Dreidels Kaifeng escritos em mandarim

Dreidels Kaifeng escritos em mandarim

Em homenagem a Chanucá, a organização sem fins lucrativos Shavei Israel, sediada em Jerusalém, projetou e produziu centenas de dreidels com letras em mandarim para os judeus chineses de Kaifeng, China, bem como para 20 membros da comunidade que já fizeram Aliya para Israel com a ajuda da organização.

Kaifeng é uma cidade na província central chinesa de Henan, localizada a sudoeste de Pequim, e é o lar de centenas de descendentes de uma comunidade judaica que viveu lá por mais de um milénio. Os dreidels são provavelmente os primeiros que têm texto em chinês, que aparece da seguinte forma:

伟大 的 – Grande; 奇迹 – Milagre, 发生 过 – Aconteceu; 这里 曾 – aqui.

De acordo com o fundador e presidente da Shavei Israel, Michael Freund, os primeiros judeus a se instalaram em Kaifeng, uma das antigas capitais imperiais da China, eram comerciantes judeus iraquianos ou persas que viajaram ao longo da Rota da Seda no séc VII ou VIII. A comunidade cresceu e prosperou, e em 1163 construiu uma grande sinagoga, que foi renovada várias vezes ao longo dos séculos. “No seu auge, durante a Dinastia Ming, Kaifeng tinha até 5.000 judeus”, disse Freund.

Freund explica que os casamentos mistos generalizados e a assimilação finalmente  venceram, e a morte do último rabino da comunidade no início do século XIX foi o prenúncio do fim da comunidade enquanto entidade coletiva. A sinagoga, que existia há 700 anos, foi destruída por uma série de enchentes que atingiram a cidade em meados do século XIX. De acordo com ele, existem atualmente cerca de 1.000 pessoas em Kaifeng que são identificáveis ​​por meio de árvores e registos genealógicos como descendentes da comunidade judaica da cidade.

“Os judeus chineses de Kaifeng são um elo vivo entre a China e o povo judeu”, disse Freund. “Apesar das severas restrições que lhes têm sido impostas pelo governo chinês nos últimos anos, os descendentes de judeus chineses estão ansiosos por aprender mais sobre a herança dos seus antepassados, ​​e esperamos que estes dreidels em língua chinesa que preparámos para eles lhes tragam felicidade e luz durante Chanucá. ”

link para o artigo original em Inglês:

https://www.sdjewishworld.com/2021/11/29/kaifeng-dreidels-inscribed-in-mandarin/

Fotografia de Chaya Castillo

Os 13 Princípios – 5º Princípio (parte 2 de 2) – Rezar só a HaShem

Os 13 Princípios – 5º Princípio (parte 2 de 2) – Rezar só a HaShem

Os 13 Princípios – 5º Princípio (parte 2 de 2) – Rezar só a HaShem

Pelo rabino Yossef Bitton

 

