Parasha da Semana – Vaerá

Parasha da Semana – Vaerá

Parshat Vaera

Por: Rav Reuven Tradburks

A Parshat Vaera é a transição das promessas Divinas para a ação Divina. Após a primeira recusa do faraó no final da parasha da semana passada, D’us garante a Moshe que Ele libertará o povo judeu da escravidão e o trará para a terra de Israel. Após a relutância de Moshe, Moshe e Aharon são enviados ao faraó. Ocorrem as primeiras sete pragas: sangue, rãs, piolhos, animais selvagens, praga nos animais, pústulas, granizo. O faraó reage aos solavancos, às vezes concordando e mudando de ideias logo a seguir.

1ª Aliá (6: 2-13) D’us responde firme e definitivamente à aparente futilidade da abordagem de Moshe ao faraó no final da parasha da semana passada. Eu sou D’us, um nome que os Avot não conheciam. Eu prometi-lhes a terra de Israel. Ouvi o clamor do povo. E lembro-Me da aliança. Então diz ao povo: Eu, D’us, tirá-los-ei, salvá-los-ei, redimindo-os, trazendo-os a Mim, trazendo-os para a Terra. O povo não ouve, devido aos seus fardos. D’us diz a Moshe para ir ao faraó. Ele objeta: o povo não me ouviu, como me ouvirá o faraó?

Nesta aliá, D’us estabelece a mais fundamental das crenças judaicas: a intervenção direta de D’us na história judaica. Até agora, conhecemos D’us como Aquele que promete a Avraham que receberá a terra de Israel. Mas ainda não vimos essa promessa se tornar realidade. A promessa da terra não foi concretizada.

Tudo muda agora. Em vez de termos que procurar, perscrutar os bastidores em busca do Divino, Ele diz-nos exatamente o que fará. Agora, pela primeira vez, D’us revela, em grandes detalhes, o que está prestes a fazer. E isso acontece imediatamente. Ele diz a Moshe e ao povo exatamente o que vai fazer, com todos os detalhes: tirá-los, salvá-los, redimi-los, aproximá-los a Ele, trazê-los para a Terra.

Vamos ver isto ainda melhor nas próprias pragas: De’s diz o que vai fazer hoje ou o que vai fazer amanhã. E fá-lo imediatamente. É por isso que existem 10 pragas. De’s quer demonstrar repetidamente que controla o mundo e, portanto, também a história humana.

2ª Aliá  (6: 14-29) É delineada a linhagem de Reuven, Shimon e Levi, incluindo o nascimento de Moshe e Aharon. São os mesmos Aharon e Moshe que D’us ordenou que fossem ao faraó. Aqueles que falam com o faraó.

A linhagem de Moshe parece ser apresentada para destacar que ele não é líder devido à sua linhagem. Ele não provém do filho primogénito Reuven. Nem do primeiro filho de Levi. Nem sequer é o filho primogénito de Amram. Moshe não é líder em virtude da sua linhagem.

3ª Aliá (6: 30-7: 7) D’us diz a Moshe para ir ao faraó. Moshe objeta: Sou preso de língua, como como me ouvirá o faraó? D’us diz a Moshe: Faço de ti juiz do faraó e de Aharon teu porta-voz. Endurecerei o coração do faraó. Ele não te ouvirá.

Aqui começa o detalhe do que vai acontecer. Por medidas políticas normais, Moshe sabe que não terá sucesso. Ele: fraco. O faraó: poderoso. Mas é-lhe dito que ele e o faraó são apenas peões nas Mãos de D’us.

4ª Aliá (7: 8-8: 6) Começam as pragas. Vai ao faraó pela manhã, quando ele for ao o rio. Através disto saberás que Sou D’us: A água transformar-se-á em sangue. Moshe avisa o faraó. Aharon toca na água; esta transforma-se em sangue. Os feiticeiros também o fazem. O faraó não escuta. A 2ª praga: Vai ao faraó e diz-lhe que D’us diz para deixares o povo ir servi-Lo. De contrário, as rãs invadirão a tua casa, cama, fornos, as casas dos escravos. Aharon levanta o seu cajado e surgem as rãs. O faraó chama Moshe e pede-lhe que reze para aquilo parar.

As primeiras 2 pragas, sangue e sapos, vêm da água. A água faz-nos imediatamente pensar na Criação: O espírito de D’us pairava sobre as águas. A água é um começo: em Breishit, é o começo do mundo. Aqui, é o início do povo judeu.

E as pragas serão de baixa intensidade ao princípio, e depois aumentarão. O que é mais baixo do que o nível do solo? A água, que se acumula nas partes mais baixas. As primeiras 2 pragas vêm da água. A 4ª e a 5ª, os animais selvagens e a praga nos animais, são em terra. E a 7ª, 8ª e 9ª, o granizo, o enxame de gafanhotos e a escuridão, vêm do céu.

Isto também nos remete à Criação: primeiro havia água. Separou-se para fazer os céus. E a água em baixo foi dividida para fazer surgir a terra seca. As pragas atacam esses mesmos elementos do princípio da Criação.

