Barros Basto: o Dreyfus português

Barros Basto: o Dreyfus português

Menos conhecida que a de Alfred Dreyfus, a história de Barros Basto também é sobre o desejo de manter a fé judaica e os sacrifícios que se deve pagar por ela – outro triste exemplo do antissemitismo europeu do século XIX

Por: David Alejandro Rosenthal

O capitão Artur Carlos de Barros Basto é conhecido por ter sido injustamente caluniado e demitido do seu posto militar. Não muito diferente de Alfred Dreyfus, um oficial de artilharia francês de ascendência judaica cuja condenação em 1894 sob a acusação de traição se tornou um dos dramas políticos mais polarizadores da história francesa moderna.

Esses dois homens, importantes militares e heróis condecorados, tornaram-se alvo do antissemitismo europeu, que se acentuaria em meados do século XX, com o início da Segunda Guerra Mundial.

Barros Basto é uma figura desconhecida fora de Portugal, ao contrário de Dreyfus, mas a sua história é tão interessante como a dele, ou até mesmo mais. Barros Basto dedicou-se a escrever sobre temas judaicos e ainda mais importante foi o seu trabalho como líder comunitário. Além disso, ele foi uma grande contribuição para a luta dos Conversos – judeus sefarditas que tinham sido forçados a se converterem ao catolicismo. Aliás, o capitão Barros Basto foi um deles.

Em Portugal, ocorreu um fenómeno histórico muito especial, pois a concentração de sefarditas era tão alta que, até hoje, os portugueses são em grande parte descendentes daqueles “marranos” – judeus convertidos – que tiveram pouca escolha em 1497, quando foram obrigados a se converterem. Como em Espanha, os judeus enfrentaram um grande dilema: ir embora, com tudo o que isso implicava, ou adotar a nova fé.

Um bom número de judeus decidiu permanecer na sua terra natal, pelo que tiveram que ser batizados e mudar os seus nomes. Alguns tornaram-se os cristãos assíduos, misturando-se com a nobreza e com os “cristãos velhos”, e até se tornaram importantes membros do clero católico. No entanto, outros, apesar de se terem convertido, mantiveram a sua identidade judaica ao mesmo tempo em que criavam uma nova, o que lhes permitiu passar despercebidos entre seus novos correligionários – fossem eles cristãos novos ou velhos.

A família de Barros Basto manteve as suas raízes hebraicas ao longo dos séculos e tinha clareza sobre isso. Assim, o seu avô, antes de morrer, revelou-lhe a verdade sobre a sua origem sefardita passada e disse-lhe que desejava morrer como judeu.