Na primeira parte explicámos que um dos 13 princípios da fé judaica é orarmos apenas a HaShem, De’s. Dirigimos-Lhe as nossas orações diretamente, sem intermediários. Isto é, não oramos a “santos”, a “anjos” ou a “espíritos”. Apenas e diretamente a D’us.
Explicámos também que podemos e devemos orar uns pelos outros, e isso não é considerado intermediação.
O que também podemos fazer é orar a HaShem e pedir-lhe que ouça a nossa Tefilá pelo mérito dos nossos antepassados. Geralmente invocamos o mérito de Abraão, Isaac e Ya’aqov. Isto é claramente afirmado na Amidah: “vezocher chasdé Avot”, HaShem, lembra-Te, isto é, “considera a nosso favor”, o mérito dos nossos antepassados.
O que é considerado idolatria é rezar a outro ser, humano ou não humano, vivo ou morto; a qualquer outra coisa ou entidade que não seja HaShem.
Exemplo: HaShem realizou milagres através de Moshe Rabbenu, Eliyahu haNavi, etc. . Ora, orar a Moshe, a Eliyahu haNabi ou ao Rabino Meir é uma transgressão séria. Não posso dizer, por exemplo: “Eiyahu haNavi, ou Rabi Meir, por favor, responde-me, salva-me, faz um milagre”, etc. Isso seria totalmente errado.
Imagino que algumas pessoas podem cair neste e noutros erros semelhantes involuntariamente devido a uma situação de desespero, na qual desejam fervorosamente que as suas orações sejam ouvidas.
E embora, como explicaremos mais adiante, Bz’H, não haja garantia de que as nossas orações sejam sempre atendidas por Boré Olam ao nosso gosto, os nossos Profetas e os nossos Sábios alertaram-nos de que existem fatores que causam que as nossas orações sejam completamente ignoradas por HaShem, mesmo quando estamos a orar diretamente a Ele.
O que pode fazer com que as nossas orações sejam rejeitadas por HaShem é a nossa má conduta. Ninguém descreveu este cenário de hipocrisia religiosa melhor do que o Profeta Yesha’ayahu, quando ele disse em nome de D’us: (1:15) “Quando estenderdes as mãos em oração [para Mim], Eu desviarei o olhar de vós. E mesmo que Me dirijais várias orações, NÃO vos ouvirei. Yesha’ayahu afirma que às vezes HaShem não olha para nós, nem ouve as nossas orações. Mas, em que situações HaShem rejeita as nossas orações? O final deste versículo 1:15 diz isso explicitamente: Não vou ouvir as vossas orações porque “as vossas mãos estão cheias de sangue”. O povo era corrupto. Matavam, roubavam, enganavam, subornavam. Não protegiam a viúva, o órfão ou os pobres. Pelo contrário: abusavam dos mais fracos, daqueles que não eram capazes de se defender. Essas pessoas más vieram para o Bet haMiqdash depois de cometer todas essas imoralidades e ousaram orar a D’us, como se HaShem não visse o que fazemos, ou como se houvesse uma total desconexão entre o que fazemos e o que oramos, ou como se HaShem pudesse ser “subornado” com orações ou sacrifícios… E, por essa razão, HaShem os rejeitou, e NÃO deu ouvidos às suas orações.
Yesha’ayahu haNabi explicou-lhes: Com o nosso D’us, não funciona assim. HaShem rejeita a oração dos ímpios.
Mas, Yesha’yahu disse: essa situação pode ser corrigida. E para que essa situação se inverta, para que D’us esteja disposto a ouvir as suas orações, Yesha’ayahu diz-lhes: (1: 16-17) «Purificai-vos (= arrependendo-se das suas más ações) … parai de fazer o mal. Aprendei a fazer o correto. Procurai justiça. Protegei os oprimidos. Defendei a causa do órfão e da viúva. Então HaShem ouvirá atentamente as suas orações.
Termino com as belas palavras do Rabino Chaim Pereira-Mendes (1852-1937) sobre este mesmo assunto: “A oração sem conduta adequada é pior do que inútil. É um insulto a D’us. Os nossos profetas condenaram a oração e os sacrifícios…. quando nossa conduta é inaceitável para D’us. Orações sem a conduta correta … falham no seu propósito. Não podemos esperar que D’us responda às nossas orações a menos que pratiquemos justiça, e a compaixão e caminhemos humildemente diante dEle.”
Leia os textos anteriores aqui:
Parashá da Semana – Matot-Masei.

Parashá da Semana – Matot-Masei.

Parshat Matot-Masei

Pelo rabino Reuven Tradburks

1a  aliá (Bamidbar  30:2-31:12)  Votos: os compromissos devem ser mantidos.  O voto de uma jovem  pode ser anulado pelo pai no dia em que é tomado; se não for anulado, deve ser observado.  O voto de uma mulher casada pode ser anulado pelo marido; se não for anulado, deve ser observado.  Travai uma batalha de  retaliação a Midian, após a qual Moshe morrerá.  1,000 soldados por tribo são liderados por  Pinchas, acompanhados pelos utensílios sagrados e trompetes.  Os líderes de Midian são mortos, as cidades destruídas.  Todo o espólio é trazido para Moshe e Elazar nas planícies de  Moav, em frente a Jericho.