5ª Aliá (8: 7-8: 18) Moshe reza, as rãs param, o faraó obstina-se. 3ª praga: Aharon levanta o seu cajado; os piolhos atacam as pessoas e os animais. Os feiticeiros tentam imitar, sem sucesso. É a mão de D’us. O faraó não escuta. A 4ª praga: Vai ao faraó pela manhã quando ele for ao rio. Diz-lhe: Haverá feras no Egito, mas não em Goshen. Através disto saberás que Sou D’us no meio da terra.

Quem decidiu onde acaba cada aliá estava a fazer um comentário através dessa escolha. Na nossa parashá, faria sentido que as aliot acabassem de forma lógica com o fim de cada praga – na quebra de parágrafo. Mas tanto esta aliá quanto a seguinte concluem da mesma forma: Saberás que Eu Sou D’us.

A 1ª, 4ª e 7ª pragas começam com Moshe a encontrar-se com o faraó na água pela manhã. E cada uma repete a mesma frase: Saberás… A primeira é “Saberás que sou D’us.” A 4ª, “Saberás que sou D’us no meio da terra.” E a 7ª, “Saberás que não há ninguém como Eu.”

Estes são os 3 pilares da fé judaica: Existe um D’us, Ele é nosso D’us, ou seja, está envolvido no que acontece no mundo, e Ele é Um.

6ª Aliá (8: 19-9: 16) Ocorre a praga de feras. O faraó concorda em permitir que o povo saia para adorar no deserto. Moshe reza pelo fim da praga. O faraó muda de ideias. A 5ª praga: Vai ao faraó, os animais serão atacados com uma praga, mas não os do povo judeu. O faraó verificou, viu que era verdade. Mas endureceu o seu coração. A 6ª praga: Moshe, lança pó ao céu à frente do faraó. O pó transformou-se em furúnculos e pústulas nos animais e nas pessoas. D’us endureceu o coração do faraó. 7ª praga: Moshe, vai ao faraó pela manhã. Com esta praga saberás que não há ninguém como Eu.

As pragas 4 e 5, os animais selvagens e a praga nos animais, atacam apenas os egípcios, não acontecem em Goshen. Isto ensina-nos que D’us está envolvido na atividade do Homem, distinguindo entre o bem e o mal.

Transformar a água em sangue foi um ataque ao deus egípcio; portanto, saberás que sou D’us. Aqui a praga distingue as pessoas, os egípcios  dos judeus, para ensinar: Eu sou D’us, a agir no meio da terra. E as últimas pragas vêm do céu – Ele controla o céu, os poderes, o cosmos. Não há ninguém fora dEle.

7ª Aliá (9: 17-35) Choverá granizo e matará toda a gente no seu caminho. Moshe ergueu o seu cajado e choveu granizo no meio de trovões, com fogo. O faraó chamou Moshe e Aharon: Pequei; D’us é justo. Rezem para remover isto e eu vos deixarei ir. Moshe fez isso. O faraó recusou-se a deixar sair o povo.

Embora as pragas tenham uma ordem muito clara, as reações do faraó não. Ele aceita, permitindo que eles saiam para comemorar. Depois muda de ideias. Aqui, ele aceita que pecou. Esta é uma aceitação de responsabilidade muito impressionante. Está arrependido. E depois muda de ideias.

Esta demonstração do envolvimento de D’us no mundo é algo sem precedentes, mas o Homem permanece teimoso.

A Parasha termina após 7 pragas. As últimas 3 fazem parte da Parasha da próxima semana.

Esta história é a história mais notável da vida judaica. Mencionada diariamente nas nossas orações. No Shema. No Birkat Hamazon. No Kidush. E no seder. Por duas razões:

  1. Porque representa uma inovação radical na crença religiosa. D’us como Criador é uma crença central. D’us como Juiz, a recompensar e a punir, também é uma crença fundamental. Mas a noção de que D’us intervém no mundo, moldando a história humana, atraindo o povo judeu a Ele, para nos trazer à terra de Israel – o D’us da História, essa noção é introduzida aqui. No nosso tempo somos mimados, pois vemos o D’us da História no nosso retorno à terra de Israel. Para nós, é evidente. Nós vemo-Lo com os nossos próprios olhos. O D’us da História é-nos apresentado aqui, na nossa Parasha.
  2. Porque a perceção aberta de D’us é… bem, é difícil para nós. A Mão de D’us está escondida neste nosso mundo nebuloso. Ele criou-o dessa forma – a palavra em hebraico para «mundo» é olam, semelhante a ne’elam, «oculto». Mas perceber a Sua Mão moldando a história requer grande fé e discernimento. Oh, quantos escolheram, nos nossos dias, devido ao eclipse da Sua Face, à falta da Sua Mão na nossa história, no holocausto, oh, quantos O abandonaram. Esta história do Egito é como se Ele nos dissesse: Vou mostrar-vos a Minha Mão uma vez. Só uma vez. Prestem atenção. Não vai acontecer assim de novo. Mas estou a fazer isso porque sei como é difícil para vocês conseguirem ver-Me. A Minha Mão revela-se no Egito, nas pragas, na travessia do mar. E vocês, meu povo judeu, que viverão no futuro na espessa névoa da vida, quando ver a Minha Mão for demasiado difícil – vocês regressarão, muitas vezes, em oração, em mitsvot, a este glorioso dia claro e ensolarado da Minha Mão. E saberão que, tal como a minha Mão era tão clara e óbvia naquele tempo, a Minha Mão também está presente agora.
Parasha da Semana – Shemot

