Os 13 Princípios – 8º Princípio (parte 1 de 5) – Como sabemos que a nossa Torá é autêntica?

Os 13 Princípios – 8º Princípio (parte 1 de 5) – Como sabemos que a nossa Torá é autêntica?

Por: Rav Yosef Bitton

O oitavo dos treze princípios da fé judaica diz que a Torá que possuímos hoje é a mesma que foi dada a Moshe Rabeinu (Moisés) no Sinai.

Hoje falaremos sobre qual foi o método meticuloso utilizado pelos Sábios de Israel para transmitir o texto da Torá de forma a evitar erros inadvertidos. 
Devemos saber que a presença de erros na transmissão de textos era bastante comum, principalmente antes da invenção da imprensa.  Existiam inúmeros «erros de copista», que ocorriam quando os copistas se enganavam ao copiar de um texto para outro.
O Sefer Torá (livro, rolo, rolo da Torá), tal como o temos hoje, contém exatamente as mesmas palavras que HaShem transmitiu a Moisés. O texto foi preservado durante os séculos com muito cuidado, pois os nossos Sábios estavam muito conscientes de que estavam a transmitir um texto único: a palavra de HaShem. E, portanto, não se podiam permitir a possibilidade de erros inadvertidos na transmissão ou cópia de um texto para outro. O que fizeram então os Sábios para evitar erros de copistas? 
Os nossos escribas ou copistas, eram chamados de “Soferim” em hebraico. Eles eram os Sábios responsáveis ​​por copiar o texto bíblico de um Sefer Torá para outro, mantendo o texto intacto. A tarefa dos Soferim era muito mais difícil em tempos de guerra, destruição e exílio, por exemplo após a destruição do Primeiro Bet haMiqdash, quando tinham que fugir de um lado para o outro e os recursos eram muito escassos.
Para entender o sistema de transmissão que esses Sábios utilizavam, temos que entender porque eles eram chamados de “Soferim”. A palavra “Sofer”, ou o plural, “Soferim”, é um termo usado em referência a um “escriba”, ou seja, o indivíduo que escreve Tefilin, Mezuzot e rolos da Torá. Mas é curioso que esta palavra “sofer” realmente significa “contador” e não “escritor” ou “escriba”… Porque os rabinos que copiavam e escreviam o Sefer Torá foram chamados de Soferim e não por exemplo “kotebim”, escritores? Os nossos Sábios explicaram que eles eram chamados Soferim porque “eles contavam todas as letras da Torá”. Ou seja, eles sabiam exatamente quantas letras a tinha a Torá, quantas letras tinha cada Parashá e até quantas vezes aparecia na Torá e em cada Parashá cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico.
Por exemplo: Eles sabiam há muito tempo, desde o tempo de Moshe rabbenu, que foi o primeiro «Sofer, que a Torá, os 5 Livros de Moshe, contém exatamente 79.847 palavras e um total de 304.805 letras. Os Soferim também sabiam, por exemplo, quantas letras cada um dos 5 livros da Torá contém: Bereshit: 78.064, Shemot: 63.529, Vayqra: 44.790, Bamidbar: 63.530, Debarim: 54.892. Dessa forma, quando escreviam um novo Sefer Torá, eles contavam as letras para ter certeza de que nada estava em falta.
Um exemplo pessoal muito simples para demonstrar como o conhecimento do número de letras garante a precisão da transmissão de uma palavra: O meu e-mail pessoal é ” rabbibitton@yahoo.com “. Quando digo ou dito a alguém a primeira parte do meu e-mail, deixo sempre claro que “rabbibitton” é escrito com 11 letras. Muitas vezes as pessoas dizem-me que conseguiram perceber que meu sobrenome se escreve com dois “Ts” graças ao fato de eu ter dito “11 letras”. Se eu não lhes tivesse dito o número de letras, muitos escreveriam “biton” ou “rabi”, se não soubessem inglês
O número de letras garante a transmissão fiel de uma palavra ou texto. 
Este oitavo princípio de nossa fé, de que a Torá que temos hoje é a mesma que recebemos no Sinai, tem a ver essencialmente com a fé que temos nos nossos antepassados. Confiamos absolutamente em que eles tiveram muito cuidado e nos transmitiram com absoluta fidelidade e precisão cada letra da nossa sagrada Torá. E eles desenvolveram um método de contagem das letras, que garante que a cadeia de transmissão do texto mais importante do mundo era e é absolutamente confiável.
No próximo texto, B’H veremos que este oitavo princípio também inclui a nossa crença de que a Torá Oral que temos hoje é aquela que foi transmitida por HaShem a Moshe Rabbenu . 
Parasha da Semana – Korach