 

A capacidade de um pai ou marido anular um voto não é tão bem aceite pelas sensibilidades modernas.  No entanto, em tempos passados, e não tão passados,  os homens eram muito mais responsabilizados pelas decisões dos membros das suas famílias do que agora.  Mas, como já referi muitas vezes, o que ficou por dizer é igualmente importante.  Não há ninguém para anular os votos do homem.  (embora exista um mecanismo na halacha para fazê-lo, os homens têm menos saídas do que as mulheres).   É exigido com mais vigor aos homens que mantenham a sua palavra. Estamos a marchar para a terra de Israel.  Vamos instalar-nos lá.  Todos terão de assumir compromissos comunitários.  O que  digo,   tenho de fazer.   A minha palavra é a minha  palavra; Pode contar comigo.  Enquanto a marcha para a terra continua, pensamos no dia seguinte, no assentamento na terra e na construção da sociedade.   Estamos a apostar desde a marcha até à  terra, à vida  na  terra.  Essa sociedade  tem de ser  construída com base na palavra de cada um.

 

2ª  aliá  (31:13-54)  Moshe está zangado por as mulheres terem sido poupadas, pois foram as armadilhas  nos assuntos ilícitos de Baal Peor.  Ordena a sua morte.  Elazar ensina a passar os utensílios midianitas através do fogo e através da água antes de os usar (kasherização e  imersão).  O vasto espólio está dividido.  Os soldados recebem metade, o povo metade.  Os soldados darão 1/500 do seu espólio aos Cohanim; o povo  dará 1/50  para os Leviim.  O espólio era: 675.000 ovelhas, 72.000 bovinos, 61.000  burros e 32.000 jovens.  Foram dados os dízimos.  Os líderes da guerra aproximam-se de Moshe: nenhum soldado caiu na batalha.  Daremos a totalidade do espólio de ouro e prata como expiação; é 16.750 shekel.

 

O espólio é dividido igualmente entre os soldados e o resto da população.  Havia 1.000 soldados por tribo, 12.000 no total.  O recenseamento da semana passada deu uma população total de 601.000.   Não é  justo: 12.000  soldados  recebem o mesmo que 589.000 pessoas?  Lição aprendida: A sociedade judaica valoriza os seus soldados, expressando-lhes o seu profundo apreço através de recompensas pelo seu serviço.   Os benefícios que a nossa sociedade israelita moderna concede aos soldados que servem o nosso país estão enraizados na nossa Torá. E enquanto um dízimo vai para os Cohanim e  Leviim, aqueles que fornecem força espiritual, isso é minúsculo em comparação com o que é dado aos soldados.  Os Cohanim recebem 1/500 da metade dos soldados.   Os  Leviim  1/50 da metade da população em geral.  Agradecemos a contribuição dos líderes religiosos, mas apreciamos mais a contribuição dos soldados.

 

3a  Aliá  (32:1-19)  As tribos de Reuven e Gad  têm  extensos rebanhos, e a região acabada de conquistar  tem  terras de pastagem exuberantes.  Pediram a Moshe para se instalarem neste local.  Moshe  perguntou retoricamente: os vossos irmãos vão para a  guerra e vós sentais-vos aqui? Ides desmoralizar o povo assim como os espiões, ao não querer entrar na terra. Vistes a reação de De’s ao não permitir que aquela geração entrasse na terra.  As tribos de Reuven e Gad partiram para alojar os seus rebanhos e famílias no lugar, juntando-se ao resto das pessoas nas  batalhas pela  terra.

A guerra com Midian rendeu um vasto espólio de animais.   Os  Bnei  Reuven e os Gad pensam: “se esta terra pode dar tanto, porque não ficar com ela?”  Faz todo o sentido.  Afinal, isto é economicamente seguro e  estável.  Não é o mesmo que os espiões.  Os espiões tinham medo de tomar a  terra, o que, no fundo, foi um repúdio da promessa de De’s de defender a nossa conquista da terra.  Estas  pessoas  estão apenas confortáveis em  chutz  laaretz.  A grama é mais verde deste lado; por que se aventurar  para o outro, o  desconhecido?  Não questionam    se a terra pode ser conquistada; questionam poquê desistir da boa vida.  Parece-vos familiar?