Parasha da Semana – Shemot

Parshat Shemot

Por: Rav Reuven Tradburks

O povo judeu está no Egito. Um novo faraó está preocupado com o tamanho do povo judeu. Ele decreta trabalhos forçados, infanticídio e, em seguida, o afogamento ativo dos bebés do sexo masculino. Moshe nasce e é criado em casa da filha do faraó. Depois de ver os judeus maltratados, foge para Midiã, casa, e estabelece-se lá. Aos 80 anos, Moshe encontra a sarça ardente. D’us ordena-lhe ir ao faraó e exigir, em nome de D’us, a libertação do povo judeu. Moshe, depois de tentar recusar esta missão, vai ao faraó. O faraó aumenta os trabalhos. O povo reclama.

1ª Aliá (1: 1-17) 70 Bnei Yisrael descem ao Egito. Tornam-se excessivamente numerosos, enchendo a terra. Surge um novo faraó que não conhecia Yosef. Receando que os judeus se unissem aos inimigos do Egito, ele procura diminuir a sua quantidade. A um imposto sobre o trabalho seguem-se trabalhos opressores. Em seguida, é ordenado às parteiras que matem os bebés judeus. As parteiras temem a D’us e não obedecem à ordem do faraó.

O livro de Shemot, do Êxodo, é radicalmente diferente de Bereshit. Bereshit era a história de pessoas: Avraham, Yitzchak e Yaakov, Sarah, Rivka, Rachel e Leah. Depois Yosef e os seus irmãos. E, sobreposto à história das pessoas, está o refrão Divino, “Dou-te a terra que prometi a Avraham”. É quase como uma canção com um refrão: cada pessoa é um verso, com o refrão da promessa de D’us sobre a terra a repetir-se. Avraham e sua vida, com a promessa de D’us a repetir-se. Yitzchak e sua família, com a promessa de D’us a repetir-se. Yaakov e depois a história de Yosef, com a promessa de D’us a repetir-se. Em Bereshit, as pessoas estão no centro do palco, com D’us sempre presente, mas de poucas palavras: a repetição da promessa.

Em Shemot, D’us e o homem trocam de lugar. É a história do controlo divino sobre o destino judaico. Ele é o encenador principal, e o povo judeu meros atores no palco. Ele já não não se oculta com repetidas promessas. Ele age, domina, controla, manobra. Inicia, comunica, comanda. Posteriormente, no Sinai, revela-Se.

Mas o Seu aparecimento só aconteceu quando chegámos ao fundo do poço.

O faraó age para enfraquecer o povo judeu. Ações cruéis, incluindo assassinato. As parteiras temem a D’us, recusam-se a matar. Não há menção das ações de D’us. Nós já vimos isso antes. O nome de D’us está ausente da venda de Yosef, tal como aqui. Cair, podemos cair sozinhos. No que toca à crueldade, o ser humano faz um excelente trabalho sozinho. D’us aparece quando chegamos ao fundo.

2ª Aliá (1: 18-2: 10) As parteiras defendem as suas ações perante o faraó. Moshe nasce e é colocado na água, numa cesta. A filha do faraó resgata-o. Miriam providencia para que a mãe de Moshe cuide dele. Ele é devolvido à filha do faraó e é chamado Moshe.

Quando Moshe nasceu, a sua mãe “viu que ele era bom”. E ele foi colocado na água, numa cesta. Esses 2 elementos, água e “era bom”, lembram-nos imediatamente o primeiro dia da Criação. No início, “o espírito de D’us pairava sobre as águas” (Génesis 1: 2). E quando a luz foi criada, “D’us viu a luz e eis que era boa.” Moshe a ser colocado na água e a sua mãe a ver “que ele era bom” poderia ser a maneira de a Torá nos dizer que há uma nova história da Criação a acontecer: com o nascimento de Moshe, um novo mundo amanhece para o povo judeu.

3ª Aliá (2: 11-25) Moshe amadurece. Ele sai para ver as angústias dos seus irmãos. Defende um judeu matando o seu agressor egípcio e, em seguida, salva um judeu de um agressor judeu. Foge para Midiã para salvar a vida, ajuda as filhas de Yitro, é recebido por Yitro, casa-se com Zípora e tem um filho, Gershom, “pois sou um estranho numa terra estranha”. D’us vê o sofrimento dos judeus e lembra-Se da sua aliança com Avraham, Yitchak e Yaakov.