Parasha da Semana – Korach

Korach – Por: Rav Reuven Tradburks

A história da rebelião de Korach é paralela à história dos espiões da semana passada. Ambos são uma rejeição do Divino, embora na áspera e tumultuada dinâmica humana. No pecado dos espiões, embora D’us nos tenha prometido a terra repetidamente, muitas vezes, o encontro com a realidade deixou o povo com medo. O sentimento de inadequação, de fraqueza, de falta de confiança, de inferioridade face às nações da terra levou o povo a contestar. Como se dissesse: somos inadequados até mesmo com as promessas de D’us. Korach, por outro lado, não sofre de uma sensação de inadequação, mas de uma autoimagem inflacionada. A melhor pessoa para liderar esse povo sou eu. A sua autoperceção inchada levou-o a desafiar a liderança de Moshe, apesar de D’us ter escolhido Moshe repetidamente. Como se dissesse: Eu sei melhor do que o Divino quem é a melhor pessoa para liderar este povo, e essa pessoa sou eu. Autoperceções opostas; a mesma conclusão. As histórias de Bamidbar giram em torno da realidade da natureza humana; o desafio da fidelidade ao Divino em meio à miríade de fraquezas humanas. E existem mesmo uma miríade de fraquezas.

1ª Aliá (Bamidbar 16: 1-13) Korach iniciou uma rebelião contra Moshe e Aharon com Datan, Aviram, On e com 250 outros. Eles afirmavam: Somos todos santos, porque então estás acima de nós? Moshe ficou perturbado. Rebateu: D’us, Ele próprio, afirmará quem é a Sua escolha. Tragam uma oferta de incenso e Ele escolherá. Falou com Korach: Porque não é suficiente para ti servir como Levi, que também queres ser Cohen? Moshe chamou Datan e Aviram. Eles se recusaram, dizendo: A tua liderança falhou, pois  falhaste em nos trazer para a terra de Israel.

A rebelião é multifacetada. Existe Korach. Ele procura ser o líder, seja no lugar de Moshe ou do Cohen Gadol, para usurpar Aharon. Pois todos nós somos santos. O que é verdade. Datan e Aviram desafiam a liderança de Moshe; Moshe falhou em conduzi-los à terra prometida. O que também é verdade. Mas, como em qualquer rebelião, as críticas, embora verdadeiras, são apenas meias verdades. Todos nós somos santos; mas, por favor, D’us fala com Moshe face a face! E é verdade, Moshe não vai conduzi-los à terra prometida; mas eles vão chegar lá. Oh, e que tal tê-los tirado do Egito, levando-os ao Monte Sinai? O sucesso de um líder dura até o anoitecer; pela manhã, tudo está esquecido. Não há memória quando se trata de insatisfação; o sucesso do passado é notícia velha. E esquecemo-nos de que não foi culpa de Moshe, mas dos espiões?

2ª Aliá (16: 14-19) Moshe ficou zangado. Ele disse a D’us: Não aceites as suas ofertas. Nunca tirei nada de ninguém. Voltou-se para Korach: amanhã, Aharon e todos vocês oferecerão incenso sobre as brasas, cada um trazendo o incenso diante de D’us. Eles assim o fizeram, reunindo-se na entrada do Tabernáculo. D’us apareceu a todo o grupo.

Liderança, na Torá, não é servir a si mesmo, mas servir ao povo e a D’us. Moshe sente-se insultado. Ele não teve nenhum ganho pessoal. Aqueles que procuram a liderança impingem as suas intenções ignóbeis aos outros. As críticas dizem mais sobre os revoltosos do que sobre o líder. Os interesses de Korach são exatamente o que ele critica em Moshe: poder e ganhos pessoais. É irónico criticar Moshe quando, na verdade, Moshe é o mais humilde de todos e sem nenhum motivo pessoal. Ele é o líder paradigmático; aquele que serve altruisticamente o seu povo e o seu De’s.

3ª Aliá (16: 20-17: 8) D’us avisou Moshe e Aharon: mantenham-se afastados, pois estou pronto para destruí-los. Moshe e Aharon objetaram: Uma pessoa peca e zangas-Te com todos eles? D’us instruiu o povo: Mantenham-se afastados. Datan e Aviram estavam descaradamente em suas casas com as suas esposas e filhos. Moshe: O teste seguinte estabelecerá se fui enviado por D’us. Se todos vocês sofrerem um destino único, engolidos pela terra, então está claro que desagradaram a D’us. A terra abriu-se, engolindo-os, a eles e a tudo o que era deles. Um incêndio consumiu os 250 portadores de incenso. Elazar, filho de Aharon, pegou nas panelas de incenso porque elas se tinham tornado sagradas pelo uso, e usou-as para fazer um revestimento de cobre para o altar. Então todos saberão que apenas os Cohanim devem trazer incenso. O povo queixou-se a Moshe e Aharon de que estavam a matar a nação. Uma nuvem cobriu o Tabernáculo.