 

4a  aliá  (32:20-33:49)  Moshe  concordou com a oferta das tribos de Reuven e Gad: eles se juntariam à batalha pela terra e após a sua conclusão voltariam para a margem leste da Jordânia.  Moshe informou Yehoshua e Elazar disto, instruindo-os a garantir que tudo o que foi acordado fosse cumprido.  As terras de  Og  e  Sichon foram divididas entre Gad e Reuven, enquanto a região de Gilad foi dada a metade da tribo de Menashe.    Moshe registou todas as viagens até aqui, enumerando-as todas com  grande detalhe.  Quando  chegaram a  Hor  Hahar,  Aharon  morreu, aos 123, anos no primeiro dia do quinto mês (1 Av).  As  viagens terminaram nas planícies de  Moav  em frente a Jericó.

 

A aquiescência ao pedido das tribos de Reuven e Gad é surpreendente.  Por que permitir que se assentem fora da terra de Israel, instalando-se nas terras de  Og  e  Sichon?   Isto pode parecer duro,  mas a terra que foi conquistada está a ser inequivocamente reivindicada como nossa.  Estas são as terras de  Sichon  e  Og.  Lutaram contra o povo judeu.  A justiça nacional exige que a sua oposição não passe despercebida.  Se todos os judeus tivessem entrado na terra, esta área  seria  reconquistada pelo adversário.  Também com a guerra com Midian.  O esforço nacional de sedução não pode ser deixado sem oposição.  O povo judeu está a transmitir uma mensagem daquilo a que podemos chamar uma lei newtoniana da justiça nacional;  toda a oposição a nós será confrontada com uma oposição a vós.

 

5a  aliá  (33:50-34:15) Nas margens do Jordão, o povo é ordenado a tomar a terra de Israel e instalar-se nela, por ela lhe ter sido dada.  Deve substituir o povo da terra, pois, senão, eles serão um espinho do seu lado; e, inevitavelmente, o que vos estou a  ordenar, que os substituam, será feito por eles a vós.  As fronteiras da terra: ao sul, do Mar Mediterrâneo até ao Mar Morto; a fronteira ocidental é o Mar Mediterrâneo a norte até ao Líbano, a Norte até à Síria, a leste ao longo do Jordão.

 

A delimitação das fronteiras da terra é complicada porque alguns dos marcos que descreve não nos são familiares.  No entanto, é evidente que a fronteira sul não se estende até Eilat.  A fronteira norte estende-se até ao Líbano de  hoje.  E a fronteira oriental  inclui grande parte da Síria de hoje.  Com a chegada iminente do ano de  Shmitta  em Israel, determinar a fronteira sul é útil, pois qualquer produto cultivado a sul dessa fronteira não será obrigado pelas leis de  Shmitta.

 

6a  aliá  (34:16-35:8) Os líderes das tribos partilharão a terra.  Aos  Leviim  serão dadas cidades entre as tribos.  Cada cidade terá área aberta e área de pastoreio à sua volta, 2.000  amot  em área total fora da cidade.  Os  Leviim  podem instalar-se nas cidades de refúgio ou em 48 cidades designadas.  Estas cidades são fornecidas pelas tribos,  de acordo com o tamanho da tribo e sua área atribuída.

 

A descrição da área aberta e de pastoreio ao redor da cidade é uma das passagens ecológicas da Torá.  Um pulmão verde ao redor da cidade.  2.000 amot é  cerca de um quilómetro.  Como as cidades eram pequenas (não havia necessidade de estradas largas para carros no mundo antigo), isto equivale a uma saudável cintura verde ao redor de toda a cidade.