Moshe chama o seu filho Gershom, porque “sou um estranho”. A que terra estranha se refere ele? Ser judeu no Egito? Ou ser egípcio em Midiã? Onde é a verdadeira casa de Moshe?

A história até este ponto é a história de pessoas; D’us ainda não apareceu. Num mundo sem a presença de D’us, existem pessoas boas e pessoas más. O faraó: mau. As parteiras: boas. Os pais de Moshe: corajosos. A filha do faraó: boa. A irmã de Moshe: altruísta. O capataz dos escravos egípcio: cruel. Os judeus a lutar, violentos. Yitro: hospitaleiro.

E Moshe? Sai. Preocupado. Ajuda quem precisa de ajuda. Sente angústia. Um estranho.

D’us aparece. O Seu nome aparece 5 vezes em 3 versículos. Agora tudo muda. Ou talvez não. Será que Ele orquestrou toda a atividade humana até este ponto, ou são simplesmente as pessoas a fazerem o que costumam fazer, algumas sendo boas e outras não? Ou têm sido meros fantoches na Sua Mão?

4ª Aliá (3: 1-15) Moshe e a sarça ardente. Moshe, Moshe, Hineni. D’us fala, Moshe fica intimidado. D’us diz-lhe: Vi o sofrimento do Meu povo. Salvá-los-ei do Egito e trá-los-ei para a terra do leite e do mel. Envio-te para ir ao faraó e ele libertará o meu povo do Egito. Moshe refuta: Quem sou eu para ir ao faraó? E o povo judeu vai perguntar Quem me enviou. D’us diz: Diz-lhes que foi o D’us dos seus antepassados, Avraham, Yitzchak e Yaakov, que te enviou.

Aqui, toda a história da Torá muda. D’us passa de força invisível por trás da ação humana a ditar diretamente a atividade humana. Ele diz a Moshe que tirará o povo judeu do Egito e os trará para a terra de Israel. Até agora, a terra foi prometida ao povo judeu, mas o povo tem vivido apenas com a promessa, não com o seu cumprimento. Eles não viram a Mão de D’us; detectaram-na por trás dos eventos. Como disse Yosef, “D’us trouxe-me ao Egito para salvar a família”. Ele nunca ouviu isso. Ele espreitou por trás da cortina e detectou-o.

Agora a cortina está corrida. Moshe recebe informação detalhada sobre o que acontecerá. Os judeus serão expulsos pelo faraó. A história do Êxodo do Egito é um pilar da crença judaica porque é uma exibição direta e flagrante da Mão de D’us na nossa história. É a Sua mão à vista de todos, não por trás da cortina.

5ª Aliá (3: 16-4: 17) D’us continua: Reúne o povo. Diz-lhes que os levarei para a Terra. Eles ouvirão. Vai ao faraó. Eu sei que ele não te ouvirá. Ferirei os egípcios. Saireis carregados de ouro, prata e roupas, tudo dado pelos egípcios. Moshe ainda está convencido de que as pessoas não vão acreditar nele. D’us dá-lhe sinais: o cajado transforma-se em cobra e depois de novo em cajado, a sua mão fica leprosa e depois volta ao normal. E a água transforma-se em sangue. Moshe contrapõe: Não sou bom orador. D’us diz: Sou Eu que dou a palavra ao Homem. Enviarei Aharon contigo. Ele falará. Leva o teu cajado.

A relutância de Moshe é surpreendente. Avraham não hesitou em cumprir a ordem de sacrificar o seu filho. Noach também não, quando recebeu uma ordem que iria causar a zombaria das pessoas. Moshe é um líder muito relutante, o que mostra que ele não é um homem guiado por uma missão, um líder fantástico, carismático, que vai guiar o seu povo da opressão à liberdade, mostrando o poder da vontade humana face à injustiça. E, afinal de contas, ele tem oitenta anos; já é um começo tardio para ser líder de um povo.

A história de um líder carismático a conduzir a liberação, da opressão à liberdade, seria uma história ótima. Mas não é a nossa história. A nossa história é a história da Mão Divina a guiar os eventos humanos através de um líder relutante. Esta não é a história de Moshe. É a história do Divino. E até mesmo a famosa frase “deixa ir o meu povo”, não é uma frase de Moshe. A frase é “deixa ir o Meu povo”. É Moshe a repetir a frase de De’s ao faraó. Moshe é só o mensageiro.

6ª Aliá (4: 18-31) Moshe recebe a bênção de Yitro para retornar ao Egito. D’us diz a Moshe que aqueles que queriam a sua morte já morreram. D’us diz-lhe para dizer ao faraó: D’us diz que Israel é o Seu primeiro filho. Deixa sair o Meu primogénito, pois se não o fizeres, matarei o teu primogénito. Zippora circuncida o seu filho. Aharon cumprimenta Moshe. Eles reúnem o povo. O povo acredita que D’us os redimirá.