Pela punição, vemos o pecado. Desejavam liderança, altos cargos, domínio sobre os outros: o seu destino foi cair abaixo da terra. Os portadores do incenso pretendiam altos cargos religiosos: o fogo do desejo religioso os consumiu. O incenso assume um papel central nesta história. Moshe disse a todos para trazerem incenso. Na próxima aliá, durante a praga, Aharon trouxe incenso para deter a praga. Por que não alguma outra oferta, como um sacrifício? O incenso simboliza o efémero, o espiritual, o intangível. A palavra hebraica para cheiro é reyach, semelhante a ruach, espírito. A palavra para respirar é noshem, relacionada a neshama, alma. O incenso é fumo, cheiro, flutuando intangível, como a alma. O homem foi criado a partir da adama, a terra, com a sua neshama soprada em suas narinas. Moshe está a dar uma lição poderosa de liderança religiosa: a liderança religiosa, desejada pelos rebeldes, deve ser como o incenso. Dev ser pura, elevada, sagrada, conduzida pela pureza de motivos, não pelos desejos terrenos de poder e influência.

4ª Aliá (17: 9-15) D’us queria destruir o povo. Aharon evitou esta calamidade trazendo incenso imediatamente, colocando-se entre os mortos e os vivos.

A intenção, por parte de De’s, de destruir o povo é um tema recorrente. Mas isso nunca acontece. Este é um tema crucial: O que o povo merece é uma coisa. O que realmente recebe é outra. A justiça estrita de D’us é temperada pela misericórdia, pelos esforços de Moshe e Aharon. O Homem pode merecer a destruição; mas o poder da misericórdia de D’us mitiga a aspereza do que merecemos. Já vimos este tema algumas vezes; a destruição é evitada. A Torá é a história do amor de D’us pelo povo judeu, suspendendo o que merecemos, por amor.

5ª Aliya (17: 16-24) Moshe disse: inscrevam o nome de cada tribo num cajado, com o nome de Aharon no cajado de Levi. O cajado que brotar é o escolhido. Foram todos colocados no Tabernáculo. O de Aharon germinou.

O cajado na Torá é um símbolo de poder; O cajado de Moshe foi o veículo das pragas, derrotando Faraó por meio do Poder Divino. O cajado germinado de Aharon é um símbolo de seu direito Divino ao poder da liderança religiosa. O seu poder não vem de sua própria iniciativa; vem por decreto divino.

6ª Aliá (17: 25-18: 20) D’us disse: Coloquem o cajado de Aharon como uma comemoração disto. O povo reclamou com Moshe que aqueles que se aproximam do Tabernáculo morrem. Os Cohanim e Leviim são encarregados de proteger a santidade do Tabernáculo. Enquanto os Cohanim servirão no altar, os Leviim servi-los-ão a eles e preservarão a santidade de todo o Tabernáculo. Os Cohanim devem proteger e desfrutar das oferendas sagradas. Eles recebem porções de ofertas para consumir, embora em estrita santidade. A agricultura também possui produtos sagrados, presentes que são dados aos Cohanim, comidos em estrita santidade. Animais primogénitos são presentes sagrados para os Cohanim, oferecidos como oferendas com santidade, consumidos pelos Cohanim, enquanto que os primogénitos humanos são redimidos. Os Cohanim não devem receber uma porção de terra em Israel; D’us é a porção deles.

O povo reclama que a proximidade com D’us é difícil, ameaça a vida. Moshe reassegura ao povo que os Cohanim e os Leviim protegerão a santidade, garantindo que tudo seja feito de acordo com as exigências de santidade do Tabernáculo.

7ª Aliá (18: 21-32) Os Leviim também recebem Maaser em vez de uma porção da terra. Com os Cohanim e os Leviim como os responsáveis ​​pela santidade, serão evitadas calamidades. Os Leviim devem dar uma parte de seu Maaser aos Cohanim. O Maaser dos Leviim difere das porções do Cohen, pois eles não têm a santidade que exige que sejam comidos num lugar específico e com pureza. O Maaser é propriedade do Levi, uma regalia devido graças ao serviço público.

As porções dadas àqueles que fazem o serviço público, os Cohanim e os Leviim, são perfeitamente compreensíveis. Mas a Torá mostra não apenas o que eles recebem, mas o que eles não recebem. As pessoas em posições de poder religioso podem facilmente usar essa posição para extrair riqueza de um público predisposto a isso. Os Cohanim e Leviim são informados de que devem receber porções de ofertas, ou seja, isso e nada mais. Nem terra, nem ouro e prata, nem palácios. Unica e exclusivamente as ofertas que foram mencionadas.

