assim como no Porto, em Portugal.

Para mais informações, entre em contato com office@shavei.org.

2 thoughts on “Chegando aos “cripto-judeus” de Portugal

  • February 19, 2016 at 10:55 pm
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    Tenho aprendido muito sobre a luta santa do povo judeu através desses artigos que me envia.Agradeço ao Criador e a vocês por isso.Obrigado!

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  • July 15, 2017 at 5:09 pm
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    Não sei quando foi isto, mas gostaria de ter ido.Se voltar a ocorrer, por favor, contactem-me. Gostaria de ir A minha avó paterna nasce judia. Indiscutívelmente sou uma Bnei Anussin e nem sequer a origem é remota, mas bem próxima. Hão-de existir, algures, livros que o provam. Descobri-o há pouco tempo e assumi-o, para o bem e para o mal, de imediato. Mesmo conhecendo todos os riscos e tendo tido reações de amigos de longa data desfavoráveis e claramente anti-semitas, não o escondi. Não o neguei. Antes o assumi logo e avisei os conhecidos:
    – Eu sou isto. Quem quiser continuar meu amigo, continue. Quem não quiser, que se afaste. Eu não me nego, nem nego os meus antepassados. Uns ficaram, outros afastaram-se. Não ganhei sequer novos amigos. Em troca de abraços recebi foi um belo pontapé! Porém isso não altera nada em mim, nem no que sou. O que sou não precisa de aprovação nem reconhecimento. Seria melhor, seria confortante, mas não é indispensável nem altera o meu ser.
    Hashen me encontrou e Hashen não me abandonou. Isso sim, importa! Há muitas formas de Deserto e , na verdade, só no Deserto se é verdadeiro e inteiramente livre!
    Obrigada ao Rabino Elisha Salas.

    Ah Kadosh Baru Hu!

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