 

7a  aliá  (35:9-35:13) Devem ser estabelecidas Cidades de Refúgio, 3 no lado oeste da Jordânia, 3 a leste.  Quem matar acidentalmente pode  fugir para lá.  Não é acidental mas sim assassinato se uma pessoa atacar outra com uma arma letal, ou se o ataque for premeditado.  O  assassino será condenado à morte; os familiares das filhas de  Zelophchad  apontaram a Moshe que que a herança da família seria danificada,  pois as filhas vão se casar com homens de outra tribo, e, assim, a integridade do loteamento familiar deles seria danificada.  Nem sequer regressará em Yovel, pois começará com outra tribo.   Moshe instruiu que  estas mulheres casassem com homens da sua família, de modo a manter a integridade do loteamento da família.

 

Na descrição das cidades de refúgio, qualquer ilusão de que a sociedade judaica na terra será perfeita é dissipada.  Haverá assassinatos.  E nesta parsha, travámos uma batalha devido à falha do mau comportamento sexual com as mulheres de Midian.  E mais cedo na Torá, o bezerro de ouro e adoração de ídolos.   Os  judeus do deserto passaram pelos grandes 3: idolatria, adultério e assassinato.  Não  somos, nem temos ilusões de que seremos uma sociedade perfeita.  Mas, com todo o conhecimento, De’s está a prometer-nos que entraremos na terra iminentemente.  Alguns judeus vão errar, vão pecar, vão falhar. Mas não o povo judeu.  O pacto com o povo perdura. Com algumas pedras no caminho, mas  perdura. O livro de  Bamidbar  termina nas margens do Jordão, pronto para entrar na terra.

Parashá da Semana

Mishpatim

Pelo rabino Reuven Tradburks.

Começamos uma nova era na Torá: a era da Mitzvá.  Nos primeiros 86 versos da Parsha, há 51 mitzvot. A parte principal da parashá  trata de mitzvot da lei civil.  O fim da parashá retoma a narrativa, descrevendo a iminente entrada na terra de Israel.  Moshe sobe à montanha para receber as tábuas.

Para dar alguma estrutura a estas 51 mitzvot, apresentei cada secção com um título em negrito, indicando o tema das leis que se seguem.

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Parasha Da Semana

Beshalach

Pelo rabino Reuven Tradburks.

O Faraó persegue, o mar divide-se, as pessoas cantam. As pessoas viajaram e queixaram-se de falta de água em Mara, de falta de pão e carne no Deserto do Sin e de falta de água em Refidim.  Amalek atacou e foi derrotado.

1ª Aliá (13:17-14:8): De’s guia os judeus em direção ao mar.  Moshe leva os ossos de Yosef.  Uma nuvem guia-os de dia, uma coluna de fogo à noite. De’s instrui-os a evitar a rota reta para a Terra de Israel, com receio de que o regresso ao Egito seja demasiado fácil. Em vez disso, acampem no mar, para que o Faraó repare. Vou endurecer-lhe o coração e ele irá persegui-los, para que o Egito saiba que Eu Sou De’s. O Faraó liderou as suas carruagens de elite em perseguição.

A nossa parasha introduz um novo capítulo na história do povo judeu: o capítulo da liberdade nacional. Uma nuvem pairou sobre o povo desde o momento em que foi dito a Avraham: o teu povo será afligido numa terra estrangeira por 400 anos. Sete parashiot completas, desde a venda de Yosef até agora, contaram esta história. 

Mas agora, com a liberdade, vem o desafio de viver.  Ser um povo livre é um conceito maravilhoso, mas uma realidade difícil. 

Até o próprio De’s está preocupado com o facto de o povo fraquejar perante as incertezas da liberdade; eles vão desejar o conforto das certezas da vida escrava. E vão querer voltar ao Egito. Por isso De’s desvia-os para uma rota indireta. 

2ªAliá (14:9-14): Quando o exército de Faraó se aproxima, o povo tem medo.  Clamam a De’s e dizem a Moshe: porque nos trouxeste do Egito para morrer no deserto? Teríamos preferido ser escravos no Egito do que morrer no deserto.  Moshe diz-lhes para não temerem, pois estão prestes a ver a redenção de De’s.