Havia tradições, como as velas de Shabat, com as quais o jovem Artur Carlos estava familiarizado desde criança, mas estas faziam parte de sua memória, assim como da memória dos seus antepassados. Até que um dia, em Flandres, na Bélgica, Barros Basto entrou na tenda de um oficial francês num sábado, viu duas velas a iluminar o local e perguntou qual era o motivo. A resposta era óbvia. E esse momento foi tão decisivo que ele quis retornar à antiga fé dos seus antepassados.
Barros Basto, que nasceu em Amarante em 1887 como católico, decidiu enveredar pelo caminho de uma nova fé: a mesma que séculos atrás tantas pessoas foram obrigadas a abandonar, incluindo os seus antepassados. A lei mosaica, que também havia sido mantida, de uma forma ou de outra, entre os filhos dos forçados à conversão, tornar-se-ia a meta de vida do capitão, acompanhada do interesse em fazer os outros também retornarem às suas origens hebraicas.
O arquivo nacional de Portugal na Torre do Tombo tem mais de 40.000 arquivos da Inquisição, cujo principal objetivo era perseguir os “cristãos novos” acusados ​​de viver secretamente como judeus ao longo dos séculos, apesar de o rei Manuel I de Portugal ter prometido aos convertidos que não seriam investigados pelas suas práticas religiosas na esfera privada, o que os encorajou a manter os rituais e tradições de sua antiga religião, que em muitos casos sobreviveu à passagem do tempo.
O processo de conversão ao judaísmo do capitão Barros Basto – que também era maçom – começou no Porto e em Lisboa, na Sinagoga Shaarei Tikvah, mas sem sucesso. Marrocos seria então o lugar da sua conversão e retorno ao judaísmo.
Na cidade de Tânger ocorreu a conversão formal. Depois de regressar a Lisboa, casou-se com uma judia daquela comunidade, que antes não o tinha aceitado. Assim, Lea Israel Montero Azancot tornou-se Leah Barros. E, a partir desse momento, ela iniciaria a campanha de redescoberta e reaproximação dos cripto-judeus.
Barros Basto sentira-se judeu antes mesmo de se converter, em 1920; no entanto, ele encontrou dificuldades ao longo do caminho, e quase teve que ir até à Argélia para prosseguir com a sua conversão. Ele deve ter pensado em todos os outros que, como ele, eventualmente desejariam retornar à fé de seus pais.
No Porto, onde não havia mais de 20 judeus, o capitão Barros Basto, ou Abraham Israel Ben Rosh – o seu nome hebraico – fundou um jornal, que chamou de “Halapid” – A Tocha – e começou a viajar para as aldeias vizinhas onde se podiam encontrar Conversos, a fim de fundar uma nova comunidade com essas pessoas e construir uma sinagoga que mais tarde seria chamada: Mekor Haim – fonte de vida.
Barros Basto tinha aprendido hebraico antes da sua conversão, a tal ponto que mais tarde ensinou a língua dos seus antepassados ​​na Universidade do Porto. Interessou-se também pela história judaica medieval portuguesa, entre outros assuntos. Ao longo da sua vida, escreveu inúmeras textos sobre temas judaicos.
O plano inicial e ideal de Barros Basto era captar a atenção dos Conversos e atraí-los para o seu projeto comunitário-religioso. De facto, começou muito cedo a angariar os fundos necessários para a construção de uma sinagoga. O projeto era tão ambicioso e estruturado que, juntamente com outros membros da sua comunidade, estabeleceram uma yeshiva, com o objetivo de ensinar aos Conversos os preceitos da Lei de Moisés e a história do povo hebreu. Essa yeshiva funcionou durante nove anos.
Em Trás-os-Montes, no norte de Portugal, na fronteira com Espanha, na zona do importante rio Douro, os Conversos encontravam-se em aldeias rurais. Chaves, Bragança e Mirandela são algumas das cidades que a sub-região de Trás-os-Montes incluiu. O capitão Barros Basto percorreu este território em busca dos seus irmãos escondidos e perdidos, outrora obrigados a isolarem-se em comunidades muito pequenas e fechadas.
A situação política em Portugal mudou quando ocorreu um golpe de estado militar em 1926, devolvendo à Igreja Católica uma posição muito importante na sociedade. Não seria do interesse da Igreja que os “marranos” voltassem ao judaísmo. Da mesma forma, a ditadura fascista de Oliveira Salazar assumiu o poder por volta de 1932, impondo a tradição católica e o conservadorismo dos seus costumes como regime, semelhante ao caso espanhol com o Generalíssimo Franco.
Todos os esforços do capitão Artur Carlos encontraram um grande obstáculo quando uma carta anónima denunciou aos seus superiores um comportamento imoral da sua parte. Acusado de homossexualidade e de perverter a juventude da yeshiva, foi aberto um julgamento contra ele.
Essa calúnia não teve sucesso, mas trouxe à luz que o próprio capitão havia circuncidado – brit milah – junto com um médico, os seus alunos da yeshiva. Como resultado, 9.000 cripto-judeus se voltaram para o judaísmo, graças a ele. Em 1937, foi expulso do exército, por ser considerado moralmente inapto para continuar na instituição. Não podia ser acusado de homossexual, mas podia ser acusado de judaísmo, pois a Inquisição, que flagelara de maneira atroz toda a Península Ibérica, sem dúvida deixara um resquício antijudaico.
Como Dreyfus, o seu judaísmo pesou muito na hora de assinar a sua demissão. No entanto, Dreyfus foi defendido por Émile Édouard Charles Antoine Zola, destacado escritor francês, no seu artigo J’Accuse – Carta ao Presidente da República – no jornal L’Aurore.
Este apelo, em forma de carta aberta, foi a chave para a reintegração do cargo, nome e honra do capitão Dreyfus. No caso do capitão Barros Basto, nunca houve revisão do caso em vida e ele morreu com a desonra que lhe foi causada pelos inimigos do judaísmo.
Apesar do revés, o capitão Barros Basto conseguiu em 1938 inaugurar a sinagoga, que se tornara seu sonho: Mekor Haim, ou a Sinagoga Kadoorie (a maior de toda a Península Ibérica), em homenagem aos seus principais patrocinadores, uma proeminente família judia iraquiana estabelecida em Xangai, na China. Esses judeus Mizrahim decidiram erguer o edifício em homenagem à sua matriarca – Laura Kadoorie – que descendia de judeus expulsos de Portugal em 1497.
Esta sinagoga não conseguiu concentrar a comunidade de Conversos que Barros Basto esperava. O escândalo e, finalmente, a sua destituição do cargo também fizeram com que os seus alunos e as famílias que ele lentamente tinha trazido ao judaísmo ficassem com medo e no final não quisessem se associar a Mekor Haim.
Desde o início, a Inquisição criou um fenómeno de separatismo e desconfiança por parte dessas pessoas. Terem sido obrigados a se converterem e, mais do que isso: terem sido perseguidos, julgados e até condenados à morte, eram razões suficientes para se quererem afastar daquele mundo.
No entanto, a sinagoga serviu um grande propósito após a Segunda Guerra Mundial, tornando-se um abrigo para centenas de judeus da Europa de Leste que fugiam do horror do regime nazi. Barros Basto, portanto, também poderia ser considerado um “justo entre as nações”.
A Sinagoga do Porto é a obra mais importante do Capitão Barros Basto. Representa a liberdade, a luta constante e o grande carinho que o seu fundador tinha pela sua causa, juntamente com as famílias Ashkenazi da comunidade do Porto que o apoiaram neste nobre projeto.
O capitão Barros Basto morreu no Porto em 1961, levando para o túmulo a injustiça de ser acusado do “crime” de ser judeu. Ele foi o líder da sua comunidade até o fim. Ao contrário de Dreyfus, de uma forma ou de outra, Barros Basto morreu de desgosto moral.
Nunca foi reintegrado no exército, nem o seu caso foi revisto até 2012, data em que o Estado português reintegrou postumamente Barros Basto como capitão, graças aos esforços da sua neta Isabel Ferreira Lopes. Então, viva a memória de Barros Basto.
Pode ler o artigo original em inglês aqui