D’us diz mais uma coisa a Moshe: Israel é o Meu primogénito. Como se dissesse – “Moshe, esta é uma história de amor. Eu vejo o povo judeu como o Meu amado primogénito. E a recusa do faraó resultará em punição divina.” A nossa ética ocidental fica desconfortável com estes princípios centrais do Judaísmo: a Mão de D’us na História, o amor de D’us pelo povo judeu e o castigo Divino. Como disse Rabi Sacks, z ”l,: Isso era radical nessa época, e continua radical hoje.

7ª Aliá (5: 1-6: 1) Moshe e Aharon aproximam-se do faraó, solicitando uma viagem de 3 dias ao deserto para uma celebração. O faraó recusa-se. Ele aumenta a carga de trabalho. Surge conflito entre os trabalhadores judeus e os supervisores egípcios. Os judeus criticam Moshe por o seu fardo ter aumentado. Moshe queixa-se a D’us. D’us assegura-lhe que, através de uma mão forte, o faraó deixá-los-á sair.

Que grande lição: mesmo quando temos uma promessa de De’s, não pense que tudo vão ser rosas. As Suas promessas confrontam a incómoda realidade dos seres humanos. O plano para a saída dos judeus confronta a realidade do faraó e a sua resistência. O faraó desvia o plano, pelo menos em parte. Essa é a lição: O homem deambula sem rumo enquanto o plano Divino se desdobra, para cima e para baixo, para a frente e para trás. Mas a resistência não altera o fim. O fim vai chegar. Pode ser mais tarde, mas uma promessa é uma promessa.

 

Seminário prático na Polónia – Fevereiro de 2023

Seminário prático na Polónia – Fevereiro de 2023

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O seminário será realizado em inglês e hebraico e incluirá:

• Excursões em Cracóvia, Varsóvia, Łódź, Tarnów, Breszsko, Lelów, Radomsko, Piotrków Trybunalsi, Przysucha e Mina de Sal Wieliczka.
• Shabat e Seder de Tu B’Shevat com a comunidade judaica de Łódź e os refugiados da Ucrânia que foram recebidos pela comunidade, e Seder de Tu B’Shevat no Instituto de História Judaica, Varsóvia.
• Visitas aos museus da história judaica em Cracóvia, Łódź e Varsóvia.
•  Histórias e contos hassídicos e partilha de memórias e música.

O número de participantes é limitado , estando a viagem condicionada a uma participação mínima.
Taxa para os serviços em terra (acomodação, refeições, guia, taxa de entrada) para participação total: em quarto individual $ 650 , em quarto duplo – $ 550.

A taxa de transporte será adicionada posteriormente, de acordo com o número de participantes. Hotéis de 3 estrelas com classificação elevada. Passagens e seguros a serem adquiridos pelos participantes. Pode ser possível participação parcial.

Para mais informações e inscrições contactar:
​​Dra. Dina Feldman – fel.dina@gmail.com

Parashá da Semana – Vaiechi

Parashá da Semana – Vaiechi

Por: Rav Reuven Tradburks

Vayechi significa vida, mas a parashá começa por falar sobre morte e acaba também com morte. Yaakov exige ser enterrado em Israel. Yosef jura que sim. Yaakov eleva os seus netos Ephraim e Menashe a serem iguais aos seus filhos como tribos colonizadoras da terra de Israel. Yaakov abençoa Efraim e Menashe. Ele chama todos os seus filhos e abençoa cada um deles. Yaakov morre. É enterrado com grandes honras em Maarat HaMachpela. Os irmãos temem que agora Yosef se vingue. Yosef tranquiliza-os. Yosef pede para ser enterrado em Israel quando o povo judeu retornar. Morre e é colocado num caixão no Egito. O querido livro de Breishit está concluído.

1ª Aliá (47: 28-48: 9) Yaakov pede a Yosef para jurar que não o enterrará no Egito, mas sim junto aos seus antepassados. Yaakov adoece. Ele diz a Yosef que D’us lhe apareceu na Terra de Israel; foi-lhe dito que os seus descendentes teriam um domínio permanente na terra de Israel. Efraim e Menashe serão tratados como tribos iguais na divisão da terra. Rachel morreu no caminho para a terra e eu enterrei-a lá.

O povo judeu está instalado no Egito. E esse é precisamente o tema desta parashá. Yaakov está a batalhar, a insistir, perseverando num tema: esta não é a nossa casa. Ele só fala  da terra de Israel: Não me enterres no Egito, Efraim e Menashe serão iguais na divisão da terra, que eles prosperem na terra (de Israel); abençoa os filhos enfatizando sua localização na terra.

Yaakov insiste: nós estamos aqui, mas estaremos lá.

Na verdade, se eu tivesse escolhido por onde começar esta parashá, eu teria começado um versículo atrás. (Embora a palavra “Vayechi” soe bem). O último versículo da parashá da semana passada é: Yisrael habitou na terra do Egito, em Goshen, e foram extremamente prósperos.

Esse é exatamente o mesmo versículo (quase) do início de Vayeshev. Lá, Yaakov queria estabelecer-se, criar raízes, construir uma nação em Israel. Agora, aqui, ele está a fazer exatamente isso: a estabelecer-se e a criar raízes. Mas no sítio errado; no Egito e não em Israel.