O foco da Torá muda dramaticamente. Houve 4 figuras principais nesta história: De’s, Moshe, Faraó e o povo judeu. Mas alguém esteve ausente da maior parte da história: o povo judeu. Ouvimos pouco sobre o povo judeu em toda a história do Êxodo.  Moshe, sob a direção de De’s, confrontou o Faraó. Moshe recebeu as mitzvot antes da praga do primogénito. Tudo o que ouvimos dos judeus é que eles fizeram tudo o que De’s mandou sobre a oferta de Pesach. Mesmo na noite dramática do Êxodo, quando o Faraó lhes ordenou que saíssem, só ouvimos falar que receberam ouro e prata e que procuraram provisões, sem tempo para a massa subir.

Mas onde estão a alegria e a celebração? E o medo, a preocupação, o medo do desconhecido, o medo da mudança, o medo da vulnerabilidade, o medo de represálias por parte do Faraó? E as suas emoções, os seus pensamentos?

Tudo isto muda aqui. Agora ouvimos falar das suas lutas, das suas preocupações, das suas preocupações. Porque até aqui, a narrativa tem sido do ponto de vista de De’s – a fim de ensinar a lição da Mão de De’s no mundo. Agora o foco passa para os judeus.   Aprendemos as lições dEle. Agora temos que as viver. E isso leva-nos ao medo, à alegria, à incerteza, à desilusão e à vulnerabilidade – tudo o que torna as pessoas humanas.

3ª Aliá (14:15-25): De’s instrui Moshe a levantar a mão para que o mar se divida. E diz-lhe que endurecerá o coração do Egito para que ser glorificado através do Faraó e da sua comitiva. E o Egito saberá que Sou De’s. Moshe fê-lo; as pessoas entraram no mar, em terra seca, com as águas como paredes de ambos os lados. Os egípcios seguiram- se; de manhã ficaram presos no mar.

A divisão do mar renova o tema da água como símbolo de começos. Água em destaque na Criação, no berço de Moshe no rio, e agora. Início do mundo, início do Êxodo e agora, o início da vida nacional judaica. A vida nacional judaica começa com os judeus entrando na água. Já não são apenas os Seus milagres; participamos como parceiros no Seu plano, dando o primeiro passo para a água.

4ª Aliá (14:26-15:26): A água voltou e afogou todos os egípcios. O povo judeu viu os egípcios mortos, viu a Mão de De’s, temeu a De’s, acreditando nEle e em Moshe.  Moshe e o povo cantaram Az Yashir: «Cantarei a De’s, a minha força, o meu salvador, o meu De’s. Ele é O da guerra. A Tua mão é poderosa, a Tua mão vence inimigos.   As nações temê-Lo-ão. De’s vai reinar para sempre.» Miriam liderou as mulheres na música.  Moshe levou o povo ao deserto, até Mara. O povo queixou-se de falta de água.  De’s instruiu Moshe a lançar madeira e adoçar a água. 

Na grande canção, no mar, temos a emoção libertada. O povo canta. A redenção divina exige uma resposta humana. Na verdade, quando citamos o êxodo do Egito na nossa tefilá, adicionamos uma menção à Shira – a redenção precisa de ser acompanhada pela nossa canção, Shira.

Aqui encontramos alegria, apreciação, euforia e fé. E enquanto toda a gente canta com Moshe, a canção está curiosamente na primeira pessoa singular: «eu canto», «a minha força». Isto é pessoal, individual, meu, não nosso. Todos cantámos a canção no mar; mas no singular. O meu De’s salvou-me.

De facto, e embora eu esteja apenas a especular, esta pode ser a fonte da frase na Hagadá Cada pessoa é obrigada a ver-se como se ela própria tivesse deixado o Egito.    Se formos meticulosos ao relatar a história do Egito, temos de notar que cada pessoa, individualmente, cantou pessoalmente a canção no singular: «O meu De’s salvou-me», «o meu De’s lutou a batalha». E assim, ao contar a história da nação no seder, nós também devemos sentir individualmente o nosso lugar nessa história, assim como o judeu individual o sentiu na época.