 

Brasil: a comunidade judaica mais antiga das Américas

Brasil: a comunidade judaica mais antiga das Américas

Por: Rav Menachem Levine

Link para o artigo original em inglês: https://aish.com/brazil-the-oldest-jewish-community-in-the-americas/

A fascinante história dos judeus do Brasil.

Não é em Nova York, em Cincinnati ou na Filadélfia. A mais antiga e primeira comunidade judaica das Américas foi estabelecida no Brasil, onde judeus sefarditas fundaram a primeira sinagoga em Recife em 1636. Esta é a fascinante história dos judeus do Brasil.

Descobrimento Português 1492 – 1624

Após um século de descobertas e colonizações bem-sucedidas, a monarquia portuguesa disse a Pedro Álvares Cabral, no ano de 1500, que levasse seus navios o mais longe possível para oeste para ver se encontrava uma rota alternativa para a Índia. Acompanhando Cabral nesta viagem como intérprete estava um judeu, Gaspar da Gama.

Gaspar foi “descoberto” pelo famoso explorador Vasco da Gama, na Índia, onde Vasco da Gama ficou chocado ao encontrar um homem branco servindo como conselheiro de um dos governantes locais. Vasco Da Gama decidiu que lhe seria útil ter alguém que falasse as línguas orientais, então decidiu levar esse homem de volta para Lisboa. Fez o judeu se converter ao catolicismo e adotar o nome de Gaspar da Gama, em honra do explorador.

Quando Cabral viajou para o Oeste, achou que seria útil ter Gaspar com ele para conversar com os nativos. Depois de cruzar o Oceano Atlântico, chegaram à terra que viria a ser conhecida como Brasil. O primeiro homem a pisar nesta nova terra foi Gaspar. Infelizmente, o seu conhecimento dos dialetos da Índia não serviu de nada para tentar conversar com os brasileiros, e foi então que começou a colonização portuguesa no Brasil.

Depois de descobrir o Brasil, os colonos portugueses foram para o oeste, na esperança de descobrir ouro e prata e estender seu território. Eles eram conhecidos como os Bandeirantes porque carregavam uma bandeira com eles. Com base em seus nomes, os registros sugerem que muitos deles eram conversos, judeus ocultos. Um dos bandeirantes mais importantes foi Fernando de Noronha, um converso português com muitos contatos na corte lisboeta. Ele convenceu a Coroa a arrendar-lhe a terra e que lhe daria em troca uma madeira chamada Pau Brasil que fornecia um corante e outros itens preciosos que encontrasse. A madeira que ele enviou deu à terra o nome de Brasil.