 

Parasha da Semana – Shlach lecha

Parasha da Semana – Shlach lecha

Por: Rav Reuven Tradburks

1ª  aliá (Bamidbar  13:1-20)  Moshe recebe a instrução de enviar líderes, um por tribo, para percorrer a terra.  Os nomes dos líderes estão listados.   Devem   viajar  do Negev para a zona montanhosa.  Para ver a terra, as pessoas, as  cidades e a fertilidade: avaliá-las e trazer produtos.

Enquanto a marcha para a terra de Israel começou na parasha da semana passada, nestes versos, a entrada na terra está iminente.  E, na verdade, já começou.  Pois estes são os primeiros judeus a entrar na terra desde o tempo de Yaakov, centenas de anos antes.   O  envio dos espiões, ao mesmo tempo que começa  inocuamente,  tornar-se-á numa das histórias mais importantes da  Torá; a história do fracasso nacional.

2ª  aliá (13:21-14:7)  E então, lá foram: entrando do sul, viajando para norte, para  Hevron, onde  viviam os descendentes dos gigantes.  Recolheram uvas,  romãs  e figos, regressando ao fim de 40 dias, reportando  a Moshe,  Aharon  e ao povo, mostrando-lhes os frutos.  Dizem que  é uma terra de leite e mel.  O povo é forte, as cidades são fortemente fortificadas, e vimos  gigantes. Habitam lá muitas nações, incluindo Amalek.   Calev  interrompeu:  Vamos conquistar esta terra, vamos conseguir!  Os outros responderam:   Não, não vamos conseguir.  Caluniaram a terra, dizendo que somos como gafanhotos aos olhos do povo da terra.  O povo confrontou Moshe e  Aharon: Melhor seria que tivéssemos morrido no Egito ou aqui no deserto, em vez de morrermos tentando conquistar a terra.  Moshe e  Aharon  ficam  desanimados, rasgam as suas roupas.  Yehoshua disse: a terra é  muito boa.

O plano descarrila. E rápido.  Pediste-nos para explorar  a terra: a terra  é  exuberante.  O povo: gigantes.  As cidades: fortificadas.  A fertilidade: frutas enormes.  O povo está compreensivelmente com medo; tudo é maior que nós. Incluindo o plano para marchar e conquistar esta terra; é grande demais para nós. Enquanto  Calev  e Yehoshua tentam ser positivos,  Moshe e  Aharon  agem como enlutados. De’s estendeu a mão: prometeu a terra a Avraham, tirou-nos do Egito,  encontrou-Se connosco  no Sinai,  estendeu-nos a mão ao convidar-nos para o  Mishkan, plantou-Se  no meio do nosso campo.  E, perante a Sua mão estendida, nós vamos afastar-nos?  Moshe e  Aharon  estão devastados. Ele está a fazer tudo isto por nós, e nós vamos recusar?

3ª  Aliá (14:8-25)  Yehoshua disse: Se De’s quiser, Ele nos levará lá.  Mas não se revoltem contra Ele.  O povo quis apedrejá-lo.   De’s disse a Moshe: Quanto tempo este povo vai irritar-Me, depois de todos os milagres que fiz?  Vou eliminá-los e fazer de ti uma grande nação. Moshe retorquiu:  Não  podes  fazer isso.  Vai  parecer que não tens o poder de levar o povo para a terra.  Sê misericordioso.  De’s disse: Eu perdoo-os, como tu disseste.   Mas:  Estas  pessoas, testemunhas de todos   os milagres e que  agora se recusam; não vão entrar na terra, à exceção de  Calev.

Esta história dos espiões é um dos dois  fracassos nacionais da Torá, a par com o bezerro de ouro.  De  facto,  a reação de De’s aqui é quase idêntica à Sua resposta: deixa-Me eliminá-los e tornar-te a ti,  Moshe, a nova nação.  E a resposta de Moshe aqui também é idêntica: Fazeres isso vai induzir as pessoas a pensar que não És capaz de cumprir as promessas e de trazer o povo para a terra.   Moshe suplica, De’s concede.  Esta não é a história do fracasso: é a história do perdão.  Assim como a  história do bezerro de ouro é uma história de perdão. Quanto mais profundo o fracasso, mais amor há no perdão.