5ª Aliá (15:27-16:10): Viajaram para o deserto de Sin. Queixaram-se: «Oh, se tivéssemos permanecido no Egito com a abundância de pão e de carne.» O maná foi providenciado pela manhã: reúnam o suficiente para um dia, na sexta-feira para dois dias. De’s apareceu numa nuvem.

A série de queixas é o início do processo, nem sempre fácil, de constituir um povo.  Por muito elevada que seja a liberdade, as preocupações humanas são muitas vezes mais imediatas. Eles queixam-se pela água, pelo pão, pela carne e pela água novamente. Moshe está exasperado.

A frustração de Moshe é destacada. Para enfatizar quem é o verdadeiro líder aqui.  Toda a história do Êxodo é a história da intervenção divina. Ele libertou-nos; Moshe apenas levantou a vara. Eu dividi o mar; Moshe apenas levantou a vara. E ele cuida de nós; Moshe apenas bateu na pedra com a sua vara. Não é a história de Moshe, o líder carismático, levando o seu povo rumo à liberdade. É a história de De’s, usando o Seu servo de confiança para levar o Seu povo rumo à liberdade. E cuidar deles.

6th Aliá (16:11-36) A carne virá à noite. Cada pessoa deve recolher maná diariamente para as suas necessidades. Algumas pessoas guardaram para o dia seguinte; estragou. E alguns foram recolher em Shabbat. De’s questionou: quanto tempo vão resistir a cumprir os Meus comandos? De’s deu-te o Shabbat, por isso dá-te o dobro na sexta-feira. Aharon, toma uma porção de maná para preservar para sempre.  O povo judeu comeu o maná durante 40 anos.

O Shabbat precede a entrega da Torá. A Mitzvá de Shabbat é o 4º dos Dez Mandamentos. No entanto, já aqui, antes do Monte Sinai, aparece a noção de Shabbat. Prepara o que precisares na sexta-feira. Recolham na sexta-feira. Não recolham no Shabbat.  Porque não vai cair.

Há uma ironia em dar o maná e o Shabbat ao mesmo tempo. 6 dias trabalharás. O sétimo é um dia de descanso.  Mas é-lhes dada comida que cai do céu. Que trabalho é que eles fazem durante os seis dias? 

Aqui, num ambiente em que não há trabalho, há Shabbat. Não se trata apenas de um dia de folga do trabalho árduo da semana. É um dia santo, um encontro com a Shechiná.  A ausência de trabalho é um meio para o objetivo da concentração espiritual. Um dia íntimo com a Shechiná é significativo – seja após 6 dias de trabalho ou não.

7ª Aliá (17:1-16): Não havia água em Refidim.  As pessoas queixaram-se, assim como Moshe. Moshe foi instruído a bater na rocha; produziu-se água. Amalek atacou em Refidim. Yehoshua derrotou Amalek. A memória desta guerra tem que ser registada.

A justaposição da guerra de Amalek com tudo o que aconteceu antes é instrutiva. O Divino forneceu-nos: redenção da escravidão, intervenção no mar, água, comida, carne, água novamente. Parece que Amalek está a atacar essa realidade. Um povo com um De’s que o protege e o abastece – é esse o povo que eu ataco.

Os inimigos do povo judeu vêem-nos como o povo de De’s.  Um povo protegido pela Sua Mão. Isso provoca ciúmes, ressentimento e negação. Sobre isso não precisamos de comentários.

Rav Reuven Tradburks é o Diretor do Machon Milton, o curso de preparação para a conversão em inglês, uma parceria do Rabbinical Council of America (RCA) e da Shavei Israel. Rav Tradburks também é Diretor Regional para Israel da RCA. Antes da sua aliá, Rav Tradburks trabalhou durante 10 anos como Diretor do Tribunal de Conversão do Vaad Harabonim de Toronto, e foi rabino comunitário em Toronto e nos Estados Unidos.