Porque menciona Yaakov que Rachel morreu repentinamente e foi enterrada no caminho para Beit Lechem? Talvez este seja um momento de ternura entre pai e filho. Ele está a falar com Yosef. “Yosef, perdeste a tua mãe tragicamente, de repente. Rachel, a minha querida esposa. A tua mãe. E tu eras tão jovem, foi tudo tão repentino, não tiveste oportunidade de enterrar a tua mãe da maneira que te estou a pedir para me enterrares a mim. Tu e eu partilhámos aquele momento trágico. Agora, é tão diferente. Eu, idoso. E tu, um homem adulto, de grande sucesso. Talvez tivéssemos tido mais filhos. Em sua memória, em sua homenagem, os teus 2 filhos tomam os seus lugares como filhos meus, para preencher o vazio do que poderia ter existido.”

Um momento saudoso, terno, de partilha, no meio de instruções de importância nacional.

2ª Aliá (48: 10-16) Yaakov não vê. Ele abraça e beija Ephraim e Menashe. Yaakov coloca a mão direita sobre Ephraim, o mais jovem, e a mão esquerda sobre Menashe, o mais velho. D’us, perante Quem os meus antepassados ​​caminharam e que me protegeu, abençoe estes meninos. E que eles se multipliquem na terra.

Não podemos deixar de ouvir ecos do pai de Yaakov, Yitzchak: cego, deu a bracha ao mais jovem e não ao mais velho. Mas, aqui, Yaakov não abençoa apenas um. Ele abençoa os dois com a mesma bracha. Isso muda tudo. A era do “um entra e o outro fica de fora” acabou. Todos fazem parte do povo judeu. E estes são os netos. Netos significam longo prazo, futuro, legado, todos os filhos.

3ª Aliá (48: 17-22) Yosef não gosta da troca de mãos. Ele corrige Yaakov. Yaakov objeta. Ambos serão grandes, mas o mais novo será maior. Abençoou os dois: Os judeus abençoarão com “Que D’us te faça como Efraim e Menashe”.

Yosef sofreu com o favoritismo do pai. Ele não quer o mesmo para os seus filhos. Mas Yaakov insiste. Porque existe uma diferença entre exclusão e diferenciação. Yaakov não está a excluir ninguém. Ambos estão dentro. Ambos são abençoados. Os judeus no futuro abençoarão com Efraim e Menashe. Mas Yaakov disse a Yosef: embora a partir de agora todos os judeus sejam parte do povo judeu, embora todos estejam dentro, eles não são idênticos. Alguns serão maiores, outros menos.

4ª Aliá (49: 1-19) Yaakov chama os seus filhos para lhes dizer o que acontecerá com eles. Dirige-se a eles individualmente. Reuven, o meu primogénito. Shimon e Levi, por causa da vossa raiva, não se associam à minha honra. Yehuda, salvaste o meu filho da destruição; a autoridade não se afastará de ti. Zvulun vai morar na costa. Yissachar é um trabalhador poderoso; ele verá a qualidade e a beleza da terra. Dan, o juiz da nação. D’us, esperamos a Tua salvação.

Falta uma palavra no discurso de Yaakov para cada um dos seus filhos: D’us. A Torá não diz que ele abençoa os filhos. As bênçãos vêm de D’us. Yitzchak abençoou o seu filho: Que D’us te dê o orvalho dos céus … Até o próprio Yaakov abençoou Efraim e Menashe: Que D’us, perante Quem andaram os meus antepassados, ​abençoe estes meninos. E Yaakov disse a Yosef que o povo judeu abençoará: Que D’us te abençoe como a Efraim e Menashe.

As bênçãos vêm de D’us. Porque Yaakov não menciona nem sequer uma vez o nome de D’us no seu discurso aos filhos? Porque ele não os está a abençoar. Ele está a descrevê-los. Ele está a enfatizar, já perto da morte, que o seu lugar não é no Egito. O seu lugar é na terra de Israel. E eles chegarão lá, com todos os seus variados talentos. Para construir uma nação. Uma nação precisa de líderes, de marinheiros mercantes, de agricultores, de justiça. Yaakov está a declarar de facto aos seus filhos como será o Estado do povo judeu na terra de Israel. Todos vós sereis incluídos porque todos os vossos  talentos serão necessários. E vós sois todos diferentes e essenciais.

5ª Aliá (49: 20-26) O discurso de Yaakov para cada filho continua. Gad, um legionário. Asher, pão e iguarias. Naftali, um mensageiro rápido. Yosef teve adversidades, mas com a ajuda de D’us prevaleceu e foi enormemente abençoado.

Com a descrição de Binyamin na próxima aliya, as descrições ficam completas. A nação judaica será construída na terra de Israel como resultado de todos vós. Nenhum fica de fora, todos estão dentro. Será uma nação de agricultura, força militar, liderança, generosidade, justiça e comércio. Será uma nação colorida, diversificada e bem-sucedida.

Yaakov está muito empenhado, a batalhar, a insistir  na sua mensagem: estamos aqui no Egito apenas temporariamente. É na terra de Israel que ficaremos.