Mais crucialmente, esta troca entre Moshe e De’s é um vislumbre além do véu.  É esse o significado poderoso da história.  Porque estamos agora a embarcar na história judaica, a marchar para a terra.  O início de milhares de anos de história judaica.  E em preparação para esta marcha, a Torá explicou detalhadamente que De’s está entre nós.  Então, vai correr tudo bem: Somos guiados pela Sua nuvem.  No entanto, a história judaica estará repleta de fabulosos sucessos e trágicos fracassos.  Será uma caminhada de picos e vales, avanços e recuos, construção e terrível destruição.  Como vamos entender os Seu caminhos?   Com De’s entre nós, as coisas não deveriam estar melhores do que estão? Oh, se pudéssemos espreitar por trás do véu e conhecer os Seu caminhos!

E esta história é isso.  Esta história  é o espreitar atrás do véu.  De’s quer destruir-nos.  Moshe suplica. Somos salvos.  Esta é a história  do que poderia ter sido, mas não foi.   40 anos no deserto parecem duros? Bem,  não quando comparados à destruição de todo o povo. Vemos 40 anos como maus.  Não, não, não.  40 anos é generosidade.   Perdão.  Misericórdia. Amor.

Devemos ter o cuidado de não concluir que podemos «adivinhar» o caminho divino.  Mas a história ensina-nos que nunca saberemos o que poderia ter sido.  Poderia ter sido destruição do nosso povo.  Foi apenas um atraso de 40 anos.

4ª  aliá (14:26-15:7)  De’s disse a Moshe e  Aharon para dizerem ao povo: Como disseram, assim será.  Não entrarão na terra.  Todos morrerão no deserto.  Seus filhos entrarão na terra.  O número de dias que percorreram a terra será  o número de anos no deserto: 40 anos.  As pessoas choraram.  Tentaram retificar o seu erro acordando cedo para empreender então a viagem, mas Moshe avisou-os de que De’s não estaria com eles.  Sofreram a derrota.  Moshe instruiu: Quando se instalarem na terra e trouxerem oferendas, tragam farinha, azeite e vinho com as oferendas.  Isto será agradável para De’s.

Ao mesmo tempo que o povo é informado de que todos morrerão no deserto, também lhes é dito que entrarão na terra.  Bem, não eles, mas os seus filhos.  Esse é  o elemento crucial desta história: o compromisso de De’s com o Seu povo é inalterado.  O Seu plano meramente se atrasou.  Esta é a história do amor de De’s para com o Seu povo.  Embora o calendário tenha sido alterado, o compromisso que assumiu para nos trazer à terra está em pleno vigor.

5ª  aliá  (15:8-16) As quantidades de farinha, azeite e vinho para serem oferecidos com um touro são mais elevadas do que as dos ovinos.  Toda a gente  traz estas libações semelhantes: é uma lei para todos.

Esta aliá muito curta é uma continuação da aliá anterior, em que são estabelecidas as quantidades de farinha, azeite e vinho para oferendas de ovelhas ou carneiros.  A aliá anterior não queria concluir com a tragédia da história dos espiões.   Em vez disso,  acabou com a frase um aroma agradável para De’s.  Na verdade, esta descrição das libações é encorajadora. Tu vais chegar    à terra.  E vais fazer oferendas lá. Tu vais trazer a farinha, o azeite e o vinho que acompanham as oferendas.  Esses são  dos melhores produtos da terra.  Logo após a sentença de 40 anos no deserto vem a promessa de que colherás trigo,  azeitonas  e uvas na tua terra. Podes estar a sofrer agora devido a este terrível pecado dos espiões.  Mas bons momentos esperam por ti.  E Eu, diz De’s, quero que Me abordes com o melhor da tua produção: a tua farinha mais fina, o melhor azeite e a alegria do vinho.

6ª  aliá  (15:17-26) Ao entrar na terra, começa a mitzvah de tomar  challa da massa de pão.   Se for cometido um erro e toda a gente pecar acidentalmente como resultado desse erro, é trazida uma  oferta de pecado de um touro. É concedida expiação, já que o povo pecou acidentalmente.

O encorajamento pós-espiões  continua.  Entrarás na terra. E terás pão, não maná.  No meio de  uma crise, é difícil imaginar a dissipação do fumo.  Mas dissipa-se.  Vai dissipar-se.  Pessoalmente, não conseguirás chegar à terra; mas o povo judeu vai conseguir.  Além disso, este pecado que ocorreu, este pecado nacional, foi duramente punido com 40 anos no deserto.  Mas os pecados nacionais  acontecerão  e  serão  perdoados; não pelo  exílio nacional, mas pela mera oferta de um touro.  Claro que isso exige a admissão do pecado.  Quando estiveres arrependido, diz De’s, Eu estarei lá para te conceder o perdão.