Os historiadores sugerem que seu esquema de arrendamento foi um esforço para ajudar os judeus portugueses, criando um lugar para eles viverem longe das crescentes ameaças da Igreja Católica e da Inquisição. Isso era crucial, porque depois de serem expulsos da Espanha em 1492 pelo infame Decreto de Alhambra, muitos judeus espanhóis se mudaram para Portugal, onde havia muito mais tolerância para com os judeus.

Mas este refúgio chegou ao fim em 1497, quando Portugal expulsou os seus judeus. Nesse ponto, alguns judeus se mudaram para a Holanda e outros tentaram se mudar para as colônias distantes, esperando chegar o mais longe possível do governo centralizado e de sua Inquisição. Assim, muitos cristãos-novos ou conversos se estabeleceram no Brasil, onde se beneficiariam com a colonização de Fernando de Noronha.

Brasil holandês 1624-1654

Em 1600, a Companhia Holandesa das Índias Orientais, que importava especiarias e produtos exóticos do Extremo Oriente, tinha grande sucesso. Assim, os holandeses decidiram criar uma Companhia das Índias Ocidentais, que importaria recursos naturais de Nova York, das ilhas do Caribe e do Brasil, grande produtor de açúcar.

Os holandeses derrotaram os portugueses no nordeste do Brasil e começaram a estabelecer ali um assentamento holandês, chamado Nova Holanda. Os holandeses permitiram a liberdade religiosa na Nova Holanda. Como resultado, muitos convertidos portugueses que viviam nas áreas do Brasil controladas pelos portugueses se mudaram para lá, para se tornarem novamente judeus de pleno direito. Duzentos judeus holandeses também faziam parte do assentamento holandês original. Os judeus estabeleceram uma variedade de negócios na Nova Holanda e estiveram particularmente envolvidos no desenvolvimento da indústria açucareira do Brasil.

A maioria desses mercadores judeus morava na Rua dos Judeus. Foi nesta rua que foi construída a primeira sinagoga do Hemisfério Ocidental, em 1636. Chamava-se Kahal Tzur Israel, a Rocha de Israel.

Os registros da sinagoga mostram uma comunidade judaica bem organizada, com alta participação, incluindo uma escola Talmud Torá, um fundo de tzedakah e um comitê executivo de supervisão. Em 1642, Rabi Isaac Aboab da Fonseca, um conhecido rabino de Amsterdã, e Moses Raphael d’Aguilar vieram ao Brasil como líderes espirituais para auxiliar as congregações de Kahal Zur em Recife e Magen Abraham em Mauricia.

Conquista portuguesa da Nova Holanda

Durante anos, o assentamento holandês prosperou, mas depois a Companhia das Índias Ocidentais começou a perder o interesse na colônia, pois os lucros eram menores do que noutras áreas sob seu controle. Os portugueses expulsaram os holandeses do Brasil em 1654, após uma guerra de nove anos.

No Tratado dos Guararapes, os portugueses prometeram respeitar a liberdade religiosa daqueles que optaram por permanecer no Brasil sob controle português. No entanto, nos anos seguintes, os portugueses voltaram atrás em sua palavra, acusaram os judeus de heresia e os perseguiram.

Nesse ponto, 150 famílias judias optaram por retornar a Amsterdã, mas outras se mudaram para áreas controladas pelos holandeses no Hemisfério Ocidental. Vinte e três desses judeus holandeses viajaram para Nova Amsterdã, a atual Nova York. Peter Stuyvesant era o governador de Nova Amsterdã e não gostava de judeus. Ele pediu permissão à Companhia das Índias Ocidentais para expulsá-los, sem perceber que uma porcentagem dos acionistas eram de fato judeus. Ele recebeu uma resposta de Amsterdã dizendo-lhe para «tratar nossos acionistas com consideração».