6ª Aliá (49:27-50:20) O fim de Yaakov está próximo. Ele ordena aos seus filhos que o enterrem em Maarat Hamachpela, descrevendo em detalhe a sua aquisição por parte de Avraham e o enterro de todos os avot e imahot. Yaakov morre. Yosef recebe permissão do faraó para enterrar Yaakov em Israel. Uma grande procissão acompanha o enterro. Ao voltar ao Egito, os irmãos dizem a Yosef que Yaakov lhes ordenou que lhe dissessem para perdoar o pecado que eles cometeram contra ele. Yosef chora ao ouvir isso.

O enterro de Yaakov na terra de Israel é a última expressão da mensagem que ele tem sempre tentado transmitir à família: Estamos no Egito, mas é na terra de Israel que está a nossa herança.

7ª Aliá (50:21-26) Yosef contrapõe que D’us os trouxe ao Egito para que pudessem sobreviver. Yosef vê os seus bisnetos no Egito. Yosef faz com que os irmãos prometam levar os seus ossos para Israel quando forem redimidos.

Yosef é generoso e piedoso: vós, meus irmãos, não me vendestes para aqui. Era o plano de D’us salvar o nosso povo, colocando-me na posição de salvar todos vós. Isto é generoso para com os seus irmãos e piedoso, ao ver a Mão de D’us a salvar o povo.

O único problema é que ele está errado.

Não podemos culpar Yosef. Ele está correto no que vê. Mas ele não vê o que nós vemos.

Ele vê a “árvore”. Nós temos a vantagem de ver a “floresta”. Nós sabemos o que vai acontecer a seguir. Muitos anos no Egito, crescimento maciço, faraó, escravidão, sofrimento e, finalmente, redenção. Claro, a descida do povo judeu para o Egito era o plano de D’us. Mas era o grande plano, o plano dramático que termina com o Êxodo do Egito.

Yosef foi involuntariamente a causa da descida da nação judaica ao Egito. Ele pensou que era o plano de D’us salvar a família. Mas realmente o plano de D’us era abrigar o povo judeu inteiro no Egito. Para que crescesse e se tornasse uma nação. Para depois redimir todo o povo judeu e levá-lo de um lugar para outro ao mesmo tempo. Yosef não sabia o que estava para vir. Mas nós sabemos.

Parasha da Semana – Haazinu

Parasha da Semana – Haazinu

Por: Rav Reuven Tradburks

Haazinu é a penúltima Parasha da Torá. É um capítulo de 52 versículos, o que o torna um dos mais curtos da Torá.
Todos, exceto 8 versículos, consistem na música de Haazinu. A canção está escrita na Torá na forma de um poema com 2 colunas paralelas. A própria Torá a chama de Hashira Hazot, esta canção; 5 vezes na parashá da semana passada e uma vez novamente esta semana.

O poema de Haazinu era a canção que os Leviim cantavam no Beit Hamikdash durante a oferenda de Mussaf no Shabat. Sabemos que os Leviim cantavam um salmo de Tehilim como o Shir Shel Yom – a canção diária, cantada acompanhando a oferenda diária da manhã. Eles também cantavam uma canção durante o Mussaf de Shabat e essa canção é Haazinu.

Mas eles não cantavam a música inteira todas as semana. Haazinu foi dividida em 6 seções – exatamente como dividimos as aliyot. Era lida uma parte por semana, a canção inteira em 6 semanas. Talvez tenha sido dividida em 6 semanas para expressar o seu tema, a história judaica. A história judaica abrange milénios, por isso é cantada duarante 6 semanas no Templo.

1ª aliya (Devarim 32:1-6) Ouvi, céus, ouvi terra. D’us é Justo, Fiel. Eu invocarei o nome de Hashem, atribuirei grandeza ao nosso D’us.

A canção é um poema rítmico de dísticos, ou pelo menos começa assim. Estes 6 versículos são a introdução. O que estamos a dizer nesta música é cósmico – dêem ouvidos, céus e terra. Ele é Grande e Justo. Nós, Seus filhos, somos distorcidos.

2ª aliá (32:7-12) Lembra-te daqueles dias. Quando as nações foram organizadas, vós, povo judeu, tornastes-vos Sua herança. Ele encontrou-te, a menina dos Seus olhos. Abriu as Suas asas sobre vós. Ele mesmo cuida de nós.
Estes 6 versículos introduzem o alvorecer da história judaica. São lembranças ternas e melancólicas. Uma cápsula da história judaica e da maneira como D’us se relaciona connosco deve começar com ternura. Esta aliá é um sorriso, uma descrição daqueles dias despreocupados de fidelidade.

3ª aliá (32:13-18) Ele colocou-te no coração da terra, alimentou-te com mel, azeite, manteiga, com gado em abundância e vinho. Yeshurun ​​ficou gordo e deu coices. Deixou-O e procurou outros – demónios, novos poderes, e esqueceu-O.