7ª  aliá  (15:27-41) A oferta de um  chatat  expia por um pecado acidental.  No entanto, a alma de quem blasfema contra De’s é cortada.  Foi encontrado um homem a cortar lenha no Shabbat.  Foi  detido, já que Moshe e  Aharon  não sabiam o que fazer com ele.  Foi-lhes dito que tinha que ser morto.  Coloca tzitzit nos cantos da tua roupa como um lembrete para cumprir todas as mitzvoth e seres santo para Mim.

O encorajamento pós-espiões continua.   Nem todos os pecados são iguais perante a lei.  Alguns pecados são perdoados através de uma oferta de pecado.  Outros são muito mais sérios.  A blasfémia é uma rejeição da raiz de  toda a existência judaica; de que estamos a caminhar pela vida com o nosso De’s.  Violação de Shabbat também; o Shabat é um sinal do nosso pacto, de que De’s e o povo judeu têm uma relação especial.  Embora o Shabbat seja mencionado  várias  vezes na Torá, esta pequena história reverbera  até ao nosso tempo.  Continuamos a descrever alguém que é leal à Torá e às Mitzvot como um  Shomer  Shabbat.  Como se dissesse: «Shomer  Shabbat?  Isso diz tudo.»

Parasha da Semana – Behaalotecha

Parasha da Semana – Behaalotecha

Parashat Behalotecha – Por: Rav Reuven Tradburks

Parshat Behalotcha é uma parashá fundamental na Torá, bem como uma das mais ricas. Nela se completa a preparação para marchar para a Terra; lá vamos nós, começa a marcha. É mudança, do sublime ao prático, do ideal ao real, da teoria à prática. Por outras palavras: quem tem o protagonismo são as pessoas, com todos os seus defeitos. Há reclamações, deceções, mesquinhez, disputas, frustrações. É a vida comunitária, ao vivo e a cores. E essa é a sua profundidade. Vejam bem, se tivéssemos de parar a Torá aqui, imaginaríamos a vida judaica como um conto de fadas: D’us promete a Terra, salva-nos da escravidão, dá-nos a Torá, quer habitar no meio de nós, cria um lugar de encontro entre o Homem e D’us, dá-nos dias para nos encontrarmos com Ele e instrui-nos detalhadamente sobre como caminhar na vida com Ele. Lindo. Então olharíamos para as nossas vidas – onde nos sentimos esgotados, distantes, com vidas caóticas – Onde está Ele, onde está a ordem, a coreografia, o Mikdash? Poderíamos sentir que a Torá é um conto de fadas, sobre uma vida com D’us de uma maneira que não conhecemos na realidade. Mas temos Behalotcha e o resto de Bamidbar. Como se D’us dissesse: Eu mostrei-vos o ideal. E conheço muito bem as vossas complexidades. Eu sei que alguns de vós ficareis insatisfeitos, entediados, ciumentos, ressentidos. Céticos, amedrontados, fracos. O Homem é muito, muito complexo. Eu, diz D’us, sei isso perfeitamente: Eu fiz-vos assim. O vosso trabalho como povo é descobrir uma maneira de viver tentando atingir o ideal enquanto vivem toda a complexidade que o Homem tem: todas as diferenças, divisões, lutas, talentos, fraquezas e aspirações. Behalotecha garante-nos que o ideal é aspirar, enquanto o real é administrar.

1ª aliá (Bamidbar 8:1-14) Aharon é instruído a acender a Menorá. São dadas as instruções sobre como os Leviim devem ser purificados e inaugurados através de imersão e ofertas. Ao fazer isso, os Leviim devem ser separados para serem Meus.

Estes são os últimos versículos da preparação comunitária e nacional para ir para a Terra. Os Leviim devem servir os Cohanim.

2ª aliá (8:15-26) Os Leviim devem substituir os primogénitos, que são Meus após a praga dos primogénitos. Os Leviim devem ajudar os Cohanim a manter a santidade do Mikdash. Eles são inaugurados e purificados. Devem servir dos 25 aos 50 anos, mas não devem fazer as oferendas.

Assim como para os Cohanim e para os líderes, a cerimónia de posse transmite aos Leviim que o seu status especial não é um mero privilégio; é serviço ao povo e serviço a D’us. Os sentimentos de direito adquirido ou privilégio são o veneno da vida comunitária; o sentido de prestar serviço, é o antídoto.

3ª aliá (9:1-14) Moshe instrui o povo a fazer o Pessach no primeiro mês do segundo ano. O povo fá-lo, embora alguns não possam, devido à sua impureza, Tuma. Eles perguntam a Moshe por que deveriam ser impedidos de trazer o Pessach devido ao contato com os mortos. Moshe acata o que D’us lhe dirá. Recebe as instruções: todos os que não puderem fazer o Pessach em seu devido tempo, devido a Tuma ou por estarem distantes do Mikdash, podem fazê-lo no segundo mês.