A Inquisição no Brasil

Apesar da esperança dos judeus de que a distância os protegesse do longo braço da Inquisição, a perseguição portuguesa os seguiu até o Novo Mundo. Em 1647, Isaac de Castro foi preso por ensinar judaísmo numa parte do Brasil controlada pelos portugueses. Ele foi deportado para Portugal, onde a Inquisição o condenou à morte e o queimou na fogueira. Reconhecendo o perigo, os judeus esconderam suas identidades judaicas, emigraram para áreas controladas pelos holandeses ou se mudaram para o interior do Brasil, onde havia menos supervisão.

Os historiadores encontraram recentemente populações no interior do Brasil que têm práticas aparentemente judaicas. Esses grupos não sabem explicar porquê, mas acendem velas na sexta-feira, lêem apenas o “Antigo Testamento”, não comem carne de porco ou marisco e evitam comer pão durante a Páscoa.

Um dos casos mais famosos sobre a Inquisição no Brasil foi o de Antonio José da Silva. Da Silva era um estudante de direito que morava no Rio de Janeiro, e também escreveu várias peças de teatro de sucesso. Foi denunciado à Inquisição, preso e enviado para Portugal. Ele se recusou a se retratar e foi queimado na fogueira em 19 de outubro de 1739. Sua coragem inspirou brasileiros judeus e não judeus, e, em 1996, sua história foi transformada em um filme brasileiro chamado O Judeu.

O fim da perseguição oficial e a comunidade marroquina

Em 1773, um decreto real português aboliu a perseguição aos judeus. Como resultado,  foram-se estabelecendo gradualmente judeus no Brasil, embora quase todos os conversos brasileiros originais já tivessem sido assimilados.

Em 1822, depois que o Brasil conquistou sua independência oficial de Portugal, começaram a se mudar para o Brasil judeus marroquinos. Em 1824, eles fundaram uma sinagoga em Belém (norte do Brasil) chamada Porta do Céu. Na Primeira Guerra Mundial, a comunidade sefardita de Belém, composta principalmente por marroquinos, tinha aproximadamente 800 membros. Na década de 1950, uma onda adicional de imigração judaica trouxe mais de 3.500 judeus marroquinos para o Brasil.

Os judeus europeus Ashkenazi começaram a chegar ao Brasil por volta de 1850. O Brasil não era o destino preferido de judeus europeus à procura de uma nova vida na América do Sul. Os europeus, judeus e não judeus, tendiam a preferir a Argentina, mais cosmopolita. No início do século 20, a Argentina tinha um dos mais altos padrões de vida do mundo. É possível que os imigrantes que escolheram o Brasil o tenham feito porque a o preço do bilhete de barco era muito menor do que para Buenos Aires, que ficava 1500 milhas ao sul.

Quase 30.000 judeus da Europa Ocidental, principalmente da Alemanha, vieram para o Brasil na década de 1920, para escapar do antissemitismo europeu. Em 1929, eles haviam estabelecido tantas comunidades que havia 27 escolas judaicas.

Ascensão do antissemitismo no Brasil

Na década de 1930, os intelectuais brasileiros começaram a caluniar os judeus, retratando-os como não-europeus, comunistas empobrecidos, capitalistas gananciosos e prejudiciais ao progresso. O Partido Nazista também encorajou o anti-semitismo entre a diáspora alemã, embora tenha tido muito mais sucesso na vizinha Argentina.

Em 1938, o Brasil iniciou um esforço ativo de assimilação e fechou os jornais iídiche e as organizações judaicas, tanto seculares quanto religiosas. Seguiu-se uma onda de antissemitismo, incluindo várias impressões dos Protocolos dos Sábios de Sião. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o Brasil adotou uma política de imigração que proibia a entrada de mais refugiados judeus no país.

No entanto, o embaixador brasileiro na França, embaixador Luis Martins de Souza Dantas, via as coisas de forma diferente e heroicamente escolheu ignorar a proibição do Brasil à imigração judaica. Vendo o que aconteceria com os judeus caso permanecessem na França, ele concedeu vistos de imigração a centenas de judeus franceses, salvando suas vidas do Holocausto.

Após o Holocausto, o Brasil adotou uma nova constituição, mais democrática, e o antissemitismo diminuiu. A imigração judaica fortaleceu a comunidade com números cada vez maiores e, na década de 1960, o judaísmo brasileiro estava prosperando. Nas eleições parlamentares de 1966, seis judeus representando vários partidos foram eleitos para a legislatura federal. Além disso, políticos judeus serviram em legislaturas estaduais e conselhos municipais.