Nestes 6 versículos, as coisas começam a dar errado. Os versículos não terminam mais simetricamente, no final da segunda coluna. Agora eles começam a terminar na primeira coluna, no meio da linha, desequilibrados. A música está fora de ordem agora. A abundância na terra engordou-nos. E tornou-nos rebeldes. Ruins o suficiente para deixá-Lo. Mas esquecê-Lo? Isso não é o que os nossos antepassados ​​procuravam.

4ª aliya (32:19-28) Ocultarei o meu rosto deles e veremos o que acontece então. Eles Me irritaram. Enviarei agressores para os irritar. A minha raiva queima. Vingar-me ei na terra. Espalhá-los-ei, sem nenhum vestígio de sua memória. Nem vão entender que Eu estou por trás disso, pois não têm discernimento.
Esta já não é uma aliya de 6 versívulos, como as 3 primeiras, mas de 9. Os versículos já não terminam simetricamente, no final da segunda coluna. Agora acabam na primeira coluna – desequilibrados. Como se dissesse: o mundo não está a funcionar como deveria, está fora de ordem; as coisas começam a dar errado. A música agora muda, da voz de Moshe para a voz de D’us. Moshe não o descreve mais – D’us fala agora na primeira pessoa. Moshe não pode descrever isso, pois uma vez que D’us esconde sua Face, nenhum homem pode entender Seus caminhos; D’us tem que descrever Ele próprio a ocultação de Seu Rosto. Ramban comenta que esta é na verdade uma previsão do exílio das 10 tribos, o Reino de Israel. A memória deles desapareceu. Um total de 10 tribos do povo judeu foi perdido para sempre. Sem final feliz. A história do povo judeu terá muitas tragédias, mas a perda de 10 tribos do nosso povo, sem deixar vestígios, é uma tragédia de proporções épicas.

5ª aliá (32:29-39). Oh, se o povo entendesse as consequências. Um só não poderia perseguir 1000 ou 2 perseguirem 10000 se não fosse o nosso D’us. Os opressores bebem as amargas safras de Sodoma e Gomorra. D’us acabará por cessar esse abandono do Seu povo, enquanto as nações não têm ninguém para as resgatar. Eu sou aquele que dá a vida e a tira; ninguém escapa da Minha mão.

A canção volta para a voz de Moshe. O significado simples de alguns dos versículos nesta aliá é claro, outros são bastante obscuros. O último versículo, com o retorno da voz de D’us, também volta a terminar na segunda coluna. A estrutura voltou, a ordem está de volta. Esta aliá é marcante ao se referir tanto ao povo judeu quanto aos demais, aos quais nos referimos como opressores. Embora tenhamos sido dececionantes, temos um final de reconciliação. Mas quando se trata de outras nações e da sua maldade e rebeldia, Moshe cede a palavra de volta a D’us. Não nos cabe a nós falar da justiça devida aos outros. Essa é obra Dele, não nossa.

6ª aliya (32:40-43) Flechas de sangue, uma espada devoradora de carne, o pagamento do inimigo. Cantem as nações do Seu povo, pois no final haverá retribuição e a terra expiará o Seu povo.

3 versículos estão na primeira pessoa, com D’us a falar de justiça suprema, vingança contra os Meus inimigos, aqueles que Me odeiam. Esta aliá não é para os fracos de coração. Nós nos contorcemos com a noção de um D’us vingativo. Como nos contorcemos em “Shfoch chamatcha”, derrama a Tua ira sobre as nações, os versículos que dizemos quando abrimos a porta no seder. Mas Moshe insistiu em que recitemos este cântico, parecendo sentir que esta canção nos guiará na história. Justiça divina, recompensa e punição, fazem parte da ordem do mundo. Nós repetimo-lo no seder quando olhamos para a culminação da história e repetimo-lo nas Akdamot que dizemos em Shavuot ao olhar para o futuro. Não nos deleitamos em que Ele faça justiça. Embora reconheçamos essa justiça, a justiça divina deve fazer parte do fim dos dias. Mas a canção não termina com a retribuição. Termina com todos os povos a cantar – um fim dos dias universal.

7ª aliya (32:44-52) Moshe traz esta canção, junto com Yehoshua, ao povo. Ele os instrui a levá-la a sério e a ensiná-la a seus filhos. Não são palavras vazias, mas sim a tua vida. Então Moshe recebe a ordem para subir Har Navo, onde deve morrer.

O versículo afirma que Hashem falou com Moshe sobre sua morte iminente “b’etzem hayom hazeh”, naquele mesmo dia. O significado simples é que no mesmo dia em que esta canção foi concluída, a vida de Moshe também cumpriu o seu tempo e estava para ser concluída. Mas Rashi cita o Midrash que prefere traduzir isso como significando “em plena luz do dia”. A ascensão de Moshe à montanha e a sua morte devem ser públicas, à vista de todos. Para evitar as objeções do povo. Por mais que as pessoas quisessem evitá-la, a morte de Moshe é inevitável. Por mais devastadora que seja a perda da liderança de Moshe, faz parte da vida. A aliança é com o nosso povo, transcendendo qualquer líder