Embora o livro de Bamidbar tenha começado em Rosh Chodesh do 2º mês do 2º ano, temos aqui uma descrição do primeiro Pessach observado após deixar o Egito, que é no dia 14 do 1º mês. Parece estar fora de ordem. E a descrição de todas as oferendas dos líderes em Naso ocorreu nos primeiros dias do 1º mês. Mas a desordem é deliberada, pois quer justapor o início da marcha com a incerteza de Moshe e Pessach. O tema do nosso livro é a marcha para a Terra de Israel. As ofertas dos líderes mostram sua autoperceção: somos servos de D’us, não somos egoístas. Igualmente, a oferenda do Pessach. Somos todos, todos nós, servos de D’us, não somos egoístas. E a pergunta feita a Moshe por aqueles que estão impuros é um prenúncio dramático. Mesmo que esteja tudo perfeitamente encaixado  – o acampamento está montado, o Mishkan no meio, os líderes são altruístas, o povo é dedicado –  prepara-te. Porque às vezes acontecem coisas inesperadas. Todo o planejamento do mundo não pode evitar o inesperado da vida. E esse é o tema poderoso do restante desta parashá, prefigurado pela incerteza de como lidar com os impuros em Pessach. Acontecerão coisas que simplesmente ninguém esperava.

4ª aliá (9:15-10:10) A nuvem descia sobre o Mishkan durante o dia; à noite, aparecia em fogo. Quando se levantava, o povo viajava; quando parava, o povo acampava. Podia permanecer no local por um longo tempo ou apenas durante a noite; alguns dias, ou um mês. O povo acampava e viajava por sinal Divino. Moshe recebeu instruções para fazer 2 trombetas de prata. Quando ambas soavam, o povo deveria reunir-se; quando soava apenas 1, reuniam-se os líderes. Um teruah era o sinal para para partir; tekia para reunir. Em tempo de guerra, toca um teruah; em dias festivos e ocasiões alegres, toca um tekiah.

Esta aliá descreve poeticamente as viagens judaicas: guiadas pelo Divino, e chamadas por trombetas. É a parceria divino-humana. Ele chama, nós chamamos. Somos guiados por D’us mas somos nós que administramos as pessoas. E isso prenuncia tudo o que está por vir; o confuso negócio de gerenciar pessoas.

5ª aliá (10:11-34) No dia 20 do 2º mês a nuvem levantou-se; o povo viajou do deserto do Sinai para o deserto de Paran. O acampamento viajou exatamente como tinha sido instruído; cada tribo na sua posição designada. Moshe pediu ao seu sogro Chovev (Yitro) para viajar com eles, pois a sua visão seria valiosa. Ele não aceitou e voltou para a sua terra. Viajaram por 3 dias.

Começa a marcha para a terra de Israel. E Moshe está bem ciente dos seus desafios. Enquanto ele é único no funcionamento do Divino, o seu sogro Yitro mostrou o quão magistral ele é no funcionamento das pessoas. Ele quer desesperadamente a orientação de Yitro para administrar o inevitável, o inesperado. Embora Moshe conheça os desafios da vida que o aguardam, até ele fica surpreendido com a rapidez com que surgem os desafios das fraquezas humanas.

6ª aliá (10:35-11:29) Moshe orava durante a viagem: D’us, dispersa os Teus inimigos. E durante o descanso: Retorna às miríades. O povo reclamou, irritando D’us e Moshe, um incêndio deflagrou nos limites do acampamento. Chamaram Moshe, Moshe rezou e o fogo apagou-se. Um grupo entre o povo clamou por carne, lembrando-se do peixe e vegetais que comiam livremente no Egito: Estamos ressequidos, apenas com este Maná. D’us e Moshe ficaram zangados. Moshe reclamou: devo andar com eles ao colo como se faz com um bebé? Onde poderei encontrar carne para alimentar todos eles? Não posso suportá-los sozinho. D’us respondeu: reúne 70 anciãos. Eu dar-lhes-ei um pouco do teu espírito e eles ajudar-te-ão. E fornecerei carne. O espírito de D’us fluiu para os 70 anciãos; Eldad e Medad continuaram a profetizar.

Aqui começa o resto do livro de Bamidbar: a mudança do mundo ideal da orientação divina para o mundo real da complexidade humana. A primeira reclamação vem rápido; e nem nos dizem do que estão a reclamar. Porque a vida nunca será satisfatória para todos. A segunda reclamação, a reclamação por carne, é a insatisfação do Maná. É tédio. Desejo de prazer, de cor e variedade. Embora uma distorção óbvia da realidade: será que a vida no Egito era realmente melhor? Era assim tão agradável? D’us proverá a carne. Os anciãos prestarão assistência. Mas, e quanto ao fardo de levar o bebé com o qual Moshe sente que foi injustamente sobrecarregado? Como meu amigo Shmuel Goldin aponta: Moshe, isso chama-se liderança. Atender as pessoas como se fosse uma enfermeira? Esse é o destino do líder. Vais ter que aprender isso sozinho.