Horacio Lafer, judeu, foi Ministro da Fazenda nas décadas de 1950 e 1960. Ele foi fundamental para que milhares de judeus deslocados da Síria, Líbano e outros países do Oriente Médio pudessem se estabelecer no Brasil.

Comunidade Judaica Brasileira Moderna

Hoje o Brasil tem a nona maior comunidade judaica do mundo e a segunda maior população judaica da América Latina, depois da Argentina. A população judaica totaliza cerca de 130.000. Cerca de 70.000 judeus vivem em São Paulo, que é o coração comercial e industrial do Brasil, e outros 30.000 vivem no Rio.

Os restantes 30.000 judeus estão distribuídos pelas outras cidades do país. Aliás, há um ditado no Brasil que diz que «se uma cidade não tem um comerciante judeu, não merece ser chamada de cidade».

Os judeus paulistas estão particularmente orgulhosos de seu apoio ao Hospital Israelita Albert Einstein, considerado por muitos o melhor hospital de toda a América do Sul. Foi o primeiro hospital fora dos Estados Unidos a ser credenciado pela Joint Commission.

No Brasil atual, a comunidade judaica vive em paz e estabilidade e pode praticar sua religião livremente. Em contraste com o anti-semitismo que marcou sua história, hoje a maior ameaça ao judaísmo brasileiro é o casamento misto e a assimilação.

Ao mesmo tempo, devido aos esforços de muitos indivíduos, começaram a florescer escolas judaicas, aulas de educação de adultos e estabelecimentos kosher.

Incrivelmente, a sinagoga Kahal Zur em Recife, a primeira sinagoga construída nas Américas, foi reaberta em 2002, 347 anos depois de ter sido fechada pelo domínio colonial português. A sinagoga não era usada desde meados do século XVII, quando os portugueses derrotaram os holandeses em Recife, expulsaram seus cerca de 1.500 judeus e baniram o judaísmo. A sinagoga está novamente aberta graças à generosidade da família de banqueiros Safra.

Após a Segunda Guerra Mundial, Binyomin Citron era um construtor e líder comunitário em São Paulo. No início da década de 1950, ele se encontrou com o principal sábio americano, o rabino Aharon Kotler, e orgulhosamente lhe contou sobre um belo edifício que ele havia construído para ser usado como yeshiva, descrevendo como ele iria produzir judeus fortes e educados, tal como uma grande yeshiva americana.

Com grande discernimento, o rabino Kotler respondeu a ele: «Prédios não criam judeus fortes e educados, as pessoas sim. Se você tiver os rabinos certos como professores, você pode produzir judeus instruídos e fortes. Enviaremos o melhor rabino do sistema para ajudar a construir a Torá no Brasil.» O rabino Kotler enviou Reb Zelig Privalsky ao Brasil, onde ele e muitos outros ajudaram a criar um futuro judaico para milhares de judeus brasileiros – um futuro para a comunidade judaica mais antiga do Hemisfério Ocidental.

 

PROGRESSO DO CENTRO COMUNITÁRIO DE CALI, NA COLÔMBIA

PROGRESSO DO CENTRO COMUNITÁRIO DE CALI, NA COLÔMBIA

Recentemente, falámos sobre o novo projeto do centro comunitário da comunidade Maguen Abraham em Cali, na Colômbia. Esta comunidade judaica emergente tem trabalhado arduamente e queremos mantê-lo atualizado sobre seu progresso!

Até agora, a comunidade já completou mais de 50% do projeto, e já podem realmente usar partes do edifício, finalmente tendo um lugar para chamar de seu, para rezar e aprender juntos. Mas há muito mais para vir!

Com a sua ajuda, eles estão a construir uma estrutura de 3 andares que abrigará um salão de eventos, uma sinagoga com espaço para 130 pessoas e um talmud Torá (escola).

Também incluirá um mikveh  (banho ritual), um restaurante kosher e uma loja Judaica.

Muitas pessoas nos têm perguntado sobre este projeto incrível. Para apoiá-lo, por favor clique aqui  e indique ‘Sinagoga de Cali’.

PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO – CONTINUAÇÃO

PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO – CONTINUAÇÃO

Continuação do artigo sobre a família Bissato (Yehoshua de 45 anos, Chana de 36, e a filha Leah, de 10), que chegaram a Israel vindos de Caxias do Sul, Brasil. O caminho incomum destes ex-pastores na verdade afastou-os dos ensinamentos com que cresceram, na direção de um caminho que os levou ao judaísmo. Procuraram por um processo de conversão durante oito anos e estão animados por estarem finalmente em Israel e por começarem esta etapa final da sua jornada ao judaísmo.

“Estamos morando em Israel agora, mas não tomamos isso como garantido.”
“Um pouco da nossa história: Enfrentámos muitos desafios na nossa jornada. Então, finalmente recebemos a oportunidade das nossas vidas por parte da Shavei Israel e começámos a planear a nossa viagem. Depois veio o coronavírus e os ataques a Israel. Tive que fazer vários exames, na verdade tive Corona e minha esposa teve que fazer uma cirurgia. Esperámos mais de um ano até podermos finalmente embarcar num avião e tudo correu bem. Tanta espera e angústia…  Rezámos muito, chorámos muito… mas nunca perdemos a fé!”
“Tínhamos certeza de que chegaria o dia de nossa viagem a Israel. Depois de termos tido que cancelar a viagem três vezes, tudo correu bem. Cada etapa da jornada foi acompanhada de muita emoção e lágrimas, mas desta vez foram lágrimas de alegria e gratidão por vermos nosso sonho realizado!
Quando chegámos ao aeroporto de Ben Gurion, parecia que finalmente estávamos indo para casa. À chegada, fomos calorosamente recebidos por pessoas maravilhosas; temos muito a agradecer.
Logo após a nossa chegada, começámos as aulas no Machon Miriam, o curso de conversão em língua espanhola da Shavei Israel. Os professores são incríveis e têm uma compreensão profunda dos conceitos judaicos. Eles fazem-nos refletir sobre os temas apresentados, e a cada aula aprendemos e crescemos mais. Além disso, fomos recebidos como se fôssemos todos parte de uma grande família, onde todos se preocupam uns com os outros, e tentam ajudar em tudo o que precisarmos.”
“Estamos muito gratos por esta oportunidade, embora ainda tenhamos muitos desafios pela frente. A questão económica é algo que pesa muito sobre nós, claro, enquanto esperamos o privilégio de poder trabalhar em Israel. Embora tenhamos recebido muita ajuda até agora, todas as necessidades básicas como alimentação, aluguer, água, eletricidade e saúde exigem recursos consideráveis. Mas confiamos em De’s, e Ele certamente enviará muitas pessoas boas para nos ajudar.
Só podemos agradecer a todos por tudo o que já vivemos aqui em Israel. Agora vamos continuar lutando até alcançarmos nosso objetivo final, que é nos converter ao judaísmo e fazer aliá.” ~Yehoshua, Hanna e Leah
Para ajudar a família Bissato e outros como eles que trabalham duro para completar sua conversão, pode fazer o seu donativo aqui neste link, e pode indicar num comentário qual a finalidade do seu donativo. Muito obrigado!
CONSTRUINDO UM CENTRO COMUNITÁRIO JUDAICO EM CALI, COLÔMBIA

CONSTRUINDO UM CENTRO COMUNITÁRIO JUDAICO EM CALI, COLÔMBIA

É sempre muito emocionante ver nossas comunidades emergentes a crescer e a florescer. Estamos, portanto, muito entusiasmados com o novo projeto da comunidade Maguen Abraham em Cali, na Colômbia; depois de 10 anos a trabalharem juntos, começaram a construir o seu sonho. Embora a comunidade já existisse, não tinha um local de encontro oficial. Agora estão a construir um pequeno centro, que abrirá as suas portas a todos aqueles que o desejarem e onde poderão reunir-se e rezar juntos. 

O projeto inclui a construção de um edifício de 3 andares. O primeiro andar será usado para o salão de eventos, onde serão realizadas as refeições festivas. No segundo andar, a sinagoga, que terá capacidade para 130 pessoas. Será confortável e construída sob as diretrizes da lei judaica. No terceiro andar será construído o talmud Torá, com salas para crianças e salas de reuniões para mulheres.

O projeto é ambicioso; também inclui um mikveh (banho ritual), um restaurante kosher e uma loja Judaica.

Estamos realmente ansiosos para ver esse sonho realizado e ver o centro comunitário a ser construído. Se você gostaria de apoiar este projeto incrível, que certamente beneficiará a grande comunidade de lá e todos aqueles que o visitam, clique aqui e indique «Sinagoga de Cali».