7ª aliá (11:30-12:16) Um vento trouxe codornizes, cobrindo a terra. O lugar chamava-se Kivrot Hataava. Miriam e Aharon falaram mal da esposa de Moshe; Moshe era o mais humilde de todas as pessoas. D’us falou com Moshe, Aharon e Miriam, chamando Aharon e Miriam. Falo convosco em sonhos, mas com Moshe não. Com ele Eu falo cara a cara. Miriam ficou leprosa. Moshe rezou pela sua cura.

As reclamações continuam; desta vez de uma fonte inesperada, Aharon e Miriam. Este desafio é breve, mas poderoso. Os desafios, conflitos e divergências que surgem na vida não devem ser vistos apenas como mesquinhez e fraqueza. Mesmo o maior dos grandes de nosso povo pode ter divergências com os nossos líderes. Essa é uma perspetiva crucial em todos os desafios que virão; os seres humanos nunca estarão livres de desacordo ou desafio. Não é apenas desejar carne. Até os mais santos questionam, legitimamente mas aqui incorretamente, o nosso líder mais sagrado.

PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO – CONTINUAÇÃO

PORQUE ESCOLHEMOS O JUDAÍSMO – CONTINUAÇÃO

Continuação do artigo sobre a família Bissato (Yehoshua de 45 anos, Chana de 36, e a filha Leah, de 10), que chegaram a Israel vindos de Caxias do Sul, Brasil. O caminho incomum destes ex-pastores na verdade afastaram-nos dos ensinamentos com que cresceram, na direção de um caminho que os levou ao judaísmo. Procuraram por um processo de conversão durante oito anos e estão animados por estarem finalmente em Israel e por começarem esta etapa final da sua jornada ao judaísmo.

“Estamos morando em Israel agora, mas não tomamos isso como garantido.”
“Um pouco da nossa história: Enfrentámos muitos desafios na nossa jornada. Então, finalmente recebemos a oportunidade das nossas vidas por parte da Shavei Israel e começámos a planear a nossa viagem. Depois veio o coronavírus e os ataques a Israel. Tive que fazer vários exames, na verdade tive Corona e minha esposa teve que fazer uma cirurgia. Esperámos mais de um ano até podermos finalmente embarcar num avião e tudo correu bem. Tanta espera e angústia…  Rezámos muito, chorámos muito… mas nunca perdemos a fé!”
“Tínhamos certeza de que chegaria o dia de nossa viagem a Israel. Depois de termos tido que cancelar a viagem três vezes, tudo correu bem. Cada etapa da jornada foi acompanhada de muita emoção e lágrimas, mas desta vez foram lágrimas de alegria e gratidão por vermos nosso sonho realizado!
Quando chegámos ao aeroporto de Ben Gurion, parecia que finalmente estávamos indo para casa. À chegada, fomos calorosamente recebidos por pessoas maravilhosas; temos muito a agradecer.
Logo após a nossa chegada, começámos as aulas no Machon Miriam, o curso de conversão em língua espanhola da Shavei Israel. Os professores são incríveis e têm uma compreensão profunda dos conceitos judaicos. Eles fazem-nos refletir sobre os temas apresentados, e a cada aula aprendemos e crescemos mais. Além disso, fomos recebidos como se fôssemos todos parte de uma grande família, onde todos se preocupam uns com os outros, e tentam ajudar em tudo o que precisarmos.”
“Estamos muito gratos por esta oportunidade, embora ainda tenhamos muitos desafios pela frente. A questão económica é algo que pesa muito sobre nós, claro, enquanto esperamos o privilégio de poder trabalhar em Israel. Embora tenhamos recebido muita ajuda até agora, todas as necessidades básicas como alimentação, aluguer, água, eletricidade e saúde exigem recursos consideráveis. Mas confiamos em De’s, e Ele certamente enviará muitas pessoas boas para nos ajudar. 
Só podemos agradecer a todos por tudo o que já vivemos aqui em Israel. Agora vamos continuar lutando até alcançarmos nosso objetivo final, que é nos converter ao judaísmo e fazer aliá.” ~Yehoshua, Hanna e Leah
Para ajudar a família Bissato e outros como eles que trabalham duro para completar sua conversão, pode fazer o seu donativo aqui neste link, e pode indicar num comentário qual a finalidade do seu donativo. Muito obrigado!